{"id":258593,"date":"2021-06-07T15:14:51","date_gmt":"2021-06-07T18:14:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258593"},"modified":"2021-06-07T17:26:16","modified_gmt":"2021-06-07T20:26:16","slug":"bolsonaro-quer-golpe-mas-falta-forca-para-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bolsonaro-quer-golpe-mas-falta-forca-para-isso\/","title":{"rendered":"Bolsonaro quer golpe, mas falta for\u00e7a para isso"},"content":{"rendered":"<p>Marca registrada das For\u00e7as Armadas, a discri\u00e7\u00e3o parece cada vez mais distante do conceito de servir ao povo do presidente da Rep\u00fablica e de alguns oficiais generais da ativa e da reserva. Constitu\u00eddas pelo Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es nacionais, permanentes e regulares, com a miss\u00e3o de zelar pela defesa da P\u00e1tria, pela garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa destes, da lei e da ordem. A recente decis\u00e3o do comando do Ex\u00e9rcito sobre o general Eduardo Pazuello destoa do hist\u00f3rico da For\u00e7a e pode gerar, a curto ou m\u00e9dio prazos, a politiza\u00e7\u00e3o dos quart\u00e9is, com o consequente risco \u00e0 democracia. Independentemente da necessidade interna de n\u00e3o causar conflitos com o presidente, chefe supremo das For\u00e7as Armadas, a decis\u00e3o elevou a temperatura pol\u00edtica e praticamente assegurou a politiza\u00e7\u00e3o dos quart\u00e9is sem a preocupa\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nenhum brasileiro imaginava mais essa situa\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds. Em entrevista a um jornal carioca, o chefe da Casa Civil e ex-ministro da Defesa, general da reserva Luiz Eduardo Ramos, defendeu a absolvi\u00e7\u00e3o &#8220;extremamente pensada&#8221; do ex-ministro da Sa\u00fade. Disse que pesou a favor a hist\u00f3ria de vida do colega castrense. \u00c9 poss\u00edvel que Pazuello seja disciplinado, um bom homem, \u00f3timo marido, excelente pai e prestativo vizinho, mas, como militar da ativa, violou o regulamento ao fazer com\u00edcio para o presidente da Rep\u00fablica em pra\u00e7a p\u00fablica. Pode at\u00e9 ser um fervoroso torcedor do Flamengo, mas, de caso pensado, deflagrou a maior crise envolvendo as For\u00e7as Armadas desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil. E, como disse o cientista pol\u00edtico Oct\u00e1vio Amorim Neto, n\u00e3o faltaram alertas sobre os riscos dessa aventura.<\/p>\n<p>Na verdade, a exposi\u00e7\u00e3o negativa do Ex\u00e9rcito n\u00e3o corresponde ao desejo da maioria dos integrantes do Alto Comando, tampouco dos generais que j\u00e1 serviram ao governo do capit\u00e3o e que, pelo bem da fam\u00edlia e da sa\u00fade mental, pediram de volta o quepe da liberdade e da sensatez. Um deles, do meu conv\u00edvio, definiu brilhantemente a quadra que vivemos. Segundo ele, a direita liberal e conservadora deve conseguir o que a esquerda radical pode ter tentado, mas jamais imaginou alcan\u00e7ar: a descaracteriza\u00e7\u00e3o e a divis\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Vale lembrar que o embarque de determinadas lideran\u00e7as no radicalismo de Jair Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 novo. O primeiro pontap\u00e9 do projeto ocorreu em 2018, quando o general Villas Boas, ent\u00e3o comandante do Ex\u00e9rcito, tentou &#8220;obrigar&#8221; o Supremo Tribunal Federal a manter Luiz In\u00e1cio distante do processo.<\/p>\n<p>Era um prov\u00e1vel in\u00edcio da anarquia. Depois de muito tititi, Villas Boas voltou ao ostracismo. O problema agora tem um nome e sobrenome que, mesmo nas hostes castrenses, poucos conheciam. Livrar Eduardo Pazuello pode ser a senha para a insubordina\u00e7\u00e3o em patentes inferiores. Para temor dos homens e mulheres de bem, o ex-deputado federal Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa de Dilma Rousseff, concorda com a tese de que a salvaguarda de Pazuello \u00e9 perigosa para os escal\u00f5es menores das tr\u00eas for\u00e7as. Embora somente meia d\u00fazia de fan\u00e1ticos tor\u00e7a e vibre com a radicaliza\u00e7\u00e3o, a verdade \u00e9 que sou obrigado a concordar com a afirma\u00e7\u00e3o de Rebelo, para quem &#8220;o Ex\u00e9rcito abriu as portas dos quart\u00e9is \u00e0 anarquia&#8221;. A paz est\u00e1 longe. