{"id":255927,"date":"2021-04-27T11:45:21","date_gmt":"2021-04-27T14:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=255927"},"modified":"2021-04-27T16:27:07","modified_gmt":"2021-04-27T19:27:07","slug":"bancos-estao-prontos-para-aliviar-na-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bancos-estao-prontos-para-aliviar-na-crise\/","title":{"rendered":"Bancos est\u00e3o prontos para aliviar na crise"},"content":{"rendered":"<p>O Sistema Financeiro Nacional (SFN) est\u00e1 preparado para enfrentar as incertezas relativas aos desdobramentos da pandemia de covid-19, mas o cen\u00e1rio dos riscos ainda \u00e9 de cautela em raz\u00e3o dos efeitos que o prolongamento da crise pode gerar na economia das fam\u00edlias. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do Banco Central (BC), em seu Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira, referente ao segundo semestre de 2020, que foi divulgado nesta ter\u00e7a (27).<\/p>\n<p>\u201cAo longo de 2020, o SFN alcan\u00e7ou o maior valor hist\u00f3rico de provis\u00f5es para ativos problem\u00e1ticos, melhorou a capitaliza\u00e7\u00e3o e manteve liquidez confort\u00e1vel\u201d, informou o BC. \u201cO risco de cr\u00e9dito arrefeceu, mas o cen\u00e1rio requer cautela diante da incerteza quanto ao prolongamento e aos desdobramentos da pandemia sobre a renda e o emprego\u201d, completou.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, ao longo do segundo semestre de 2020, os programas emergenciais geraram \u201crelevante crescimento\u201d do cr\u00e9dito para as micro, pequenas e m\u00e9dias empresas, enquanto o estoque de cr\u00e9dito a grandes empresas ficou est\u00e1vel. Dos 11,9% de crescimento do cr\u00e9dito banc\u00e1rio a empresas no semestre, cerca de 80% deveram-se aos programas governamentais.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira das empresas melhorou de forma desigual. Para o conjunto de todas as empresas, o fluxo de recebimentos melhorou, mas as restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias ainda impactam negativamente setores como lazer e transportes, percep\u00e7\u00e3o que pode mudar dada a incerteza sobre a pandemia.<\/p>\n<p>Segundo o diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o do BC, Paulo Souza, diferentemente do que aconteceu no ano passado, hoje, o sistema financeiro tem ferramentas dispon\u00edveis para serem utilizadas em caso do agravamento da segunda onda de casos de covid-19. Al\u00e9m disso, o cen\u00e1rio econ\u00f4mico mundial e dom\u00e9stico mudou.<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00edveis de crescimento quando se pega China e Estados Unidos, por exemplo, s\u00e3o surpreendentes. Os n\u00fameros aqui mostram que, apesar de toda a dificuldade advinda da segunda onda, t\u00eam v\u00e1rias empresas que se adaptaram a essa realidade, inclusive ampliando seu fluxo financeiro. Estamos preocupados, mas a nossa vis\u00e3o, por hora, \u00e9 que o sistema financeiro tem plenas condi\u00e7\u00f5es de atender a demanda por parte das empresas\u201d, disse, durante evento virtual para comentar os dados do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No caso do cr\u00e9dito \u00e0s pessoas f\u00edsicas, ele voltou a crescer no ritmo anterior ao da pandemia. A redu\u00e7\u00e3o nas taxas e os novos \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o ofertados aos clientes impulsionaram as concess\u00f5es do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, especialmente com recursos de poupan\u00e7a. At\u00e9 o momento, segundo o BC, o risco oriundo das fam\u00edlias est\u00e1 mitigado pelas provis\u00f5es adequadas de recursos na carteira de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Teste de estresse<br \/>\nOs resultados dos testes de estresse continuam demonstrando a redu\u00e7\u00e3o dos efeitos da pandemia no sistema financeiro e apresentou o melhor resultado desde a primeira vez em que foi publicado, em abril de 2020. \u201cA recupera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica no segundo semestre de 2020, assim como a melhora no capital, arrefeceram os efeitos da pandemia no sistema financeiro. Os resultados continuam corroborando a capacidade de o sistema absorver choques, sem desenquadramentos relevantes\u201d, explicou o banco.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da crise no ano passado, o BC estimou em R$ 400 bilh\u00f5es a necessidade de provis\u00f5es adicionais por parte do sistema e um aporte de R$ 70 bilh\u00f5es na simula\u00e7\u00e3o que considerou um choque severo da pandemia. \u201cHoje, considerando as novas m\u00e9tricas incorporadas, como os choques em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas f\u00edsicas mais vulner\u00e1veis, houve redu\u00e7\u00e3o bastante significativa na necessidade de provis\u00e3o [de R$ 128 bilh\u00f5es]. O impacto para um enquadramento de todo o sistema financeiro seria algo na faixa de R$ 1,5 bilh\u00e3o\u201d, explicou Souza.