{"id":256739,"date":"2021-05-10T22:08:47","date_gmt":"2021-05-11T01:08:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=256739"},"modified":"2021-05-10T22:08:47","modified_gmt":"2021-05-11T01:08:47","slug":"metade-dos-nordestinos-nao-tem-o-que-comer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/metade-dos-nordestinos-nao-tem-o-que-comer\/","title":{"rendered":"Metade dos nordestinos n\u00e3o tem o que comer"},"content":{"rendered":"<p>Metade da popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido brasileiro, cerca de 47% da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de fome. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de reportagem de L\u00facia Bezerra, do Brasil de Fato, com dados compilados da de relat\u00f3rio da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Penssan). O estudo aponta que foram registradas cerca de 3 milh\u00f5es e 674 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar grave durante a pandemia.<\/p>\n<p>A \u00e1rea classificada como semi\u00e1rido brasileiro compreende todos os estados da regi\u00e3o Nordeste e algumas regi\u00f5es de Minas Gerais. \u00c9 um local caracterizado por um clima quente e seco, com longos per\u00edodos de seca e baixo \u00edndice de chuvas. Ao todo, moram na regi\u00e3o 7,7 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora Valqu\u00edria Lima, coordenadora executiva nacional da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), esses dados n\u00e3o s\u00e3o apenas consequ\u00eancia da pandemia, mas sobretudo reflexo da interrup\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&#8220;A tend\u00eancia, com a paralisa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 a retomada da realidade vivenciada em 2003 e 2004, quando a gente tinha um n\u00famero significativo de fam\u00edlias morrendo de fome e morrendo de sede&#8221;, explica Valqu\u00edria.<\/p>\n<p>&#8220;O que segurou a situa\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido foram mais de 10 anos de investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. E a gente est\u00e1 falando de acesso \u00e0 \u00e1gua e acesso \u00e0 condi\u00e7\u00f5es para produ\u00e7\u00e3o de alimentos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Aumento de cortes<\/strong><br \/>\nNo or\u00e7amento da Uni\u00e3o de 2021, as despesas discricion\u00e1rias chegaram ao menor \u00edndice da hist\u00f3ria, com um corte de R$ 17,2 bilh\u00f5es, o que impacta na manuten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Segundo a deputada estadual de Pernambuco pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dulcicleide Amorim, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento dos cortes. &#8220;Agora recentemente, foi aprovado no Congresso Federal e aguarda a san\u00e7\u00e3o do presidente Bolsonaro, um corte de 40% no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e de 27% no Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE)&#8221;, afirmou a deputada.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, quando a gente v\u00ea um corte desse exacerbado de 40% na agricultura familiar, que \u00e9 uma agricultura que tem justamente um fluxo de alimentar a fam\u00edlia. Ent\u00e3o, isso prejudica em cheio a nossa regi\u00e3o nordeste, j\u00e1 que temos um n\u00famero crescente de produtores&#8221;, complementa Dulcicleide.<\/p>\n<p><strong>Press\u00e3o<\/strong><br \/>\nIsso tem feito com que movimentos populares e sindicais realizem iniciativas para pressionar pela retomada desse tipo de pol\u00edtica, o Comit\u00ea Sindical e Popular Contra a Fome de Campina Grande, na Para\u00edba, iniciou ocupa\u00e7\u00e3o de cozinhas populares no munic\u00edpio. A pol\u00edtica teve in\u00edcio durante o segundo mandato do governo Dilma Rousseff e do ent\u00e3o prefeito Veneziano Vital (PMDB, 2005-2012), mas foram desativadas em 2014 pela gest\u00e3o do ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD, 2013-2020).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s come\u00e7amos com uma meta inicial de servir 500 refei\u00e7\u00f5es; bom isso ficou nos primeiros dias. A m\u00e9dia tem sido de 700 a 800 pessoas por dia&#8221;, conta Paulo Rom\u00e1rio, integrante do comit\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos fazendo a nossa parte, porque quem tem fome tem pressa; mas isso \u00e9 um dever, isso \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. Ent\u00e3o, a gente come\u00e7ou uma iniciativa de cobrar da prefeitura de Campina Grande de abrir a cozinha comunit\u00e1ria do Jeremias, mas de abrir as outras cozinhas comunit\u00e1rias, de abrir o restaurante popular&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><strong>Expectativas<\/strong><br \/>\nNo Brasil, s\u00e3o 19 milh\u00f5es de pessoas passando fome, segundo a Rede PENSSAN. De acordo com a deputada Dulcicleide Amorim, com o aumento dos cortes em pol\u00edticas p\u00fablicas, a fome no Brasil ainda pode aumentar. &#8220;Infelizmente, n\u00f3s n\u00e3o temos boas expectativas. Se em um momento desses de pandemia, que o governo era para estar preocupado agora era com o que? Com o social, com a sa\u00fade. E quando a gente v\u00ea que n\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o dessas do governo. Infelizmente, a gente n\u00e3o v\u00ea luz verde no final do t\u00fanel, s\u00f3 a vermelha&#8221;, lamenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metade da popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido brasileiro, cerca de 47% da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de fome. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de reportagem de L\u00facia Bezerra, do Brasil de Fato, com dados compilados da de relat\u00f3rio da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Penssan). 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