{"id":255124,"date":"2021-04-14T16:01:42","date_gmt":"2021-04-14T19:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=255124"},"modified":"2021-04-14T18:03:59","modified_gmt":"2021-04-14T21:03:59","slug":"isolado-e-desgovernado-brasil-vira-covidario-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/isolado-e-desgovernado-brasil-vira-covidario-mundial\/","title":{"rendered":"Isolado e desgovernado, Brasil vira &#8220;covid\u00e1rio&#8221; mundial"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto Jair Bolsonaro e os l\u00edderes governistas trabalham velozmente para melar ou protelar a CPI da Covid-19, criada oficialmente na tarde dessa segunda-feira (13) pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), aos olhos do mundo o Brasil de hoje n\u00e3o passa de um &#8220;covid\u00e1rio&#8221;, um pa\u00eds radioativo, empesteado e sem perspectivas de imuniza\u00e7\u00e3o. Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indicam que, no mapa da Covid, registramos uma em cada quatro mortes no mundo. O \u00faltimo dardo na lona do circo pol\u00edtico montado de um lado da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes foi lan\u00e7ado pela Fran\u00e7a ao suspender, por tempo indeterminado, voos tendo como origem ou destino o ex-iluminado solo brasileiro. Definitivamente, estamos isolados, somos p\u00e1rias do planeta.<\/p>\n<p>Vivemos um momento excepcional, mas o mandat\u00e1rio insiste em tratar a grav\u00edssima pandemia como algo de somenos import\u00e2ncia. Ele ainda n\u00e3o percebeu que o v\u00edrus ser\u00e1 tema decisivo nas elei\u00e7\u00f5es de 2022. O descaso da popula\u00e7\u00e3o mais fan\u00e1tica pelo modo negacionista de ser e a absoluta falta de planejamento de nossa autoridade maior geraram essa trag\u00e9dia humana sem fim. Por causa da falta de leitos e da aus\u00eancia de medicamentos, os relatos di\u00e1rios de m\u00e9dicos e enfermeiros que atuam na linha de frente s\u00e3o de total impot\u00eancia. Paralelamente, em vez de informar o pa\u00eds porque deixou de fazer o dever de casa quando teve oportunidade, o governo federal optou por reunir sua tropa de simpatizantes no Congresso para tentar impedir investiga\u00e7\u00f5es que possam gerar conclus\u00f5es comprometedoras sobre os quantitativos de infectados (13.599.994) e de mortes (358.425).<\/p>\n<p>A bem da lisura do processo, n\u00e3o conseguiu. A CPI da Covid-19 vai prosseguir. A necessidade de informa\u00e7\u00f5es corretas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o venceu o incontrol\u00e1vel medo do presidente com a comiss\u00e3o parlamentar. E qual ser\u00e1 a raz\u00e3o de tal temor? Muitas. Al\u00e9m de brincar e, depois, politizar o v\u00edrus, a pior delas foi o descaso com que tratou a pandemia. Simples assim. H\u00e1 um ano e dois meses, ele desdenha de quem tenta explicar a gravidade da doen\u00e7a, receita rem\u00e9dios sabidamente ineficazes, achincalha todos os recados da ci\u00eancia e da OMS, duvida de medidas preventivas, entre elas o distanciamento social e o uso da m\u00e1scara facial, e, o que \u00e9 pior, re\u00fane divulgadores do negacionismo para tornar p\u00fablicas suas eloquentes e tendenciosas (in)decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Infelizmente, ainda somos uma na\u00e7\u00e3o onde os substantivos cultura e educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. Claramente h\u00e1 entre eles um delei denominado dedica\u00e7\u00e3o excessiva a algu\u00e9m, o popular fanatismo, cuja obsess\u00e3o tende a esquecer o bom senso e acaba liberando ignor\u00e2ncias. Foi o que ocorreu no \u00faltimo fim de semana com um antip\u00e1tico editor da TV C\u00e2mara, cujo nome n\u00e3o merece ser citado. Por meio de uma mensagem no m\u00ednimo desrespeitosa, o amigo da on\u00e7a culpou um colega de profiss\u00e3o e de emissora pela pr\u00f3pria morte decorrente da Covid-19. O insens\u00edvel jornalista quis saber se o falecido havia desprezado o tratamento indicado por Bolsonaro ou se tinha alguma doen\u00e7a grave pr\u00e9-existente.