{"id":257276,"date":"2021-05-18T12:35:33","date_gmt":"2021-05-18T15:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=257276"},"modified":"2021-05-18T12:35:33","modified_gmt":"2021-05-18T15:35:33","slug":"idiotas-de-2018-deixarao-de-ser-os-bestas-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/idiotas-de-2018-deixarao-de-ser-os-bestas-de-2022\/","title":{"rendered":"Idiotas de 2018 deixar\u00e3o de ser os bestas de 2022"},"content":{"rendered":"<p>Importantes ferramentas de nossa comunica\u00e7\u00e3o, as palavras t\u00eam grande poder, sendo capazes de motivar, levantar, emocionar, aproximar, decepcionar, magoar, assustar e derrubar. Dependendo do que e de como falamos, podemos agradar ou desagradar quem nos ouve. Por isso, devemos levar em considera\u00e7\u00e3o o poder das palavras. \u00c9 importante cuidar o modo como se fala, pois quem ouve jamais apaga o que lhe foi dito. \u00c9 como apanhar. Por uma quest\u00e3o l\u00f3gica, quem bate normalmente faz quest\u00e3o de olvidar. Quem recebe o castigo, o tapa ou mesmo a inj\u00faria jamais esquece o nome, a fisionomia, muito menos a voz de seu algoz. \u00c9 o meu caso e, acredito, que o de milh\u00f5es de brasileiros alcan\u00e7ados pela frase est\u00fapida, pateta, tola e ignorante do presidente da Rep\u00fablica. Quer dizer que somos idiotas apenas porque resolvemos seguir determina\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia?<\/p>\n<p>A insist\u00eancia em ouvi-lo talvez tenha realmente nos transformado em idiotas. Melhor assim, pois comprova que n\u00e3o fomos idiotizados por um l\u00edder obtuso e absolutamente desprovido de bom senso. Ali\u00e1s, \u00e9 o que falta para a maioria das pessoas ligadas ao ocupante do Pal\u00e1cio do Planalto, sejam elas fidalgos ou plebeus. N\u00e3o s\u00e3o somente palavras. O Brasil e a pol\u00edtica nacional foram sacudidos semana passada com a lembran\u00e7a de falares que pareciam enterradas no sarc\u00f3fago presidencial, \u00e0 medida que foram pronunciadas por pessoas do atual s\u00e9quito de poder. Como reflexo do que se pensa e se deseja, os voc\u00e1bulos, locu\u00e7\u00f5es, express\u00f5es ou termos s\u00e3o jogados ao vento e passam a ter a for\u00e7a de uma senten\u00e7a. O deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ministro Onix Lorenzoni, ambos da cozinha de Bolsonaro, n\u00e3o tiveram qualquer pudor ao rotular de medrosas e fracas duas personagens que, em passado recente, optaram pelo sil\u00eancio judicial durante comiss\u00f5es parlamentares de inqu\u00e9rito.<\/p>\n<p>A revolta do filho &#8220;03&#8221; ocorreu em abril de 2016, quando a C\u00e2mara investigava a atua\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio. De posse de uma habeas corpus, Aristides Veras dos Santos se calou. Veras era secret\u00e1rio de Finan\u00e7as da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e, por conta do sil\u00eancio, mereceu adjetivos de covarde e vagabundo. Tamb\u00e9m defensor entusiasmado da obriga\u00e7\u00e3o moral do convocado falar em CPI, o chefe da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, ministro Onix Lorenzoni, tamb\u00e9m foi apanhado na escurid\u00e3o do por\u00e3o palaciano. Em 2015, ainda deputado federal, afirmou que a op\u00e7\u00e3o por ficar calado em uma comiss\u00e3o \u00e9 uma reafirma\u00e7\u00e3o p\u00fablica de culpa. Al\u00e9m disso, chamou de &#8220;bandido&#8221; quem recorre \u00e0 Justi\u00e7a em busca do expediente do sil\u00eancio em CPIs. \u00c0 \u00e9poca, a cr\u00edtica tinha nome e sobrenome: Nestor Cerver\u00f3, ex-diretor da Petrobras, que acabou condenado pela Lava Jato.