{"id":258751,"date":"2021-06-09T10:11:31","date_gmt":"2021-06-09T13:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258751"},"modified":"2021-06-10T16:32:45","modified_gmt":"2021-06-10T19:32:45","slug":"criar-habitos-evita-morrer-de-tedio-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/criar-habitos-evita-morrer-de-tedio-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Criar h\u00e1bitos evita morrer de t\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>Quando a escritora Caroline Topperman se mudou de Vancouver, no Canad\u00e1, para Vars\u00f3via, na Pol\u00f4nia, em 2013, sua criatividade floresceu. Caminhar pelas ruas de paralelep\u00edpedo repletas de caf\u00e9s a enchia de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Sou aquele tipo de pessoa que encontra [a criatividade] fora de mim. Gosto muito de ir a galerias de arte, ler um livro e observar as pessoas&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Quando a pandemia de covid-19 come\u00e7ou, Topperman havia se mudado de volta para o Canad\u00e1, para uma pequena cidade nos arredores de Toronto.<\/p>\n<p>Com as atividades reduzidas em decorr\u00eancia do lockdown, Topperman admite que passou os dois meses seguintes chorando.<\/p>\n<p>&#8220;Eu realmente senti bastante esse isolamento, porque eu estava sozinha na maior parte do tempo.&#8221; Assim como v\u00e1rias pessoas, ela passou a trabalhar somente remotamente e sofreu com a falta de intera\u00e7\u00e3o presencial.<\/p>\n<p>Um dos trabalhos que ela estava terminando era escrever um artigo que descrevia um empreendimento imobili\u00e1rio. Antes, ela andaria pela propriedade e usaria est\u00edmulos visuais como inspira\u00e7\u00e3o \u2014 algo que ela n\u00e3o podia fazer durante o lockdown.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m \u00e9 cofundadora de um grupo de escritores e estava ministrando oficinas em Ont\u00e1rio \u2014 quando o grupo migrou para o mundo virtual, ela sentiu muita dificuldade.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalho muito melhor quando posso relaxar e sair com as pessoas, ser mais casual e trocar ideias&#8221;, diz ela. Para muitas pessoas como Topperman, o isolamento e a falta de est\u00edmulo matam a criatividade. Mas para outros, a solid\u00e3o alimenta o pensamento criativo.<\/p>\n<p>Para cada indiv\u00edduo com bloqueio criativo durante o lockdown, h\u00e1 v\u00e1rios que est\u00e3o produzindo mais do que nunca. Afinal, o que h\u00e1 no lockdown que parece bloquear criativamente algumas pessoas enquanto permite que outras prosperem?<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as restri\u00e7\u00f5es continuam, entender onde e como podemos encontrar fontes de inspira\u00e7\u00e3o pode ajudar quem est\u00e1 com dificuldade de lidar com o isolamento a recuperar a criatividade.<\/p>\n<p><strong>Est\u00edmulo e t\u00e9dio<\/strong><br \/>\nSomos fascinados pela criatividade. \u00c9 um campo bastante estudado, mas os cientistas ainda est\u00e3o pesquisando os processos de pensamento que geram lampejos de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Scott Barry Kaufman, psic\u00f3logo de Los Angeles e coautor do livro Wired To Create: Unraveling the Mysteries of the Creative Mind (&#8220;Programado para criar: desvendando os mist\u00e9rios da mente criativa&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), descreve a criatividade como uma combina\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas e h\u00e1bitos que podem parecer contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p>Por exemplo, duas caracter\u00edsticas comuns importantes s\u00e3o a abertura a novas experi\u00eancias e a capacidade de se sentir confort\u00e1vel com os pr\u00f3prios pensamentos, diz ele.