<\/p>\n<p>Segundo o aprendiz de feiticeiro, para quem o teste PCR \u00e9 de comprovada inutilidade, &#8220;fora dessas duas op\u00e7\u00f5es, numa doen\u00e7a com 99,98% de taxa de sobreviv\u00eancia, s\u00f3 morre da peste chinesa quem quer&#8221;. Pura estultice de quem, com muita sorte, passar\u00e1 dessa para melhor atolado em um amontoado de estrume. Talvez parta com o ventre cheio de lombrigas ou piolhos, criados e crescidos ap\u00f3s ingest\u00f5es di\u00e1rias de ivermectina. Antiparasit\u00e1rio, esse medicamento n\u00e3o cura sequer insensatez. \u00c9 contraindicado para aqueles que t\u00eam f\u00edgado ulcerado no lugar do cora\u00e7\u00e3o, como parece ser o caso do bolsominion jornalista da C\u00e2mara que, apesar da idade, n\u00e3o aprendeu nada com a vida.<\/p>\n<p>Com a pandemia fora de controle \u2013 agora faltam itens b\u00e1sicos, como oxig\u00eanio, kits para intuba\u00e7\u00e3o e sedativos -, a autoridade que n\u00e3o est\u00e1 preocupada 24 horas em resolver o problema da Covid n\u00e3o sabe ou n\u00e3o quer governar. \u00c9 a triste situa\u00e7\u00e3o do Brasil, onde at\u00e9 os mais crentes j\u00e1 perderam o otimismo. Eu mesmo cheguei a embarcar nessa onda de esperan\u00e7a. Tinha certeza de que a inveja do papa argentino nos faria quase santos. Acho que nos enganamos redonda, quadrada, horizontal e verticalmente. Incerto, o cen\u00e1rio econ\u00f4mico transformar\u00e1 os problemas sociais em pandem\u00f4nio. Nesses 12 ou 13 meses, provavelmente os bons melhoraram, mas temo que os ruins tenham ficado piores. Os pobres, coitados n\u00e3o t\u00eam mais o que empobrecer, embora tenham descoberto a solidariedade na mesma propor\u00e7\u00e3o que encaram a severidade da crise.<\/p>\n<p>Quanto aos ricos e novos ricos, pouco a acrescentar. Os n\u00fameros e as not\u00edcias revelam que todos amealharam mais fortuna por conta da desgra\u00e7a alheia. Muitos se locupletaram para ganhar algum com os equipamentos e hospitais de urg\u00eancia, alguns tentaram se vacinar intramuros, outros viraram propriet\u00e1rios de mans\u00f5es de R$ 6 milh\u00f5es e poucos &#8211; quase nenhum &#8211; pensaram de fato no pr\u00f3ximo. A ideia de pincelar religiosidade no texto n\u00e3o \u00e9 uma tentativa doutrinadora. Serve apenas para explicar de modo filos\u00f3fico que, como maioria, ainda estamos muito distantes da realidade que fantasiamos.<\/p>\n<p>Confirmando a tese do escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto (&#8220;A maior desgra\u00e7a de uma na\u00e7\u00e3o pobre \u00e9 que, em vez de produzir riquezas, produz ricos&#8221;), o Brasil ganhou 20 novos bilion\u00e1rios no ano macabro da pandemia. Claro que ningu\u00e9m est\u00e1 impedido de enriquecer. Entretanto, vale citar estudos do professor Willian Eid Junior, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, dando conta de que, no per\u00edodo, o desemprego alcan\u00e7ou 13,9 milh\u00f5es de brasileiros. Enquanto isso, o aumento na riqueza dos maiores bilion\u00e1rios do mundo chegou a US$ 5 trilh\u00f5es. Ou seja, a riqueza aumentou para uns, mas a pobreza alcan\u00e7ou dezenas de milh\u00f5es. Resta a esperan\u00e7a, que n\u00e3o \u00e9 mais a \u00faltima que morre. \u00c9 a primeira que nasce quando tudo parece perdido e sem solu\u00e7\u00e3o. A CPI da Covid e 2022 podem ser a luz que nos espera no fim desse tenebroso t\u00fanel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto Jair Bolsonaro e os l\u00edderes governistas trabalham velozmente para melar ou protelar a CPI da Covid-19, criada oficialmente na tarde dessa segunda-feira (13) pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), aos olhos do mundo o Brasil de hoje n\u00e3o passa de um &#8220;covid\u00e1rio&#8221;, um pa\u00eds radioativo, empesteado e sem perspectivas de imuniza\u00e7\u00e3o. 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