{"id":255781,"date":"2021-04-25T17:07:14","date_gmt":"2021-04-25T20:07:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=255781"},"modified":"2021-04-25T17:07:14","modified_gmt":"2021-04-25T20:07:14","slug":"palmeiras-devem-reflorestar-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/palmeiras-devem-reflorestar-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Palmeiras devem reflorestar Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>Comunidades tradicionais e agricultores familiares que cultivam palmeira-ju\u00e7ara podem se cadastrar em programa da Funda\u00e7\u00e3o Florestal que vai comprar 28 toneladas de sementes da esp\u00e9cie. A entidade visa ao repovoamento da palmeira em regi\u00f5es de Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m de oferecer alternativa de trabalho sustent\u00e1vel \u00e0s comunidades. A palmeira-ju\u00e7ara, da qual \u00e9 extra\u00eddo o palmito tipo ju\u00e7ara, est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Planta nativa da Mata Atl\u00e2ntica brasileira, a palmeira-ju\u00e7ara faz parte da cadeia alimentar para diversas esp\u00e9cies da fauna silvestre. Aves como tucanos, jacutingas, jacus, sabi\u00e1s e arapongas s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela dispers\u00e3o das sementes, e mam\u00edferos como cotias, antas, catetos e esquilos se beneficiam das suas sementes e frutos. Em decorr\u00eancia de explora\u00e7\u00e3o descontrolada para a retirada do palmito, a palmeira tornou-se restrita a poucas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e \u00e1reas protegidas particulares.<\/p>\n<p>O diretor-executivo da Funda\u00e7\u00e3o Florestal, Rodrigo Levkovicz, explicou que o papel da palmeira-ju\u00e7ara. \u201cNa Mata Atl\u00e2ntica ela \u00e9 respons\u00e1vel pela alimenta\u00e7\u00e3o de 68 tipos de animais diferentes, e ela frutifica numa \u00e9poca em que a floresta \u00e9 escassa, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia da palmeira. Ela foi muito explorada por palmiteiros, pessoas que, na verdade, n\u00e3o tinham outra op\u00e7\u00e3o de vida\u201d.<\/p>\n<p>Ele destacou que os palmiteiros, em geral, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o tinham outra op\u00e7\u00e3o de trabalho e viam na floresta o sustento. \u201cO paradigma que estamos querendo mudar \u00e9 dar valor \u00e0 palmeira em p\u00e9, tirar essas pessoas que hoje vivem numa situa\u00e7\u00e3o muito degradante do corte ilegal do palmito e come\u00e7ar a incentiv\u00e1-las a cultivarem a palmeira e fazerem ela ganhar valor em p\u00e9\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o ambiental, o Programa Ju\u00e7ara procura apoiar as comunidades tradicionais por meio do est\u00edmulo a uma produ\u00e7\u00e3o que propicie uma exist\u00eancia digna e a preserva\u00e7\u00e3o de seus modos de vida. O chamamento p\u00fablico vai ajudar a identificar fornecedores de sementes de palmeira-ju\u00e7ara dentre as mais de 30 comunidades localizadas no Vale do Ribeira, no estado de S\u00e3o Paulo, e no entorno da Serra do Mar.<\/p>\n<p>A compra de sementes \u00e9 uma parte do programa que foi idealizado para no m\u00ednimo 10 anos, com metas para cada ano. Depois da compra de sementes, a funda\u00e7\u00e3o pretende fazer o plantio, oferecer educa\u00e7\u00e3o ambiental sobre o cultivo da palmeira-ju\u00e7ara, al\u00e9m de incentivar a autonomia das comunidades e pequenos agricultores para o desenvolvimento de uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cTemos a confian\u00e7a de que as palmeiras estar\u00e3o plantadas, as pessoas v\u00e3o poder cortar algumas palmeiras para fazer o palmito e vamos ter estabelecido um ciclo virtuoso e deixado uma cadeia sustent\u00e1vel, tirando essas pessoas &#8211; que s\u00e3o os palmiteiros &#8211; de condi\u00e7\u00f5es degradantes para serem produtores do ju\u00e7ara e das suas milh\u00f5es de capacidades, desde o suco, o p\u00e3o, a cerveja e do pr\u00f3prio palmito. \u00c9 um projeto bem abrangente\u201d, disse Levkovicz.<\/p>\n<p>Ele conta que essa \u00e9 uma cadeia que n\u00e3o est\u00e1 formatada ainda, mas que as comunidades e pequenos agricultores que plantam a palmeira-ju\u00e7ara s\u00e3o conscientes quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o. \u201cTem aquelas pessoas e comunidades que botam no seu quintal para os animais e isso \u00e9 muito bonito, visitamos v\u00e1rias comunidades e eles falam &#8216;mas n\u00e3o pode vender tudo, tem que deixar um cacho [de sementes] para a natureza&#8217;.\u201d<\/p>\n<p>Levkovicz acrescenta que o papel da funda\u00e7\u00e3o \u00e9 dar um impulso econ\u00f4mico e ajudar a construir uma cadeia sustent\u00e1vel para que todo mundo saia ganhando.