{"id":257784,"date":"2021-05-26T11:26:09","date_gmt":"2021-05-26T14:26:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=257784"},"modified":"2021-05-26T15:35:16","modified_gmt":"2021-05-26T18:35:16","slug":"de-onda-em-onda-da-covid-a-quarta-ja-bate-na-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/de-onda-em-onda-da-covid-a-quarta-ja-bate-na-porta\/","title":{"rendered":"De onda em onda da Covid, a quarta j\u00e1 bate na porta"},"content":{"rendered":"<p>Tem regi\u00f5es do Brasil em que a terceira onda do novo coronav\u00edrus nem chegou (ainda) mas h\u00e1 outras, por outro lado, onde o cen\u00e1rio que se vislumbra \u00e9 de uma quarta onda. S\u00e3o cidades onde o n\u00famero d casos de cont\u00e1gio e de \u00f3bitos provocados pela doen\u00e7a voltaram a subir a n\u00edveis alarmantes, ligando um sinal vermelho.<\/p>\n<p>Para se ter uma no\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, no primeiro semestre de 2020, pesquisadores da Universidade Harvard j\u00e1 falavam da possibilidade de um vaiv\u00e9m de quarentenas ao longo da pandemia de coronav\u00edrus. Ou seja, moradores viveriam uma esp\u00e9cie de abre e fecha constante \u00e0 medida que as ondas de infec\u00e7\u00e3o avan\u00e7am e recuam.<\/p>\n<p>Um ano depois, grande parte do Brasil j\u00e1 d\u00e1 sinais da chegada de uma terceira onda da doen\u00e7a, menos de dois meses depois do recuo da onda anterior, que chegou a matar mais de 4.000 pessoas por dia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a pandemia ocorre em ritmo diferente ao redor do Brasil e h\u00e1 Estados brasileiros que atualmente come\u00e7am a enfrentar o que poderia ser considerada uma quarta onda de covid-19, como Rio de Janeiro, Amap\u00e1, Mato Grosso do Sul, Esp\u00edrito Santo, Sergipe e Santa Catarina.<\/p>\n<p>Santa Catarina tem hoje 15 de suas 16 regi\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima. Ou seja, com sinais como mais de 70% das UTIs ocupadas ou taxa de cont\u00e1gio (Rt) acima de 1, o que significa que as infec\u00e7\u00f5es est\u00e3o aumentando e n\u00e3o recuando.<\/p>\n<p>A atual taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de UTIs catarinenses \u00e9 de 96%.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio no ano passado, Santa Catarina registrou tr\u00eas subidas e descidas das infec\u00e7\u00f5es. A primeira entre julho e outubro de 2020, a segunda de novembro de 2020 a fevereiro de 2021 e a terceira de mar\u00e7o ao in\u00edcio de maio de 2021. Agora as interna\u00e7\u00f5es e mortes voltam a crescer pela quarta vez, segundo dados compilados pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, as interna\u00e7\u00f5es por casos confirmados ou suspeitos de covid come\u00e7aram a cair na \u00faltima semana de mar\u00e7o e voltaram a subir na \u00faltima semana de abril. Quase 9 em cada 10 leitos no Estado est\u00e3o ocupados.<\/p>\n<p>O Amap\u00e1 vive algo parecido. Hospitais come\u00e7aram a ficar mais vazios no fim de mar\u00e7o e voltaram a encher na segunda quinzena de maio. Sete em cada 10 leitos no Estado est\u00e3o ocupados.<\/p>\n<p>Em Mato Grosso do Sul, o sistema de sa\u00fade entrou em colapso e o governo estadual afirmou que o \u201cn\u00famero de casos positivos para a covid-19 voltou a disparar nos \u00faltimos dias\u201d e a m\u00e9dia bateu recorde, com 1.175 diagn\u00f3sticos positivos em 24 horas. A ocupa\u00e7\u00e3o de leitos na regi\u00e3o da capital, Campo Grande, est\u00e1 em 101%, e a fila por leito no Estado tem 231 pessoas.<\/p>\n<p>Os sinais de piora ficam mais claros em an\u00e1lises de nowcasting (uma proje\u00e7\u00e3o do momento que \u201cdribla\u201d a subnotifica\u00e7\u00e3o e torna mais n\u00edtida a imagem do que est\u00e1 acontecendo atualmente). Um trabalho de nowcasting liderado por Leonardo Bastos, estat\u00edstico e pesquisador em sa\u00fade p\u00fablica do Programa de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), pode ser acompanhado em detalhes aqui.