{"id":258352,"date":"2021-06-03T10:58:12","date_gmt":"2021-06-03T13:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258352"},"modified":"2021-06-03T10:58:12","modified_gmt":"2021-06-03T13:58:12","slug":"venda-de-comida-la-pra-fora-deixa-povo-com-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/venda-de-comida-la-pra-fora-deixa-povo-com-fome\/","title":{"rendered":"Venda de comida l\u00e1 pra fora deixa povo com fome"},"content":{"rendered":"<p>O campo brasileiro vive uma contradi\u00e7\u00e3o: o pa\u00eds \u00e9 o segundo maior exportador de alimentos do mundo, segundo a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio), mas tr\u00eas em cada quatro domic\u00edlios localizados em \u00e1reas rurais (75,2%) estavam em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar entre agosto e dezembro de 2020, conforme estudo da Universidade Livre de Berlim publicado em abril.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a alimentar abrange desde a alimenta\u00e7\u00e3o de m\u00e1 qualidade, passando pela instabilidade no acesso a alimentos, at\u00e9 a fome. Segundo o levantamento, o percentual de inseguran\u00e7a alimentar no campo supera o das cidades (55,7%) e do Brasil como um todo (59,4%).<\/p>\n<p>Os moradores de \u00e1reas rurais tamb\u00e9m est\u00e3o mais sujeitos \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar grave, quando a escassez de alimentos chega \u00e0s crian\u00e7as da fam\u00edlia e a fome passa a ser uma experi\u00eancia do cotidiano.<\/p>\n<p>Em \u00e1reas rurais, 28% dos domic\u00edlios estavam em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar leve (marcada pela incerteza no acesso aos alimentos e qualidade inadequada da alimenta\u00e7\u00e3o) ao fim de 2020; 19,9% passavam por inseguran\u00e7a moderada (quando h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o na quantidade de alimentos dispon\u00edveis para os adultos) e 27,3% enfrentavam inseguran\u00e7a alimentar grave.<\/p>\n<p>J\u00e1 em \u00e1reas urbanas, a inseguran\u00e7a alimentar leve afetava 31,6% dos lares, a moderada 11% e um total de 13,1% conviviam com a inseguran\u00e7a alimentar grave.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, o elevado \u00edndice de inseguran\u00e7a alimentar em \u00e1reas rurais no Brasil se deve a uma combina\u00e7\u00e3o de fatores.<\/p>\n<p>Entre eles est\u00e3o o maior percentual de pobreza no campo, a elevada concentra\u00e7\u00e3o no acesso \u00e0 terra, a limita\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos em muitas regi\u00f5es do pa\u00eds e o menor acesso das comunidades rurais afastadas aos equipamentos p\u00fablicos de seguran\u00e7a alimentar e \u00e0s redes privadas de solidariedade e doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o tem sido agravada, desde 2016, por um desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a alimentar, dizem os estudiosos. E, na pandemia, somou-se a esse quadro um menor acesso dos pequenos produtores rurais aos mercados, que prejudicou sua condi\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Em 2021, uma seca sem precedentes tem tornado o cen\u00e1rio ainda mais dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>&#8220;O sistema alimentar dominante do pa\u00eds referenda e produz desigualdade&#8221;, afirma Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional).<\/p>\n<p>&#8220;A agropecu\u00e1ria exportadora concentra propriedade, tem impactos sociais e ambientais onde atua e promove \u00eaxodo rural. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica da forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da sociedade brasileira, n\u00e3o \u00e9 de agora&#8221;, observa o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Esse modelo n\u00e3o tem a perspectiva de alimentar pessoas, \u00e9 um grande neg\u00f3cio global. O mundo nunca produziu tantos alimentos como agora e a fome continua. Portanto, n\u00e3o \u00e9 essa a sa\u00edda&#8221;, avalia o especialista em seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Renata Motta, pesquisadora da Universidade Livre de Berlim e uma das autoras do estudo Efeitos da pandemia na alimenta\u00e7\u00e3o e na situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar no Brasil tem avalia\u00e7\u00e3o similar.<\/p>\n<p>&#8220;A fome n\u00e3o \u00e9 resultado da falta de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas da falta de acesso a eles&#8221;, diz Motta.<\/p>\n<p>&#8220;Josu\u00e9 de Castro, o pesquisador da fome que construiu uma agenda importante sobre o tema na ONU [Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas], sempre falava que a fome \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Ela n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de mercado e n\u00e3o vai ser resolvida pelas leis de mercado, pois o mercado vende para quem pode comprar.&#8221;<\/p>\n<p>Ela cita o exemplo do arroz brasileiro, que acumula uma alta de pre\u00e7os de 57% em 12 meses at\u00e9 abril, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), em meio ao aumento das exporta\u00e7\u00f5es do produto para a China.<\/p>\n<p>&#8220;Compra quem pode. No Brasil e no mundo, temos uma produ\u00e7\u00e3o de alimentos suficiente para alimentar a popula\u00e7\u00e3o inteira e temos a fome, porque ela \u00e9 uma quest\u00e3o de desigualdade.