\u201cTemos muita certeza de que, dando incentivo adequado, essas pessoas v\u00e3o ser nossas aliadas na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><strong>Tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO agricultor familiar Vandir Rodrigues da Silva, que completou 70 anos no \u00faltimo domingo (18) e vive em uma comunidade tradicional no sul do estado de S\u00e3o Paulo, planta a palmeira-ju\u00e7ara na sua propriedade, entre outros alimentos. Nascido e criado no Quilombo de Ivaporunduva, no munic\u00edpio de Eldorado, ele mora com a companheira e com um de seus filhos. Desde crian\u00e7a, com o pai, trabalha na agricultura e, hoje, fala com orgulho de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele conta que planta de tudo um pouco: arroz, feij\u00e3o, milho, mandioca, palmito pupunha, mas o forte mesmo \u00e9 a banana. Antes da pandemia, as atividades de turismo tamb\u00e9m ajudavam a complementar a renda, mas agora, sem receber visitantes por causa da pandemia, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de banana que tem sido a principal fonte de recursos. Ainda assim, como as vendas tamb\u00e9m andam meio paradas, o jeito \u00e9 apostar nos alimentos que produz em sua propriedade.<\/p>\n<p>Apesar de cultivar, a fam\u00edlia de Vandir n\u00e3o faz o manejo da palmeira e n\u00e3o tem interesse no corte para extra\u00e7\u00e3o de palmito. Mesmo assim, eles sabem que, para retirar uma quantidade de palmeiras, precisa deixar outras: \u201cse fosse para cortar, cada 50 matrizes, cortava 20, deixava 30, isso serve para fazer o manejo de corte, mas a gente n\u00e3o tem interesse em fazer corte no palmito nosso aqui, n\u00e3o\u201d, diz Vandir.<\/p>\n<p>\u201cAqui a gente j\u00e1 vem aprendendo com os mais velhos desde crian\u00e7a. Os nossos mais velhos n\u00e3o tinham nada de legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existia nada de lei, mas eles j\u00e1 sabiam que, pra usar as coisas da natureza, a gente tem que usar um pouco e deixar um pouco. Isso j\u00e1 vem desde a cria\u00e7\u00e3o dos mais novos. Nossos mais velhos n\u00e3o sabiam nada, nem ler nem escrever, n\u00e3o tinha escola aqui, mas eles j\u00e1 sabiam como \u00e9 que fazia com a natureza: \u00f3i, se tira um, deixa dois, porque esses dois podem produzir depois. Assim \u00e9 no palmito, assim \u00e9 no fazer a ro\u00e7a\u201d, contou Vandir sobre o aprendizado das planta\u00e7\u00f5es. Ele acrescentou que as leis vieram depois e ajudaram nessa conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>O produtor conta que, nos anos de 1970 e 1980, houve uma grande invas\u00e3o de corte de palmito em todo o Vale do Ribeira. Com isso, a palmeira, antes abundante, foi se extinguindo. Foi a\u00ed que surgiu a ideia de plantar a palmeira-ju\u00e7ara em sua propriedade. Com o edital da Funda\u00e7\u00e3o Florestal, eles esperam poder vender as sementes, mantendo o plano da fam\u00edlia de n\u00e3o cortar a palmeira para extra\u00e7\u00e3o do palmito.<\/p>\n<p>\u201cAqui a gente planta a palmeira-ju\u00e7ara mais \u00e9 pra recuperar, porque ela entrou em [risco de] extin\u00e7\u00e3o e at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiu sair porque tem muito pouco. Ent\u00e3o a gente tem uma \u00e1rea aqui s\u00f3 com palmito que \u00e9 pra gente ter uma amostra porque no mato mesmo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 tendo mais, s\u00f3 tem mais nas \u00e1reas das casas. Aqui, a gente recuperou aqui uma \u00e1rea de uns 30 hectares s\u00f3 de palmito\u201d, contou Vandir.<\/p>\n<p>O agricultor ainda n\u00e3o tem a papelada pronta, necess\u00e1ria para participar do edital, mas conta com o aux\u00edlio de uma associa\u00e7\u00e3o local para conseguir regularizar sua situa\u00e7\u00e3o. O edital fica aberto at\u00e9 as 16h do dia 28 de abril. Podem se cadastrar associa\u00e7\u00f5es, cooperativas de pequenos agricultores e pessoas f\u00edsicas com origem em grupos de agricultores familiares assentados, quilombolas e demais comunidades tradicionais. O valor a ser pago pela Funda\u00e7\u00e3o Florestal aos produtores selecionados equivale a R$ 7,52 por quilo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidades tradicionais e agricultores familiares que cultivam palmeira-ju\u00e7ara podem se cadastrar em programa da Funda\u00e7\u00e3o Florestal que vai comprar 28 toneladas de sementes da esp\u00e9cie. A entidade visa ao repovoamento da palmeira em regi\u00f5es de Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m de oferecer alternativa de trabalho sustent\u00e1vel \u00e0s comunidades. 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