{"id":255470,"date":"2021-04-20T10:15:38","date_gmt":"2021-04-20T13:15:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=255470"},"modified":"2021-04-20T09:16:08","modified_gmt":"2021-04-20T12:16:08","slug":"dias-dificeis-virao-ate-o-proximo-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dias-dificeis-virao-ate-o-proximo-verao\/","title":{"rendered":"Dias dif\u00edceis vir\u00e3o at\u00e9 o pr\u00f3ximo ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil sobreviver no Brasil, mesmo que a p\u00e3o e \u00e1gua. \u00c9 o que relata reportagem do El Pa\u00eds (na edi\u00e7\u00e3o portuguesa) assinada por Diogo Magri. Personagem central do texto, Maria das Gra\u00e7as, 41, diz que sustenta seus quatro filhos com o dinheiro que tira de um sal\u00e3o de beleza que aluga como cabeleireira em Parais\u00f3polis, zona sul de S\u00e3o Paulo. Desde o in\u00edcio da pandemia de covid-19, no entanto, viu sua \u00fanica fonte de renda desaparecer \u2014n\u00e3o s\u00f3 pelas restri\u00e7\u00f5es impostas pela fase emergencial em todo o Estado, mas pelo desemprego que impossibilitou seus clientes de continuarem indo ao sal\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela sobreviveu em 2020 com as parcelas do aux\u00edlio emergencial repassados pelo Governo federal, mas neste segundo ano a ajuda de custo ser\u00e1 insuficiente. Mesmo recebendo a parcela mais vantajosa do novo aux\u00edlio, Maria n\u00e3o consegue colocar mais do que arroz, feij\u00e3o e ovo no prato das crian\u00e7as de 5, 8, 14 e 17 anos. \u201c\u00c9 do\u00eddo ver o mais novo acordar com fome e n\u00e3o ter nada em casa. Como ele ainda n\u00e3o entende, fica ainda mais dif\u00edcil\u201d, relata ela.<\/p>\n<p>Como m\u00e3e solteira, a cabeleireira tem direito a quatro parcelas de 375 reais do aux\u00edlio, a serem depositadas entre 20 de abril e 8 de agosto. Se a ajuda permitiu o abastecimento da casa durante 2020, a infla\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos dificultou a vida da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel em 2021. O pre\u00e7o m\u00e9dio de uma cesta b\u00e1sica para quatro pessoas, em S\u00e3o Paulo, era de 862,87 reais em abril do ano passado \u2014valor que saltou para 1.014,63 reais em 2021, segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Procon-SP em parceria com o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>\u201cCarne, arroz e \u00f3leo s\u00e3o os que mais assustam\u201d, pontua Maria das Gra\u00e7as. Ela conta que precisou abrir m\u00e3o da carne para conseguir comprar o arroz, substituindo bovinos e frangos pelo ovo, al\u00e9m de trocar o leite de caixinha pelo suco mais barato. \u201cFaz tr\u00eas meses que n\u00e3o compramos carne\u201d, relata ela. \u201c\u00c9 preocupante porque j\u00e1 estou no limite. Se cortar mais, vamos morrer de fome. A alimenta\u00e7\u00e3o fica desbalanceada e o aux\u00edlio s\u00f3 vai servir para comprar o b\u00e1sico, que n\u00e3o supre\u201d, completa a cabeleireira.<\/p>\n<p>De fato, alimentos de origem animal, cereais (como arroz e feij\u00e3o), a\u00e7\u00facar e \u00f3leo est\u00e3o entre os produtos que tiveram uma infla\u00e7\u00e3o ainda maior que a medida pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), que est\u00e1 na casa dos 5,5%. H\u00e1 um ano, 15 reais eram suficientes para comprar cinco quilos de arroz; agora, o mesmo dinheiro s\u00f3 paga tr\u00eas quilos. Com 23 reais, era poss\u00edvel comprar um quilo de carne de primeira em 2019. Agora, o mesmo valor paga pouco mais de 500 gramas de queijo mu\u00e7arela. Com um aumento de 53% em seu pre\u00e7o durante 2020, a carne bovina precisou ser trocada na cesta b\u00e1sica pela de frango, cujo quilo do fil\u00e9 est\u00e1 em torno dos nove reais \u2014em abril passado, era menos do que 7,50 reais. Os dados s\u00e3o do Procon-SP e do Dieese.<\/p>\n<p>O professor de economia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Heron do Carmo, ressalta que o efeito mais significativo desse aumento \u00e9 o fato dele recair sobre os produtos mais consumidos pela popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel do pa\u00eds. \u201cO problema \u00e9 que o \u00edndice de pre\u00e7o teve um comportamento variado de acordo com o grupo de produtos, e aumentaram justamente os mais consumidos pelos mais pobres\u201d, diz Carmo. Isso, por sua vez, tem um impacto forte na nova rodada do aux\u00edlio emergencial, uma vez que o dinheiro repassado aos mais pobres, al\u00e9m de ser menor, vale menos do que no ano passado por conta da infla\u00e7\u00e3o. Os 375 reais de Maria das Gra\u00e7as compram menos alimentos do que faziam em 2020. \u201cCom esse aumento brutal de pre\u00e7os, o aux\u00edlio vai ter um efeito muito menor no padr\u00e3o de vida dessas pessoas. Voc\u00ea pode ter problemas de desnutri\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica nas fam\u00edlias mais pobres\u201d, constata o economista.<\/p>\n<p>\u201cO dinheiro \u00e9 muito bem-vindo nessa situa\u00e7\u00e3o emergencial, e \u00e9 um avan\u00e7o entregar o poder aquisitivo \u00e0 pessoa ao inv\u00e9s da cesta b\u00e1sica\u201d, ressalva Carmo, \u201cmas \u00e9 preciso melhorar o valor sem cortar o n\u00famero de beneficiados\u201d. Segundo levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 116,8 milh\u00f5es de brasileiros se encontram em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, n\u00famero que corresponde a mais da metade da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o era alcan\u00e7ado h\u00e1 17 anos. O aux\u00edlio de 2021 beneficiar\u00e1 apenas 45,6 milh\u00f5es de cidad\u00e3os. \u201c\u00c9 a condi\u00e7\u00e3o de vida afetada pela pandemia, pelo desemprego e pelos pre\u00e7os dos alimentos. Imagina o drama da pessoa passar fome num pa\u00eds que tem plenas condi\u00e7\u00f5es de prover isso\u201d, completa o economista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil sobreviver no Brasil, mesmo que a p\u00e3o e \u00e1gua. \u00c9 o que relata reportagem do El Pa\u00eds (na edi\u00e7\u00e3o portuguesa) assinada por Diogo Magri. 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