<\/p>\n<p>Sandi Mann, professora de psicologia da University of Central Lancashire, no Reino Unido, e autora do livro The Science of Boredom: Why Boredom Is Good (&#8220;A ci\u00eancia do t\u00e9dio: por que o t\u00e9dio \u00e9 bom&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), destaca dois fatores opostos espec\u00edficos como necess\u00e1rios para a criatividade: est\u00edmulo e t\u00e9dio.<\/p>\n<p>Segundo ela, a resposta das pessoas ao t\u00e9dio muitas vezes determina se elas s\u00e3o capazes de explorar a criatividade em tempos de solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqueles que normalmente tiram sua criatividade de algo novo podem ser mais propensos a se voltar para os dispositivos eletr\u00f4nicos no isolamento, porque \u00e9 uma forma de est\u00edmulo.<\/p>\n<p>Como resultado, podem sentir mais dificuldade em deixar o t\u00e9dio domin\u00e1-los, que \u00e9 o que eles precisam para ser mais criativos.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea deixar o t\u00e9dio se instalar, sua mente vai vagar, voc\u00ea vai conseguir um pouco mais de criatividade&#8221;, explica. Mann afirma, no entanto, que h\u00e1 uma dose ideal para o t\u00e9dio, uma vez que em excesso pode drenar sua energia. E o isolamento pode muito bem ter levado o t\u00e9dio um pouco al\u00e9m desse limite ideal.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Dannie-Lu Carr, coach de lideran\u00e7a, diretora de teatro e cantora\/compositora de Sussex, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Antes da pandemia, Carr podia ser criativa sozinha; ela se inspirava conversando com as pessoas em eventos e, em seguida, refinava suas ideias durante uma viagem longa e solit\u00e1ria de trem ou avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas durante o lockdown, sem a explos\u00e3o de est\u00edmulos para interromper longos per\u00edodos de isolamento, Carr achou mais dif\u00edcil ser criativa.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que no isolamento, \u00e9 um espa\u00e7o mental diferente. Quando voc\u00ea est\u00e1 procurando por isso, voc\u00ea fica aqu\u00e9m&#8221;, diz. Ela tamb\u00e9m sente falta da inspira\u00e7\u00e3o que surge ao trabalhar junto com outras pessoas. Antes da pandemia, ela estava gravando um \u00e1lbum.<\/p>\n<p>&#8220;Eu me encontrava com meu produtor, e a gente se divertia no est\u00fadio. De repente, tivemos que trabalhar remotamente, e achei muito vazio.&#8221;<\/p>\n<p>Ela sente falta de algu\u00e9m para trocar ideias. &#8220;Acho que perdemos aquela alquimia que pode acontecer quando voc\u00ea est\u00e1 com algu\u00e9m em uma sala&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Aqueles que alcan\u00e7am seu &#8220;ponto ideal de t\u00e9dio&#8221;, como diz Mann, s\u00e3o mais capazes de explorar a criatividade durante longos per\u00edodos de isolamento.<\/p>\n<p>A americana Katie Ruiz, de 36 anos, artista e viajante prol\u00edfica, foi for\u00e7ada a ficar em San Diego (Estados Unidos), sua cidade natal, quando a pandemia de covid-19 come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Antes da pandemia, Ruiz estava constantemente em movimento, conciliando v\u00e1rias obriga\u00e7\u00f5es diferentes \u2014 como dar aulas e ser bab\u00e1 \u2014 al\u00e9m de seus projetos de arte.<\/p>\n<p>A vida agitada dava a ela muita inspira\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes ela n\u00e3o conseguia encontrar tempo ou energia mental para transformar essa inspira\u00e7\u00e3o em trabalho criativo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes tenho ideias flutuando na minha cabe\u00e7a, mas leva tempo e reflex\u00e3o para realmente dar vida a elas&#8221;, explica. Desde o in\u00edcio da pandemia, Ruiz teve um ano artisticamente muito produtivo, criando mais de 40 pinturas e esculturas. &#8220;Honestamente, as obras que estou criando na pandemia s\u00e3o coisas em que venho pensando h\u00e1 cinco anos&#8221;, revela. &#8220;Acho que tive um burnout antes da pandemia indo a todas as exposi\u00e7\u00f5es de arte e eventos, ent\u00e3o foi uma boa pausa.