{"id":256265,"date":"2021-05-03T08:00:43","date_gmt":"2021-05-03T11:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=256265"},"modified":"2021-05-03T08:03:24","modified_gmt":"2021-05-03T11:03:24","slug":"inverno-vem-ai-ameacando-mais-covas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inverno-vem-ai-ameacando-mais-covas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Inverno vem a\u00ed amea\u00e7ando mais covas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 a pouco mais de 40 dias de entrar na esta\u00e7\u00e3o mais fria do ano. E com a chegada do Inverno (21 de junho at\u00e9 22 de setembro, por nosso calend\u00e1rio) deve vir junto uma terceira e ainda mais fatal onda do novo coronav\u00edrus. O quadro que se desenha por especialistas em sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 macabro. N\u00e3o ser\u00e1 surpresa se o pa\u00eds transformar-se, nesse per\u00edodo, em recordista mundial de mortes da Covid.<\/p>\n<p>Um dos alertas vem do m\u00e9dico e neurocientista Miguel Nicolelis. Ele teme um novo pico da pandemia. \u201cO inverno est\u00e1 chegando. Pouca gente est\u00e1 falando disso. Foi no inverno do ano passado que n\u00f3s tivemos o pico da primeira onda. Dessa vez, n\u00f3s tivemos uma explos\u00e3o no ver\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o se dando conta de que o frio vem em poucas semanas . \u00c9 prematuro quebrar o isolamento, como est\u00e3o fazendo&#8221;, adverte.<\/p>\n<p>Na literatura, no cinema, na ci\u00eancia e na vida real j\u00e1 se convencionou associar a chegada do Inverno a um desastre iminente na natureza &#8211; ou na humanidade. A pr\u00f3pria chegada da esta\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada fator-chave pelo Instituto de M\u00e9tricas e Avalia\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade da Universidade de Washington para que o Brasil ultrapasse os Estados Unidos em n\u00famero de mortes por Covid.<\/p>\n<p>O alerta vem de tosos os lados. O Brasil acaba de fechar o m\u00eas de abril com o momento mais dram\u00e1tico da pandemia. Em apenas quatro meses, este j\u00e1 se tornou o ano mais letal desde o in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria que j\u00e1 matou mais de 400.000 pessoas. Especialistas afirmam que a chegada de uma terceira onda n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de \u201cse\u201d, mas de \u201cquando\u201d, chegar\u00e1, especialmente \u00e0 medida em que os Estados come\u00e7am a suavizar as medidas de restri\u00e7\u00e3o contra a pandemia.<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o das medidas de distanciamento, com restaurantes, sal\u00f5es de beleza e academias voltando a funcionar, \u00e9 vista como temer\u00e1ria por m\u00e9dicos e pesquisadores. \u201cAbril foi o m\u00eas mais letal de toda pandemia. E independentemente disso n\u00f3s estamos reabrindo as atividades novamente\u201d, afirma Rafael Lopes Paix\u00e3o da Silva, membro do Observat\u00f3rio Covid-19 BR. Para o pesquisador, \u201cse a medida restritiva estava dando certo \u00e9 preciso continuar com ela por algum tempo para que se tenha uma margem de seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Mas, lamenta, n\u00e3o \u00e9 o que ocorre: \u201cOs governos veem uma leve queda na ocupa\u00e7\u00e3o dos hospitais e come\u00e7am a liberar de novo as atividades, isso \u00e9 desesperador\u201d. O m\u00e9dico epidemiologista Paulo Lotufo concorda. \u201cExiste um erro b\u00e1sico que \u00e9 usar como indicador [de reabertura das atividades e com\u00e9rcio] a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de UTI. Isso n\u00e3o \u00e9 um indicador epidemiol\u00f3gico, \u00e9 um indicador administrativo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O progn\u00f3stico vislumbrado para o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 bom. \u201c[Os n\u00fameros] devem cair um pouco ainda, e depois ocorrer\u00e1 uma nova subida. A quest\u00e3o \u00e9 qual ser\u00e1 a magnitude desta subida. Ningu\u00e9m imaginou, por exemplo, que essa segunda subida fosse t\u00e3o acentuada como foi [este ano o pa\u00eds j\u00e1 registrou mais mortes por covid-19 do que em 2020]. Se as coisas continuarem como est\u00e3o, em julho j\u00e1 existe uma possibilidade de terceira onda\u201d, diz Lotufo, citando as aglomera\u00e7\u00f5es que devem ocorrer em fun\u00e7\u00e3o do Dia das M\u00e3es aliadas \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o do isolamento.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de Lotufo pode soar alarmista, mas \u00e9 compartilhada por outros estudiosos da pandemia. \u201cN\u00e3o existe raz\u00e3o para ficar aliviado. A queda dos n\u00fameros verificada na \u00faltima semana \u00e9 um processo natural de epidemia, vale para a dengue e v\u00e1rias outras. Mas ainda estamos em um patamar alt\u00edssimo. Se relaxarmos demais essa queda pode se tornar um plat\u00f4, e pode inclusive ocorrer uma revers\u00e3o da queda\u201d, afirma Leonardo Bastos, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, a Fiocruz.<\/p>\n<p>Ele diz n\u00e3o ser poss\u00edvel precisar at\u00e9 onde os n\u00fameros ir\u00e3o baixar antes de se estabilizar. \u201cE a\u00ed o relaxamento [das medidas de restri\u00e7\u00e3o] ou novas variantes podem levar a um novo surto. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de \u2018se\u2019, mas de \u2018quando\u2019 isso vai acontecer. Pode ser uma onda pequena ou grande, nacional ou focada em alguns Estados. Depende muito da realidade de cada local e das pol\u00edticas que foram adotadas. Ou que n\u00e3o foram\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 a pouco mais de 40 dias de entrar na esta\u00e7\u00e3o mais fria do ano. 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