<\/p>\n<p>Para especialistas em epidemiologia e sa\u00fade p\u00fablica ouvidos pela BBC News Brasil, uma das principais explica\u00e7\u00f5es para tanto vaiv\u00e9m de infec\u00e7\u00f5es no pa\u00eds \u00e9 o fato de as medidas de distanciamento social serem suspensas por governantes antes que o cont\u00e1gio esteja de fato sob controle. E isso por ocorre por diversos motivos, como as fortes press\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas para n\u00e3o deixar o com\u00e9rcio fechado.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de maio, a Fiocruz afirmou que &#8220;somente a redu\u00e7\u00e3o sustentada por algumas semanas poder\u00e1 permitir a melhoria dos v\u00e1rios indicadores de monitoramento da pandemia&#8221;. Os indicadores a que a institui\u00e7\u00e3o se refere incluem a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) e o n\u00famero de mortes por covid.<\/p>\n<p>Outras poss\u00edveis raz\u00f5es para as sucessivas ondas de covid incluem aglomera\u00e7\u00f5es frequentes de multid\u00f5es (festas, protestos, campeonatos etc.), o surgimento de variantes do coronav\u00edrus mais transmiss\u00edveis, o ritmo lento de vacina\u00e7\u00e3o e a cada vez menor ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ao distanciamento social.<\/p>\n<p>Segundo o Datafolha, o n\u00edvel atual de isolamento dos brasileiros para evitar ser infectado pelo coronav\u00edrus \u00e9 o mais baixo desde abril de 2020, quando o \u00edndice era de 72%. Em mar\u00e7o deste ano, chegou a 49%. Agora, gira em torno de 30%.<\/p>\n<p>Dessa forma, enquanto grande parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiver vacinada contra a covid-19, boa parte do pa\u00eds tende a continuar enfrentando sucessivas ondas de infec\u00e7\u00e3o. Ou, para alguns, a mesma grande onda que vem desde o in\u00edcio de 2020.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 consenso em torno da defini\u00e7\u00e3o de uma onda, mas em geral o termo \u00e9 usado para descrever o crescimento acelerado de infec\u00e7\u00f5es, interna\u00e7\u00f5es ou mortes.<\/p>\n<p>Segundo o ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga, o governo federal n\u00e3o est\u00e1 \u201cvislumbrando\u201d a chegada de uma terceira onda da doen\u00e7a no pa\u00eds e atua de \u201cmaneira adequada\u201d a evit\u00e1-la, que em sua vis\u00e3o \u00e9 \u201cavan\u00e7ar na campanha de vacina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o Brasil n\u00e3o tem conseguido acelerar seu programa, e agora tem sofrido ainda mais com atrasos e escassez de vacinas.<\/p>\n<p>Desde fevereiro, o pa\u00eds leva de 12 a 14 dias para aplicar 10 milh\u00f5es de vacinas. Quase 42 milh\u00f5es de brasileiros receberam a primeira dose e 21 milh\u00f5es, as duas (cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o). S\u00f3 que 1 em cada 5 cidades tem enfrentado falta de vacinas, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os sinais da pr\u00f3xima onda de cont\u00e1gio s\u00e3o claros para governadores, prefeitos e especialistas em epidemias. &#8220;Se n\u00e3o fizermos nada, um novo colapso, como o de mar\u00e7o, se avizinha&#8221;, disse o governador baiano, Rui Costa.<\/p>\n<p>O prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmou que \u201cse os n\u00fameros crescerem a partir de agora na medida em que cresceram na primeira onda (deste ano), dificilmente n\u00f3s vamos evitar um colapso porque tanto a prefeitura quanto o governo do Estado j\u00e1 chegaram ao limite m\u00e1ximo de abertura de novos leitos\u201d.<\/p>\n<p>No Estado de S\u00e3o Paulo, onde a ocupa\u00e7\u00e3o de leitos UTI voltou a passar de 80%, a cidade de Ribeir\u00e3o Preto decidiu fechar por alguns dias o com\u00e9rcio, os mercados e at\u00e9 o transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio semanal mais recente, a Fiocruz afirmou que a situa\u00e7\u00e3o da pandemia de covid-19 no Brasil voltou a piorar em pelo menos oito Estados. E em outros dez, a tend\u00eancia de queda nos n\u00fameros est\u00e1 se estabilizando, o que tamb\u00e9m representa uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem regi\u00f5es do Brasil em que a terceira onda do novo coronav\u00edrus nem chegou (ainda) mas h\u00e1 outras, por outro lado, onde o cen\u00e1rio que se vislumbra \u00e9 de uma quarta onda. 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