&#8221;<\/p>\n<p>Dito isso, ela est\u00e1 come\u00e7ando a sentir falta de alguns aspectos de sua vida pr\u00e9-pandemia. &#8220;Estou definitivamente pronta para ver arte e amigos, e ter minha vida social de volta.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Novos processos<\/strong><br \/>\nPara aqueles que est\u00e3o com dificuldade de acessar sua criatividade nestes tempos estranhos, no entanto, pode valer a pena rever seu processo criativo e at\u00e9 mesmo redefinir o que seria um est\u00edmulo \u00fatil.<\/p>\n<p>Kaufman, que diz tamb\u00e9m estar sofrendo com a falta de intera\u00e7\u00e3o presencial, suspeita que uma das raz\u00f5es pelas quais alguns indiv\u00edduos podem n\u00e3o ser capazes de explorar sua criatividade \u00e9 que eles est\u00e3o &#8220;presos aos velhos m\u00e9todos de como o processo criativo deve ser&#8221;.<\/p>\n<p>Ele desafia as pessoas a expandirem o significado de &#8220;novas experi\u00eancias&#8221;. &#8220;A abertura \u00e0 experi\u00eancia n\u00e3o precisa morrer porque voc\u00ea est\u00e1 preso em casa.&#8221;<\/p>\n<p>Por exemplo, novas &#8220;experi\u00eancias internas&#8221;, como escrever um di\u00e1rio, praticar medita\u00e7\u00e3o e mindfulness (aten\u00e7\u00e3o plena), s\u00e3o todas acess\u00edveis. O registro das emo\u00e7\u00f5es, diz Kaufman, j\u00e1 mostrou ajudar na criatividade.<\/p>\n<p>Para aqueles cujos processos criativos normalmente envolvem colabora\u00e7\u00e3o, Kaufman sugere participar de grupos virtuais ou conversar com pessoas cujos interesses e ideias s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem essas conversas regularmente, acrescenta ele, &#8220;a criatividade est\u00e1 fadada a surgir em algum momento&#8221;.<\/p>\n<p>Kaufman diz acreditar que h\u00e1 &#8220;oportunidades reais&#8221; para liberar a criatividade se as pessoas estiverem dispostas a pensar de maneira diferente.<\/p>\n<p>O segredo, segundo ele, \u00e9 aceitar que o m\u00e9todo antigo n\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel. Na verdade, estabelecer um novo processo criativo foi exatamente o que ajudou Topperman.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia, de repente, me ocorreu que me formei em cinema na universidade porque era uma pessoa visual&#8221;, diz ela. &#8220;Lembrei que tamb\u00e9m sou boa em fotografia e comecei a ver fotos no meu celular.&#8221;<\/p>\n<p>Usando suas fotos de viagem como motiva\u00e7\u00e3o, ela come\u00e7ou a escrever regularmente e acabou se reconectando com um velho amigo.<\/p>\n<p>Juntos, eles decidiram transformar seus registros em um livro, tendo seu amigo como editor. Ela tamb\u00e9m come\u00e7ou a caminhar regularmente, e acabou conhecendo sua cidade a p\u00e9.<\/p>\n<p>E diz que ver esculturas em gelo, junto com a arte local, a ajudou a manter a mente estimulada e a gerar novas ideias. Para Carr, por sua vez, marcar longos encontros virtuais para tomar caf\u00e9 com seu produtor a ajudou a combater a solid\u00e3o e a frustra\u00e7\u00e3o de criar no isolamento.<\/p>\n<p>Tanto ela quanto Topperman dizem que a coisa mais \u00fatil foi se libertar da press\u00e3o para criar \u2014 algo que especialistas e profissionais de cria\u00e7\u00e3o concordam ser crucial para o processo criativo.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea abrir m\u00e3o da meta final, \u00e9 mais prov\u00e1vel que consiga alguma coisa&#8221;, diz Carr. &#8220;O principal \u00e9 n\u00e3o se estressar em ter que ser criativo&#8221;, acrescenta Topperman. &#8220;No minuto em que come\u00e7o a me for\u00e7ar, \u00e9 o momento em que meu c\u00e9rebro desliga.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a escritora Caroline Topperman se mudou de Vancouver, no Canad\u00e1, para Vars\u00f3via, na Pol\u00f4nia, em 2013, sua criatividade floresceu. 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