{"id":257285,"date":"2021-05-18T13:50:56","date_gmt":"2021-05-18T16:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=257285"},"modified":"2021-05-18T13:50:56","modified_gmt":"2021-05-18T16:50:56","slug":"bolsonaro-aumenta-viagens-em-busca-de-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bolsonaro-aumenta-viagens-em-busca-de-apoio\/","title":{"rendered":"Bolsonaro aumenta viagens em busca de apoio"},"content":{"rendered":"<p>Em uma estrat\u00e9gia para tentar difundir seu discurso radical contra os membros da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia, o presidente Jair Bolsonaro intensificou seu ritmo de viagens pelo Brasil. Nos \u00faltimos 30 dias, quando as investiga\u00e7\u00f5es no Senado entraram, de fato, no radar pol\u00edtico do pa\u00eds, ele fez nove viagens para inaugurar obras, reunir-se com empres\u00e1rios e pol\u00edticos e, em quase todos os casos, promover aglomera\u00e7\u00f5es sem usar m\u00e1scara em meio \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus. Isso significa uma viagem a cada 3,3 dias.<\/p>\n<p>Neste ano, Bolsonaro havia reduzido o seu ritmo de visitas aos munic\u00edpios. Entre 1\u00ba de janeiro e 14 de abril, quando o Supremo Tribunal Federal referendou a decis\u00e3o que determinou a abertura da CPI da Pandemia, o presidente fez 17 viagens, uma m\u00e9dia de uma a cada seis dias. Nos seus dois primeiros anos de mandato, a m\u00e9dia foi de uma a cada 3,6 dias, em 2019, e de uma a cada 3,5 dias, em 2020. Os dados foram levantados pelo EL PA\u00cdS na agenda oficial do presidente, divulgada pelo Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Com as visitas, o mandat\u00e1rio busca difundir inloco sua defesa, por meio de ataque aos opositores, em um momento em que sua situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se complica e ele tem dificuldades em encontrar argumentos para rebater os fatos que vieram \u00e0 tona nos \u00faltimos dias. Entre as evid\u00eancias que tenta refutar criando factoides ou ofendendo advers\u00e1rios em suas redes sociais e nos discursos p\u00fablicos est\u00e1 a ina\u00e7\u00e3o do Governo na compra de vacinas, assim como da exist\u00eancia de um aconselhamento paralelo, para al\u00e9m dos t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, para a sua tomada de decis\u00f5es no enfrentamento da crise da covid-19.<\/p>\n<p>Alguns exemplos claros de que o presidente partiu para o ataque. Na sexta-feira, um dia ap\u00f3s um executivo da Pfizer mostrar na CPI que o Governo ignorou cinco ofertas de vacinas em 2020, ele reclamou das apura\u00e7\u00f5es durante um discurso feito na cidade de Terenos (MS), onde esteve para entregar t\u00edtulos rurais a assentados. \u201cAgora se faz uma CPI em Bras\u00edlia que n\u00e3o \u00e9 para apurar propina, disto a imprensa est\u00e1 com saudade. Faz uma CPI com aquela composi\u00e7\u00e3o que, puxa vida, para apurar omiss\u00f5es do Governo federal. Mas na hora de convocar governadores, ela \u00e9 contra\u201d, disse. Enquanto ele falava, parte do p\u00fablico gritava: \u201cRenan lixo\u201d e \u201cFora, Renan\u201d. Era uma alus\u00e3o a Renan Calheiros (MDB-AL), o senador que \u00e9 o relator da comiss\u00e3o e tem sido o alvo principal das queixas dos governistas.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Bolsonaro tamb\u00e9m criticou seu primeiro ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), a quem chamou de \u201cperneta\u201d. Disse que \u201cquebrou a cara\u201d com ele, que antes de ser ministro foi deputado federal por Mato Grosso do Sul. \u201cEle \u00e9 aquele do protocolo fica em casa. E s\u00f3 quando voc\u00ea est\u00e1 morrendo de falta de ar, voc\u00ea procura um hospital, para ser intubado\u201d, discursou diante de aplausos de militantes.<\/p>\n<p>Na quinta, o presidente foi inaugurar obras em Macei\u00f3 (AL), que \u00e9 a base eleitoral de Calheiros. Assim como o seu filho Fl\u00e1vio Bolsonaro (Republicanos-RJ) fez no dia anterior, o presidente chamou o emedebista de \u201cvagabundo\u201d. \u201cSempre tem algum picareta, vagabundo, querendo atrapalhar. