{"id":257219,"date":"2021-05-17T13:47:12","date_gmt":"2021-05-17T16:47:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=257219"},"modified":"2021-05-17T13:50:48","modified_gmt":"2021-05-17T16:50:48","slug":"povo-quer-circo-mas-cansou-de-ser-o-palhaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/povo-quer-circo-mas-cansou-de-ser-o-palhaco\/","title":{"rendered":"Povo quer circo, mas cansou de ser o palha\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Desde a descoberta, em 1500, o Brasil \u00e9 mundialmente conhecido como uma mistura de cores, ra\u00e7as, credos, classes sociais, religi\u00f5es e ideologias pol\u00edticas. Entretanto, o bord\u00e3o &#8220;Tamo junto e misturado&#8221;, comum em comunidades, n\u00e3o passa de brincadeira iniciada pela molecada de bairros perif\u00e9ricos e que nem sempre alcan\u00e7a os mais velhos. Na teoria, a express\u00e3o, dita em tom descontra\u00eddo, soa como estamos unidos, incorporados, conciliados e juntos, independentemente das dores, medos, decep\u00e7\u00f5es, alegrias, tristezas, expectativas e conflitos. Muito distante da realidade, a pr\u00e1tica comprova diariamente que, como seres imperfeitos, podemos at\u00e9 estar juntos, mas jamais misturados.<\/p>\n<p>No futebol, nos dividimos at\u00e9 quando o clube de colora\u00e7\u00e3o ou escudo antip\u00e1ticos enfrenta equipes de outros pa\u00edses. Qualquer um de n\u00f3s j\u00e1 viu flamenguistas, vasca\u00ednos, palmeirenses, tricolores, corintianos, gremistas, atleticanos e colorados torcendo pelo coirm\u00e3o, ainda que o advers\u00e1rio seja argentino. O problema brasileiro dos dias atuais \u00e9 a divis\u00e3o pol\u00edtica, muito mais danosa do que um carcinoma metast\u00e1tico. Se tratado a tempo e corretamente, o c\u00e2ncer tem cura. J\u00e1 a doen\u00e7a ideol\u00f3gica, al\u00e9m de transmiss\u00edvel, lembra uma infec\u00e7\u00e3o generalizada, isto \u00e9, atinge mente, cora\u00e7\u00e3o, alma e \u00f3rg\u00e3os da import\u00e2ncia do f\u00edgado, fundamental para excre\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica p\u00f3s-Luiz In\u00e1cio ainda n\u00e3o foi devidamente metabolizada por Jair Bolsonaro, que pensa como l\u00edder eterno, embora tenha vencido apenas uma disputa de vertentes. O pa\u00eds \u00e9 o mesmo, a bandeira continua predominantemente verde e amarela e os eleitores (vencidos ou vencedores) mantiveram seus t\u00edtulos aptos para futuros pleitos. Em s\u00edntese, o cargo de presidente \u00e9 eletivo, consequentemente tempor\u00e1rio. Estar no poder n\u00e3o significa se perpetuar na cadeira presidencial. Um dia ela quebra ou, o que \u00e9 mais comum, seu ocupante perde o verniz. Quando isso ocorre, o rei acaba nu. \u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o mais did\u00e1tica da derrota: rei morto, rei posto.<\/p>\n<p>Foi-se o tempo em que os mais velhos tinham prazer em votar, orgulho em mostrar o t\u00edtulo devidamente registrado e a certeza do dever cumprido quando elegiam o candidato preferido. Se o vencedor fosse um advers\u00e1rio, ningu\u00e9m xingava, ningu\u00e9m matava e ningu\u00e9m morria. Com tranquilidade e perseveran\u00e7a, esperavam a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Ainda sem muita clareza, a possibilidade de derrota em 2022 j\u00e1 fez surgir hist\u00f3rias antecipadas de fraudes ou amea\u00e7as de rupturas antidemocr\u00e1ticas. Sinal do gosto amargo e do vampirismo pol\u00edtico-partid\u00e1rio sem propostas, sem ideais e, o que \u00e9 pior, sem partidos. Fulanizaram de tal forma a pol\u00edtica que faltam os medalh\u00f5es de outrora e sobram os aventureiros de sempre.<\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo passado ainda consegu\u00edamos eleger candidatos preocupados com a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, com o emprego e, sobretudo com a governan\u00e7a. Limitados no sentido amplo do termo, os eleitos nessas duas \u00faltimas d\u00e9cadas s\u00e3o incapazes de esconder a prioridade sobre projetos pessoais, o despreparo na condu\u00e7\u00e3o administrativa da na\u00e7\u00e3o e a dificuldade em apresentar propostas perenes em benef\u00edcio da integralidade da sociedade. \u00c9 insuficiente se imaginar l\u00edder governando prioritariamente para uma parcela supostamente mais afinada com seus feitos ou malfeitos. Tamb\u00e9m \u00e9 de mau agouro transformar debates em combates. Liderar deveria ser sin\u00f4nimo de governan\u00e7a e n\u00e3o de lamban\u00e7a em nome do poder.<\/p>\n<p>Moribundo desde meados de 2020, nas cordas por causa do agravamento da pandemia e claramente dividido em dois pa\u00edses, o Brasil de hoje n\u00e3o precisa de brigas, golpes, rem\u00e9dios aviados como salvadores, mas sem efic\u00e1cia comprovada, tampouco de rezadeiras, pastores ou l\u00edderes espirituais sem compet\u00eancia. O povo quer parar de morrer, cobra vacina, exige mais emprego e pede respostas r\u00e1pidas e firmes sobre o hist\u00f3rico desarranjo da economia. Por enquanto, apenas negacionismos e desgastes di\u00e1rios de um lado e, de outro, d\u00favidas, muitas d\u00favidas. O palco est\u00e1 montado. Resta \u00e0s companhias montar suas trupes e torcer por uma boa bilheteria. Os dois lados sabem que, sem p\u00fablico, n\u00e3o h\u00e1 espet\u00e1culo. Chega de mon\u00f3logos e de textos e discursos capengas. O brasileiro quer circo, mas n\u00e3o admite mais lhe sobrar apenas o nariz do palha\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a descoberta, em 1500, o Brasil \u00e9 mundialmente conhecido como uma mistura de cores, ra\u00e7as, credos, classes sociais, religi\u00f5es e ideologias pol\u00edticas. Entretanto, o bord\u00e3o &#8220;Tamo junto e misturado&#8221;, comum em comunidades, n\u00e3o passa de brincadeira iniciada pela molecada de bairros perif\u00e9ricos e que nem sempre alcan\u00e7a os mais velhos. 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