{"id":258267,"date":"2021-06-02T01:06:10","date_gmt":"2021-06-02T04:06:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258267"},"modified":"2021-06-02T01:14:07","modified_gmt":"2021-06-02T04:14:07","slug":"conflitos-no-campo-atingem-900-mil-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/conflitos-no-campo-atingem-900-mil-pessoas\/","title":{"rendered":"Conflitos no campo atingem 900 mil pessoas"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de conflitos no campo no pa\u00eds passou de 1.903, em 2019, para 2.054, em 2020, um aumento de 8%. Os dados est\u00e3o no Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil \u2013 2020, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT). O documento mostra que o n\u00famero de pessoas envolvidas nesses conflitos passou de 898.635 para 914.144, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para a CPT, o enredo do relat\u00f3rio segue o roteiro de &#8220;injusti\u00e7a fundi\u00e1ria, preval\u00eancia dos interesses do capital, viol\u00eancia, omiss\u00e3o e coniv\u00eancia do Estado e resist\u00eancia dos povos e comunidades&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Conflitos por terra<\/strong><br \/>\nDo total de conflitos no campo, 1.576 ocorr\u00eancias s\u00e3o referentes a disputas por terra, o maior n\u00famero desde 1985, quando o relat\u00f3rio come\u00e7ou a ser publicado, 25% superior a 2019 e 57,6% a 2018. O n\u00famero equivale a uma m\u00e9dia di\u00e1ria de 4,31 conflitos por terra, que envolveram 171.625 fam\u00edlias brasileiras. O n\u00famero de conflitos por dia foi de 2,74 em 2018 e 3,45 em 2019.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o teremos paz sem a garantia do reconhecimento e respeito aos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais, objetivo que deve nortear a a\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e da sociedade, priorizando o debate acerca do respeito \u00e0 vida, aos direitos humanos de acesso aos bens fundamentais como terra, \u00e1gua, florestas e demais bens ambientais\u201d, ressalta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Um total de 81.225 fam\u00edlias teve suas terras e territ\u00f3rios invadidos em 2020 e mais de 71% das fam\u00edlias v\u00edtimas dessas invas\u00f5es s\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Entre os 18 assassinatos registrados no contexto dos conflitos no campo em 2020, sete foram de ind\u00edgenas, ou seja, 39% das v\u00edtimas. Entre as 35 pessoas que sofreram tentativas de assassinato ou homic\u00eddio, 12 s\u00e3o ind\u00edgenas, 34% das v\u00edtimas. Entre as 159 pessoas amea\u00e7adas de morte, 25 s\u00e3o ind\u00edgenas (16% das v\u00edtimas).<\/p>\n<p>\u201cSomente priorizando a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e n\u00e3o de commodities prim\u00e1rias destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds poder\u00e1 efetivamente democratizar o campo, alcan\u00e7ar a paz e a inclus\u00e3o social\u201d, diz o documento. \u201cPara tanto, \u00e9 urgente abandonar qualquer forma de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria que possa favorecer a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, a busca de ganhos patrimoniais r\u00e1pidos, a grilagem de terras p\u00fablica, a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e o aumento da exclus\u00e3o social\u201d, finaliza o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Conflitos pela \u00e1gua<\/strong><br \/>\nEm 2020, foram registradas 350 ocorr\u00eancias de conflitos pela \u00e1gua, uma queda de cerca de 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior (502), o que, segundo a CPT, se deve em grande parte a dois eventos de grande magnitude e com forte car\u00e1ter conflituoso que aconteceram em 2019: o derramamento de \u00f3leo no litoral brasileiro, especialmente na Regi\u00e3o Nordeste, e o desastre provocado pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (MG).<\/p>\n<p>Em 2020, foram mortas quatro pessoas em conflitos pela \u00e1gua, todas foram v\u00edtimas do mesmo crime, que ficou conhecido como Massacre do Rio Abacaxis, no estado do Amazonas. Em agosto de 2020, o ind\u00edgena Munduruku Josimar Moraes Lopes e tr\u00eas ribeirinhos foram assassinados na regi\u00e3o do Rio Abacaxis. A CPT relata que consta ainda o assassinato de dois policiais militares e possivelmente de um traficante.<\/p>\n<p>Segundo relato de agentes da CPT Amazonas, a situa\u00e7\u00e3o local \u00e9 complexa, envolvendo camponeses e ind\u00edgenas, de um lado, pescadores ilegais e policiais do outro, e ainda um terceiro grupo formado por traficantes de drogas. \u201cConforme o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), desde o ano de 2007 os ind\u00edgenas denunciam a ocorr\u00eancia de conflitos na regi\u00e3o, causados pelo turismo de pesca esportiva, o garimpo irregular, o tr\u00e1fico de drogas e o uso de armas de fogo. Nesse contexto, as comunidades locais s\u00e3o amea\u00e7adas\u201d, diz a CPT.<\/p>\n<p>Em 2011, foram contabilizadas 28.057 fam\u00edlias envolvidas nesses conflitos, em 2019 esse valor quase triplicou, com 79.381 fam\u00edlias. \u201cO car\u00e1ter crescente da curva, tanto de conflitos pela \u00e1gua, como de fam\u00edlias envolvidas, evidencia a import\u00e2ncia de um olhar atento \u00e0 quest\u00e3o da \u00e1gua. Afinal, a exist\u00eancia de conflitos indica tens\u00f5es sobre a apropria\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e seus usos\u201d, avaliou a CPT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de conflitos no campo no pa\u00eds passou de 1.903, em 2019, para 2.054, em 2020, um aumento de 8%. Os dados est\u00e3o no Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil \u2013 2020, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT). 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