{"id":256229,"date":"2021-05-01T21:06:26","date_gmt":"2021-05-02T00:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=256229"},"modified":"2021-05-01T21:55:28","modified_gmt":"2021-05-02T00:55:28","slug":"fiancas-ditam-e-obrigam-a-engolir-suas-normas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fiancas-ditam-e-obrigam-a-engolir-suas-normas\/","title":{"rendered":"Finan\u00e7as ditam e obrigam a engolir suas normas"},"content":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 \u00e9 do conhecimento geral, o mundo ocidental, em especial, e todos os pa\u00edses deste planeta Terra foram sacudidos pelas finan\u00e7as internacionais nos anos 1990. Isto se deu gra\u00e7as \u00e0s desregula\u00e7\u00f5es promovidas na d\u00e9cada anterior pelos governos de Margaret Thatcher (Reino Unido), Ronald Reagan (Estados Unidos da Am\u00e9rica \u2013 EUA) e pela abertura a empresas estrangeiras por Deng Xiao Ping, a partir de 1976, na Rep\u00fablica Popular da China.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX foi abalado por tr\u00eas sistemas de poder.<\/p>\n<p>De in\u00edcio as finan\u00e7as, no modelo ingl\u00eas, at\u00e9 a I Grande Guerra, ou Guerra Civil Europeia, como a denominam historiadores chineses. Com as derrotas do sistema financeiro ingl\u00eas, toma o poder o sistema industrial estadunidense, que se preparava para este dom\u00ednio desde o final do s\u00e9culo XIX, com os incentivos dados pelo Estado ao processo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As industrializa\u00e7\u00f5es estadunidense e sovi\u00e9tica (esta a partir da Revolu\u00e7\u00e3o de 1918) mudam a fei\u00e7\u00e3o e objetivos nacionais, criando novos modelos de vida, que destacamos o american way of live, amplamente vendido pelas comunica\u00e7\u00f5es de massa, especialmente o cinema de Hollywood.<\/p>\n<p>As finan\u00e7as lutam contra o poder da industrializa\u00e7\u00e3o desde os anos 1920, a princ\u00edpio se associando aos movimentos de defesa do meio ambiente e da ecologia, por\u00e9m mais intensamente ap\u00f3s os anos 1960 com as denominadas \u201ccrises\u201d do petr\u00f3leo. Conquistando o governo em dois importantes centros de poder financeiro (New York e Londres) e, assim, a dire\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses, promovem as desregula\u00e7\u00f5es, expandem os para\u00edsos fiscais, absorvem os recursos de origem il\u00edcita, consolidam a nova realidade com a ideologia neoliberal, na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Pode-se ent\u00e3o entender que as finan\u00e7as chegam ao s\u00e9culo XXI com uma terceira estrutura, considerando a do s\u00e9culo XIX, na Inglaterra, como a primeira, ap\u00f3s as revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>No primeiro tempo financeiro, o exerc\u00edcio do dom\u00ednio se dava pela d\u00edvida. As finan\u00e7as promoviam, com seus recursos, os empreendimentos mercantis, industriais, e deixavam os executores presos \u00e0s d\u00edvidas que impediam o surgimento de um poder distinto ao das finan\u00e7as. A aristocracia inglesa se apoderara do poder financeiro, ap\u00f3s consolidar o poder fundi\u00e1rio, e constru\u00edra o sistema monet\u00e1rio como empreendimento privado e n\u00e3o exerc\u00edcio de soberania.<\/p>\n<p>O segundo tempo, industrial, nascera da independ\u00eancia estadunidense aos princ\u00edpios econ\u00f4micos ingleses, e da enorme extens\u00e3o de terras, a oeste, para incorporar ao patrim\u00f4nio nacional. Na fabula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia (sempre \u00e9 bom lembrar o cinema de Hollywood e os contos dos autores estadunidenses do s\u00e9culo XIX), tudo isso se deu por iniciativas particulares, mas, na verdade, os poderes p\u00fablicos quer sob a forma de legisla\u00e7\u00f5es impulsionadoras, quer com financiamentos ou com execu\u00e7\u00e3o direta dos Estados, foram os grandes condutores desta marcha para o oeste.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m curioso que, ao atingir as praias do Oceano Pac\u00edfico, esta forma de aplica\u00e7\u00e3o de recursos \u2013 lucros e terras \u2013 se dirigiu para as ilhas daquele Oceano. Hawai \u00e9 um bom exemplo.