&#8221;<\/p>\n<p>A BBC News Brasil procurou as principais entidades representantes do agroneg\u00f3cio no pa\u00eds para falar sobre a inseguran\u00e7a alimentar em \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>A Abag (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio) e o IPA (Instituto Pensar Agropecu\u00e1ria) n\u00e3o quiseram dar entrevistas, mas destacaram que o setor lan\u00e7a em 1\u00ba de junho, junto ao Minist\u00e9rio da Agricultura, o programa Agro Fraterno, que vai arrecadar e doar alimentos para fam\u00edlias necessitadas e afetadas pela pandemia da covid-19.<\/p>\n<p>J\u00e1 a CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil) informou atrav\u00e9s de sua assessoria de imprensa que ainda n\u00e3o havia recebido retorno de sua \u00e1rea t\u00e9cnica at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/p>\n<p>Seca e pandemia: uma combina\u00e7\u00e3o sem precedentes<br \/>\nNa semana passada, o SNM (Sistema Nacional de Meteorologia) emitiu o primeiro alerta de emerg\u00eancia h\u00eddrica para o per\u00edodo de junho a setembro, na regi\u00e3o da Bacia do Paran\u00e1, que abrange os estados de Minas Gerais, Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1, informou o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento na quinta-feira (27\/05).<\/p>\n<p>A seca tem agravado a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar em comunidades rurais cuja renda j\u00e1 vinha sendo afetada pela pandemia desde o ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa comunidade \u00e9 uma comunidade quilombola, uma comunidade carente do munic\u00edpio de Iaciara, que \u00e9 uma cidade muito pobre&#8221;, conta Antonino Bispo da Silva, de 57 anos e uma das lideran\u00e7as da comunidade quilombola do Levantado, em Iaciara, no nordeste de Goi\u00e1s, a cerca de 320 km de Bras\u00edlia e pouco mais de 200 km por estrada de Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Os quilombolas do Levantado s\u00e3o cerca de 40 fam\u00edlias, das quais entre 200 e 300 pessoas vivem atualmente na comunidade, que h\u00e1 14 anos aguarda a demarca\u00e7\u00e3o pelo Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria).<\/p>\n<p>&#8220;A gente passa muita dificuldade, porque a sobreviv\u00eancia da gente \u00e9 o plantio da gente mesmo e j\u00e1 h\u00e1 algum tempo que aqui h\u00e1 falta de chuva e as nossas lavouras n\u00e3o rendem&#8221;, diz o l\u00edder quilombola.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de chuvas, os quilombolas enfrentam uma disputa por \u00e1gua com os fazendeiros vizinhos que represam o fluxo do riacho local para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola rio acima da comunidade. Tamb\u00e9m est\u00e3o em conflito com uma mineradora (CalBrax) que pretende explorar calc\u00e1rio, tendo a base de explora\u00e7\u00e3o a 1,5 km das casas da comunidade.<\/p>\n<p>Segundo Bispo da Silva, quando n\u00e3o havia seca, a comunidade plantava cana-de-a\u00e7\u00facar, banana, arroz, feij\u00e3o, mandioca, milho. &#8220;A gente se alimentava e ainda sobrava um pouquinho para vender&#8221;, lembra o agricultor.<\/p>\n<p>Agora, as fam\u00edlias t\u00eam se sustentado com a aposentadoria rural dos idosos e uma ou outra di\u00e1ria em fazendas que os mais jovens de vez em quando conseguem, al\u00e9m de doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas feitas pela CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra).<\/p>\n<p>&#8220;Se a gente j\u00e1 vinha sofrendo, agora est\u00e1 muito mais. E, com a pandemia, quando pega servi\u00e7o, n\u00e3o pode botar muita gente para trabalhar, para n\u00e3o ter aglomera\u00e7\u00e3o&#8221;, conta. &#8220;Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos as pessoas que \u00e0s vezes nos d\u00e3o um aux\u00edlio, seria pecaminosa a nossa situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Na vizinha Minas Gerais, a falta de chuva tamb\u00e9m tem agravado a inseguran\u00e7a alimentar na regi\u00e3o de cerrado do norte do Estado.<\/p>\n<p>&#8220;Tem 18 anos que eu trabalho aqui, desde que me formei, e eu nunca tinha recebido tanto pedido de cesta b\u00e1sica de comunidades rurais como est\u00e1 acontecendo agora&#8221;, relata Samuel Caetano, assessor t\u00e9cnico do CAA (Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas).<\/p>\n<p>O CAA \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o formada h\u00e1 35 anos por agricultores familiares e comunidades tradicionais, que atua no norte de Minas desde que a monocultura de eucalipto chegou ao cerrado, ocupando territ\u00f3rios tradicionais desses povos.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos numa regi\u00e3o semi\u00e1rida, de chuvas irregulares. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o chove, mas o que tem que chover ao longo do per\u00edodo de chuva, \u00e0s vezes acontece em 15 dias e isso tem um impacto muito grande, a agricultura fica muito comprometida&#8221;, diz Caetano.<\/p>\n<p>&#8220;No meio disso, teve o processo da pandemia, que se soma \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de programas como o PAA [Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos], o Pnae [Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar] e as pol\u00edticas de acesso a cr\u00e9dito&#8221;, enumera o assessor t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso deixa a agricultura familiar muito fragilizada, porque o agricultor planta, \u00e0s vezes perde o que plantou e, com o processo da pandemia, muitas vezes n\u00e3o consegue comercializar, porque os mercados est\u00e3o comprometidos, as feiras ficaram fechadas, impedindo de vender a produ\u00e7\u00e3o para comprar os outros itens de que eles t\u00eam necessidade.