{"id":258024,"date":"2021-05-29T10:20:23","date_gmt":"2021-05-29T13:20:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258024"},"modified":"2021-05-29T18:22:34","modified_gmt":"2021-05-29T21:22:34","slug":"maes-ficam-sem-tempo-para-cuidar-dos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maes-ficam-sem-tempo-para-cuidar-dos-filhos\/","title":{"rendered":"M\u00e3es ficam sem tempo para cuidar dos filhos"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisa O Brincar nas Favelas Brasileiras, uma parceria do Instituto Locomotiva com o Data Favela, tra\u00e7ou um panorama da cria\u00e7\u00e3o e da educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade que moram em favelas, considerando ainda o impacto da pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>Para dois ter\u00e7os das m\u00e3es entrevistadas (66%), o cuidado com as crian\u00e7as \u00e9 a atividade que mais ocupa o tempo. Foram entrevistadas 816 m\u00e3es, moradoras de favelas em S\u00e3o Paulo, Recife e Porto Alegre.<\/p>\n<p>O estudo, divulgado na sexta-feira (28), mostrou que, com a pandemia, a sensa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es \u00e9 de que o tempo se tornou ainda mais escasso, especialmente para o cuidado de si pr\u00f3prias, da casa e das crian\u00e7as ao mesmo tempo, sendo que 86% e 68% das respondentes apontaram, respectivamente, que enfrentam as duas situa\u00e7\u00f5es no contexto atual.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 63% das m\u00e3es disseram ter dificuldade para ajudar as crian\u00e7as nos estudos, devido \u00e0 escassez de tempo; 62%, em conciliar o trabalho remunerado com os cuidados da casa e das crian\u00e7as; e 50%, em encontrar tempo para brincar com as crian\u00e7as. Uma mulher poderia apontar mais de uma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCom a pandemia, tanto para as m\u00e3es que j\u00e1 ficavam em casa, ou para aquelas que passaram a ficar, o maior tempo de conviv\u00eancia com os filhos n\u00e3o as levou, necessariamente, a participar mais ativamente dos momentos de brincadeiras, j\u00e1 que boa parte desse tempo acabou sendo preenchida por intermin\u00e1veis tarefas dom\u00e9sticas\u201d, segundo o estudo.<\/p>\n<p><strong>Afazeres<\/strong><br \/>\nQuando est\u00e3o ocupadas em outros afazeres, 88% das m\u00e3es recorrem \u00e0s telas como um importante apoio. A pesquisa revelou que o acesso \u00e0 televis\u00e3o ou a v\u00eddeos de internet est\u00e1 permeado por descontrole sobre o conte\u00fado a que a crian\u00e7a tem acesso e o desejo de consumo despertado pelas telas.<\/p>\n<p>Segundo os dados, 50% das m\u00e3es de crian\u00e7as que veem televis\u00e3o ou v\u00eddeos na internet afirmam que o filho pede para comprar v\u00e1rias coisas que viram anunciadas e 33% relatam que ele v\u00ea coisas que a fam\u00edlia n\u00e3o pode comprar.<\/p>\n<p>Os dados revelaram ainda que o perfil dessas m\u00e3es \u00e9 majoritariamente composto de mulheres negras (83%) e solteiras (50%), 78% das m\u00e3es se declaram chefe de fam\u00edlia e 30% das chefes de fam\u00edlia est\u00e3o desempregadas.<\/p>\n<p>Do total da amostra, 35% s\u00e3o donas de casa; 28% est\u00e3o desempregadas; 18% s\u00e3o aut\u00f4nomas e trabalham por conta pr\u00f3pria. A renda m\u00e9dia das m\u00e3es \u2013 entre aquelas que t\u00eam algum rendimento \u2013 \u00e9 de R$ 827,25. As configura\u00e7\u00f5es familiares predominantes s\u00e3o m\u00e3e e filhos ou m\u00e3e, filhos e marido.<\/p>\n<p><strong>Lazer<\/strong><br \/>\nAs brincadeiras das crian\u00e7as geralmente ocorrem junto com a m\u00e3e e irm\u00e3os, dentro de casa. Quando a m\u00e3e est\u00e1 ocupada, as crian\u00e7as brincam sobretudo com irm\u00e3os ou sozinhas. Antes da pandemia, a escola e a creche tinham participa\u00e7\u00e3o importante como espa\u00e7o de brincar, sendo apontadas por 50% das m\u00e3es. Ap\u00f3s a pandemia, esse percentual caiu para 9%.<\/p>\n<p>A brincadeira dentro de casa e do port\u00e3o para dentro passou de 63% para 85% nas cita\u00e7\u00f5es das entrevistadas. O quintal e o corredor lateral da casa passaram de 38% para 58%. Se antes, as brincadeiras ocorriam dentro de casa e na escola, atualmente elas se concentram dentro de casa e no quintal.<\/p>\n<p>Quase metade das m\u00e3es disse que gostaria que os filhos brincassem na escola ou no parquinho da comunidade. No entanto, em geral, as favelas carecem de estruturas de lazer para as crian\u00e7as. Somente 29% das m\u00e3es contam com um parquinho na comunidade.<\/p>\n<p>\u201cEm geral, muitas comunidades contam com pouca ou nenhuma op\u00e7\u00e3o de lazer \u2013 no m\u00e1ximo, alguma pra\u00e7a onde as crian\u00e7as podem brincar no escorregador, balan\u00e7o, gira-gira, trepa-trepa ou, quando muito, uma quadra onde podem jogar bola com outras crian\u00e7as. Por\u00e9m, h\u00e1 casos em que nem mesmo essa estrutura pode ser usada porque as m\u00e3es alegam que h\u00e1 a presen\u00e7a de usu\u00e1rios de drogas\u201d, ressalta o estudo.<\/p>\n<p>Brincar fora de casa tamb\u00e9m implica medo para as m\u00e3es. Questionadas sobre o que atrapalha ou impede as brincadeiras fora de casa, os principais motivos citados foram o uso de drogas ao ar livre (72%) e a viol\u00eancia no bairro ou na comunidade (64%).<\/p>\n<p>Na etapa qualitativa da pesquisa, notou-se que, embora os espa\u00e7os p\u00fablicos das ruas onde ficam as casas tenham diferentes configura\u00e7\u00f5es, eles t\u00eam em comum o fato de apresentarem ao menos alguma precariedade. \u201cO espa\u00e7o da rua tende a ser evitado, quando a percep\u00e7\u00e3o de risco e perigo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade \u00e9 elevada. Quando n\u00e3o \u00e9, as brincadeiras na rua s\u00e3o permitidas, desde que na presen\u00e7a de algum adulto observando\u201d, diz a pesquisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa O Brincar nas Favelas Brasileiras, uma parceria do Instituto Locomotiva com o Data Favela, tra\u00e7ou um panorama da cria\u00e7\u00e3o e da educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade que moram em favelas, considerando ainda o impacto da pandemia de covid-19. 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