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no nosso pa\u00eds. \u00c9 um crime o que vem acontecendo com essa CPI\u201d, disse. Al\u00e9m de Macei\u00f3 e Terenos, desde a abertura da CPI, o presidente viajou a S\u00e3o Paulo (duas vezes), Manaus (AM), Bel\u00e9m (PA), Feira de Santana (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Velho (RO). Nesta \u00faltima cidade, al\u00e9m de promover aglomera\u00e7\u00f5es pilotou uma moto sem usar capacete.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do presidente \u00e9 reverter a curva de apoio da popula\u00e7\u00e3o aos trabalhos da comiss\u00e3o e, consecutivamente, enfraquecer seus potenciais opositores em 2022, como o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT). Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana ilustra o desgaste bolsonarista: 82% da popula\u00e7\u00e3o apoiou a abertura da CPI e Lula venceria Bolsonaro em um eventual segundo turno em 2022, com 55% para o petista e 32% para o atual mandat\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cUm bandido foi posto em liberdade, foi tornado eleg\u00edvel, no meu entender para ser presidente. Na fraude. Ele s\u00f3 ganha na fraude no ano que vem\u201d, disparou Bolsonaro. Lula foi preso pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato em abril de 2018, seis meses antes da elei\u00e7\u00e3o vencida por Bolsonaro. Em novembro de 2019, ele foi solto. E em abril deste ano, teve suas condena\u00e7\u00f5es na opera\u00e7\u00e3o anuladas, restabelecendo seus direitos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Se nos debates internos da comiss\u00e3o o presidente encontra dificuldades de sua base em defend\u00ea-lo, no Judici\u00e1rio ele obteve uma vit\u00f3ria, ainda que parcial. Nesta sexta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski, do mesmo STF que mandou abrir a CPI, decidiu que o ex-ministro da Sa\u00fade Eduardo Pazuello poder\u00e1 ficar calado em seu depoimento do pr\u00f3ximo dia 19, caso ele note que poder\u00e1 produzir provas contra si mesmo. O magistrado atendeu a um pedido feito pela Advocacia-Geral da Uni\u00e3o. O general Pazuello, um dos depoimentos mais aguardados porque pode elucidar a demora do pa\u00eds na compra de vacinas e a implementa\u00e7\u00e3o de um protocolo para uso de cloroquina, foi convocado como testemunha e n\u00e3o poder\u00e1 mentir. Na mesma decis\u00e3o, contudo, Lewandowski proibiu que ele falte com a verdade, por exemplo, quando questionado sobre atos de terceiros, o que incluiria o presidente Bolsonaro. \u201cA aus\u00eancia de seu depoimento ou sua recusa em responder as perguntas prejudicar\u00e1 sobremaneira a condu\u00e7\u00e3o dos trabalhos da CPI da Pandemia\u201d, afirmou Calheiros sobre a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, repercutiram falas de bolsonaristas que, no passado, chamaram de covardes ou bandidos os depoentes de CPIs que obtinham autoriza\u00e7\u00e3o judicial para ficarem calados. Em 2015, o deputado federal e hoje ministro da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), falou que uma testemunha que se calava em uma CPI tinha algo a esconder e \u201cs\u00f3 bandido usa isso\u201d. No ano seguinte, foi a vez do filho do presidente e deputado, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), chamar outra testemunha de covarde. Aqueles que antes eram os acusadores, agora est\u00e3o ao lado de investigados pela CPI. O que n\u00e3o muda, apenas, \u00e9 a estrat\u00e9gia de se criar espuma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma estrat\u00e9gia para tentar difundir seu discurso radical contra os membros da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia, o presidente Jair Bolsonaro intensificou seu ritmo de viagens pelo Brasil. 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