<\/p>\n<p>No segundo tempo n\u00e3o ser\u00e3o os juros, nem os alugueis, mas os lucros que formar\u00e3o os novos donos do poder. Se as fam\u00edlias eram significativas, pelas sucess\u00f5es, heran\u00e7as, casamentos, no primeiro tempo, neste segundo ser\u00e3o as sociedades de interesses e\/ou habilidades comuns ou complementares.<\/p>\n<p>Um exemplo, que perdura at\u00e9 hoje, das finan\u00e7as do primeiro tempo \u00e9 a fam\u00edlia real inglesa, Stuart na origem, e com a denomina\u00e7\u00e3o atual de Windsor. Da industrializa\u00e7\u00e3o, os Rockfeller, que diferentemente tinham empresas com participa\u00e7\u00e3o de milhares de acionistas.<\/p>\n<p>Uma das agress\u00f5es das finan\u00e7as aos industriais foi levantar a quest\u00e3o dos monop\u00f3lios da produ\u00e7\u00e3o, quando nunca se tratou dos monop\u00f3lios dos empr\u00e9stimos. Como se observa, a luta pelo poder entre financistas e industrialistas vem desde o s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>No segundo tempo, as finan\u00e7as ser\u00e3o oposi\u00e7\u00e3o ao poder das ind\u00fastrias e servi\u00e7os, exceto banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>O terceiro tempo volta \u00e0s finan\u00e7as, mas com as novas caracter\u00edsticas que as desregula\u00e7\u00f5es permitiram. Qual o efeito pr\u00e1tico das desregula\u00e7\u00f5es? O primeiro foi o anonimato dos capitais.<\/p>\n<p>\u201cDa\u00ed a import\u00e2ncia de que o para\u00edso fiscal seja, tamb\u00e9m, um para\u00edso banc\u00e1rio, de modo que esta fus\u00e3o acabe por originar aquilo que hoje se conhece como grandes centros financeiros offshore. Neste contexto, juntamente com Liechtenstein, Ilhas Cayman e Bahamas, a Su\u00ed\u00e7a criou fama mundial como para\u00edso fiscal.\u201d (Guilherme Gehlen Walcher, Para\u00edsos Fiscais: a utiliza\u00e7\u00e3o de empresas offshore em Finan\u00e7as Internacionais e os limites da licitude, Trabalho de Conclus\u00e3o do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o, Escola de Administra\u00e7\u00e3o, UFRS, Porto Alegre, 02\/10\/2008).<\/p>\n<p>O n\u00famero de para\u00edsos fiscais aumentou exponencialmente desde 1990 at\u00e9 hoje. E prevemos que, nesta terceira fase, venha a reduzir, especializando-se em administra\u00e7\u00e3o de ativos espec\u00edficos. De certo modo, os bancos chineses s\u00e3o, para alguns setores estrat\u00e9gicos para o Estado, especializados, o que os levaram \u00e0 posi\u00e7\u00e3o privilegiada no \u00e2mbito internacional das organiza\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O anonimato permite que capitais de origem il\u00edcita, como o do tr\u00e1fico de drogas, de pessoas e \u00f3rg\u00e3os humanos, o dos contrabandos de toda sorte, sa\u00edssem dos arm\u00e1rios para impulsionarem os capitais de fundos criados pelos bancos para dominar empresas e setores empresariais integralmente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o efeito maior e mais perverso foi a constitui\u00e7\u00e3o de \u201cgestores de ativos\u201d, que s\u00e3o empresas financeiras que adquirem todas as empresas industriais ou de presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o, de um mesmo segmento, transformando num monop\u00f3lio efetivo para produtos e\/ou servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Como se pode ver, a \u201cguerra fria\u201d foi uma cortina de fuma\u00e7a para a verdadeira luta travada entre as finan\u00e7as e a industrializa\u00e7\u00e3o. E nesta segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, com dom\u00ednio dos gestores de ativos, o mundo vive um novo processo colonial, desta vez sem representar um interesse nacional, um imp\u00e9rio, mas o capital global, sem p\u00e1tria, sem rosto.<\/p>\n<p>Vejamos, por fim, algumas decis\u00f5es, algumas ideias, que est\u00e3o atingindo a todos na guerra h\u00edbrida, parte pelo dom\u00ednio das comunica\u00e7\u00f5es outra pelos capitais, independente das origens, quer aproveitando a pandemia, quer independente dos efeitos do covid-19.