<\/p>\n<p>No teste de estresse, o BC simula o quanto uma situa\u00e7\u00e3o de severa inadimpl\u00eancia e de corrida aos bancos impacta o cumprimento dos limites regulat\u00f3rios m\u00ednimos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e quanto a autoridade monet\u00e1ria precisaria aportar ao sistema financeiro. Entre esses limites est\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o de uma reserva em caixa para garantir que os bancos paguem todos os clientes que forem sacar dinheiro em momentos de crise. S\u00e3o testados tamb\u00e9m os riscos de cr\u00e9dito, juros, c\u00e2mbio e desvaloriza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis.<\/p>\n<p>O BC considerou dois cen\u00e1rios, o primeiro de queda na atividade econ\u00f4mica, infla\u00e7\u00e3o e taxas de juros, em caso de uma terceira onda significativa; e o segundo cen\u00e1rio de uma crise de confian\u00e7a pelo agravamento da situa\u00e7\u00e3o fiscal. \u201cOs bancos est\u00e3o preparados para absorver cada um dos choques dos dois cen\u00e1rios\u201d, destacou o diretor do BC.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o informou ainda que a rentabilidade dos bancos diminuiu com a crise sanit\u00e1ria, em cerca de 26%, mas n\u00e3o representa risco para a estabilidade financeira. \u201cA pandemia inverteu a sequ\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o da rentabilidade que ocorria desde a recess\u00e3o de 2015-2016. A expectativa para 2021 \u00e9 de melhora. Mantida a perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o, as despesas com provis\u00f5es tendem a ser menores, e as receitas de servi\u00e7o, a se recuperar\u201d, avaliou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Risco clim\u00e1tico<br \/>\nO Banco Central tamb\u00e9m apresentou um estudo sobre os riscos clim\u00e1ticos. Os pesquisadores do BC e acad\u00eamicos analisaram os principais eventos clim\u00e1ticos, como enchentes e secas, entre 1994 e 2017, e indicam que as flutua\u00e7\u00f5es de curto prazo no clima teriam baixo impacto sobre os bancos. Mas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas duradouras, poderiam gerar impactos relevantes para o setor banc\u00e1rio, reduzindo a oferta de cr\u00e9dito e aumentando a inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo o BC, os bancos acabaram reduzindo a exposi\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis a esse tipo de evento clim\u00e1tico. O cr\u00e9dito banc\u00e1rio aos setores verdes \u00e9 menor do que o cr\u00e9dito aos setores de alto impacto, mas essa participa\u00e7\u00e3o relativa est\u00e1 aumentando desde 2011.<\/p>\n<p>\u201cO resultado do estudo mostra que os bancos e a pr\u00f3pria economia como um todo j\u00e1 se antecipam a esses problemas e percebem que rapidamente se ajustam para enfrentar esse tipo de eventos\u201d, disse Paulo Souza. Segundo ele, os incidentes envolvendo risco clim\u00e1tico nos \u00faltimos anos se acentuaram em diversas localidades, uma quest\u00e3o que \u00e9 tratada no Brasil h\u00e1 muito tempo em rela\u00e7\u00e3o ao risco socioambiental. \u201cInclusive, hoje o Brasil lidera, em f\u00f3runs internacionais, a discuss\u00e3o sobre melhores pr\u00e1ticas de supervis\u00e3o, a gente j\u00e1 tem o mapeamento em termos de pol\u00edticas muito precisos\u201d, completou.<\/p>\n<p>O diretor explica que, nos pr\u00f3ximos dois anos, o Brasil ter\u00e1 um detalhamento muito mais preciso desses riscos, em fun\u00e7\u00e3o do novo documento de coleta de dados que deve ser lan\u00e7ado nesse semestre. Ontem (26), o BC tamb\u00e9m colocou em consulta p\u00fablica uma proposta normativa que estabelece regras para a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre riscos sociais, ambientais e clim\u00e1ticos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do estudo sobre impacto clim\u00e1tico, o Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira tratou de outros dois temas em boxes especiais: o programa de aprimoramento da resili\u00eancia cibern\u00e9tica do SFN e do Sistema de Pagamentos Brasileiro; e os mecanismos de seguran\u00e7a do Pix, o sistema instant\u00e2neo de pagamento do BC. O BC tamb\u00e9m faz avalia\u00e7\u00f5es sobre o sistema financeiro internacional e as infraestruturas do mercado financeiro e apresenta o resultado da pesquisa de estabilidade financeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sistema Financeiro Nacional (SFN) est\u00e1 preparado para enfrentar as incertezas relativas aos desdobramentos da pandemia de covid-19, mas o cen\u00e1rio dos riscos ainda \u00e9 de cautela em raz\u00e3o dos efeitos que o prolongamento da crise pode gerar na economia das fam\u00edlias. 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