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Caetano, a segunda onda da pandemia foi muito mais devastadora do que a primeira, porque pegou as comunidades em estado muito mais fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>&#8220;Na primeira onda, tinha o aux\u00edlio emergencial de R$ 600 e houve um bom per\u00edodo de chuva, foi um ano de fartura &#8211; se produziu muita ab\u00f3bora, feij\u00e3o, milho, ent\u00e3o os celeiros estavam abastecidos, mesmo que n\u00e3o se pudesse comercializar&#8221;, relata o t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&#8220;Isso foi esgotado, esse ano muita gente n\u00e3o conseguiu pegar o aux\u00edlio e a seca chegou forte, n\u00e3o vai ter mais o plantio. Ent\u00e3o, o que se anuncia \u00e9 um processo de fome, que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo na pr\u00e1tica e que \u00e9 agravado pelo quanto o pre\u00e7o das coisas est\u00e1 crescendo.&#8221;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) acumula alta de 6,76% em 12 meses at\u00e9 abril. Os alimentos e bebidas, no entanto, subiram quase o dobro disso, com um avan\u00e7o de 12,31% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Itens b\u00e1sicos como \u00f3leo de soja (82%), arroz (57%), feij\u00e3o preto (42%), carnes (35%) e o botij\u00e3o de g\u00e1s (21%) usado para cozinhar acumulam aumentos de pre\u00e7os ainda mais expressivos.<\/p>\n<p><strong>Como mudar esse quadro<\/strong><br \/>\nQuestionado sobre o que \u00e9 preciso ser feito para mudar o atual quadro de inseguran\u00e7a alimentar no campo, Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan n\u00e3o titubeia.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira coisa que precisa ser feita \u00e9 tirar o Bolsonaro&#8221;, responde o pesquisador, sem meias palavras. &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o de desejo. N\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de os programas de seguran\u00e7a alimentar serem retomados, da forma como foram concebidos, sob esse governo.&#8221;<\/p>\n<p>Maluf afirma que o desmonte dessas pol\u00edticas teve in\u00edcio em 2016, ap\u00f3s o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e com a aprova\u00e7\u00e3o da regra do teto de gastos, que limitou as despesas do governo federal, visando controlar a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Entre os programas que foram esvaziados, o pesquisador cita o de constru\u00e7\u00e3o de cisternas, o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos da agricultura familiar, al\u00e9m do fim da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo que, junto com o avan\u00e7o do emprego, foram fundamentais para que o Brasil deixasse do mapa da fome da ONU em 2014.<\/p>\n<p>Ele cita ainda a extin\u00e7\u00e3o do Consea (Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional), o encerramento da C\u00e2mara Interministerial de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional e o fim do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio, que concentrava as a\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 agricultura familiar.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um desmonte da estrutura institucional que havia sido montada nessa \u00e1rea&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Para Renata Motta, da Universidade Livre de Berlim, al\u00e9m da retomada desse sistema, \u00e9 necess\u00e1rio, em car\u00e1ter imediato, tornar o aux\u00edlio emergencial uma pol\u00edtica perene enquanto durar a pandemia, para que n\u00e3o seja necess\u00e1rio renegoci\u00e1-lo a cada tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo a soci\u00f3loga, \u00e9 preciso retomar um valor de aux\u00edlio que permita \u00e0s pessoas ficarem em casa, para que a pandemia possa de fato ser controlada.<\/p>\n<p>D\u00e9bora Nunes, membro da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), defende ainda que o fim da inseguran\u00e7a alimentar no campo depende do avan\u00e7o da reforma agr\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 dois projetos de agricultura no nosso pa\u00eds: o do agroneg\u00f3cio que produz commodities para exporta\u00e7\u00e3o, e o outro modelo \u00e9 o da agricultura camponesa e familiar&#8221;, diz Nunes.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais gente no campo, quanto mais terra democratizada, maior a possibilidade de produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Por isso dizemos que a reforma agr\u00e1ria possibilita resolver problemas fundi\u00e1rios do nosso pa\u00eds, com a democratiza\u00e7\u00e3o da terra, mas tamb\u00e9m tem a possibilidade de enfrentar outros problemas estruturais que a sociedade vivencia, como a fome.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O campo brasileiro vive uma contradi\u00e7\u00e3o: o pa\u00eds \u00e9 o segundo maior exportador de alimentos do mundo, segundo a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio), mas tr\u00eas em cada quatro domic\u00edlios localizados em \u00e1reas rurais (75,2%) estavam em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar entre agosto e dezembro de 2020, conforme estudo da Universidade Livre de Berlim publicado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":258353,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-258352","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258352"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":258354,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258352\/revisions\/258354"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/258353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}