<\/p>\n<p>O primeiro inimigo das finan\u00e7as, como se encontram neste terceiro tempo, s\u00e3o os Estados Nacionais. N\u00e3o foi por mero acaso que George Soros, financista de 8,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares estadunidenses, em 2021, declarou ser o nacionalismo seu principal advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os Estados Soberanos obviamente n\u00e3o se sujeitam \u00e0s diretrizes neoliberais, globalizantes, capa ideol\u00f3gica das finan\u00e7as atuais. Por mais que os atuais governantes das ditas democracias ocidentais sejam, todos eles, representantes das finan\u00e7as, eles, ao governarem, lidam com estruturas sociais e econ\u00f4micas irredut\u00edveis \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, colocando, assim, quest\u00f5es inescap\u00e1veis aos governantes, cujas agendas de liberaliza\u00e7\u00e3o nunca s\u00e3o plenamente atingidas, para desgosto dos seus chefes e ide\u00f3logos.<\/p>\n<p>Outro inimigo \u00e9 o valor do trabalho, a realiza\u00e7\u00e3o pessoal, o crescimento individual, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e transformador do trabalho. Surgem ent\u00e3o os n\u00e3o empregos, o fim dos direitos trabalhistas, das responsabilidades com os idosos, aposentados, que \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o dos Estados. S\u00e3o desta fase a escravid\u00e3o dos uber, a inseguran\u00e7a dos Microempreendedores Individuais (MEIs), e o desemprego.<\/p>\n<p>A pandemia do covid permitiu \u00e0s finan\u00e7as atuarem em dois sentidos. A promo\u00e7\u00e3o dos isolamentos, pela pol\u00edtica de confinamento, fazendo com que as pessoas n\u00e3o se relacionassem, n\u00e3o pudessem se unir contra as a\u00e7\u00f5es prejudiciais aos seres humanos e \u00e0 economia em favor das pessoas. E tamb\u00e9m com o acr\u00e9scimo de falecimentos. A morte em quantidade das popula\u00e7\u00f5es \u00e9 mais do que um objetivo, uma necessidade de um poder que est\u00e1, permanentemente, se concentrando. Logo aumentando o n\u00famero de pobres, de miser\u00e1veis, de famintos que poder\u00e3o destruir seus s\u00edmbolos vis\u00edveis, tais como, mans\u00f5es de luxo, instala\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, escrit\u00f3rios suntuosos, iates, helic\u00f3pteros, jatinhos, dando maior inseguran\u00e7a ao cotidiano dos rentistas.<\/p>\n<p>Concluindo, uma palavra sobre a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram as finan\u00e7as que se apropriaram das ind\u00fastrias culturais, das comunica\u00e7\u00f5es de massa, desde os anos 1920\/1930, crescentemente. Com esta arma passaram a divulgar fantasias, mentiras, dados incorretos e a doutrina\u00e7\u00e3o permanente de interesse financeiro. E tamb\u00e9m foram as finan\u00e7as que logo perceberam as imensas possibilidades das comunica\u00e7\u00f5es digitais, investindo em sistemas que transferiam, de modo imediato e seguro, valores por todo mundo. Com esta arma dominaram as bolsas de valores e de mercadorias.<\/p>\n<p>Hoje a robotiza\u00e7\u00e3o, \u00fanica perspectiva da industrializa\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas citadas no par\u00e1grafo anterior, est\u00e3o reduzindo ainda mais as oportunidades de trabalho. O homo laborans, enaltecido pelo pensamento moderno, tendo em John Locke, Adam Smith e Karl Marx seus principais arautos, perde cada vez mais a fun\u00e7\u00e3o em um mundo de crescente informatiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 circulam carros de aluguel, t\u00e1xis, dirigidos remotamente, eliminando at\u00e9 a necessidade escravista dos ubers. Como repensar a humanidade fora do labor, que, por s\u00e9culos, conferiu significado \u00e0 exist\u00eancia humana?.<\/p>\n<p>Vivemos as realidades ditadas pela terceira fase das finan\u00e7as, a dos gestores de ativos e seus monop\u00f3lios privados, eliminando as liberdades propagandeadas pelo neoliberalismo e, cada vez mais, eliminando o ser humano tal como o conhecemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 \u00e9 do conhecimento geral, o mundo ocidental, em especial, e todos os pa\u00edses deste planeta Terra foram sacudidos pelas finan\u00e7as internacionais nos anos 1990. 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