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica. A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica emergiu assustadoramente depois do crescimento de Lula da Silva em todas as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos.<\/p>\n<p>O presidente da Rep\u00fablica \u00e9 golpista por natureza. Apesar de tudo, adiro \u00e0 posi\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o acreditam na capacidade e coragem de Jair Bolsonaro em promover uma ruptura democr\u00e1tica apenas para favorec\u00ea-lo eleitoralmente. Como ou\u00e7o diariamente do jornalista Paulo Ant\u00f4nio Soares Cotta, a execu\u00e7\u00e3o de um golpe depende de clima. E o Brasil de hoje, p\u00e1ria do mundo, felizmente n\u00e3o tem. O povo \u2013 e n\u00e3o a meia d\u00fazia de aloprados \u2013 precisa ter argumentos para apoiar uma eventual tomada de poder por algu\u00e9m que j\u00e1 se v\u00ea derrotado nas urnas. Por mais que discordemos, o estopim para o golpe militar de 1964 ocorreu no dia 13 de mar\u00e7o daquele ano, durante o com\u00edcio de Jo\u00e3o Goulart e Leonel Brizola na Central do Brasil. Ap\u00f3s a inflamada resenha, Jango determinou a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o das refinarias estrangeiras de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Por conta disso, a elite da d\u00e9cada, representada pelo clero conservador, o empresariado, a imprensa e a direita, organizou, em S\u00e3o Paulo, a &#8220;Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade&#8221;, reunindo cerca de 500 mil pessoas, uma multid\u00e3o para as estat\u00edsticas da \u00e9poca. A t\u00f4nica dos discursos era o rep\u00fadio \u00e0s tentativas de reforma constitucional e a defesa dos princ\u00edpios, garantias e prerrogativas democr\u00e1ticas. Simb\u00f3lica e literalmente apoiados pelo governo norte-americano, homens e mulheres sa\u00edram as ruas porque acreditavam em futuro de ru\u00ednas para o Brasil. Unidos interna e externamente, os militares tinham clima e apoio popular. Ainda que tenso, o atual ambiente \u00e9 muito mais de fofoca e de busca de poder. Se puder, de poder perpetuado. A narrativa de hoje \u00e9 o combate ao comunismo. Que comunismo, Zebedeu?<\/p>\n<p>Esse povo n\u00e3o sabe o que diz. \u00c9 cristalino que a compreens\u00e3o da proposta golpista n\u00e3o \u00e9 b\u00edblica, muito menos de conserto nacional. \u00c9 puramente de medo, des\u00e2nimo, receio e pavor da derrota. Mesmo sem ter sido inocentado, Luiz In\u00e1cio voltou para confundir, tumultuar e ganhar. De concreto, n\u00e3o podemos olvidar que, ao contr\u00e1rio de 1964, as For\u00e7as Armadas de hoje s\u00e3o compostas de numerosos simpatizantes da pol\u00edtica bolsonarista. Entretanto, para al\u00edvio da maioria, tamb\u00e9m disp\u00f5e de v\u00e1rios admiradores das pautas da esquerda. Para nosso definitivo desafogo, o melhor de tudo \u00e9 Joe Biden, presidente dos Estados Unidos. Biden n\u00e3o \u00e9 John Kennedy ou Donald Trump, n\u00e3o tem um embaixador no Brasil como Lincoln Gordon, tem interesses diferentes na Terrra Brasilis e nenhuma sintonia com o capit\u00e3o. Confiemos em Deus, que \u00e9 grande, brasileiro e democrata.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marca registrada das For\u00e7as Armadas, a discri\u00e7\u00e3o parece cada vez mais distante do conceito de servir ao povo do presidente da Rep\u00fablica e de alguns oficiais generais da ativa e da reserva. 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