{"id":255473,"date":"2021-04-20T10:22:41","date_gmt":"2021-04-20T13:22:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=255473"},"modified":"2021-04-20T09:22:16","modified_gmt":"2021-04-20T12:22:16","slug":"aula-remota-nao-e-brincadeira-e-na-escola-se-brinca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aula-remota-nao-e-brincadeira-e-na-escola-se-brinca\/","title":{"rendered":"Aula remota n\u00e3o \u00e9 brincadeira (e na escola se brinca)"},"content":{"rendered":"<p>D\u00e1 para aprender pelo computador, s\u00f3 \u00e9 mais dif\u00edcil. A orienta\u00e7\u00e3o dos professores faz muita falta, assim como o tempo com os colegas. Fazer amigos por videoaula \u00e9 complicado, ainda mais se voc\u00ea \u00e9 novo na escola. Mas as habilidades com o mundo eletr\u00f4nico melhoram muito, para quem tem acesso \u00e0 internet. Os que n\u00e3o t\u00eam passam mais dificuldades, claro. Por\u00e9m h\u00e1 os que descobriram, quem diria, que at\u00e9 pode ser legal fazer aula ouvindo um objeto mais familiar a seus av\u00f3s: o r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es de alunos da rede p\u00fablica e privada de seis Estados do Brasil, que h\u00e1 um ano enfrentam o desafio de aprender com o ensino remoto por causa da pandemia. Em todo o mundo, crian\u00e7as viram suas vidas virarem de cabe\u00e7a para baixo com a chegada do coronav\u00edrus, mas costumam ser as \u00faltimas a serem ouvidas sobre o assunto.<\/p>\n<p>Engana-se quem acredita que elas n\u00e3o entendem o que est\u00e1 acontecendo ao seu redor. Nada escapa, principalmente as escolhas \u2014muitas delas ruins\u2014 dos respons\u00e1veis por controlar a crise sanit\u00e1ria, que h\u00e1 mais de um ano empurrou os estudantes de todo o mundo para o ensino remoto. Por isso, o EL PA\u00cdS foi escut\u00e1-las. Perguntou, por meio de entrevistas feitas pelo aplicativo Zoom, como tem sido a adapta\u00e7\u00e3o a essa realidade, que promete seguir por outro ano letivo.<\/p>\n<p>\u201cOs adultos deveriam ouvir as opini\u00f5es das crian\u00e7as, porque na escola corremos risco de nos contaminar. E se isso acontecer, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar internado, porque os leitos de UTI est\u00e3o cheios, o oxig\u00eanio est\u00e1 acabando para quem precisa. \u00c9 melhor que as crian\u00e7as fiquem em casa\u201d, analisa Isis Samantha dos Santos Viana, de 11 anos, que enfrentou a aventura de mudar de escola e de Estado em meio \u00e0 pandemia no final do ano passado. Ela e sua m\u00e3e foram de Malhada, primeira cidade da Bahia a receber as \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco, para o outro lado do pa\u00eds, Quer\u00eancia, munic\u00edpio do cerrado mato-grossense, onde est\u00e1 localizado boa parte do Parque Ind\u00edgena do Xingu.<\/p>\n<p>Encontrar a escola aberta foi uma surpresa. Ap\u00f3s quase um ano estudando \u00e0 dist\u00e2ncia na rede p\u00fablica de Malhada, voltar \u00e0 sala de aula, mesmo que em semanas alternadas, no chamado modelo h\u00edbrido, fez com que a menina encontrasse o acolhimento de professores e dos novos amigos. \u201cFiquei feliz, n\u00e3o estava mais aguentando ficar em casa\u201d, conta. \u201cQuando voc\u00ea estuda em casa, n\u00e3o tem quem d\u00ea explica\u00e7\u00e3o [do conte\u00fado]. Voc\u00ea fica parada, sem fazer nada, pensando: \u2018Meu Deus, o que vou fazer com essa atividade?\u2019.\u201d<\/p>\n<p>A menina dribla a timidez entre sorrisos para falar sobre sua percep\u00e7\u00e3o da pandemia. Nada fica de fora: a reabertura das escolas, medos, casos de conhecidos que tiveram covid-19, solu\u00e7\u00f5es para a crise. E sonhos, para quando tudo isso acabar. \u201cTenho medo de pegar coronav\u00edrus. Tenho dois colegas que pegaram. Acho que tem que fechar os bares e restaurantes, mas deixar as escolas abertas uma semana sim e outra n\u00e3o\u201d, diz a menina.<\/p>\n<p>Do outro lado do pa\u00eds, Matheus Barbosa de Souza, 12 anos, mora em Malhada, a cidade que Samantha deixou, e reclama que \u00e9 dif\u00edcil estudar on-line. \u201cNa escola, temos os professores orientando. \u00c0 dist\u00e2ncia, eles s\u00f3 mandam a atividade para ler, n\u00e3o tem conversa\u201d, conta. O aluno da rede municipal afirma que, desde que a pandemia come\u00e7ou, n\u00e3o encontra mais os amigos. \u201cEu s\u00f3 brinco com meus irm\u00e3os. Meus amigos n\u00e3o v\u00eam aqui em casa e eu n\u00e3o vou na casa de ningu\u00e9m. Minha m\u00e3e n\u00e3o deixa eu ir \u00e0 rua\u201d, diz. \u201cEu acho que ano que vem j\u00e1 vai ser mais seguro para abrir as escolas. Este ano n\u00e3o, porque agora tem essa nova variante da covid-19, e ela est\u00e1 chegando na nossa regi\u00e3o\u201d, afirma Matheus, em refer\u00eancia \u00e0 cepa de Manaus do coronav\u00edrus, mais agressiva e contagiosa.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Matheus tem amparo na ci\u00eancia. At\u00e9 o ano passado acreditava-se que as crian\u00e7as desenvolviam menos sintomas e tinham taxas de mortalidade mais baixas. Atualmente, por\u00e9m, v\u00ea-se o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es dos mais jovens aumentando, na medida em que crescem os casos provocados pela nova variante. Ainda n\u00e3o h\u00e1 dados para afirmar se essa nova cepa mira ou n\u00e3o as crian\u00e7as, mas j\u00e1 se sabe que o impacto da pandemia sobre a inf\u00e2ncia \u00e9 brutal. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas alerta que as medidas para controlar o v\u00edrus, como o fechamento das escolas, afetam o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de mais de 1,5 milh\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes ao redor do mundo, especialmente os estudantes de regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e1 para aprender pelo computador, s\u00f3 \u00e9 mais dif\u00edcil. A orienta\u00e7\u00e3o dos professores faz muita falta, assim como o tempo com os colegas. Fazer amigos por videoaula \u00e9 complicado, ainda mais se voc\u00ea \u00e9 novo na escola. Mas as habilidades com o mundo eletr\u00f4nico melhoram muito, para quem tem acesso \u00e0 internet. 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