<\/p>\n<p>E agora, Jos\u00e9? Como explicar que, com aval de Jair Messias Bolsonaro, a Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU) conseguiu &#8220;meia blindagem&#8221; para o ex-ministro Eduardo Pazuello por meio da mesma ferramenta duramente criticada por &#8220;03&#8221; e por Lorenzoni? Claro que n\u00e3o se trata de um simples esquecimento. S\u00e3o dois pesos e duas medidas. O que vale para a ral\u00e9 n\u00e3o serve para os lordes. A conduta \u00e9 exatamente a mesma, embora os interesses sejam totalmente diferentes. L\u00e1 atr\u00e1s, as inten\u00e7\u00f5es eram comuns \u00e0queles que se opunham ao governo de ent\u00e3o: acusar e condenar. Hoje, o desejo \u00e9 evitar que Pazuello acuse Bolsonaro. Simples assim. Considerando a perspic\u00e1cia dos senadores e a verve de estrategista do ex-titular da Sa\u00fade, n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa se o general (fardado ou n\u00e3o) fazer valer o que disse recentemente ao chefe (manda quem pode) e deitar fala\u00e7\u00e3o na CPI da Covid. Isto porque ele est\u00e1 sob prote\u00e7\u00e3o judicial apenas para n\u00e3o produzir provas contra si. Ou seja, estar\u00e1 liberado para responder questionamentos a respeito de segundos, terceiros e quartos.<\/p>\n<p>Independente do comportamento de Eduardo Pazuello, como \u00e9 bom lembrar do velho e inesquec\u00edvel ditado: &#8220;Nada como um dia atr\u00e1s do outro&#8221;. \u00c0s vezes, melhor ainda \u00e9 a noite dividindo os dias. \u00c9 ela que leva o ser humano a refletir sobre as besteiras que produz sem imaginar e sem atentar para o amanh\u00e3, que a Deus pertence. E, nesse epis\u00f3dio, a reflex\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 a seguinte: o posicionamento de &#8220;03&#8221; e de Onix Lorenzoni foi fato ou fake? Na \u00e9poca, ambos j\u00e1 sabiam que Bolsonaro seria candidato \u00e0 Presid\u00eancia. Ent\u00e3o, nada melhor do que aproveitar a oportunidade para gerar desgaste em pessoas ligadas ao governo com o qual iriam disputar o poder. N\u00e3o devemos comparar as cr\u00edticas e os adjetivos nos plen\u00e1rios das comiss\u00f5es como mentiras, principalmente porque, ap\u00f3s a primeira inverdade, toda verdade vira uma d\u00favida. Prefiro creditar os desaforos a lampejos de franqueza e de ast\u00facia de ambos. Pode ser.<\/p>\n<p>Entretanto, h\u00e1 quem diga que sinceridade demais machuca e, via de regra, se transforma em sinceric\u00eddio. Pelo sim pelo n\u00e3o, tanto Eduardo Bolsonaro quanto Lorenzoni se calaram depois da divulga\u00e7\u00e3o de suas divaga\u00e7\u00f5es. O temor do Planalto com o depoimento do general \u00e9 natural. Dos quatro ministros que comandaram a Sa\u00fade, foi o que ficou mais tempo no cargo. Ele estava ministro quando a Pfizer fez uma oferta de 70 milh\u00f5es de doses de imunizantes ao Brasil e quando a pasta protagonizou uma campanha nas redes sociais em defesa do chamado tratamento precoce. Se ele falar, certamente dar\u00e1 respostas sobre o pouco caso do governo com a pandemia. Se ficar calado, talvez n\u00e3o seja rotulado como foram Aristides Veras e Nestor Cerver\u00f3, porque os senadores preferir\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o. Todavia, ser\u00e1 um sil\u00eancio t\u00e3o ensurdecedor que parlamentares, magistrados, Minist\u00e9rio P\u00fablico, OAB e sociedade civil o ouvir\u00e3o sem necessidade de fones de ouvido. E a todos caber\u00e1 a mesma pergunta: Por que se cala se nada teme? Na sequ\u00eancia vir\u00e1 a senten\u00e7a: Quem cala consente. Em s\u00edntese, melhor o estere\u00f3tipo de idiota do que o de estulto com a pe\u00e7onha de aluado. Somos idiotas, mas n\u00e3o bestas. Nos veremos em 2022.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Importantes ferramentas de nossa comunica\u00e7\u00e3o, as palavras t\u00eam grande poder, sendo capazes de motivar, levantar, emocionar, aproximar, decepcionar, magoar, assustar e derrubar. Dependendo do que e de como falamos, podemos agradar ou desagradar quem nos ouve. 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