{"id":258757,"date":"2021-06-09T10:27:36","date_gmt":"2021-06-09T13:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=258757"},"modified":"2021-06-09T11:23:19","modified_gmt":"2021-06-09T14:23:19","slug":"soltar-palavrao-alivia-angustia-e-eleva-o-ego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/soltar-palavrao-alivia-angustia-e-eleva-o-ego\/","title":{"rendered":"Soltar palavr\u00e3o alivia ang\u00fastia e eleva o ego"},"content":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s j\u00e1 passamos por isso quando damos uma topada, somos fechados no tr\u00e2nsito ou derramamos caf\u00e9. De repente, soltamos um xingamento inflamado.<\/p>\n<p>Instintivamente, buscamos um palavr\u00e3o e, como num passe de m\u00e1gica, obtemos um certo n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Cada cultura tem seus c\u00f3digos morais, e voc\u00ea deve saber quando os est\u00e1 desrespeitando<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito, muito dif\u00edcil de definir o palavr\u00e3o&#8221;, diz Emma Byrne, especialista no assunto e autora do livro Dizer Palavr\u00f5es Faz Bem.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u00e9 o tipo de linguagem que usamos tanto quando estamos em choque, surpresos, euf\u00f3ricos, queremos ser engra\u00e7ados ou ofensivos&#8230; mas \u00e9 um fen\u00f4meno cultural que s\u00f3 faz sentido dentro de uma comunidade, grupo lingu\u00edstico, sociedade, pa\u00eds ou religi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s decidimos o que \u00e9 palavr\u00e3o por consenso. E muito desse consenso tem a ver com o que \u00e9 tabu em uma cultura espec\u00edfica: em alguns lugares, se ofende muito por partes do corpo, em outros por nomes de animais, doen\u00e7as ou certas fun\u00e7\u00f5es do organismo&#8221;, explica Byrne.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um elemento-chave sobre os palavr\u00f5es: &#8220;Para ter esse impacto emocional, voc\u00ea precisa brincar com um tabu nessa sociedade em particular&#8221;.<\/p>\n<p>Em caso de d\u00favida, Byrne esclarece: &#8220;\u00c9 o tipo de linguagem que voc\u00ea consideraria n\u00e3o usar em certas circunst\u00e2ncias, por exemplo, em uma entrevista de emprego ou ao conhecer os pais do seu namorado pela primeira vez&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Por que falamos palavr\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 claro que pode haver algumas pessoas que nunca falam palavr\u00e3o, mas muitos de n\u00f3s identificamos aquela s\u00fabita sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio ao proferir um improp\u00e9rio, a sensa\u00e7\u00e3o de que certas palavras s\u00e3o carregadas com uma camada extra de energia .<\/p>\n<p>Byrne conta que uma das coisas mais interessantes com que se deparou durante sua pesquisa [analisando estudos de casos m\u00e9dicos] foi o fato de que pessoas que foram submetidas a uma hemisferectomia [remo\u00e7\u00e3o de um lado do c\u00e9rebro devido a um dano irrepar\u00e1vel] podem perder a capacidade de falar, mas n\u00e3o completamente.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa perde a maior parte da linguagem, mas ela ainda ser\u00e1 capaz de falar palavr\u00e3o&#8221;, diz Byrne.<\/p>\n<p>&#8220;Parece que estabelecemos conex\u00f5es emocionais muito fortes com certos tipos de linguagem, e isso \u00e9 armazenado separadamente do resto da nossa linguagem. Voc\u00ea pode remover [parte do c\u00e9rebro] e anular completamente a capacidade de algu\u00e9m de usar a linguagem de forma deliberativa e planejada como estou fazendo agora. Mas elas ainda podem falar palavr\u00f5es espontaneamente.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O xingamento est\u00e1 t\u00e3o profundamente ligado \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, que os movimentos musculares necess\u00e1rios para proferir palavr\u00f5es s\u00e3o armazenados em v\u00e1rios lugares. Portanto, temos backups quando precisarmos deles&#8221;, completa.<\/p>\n<p><strong>Uma palavra substituta resolveria?<\/strong><br \/>\n&#8220;Eu me perguntei se haveria algum sentido em falar palavr\u00e3o quando voc\u00ea est\u00e1 com dor, e se isso ajuda de alguma forma&#8221;, diz Richard Stevens, professor de Psicologia na Universidade de Keele, no Reino Unido, e respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio do Palavr\u00e3o, onde realiza experimentos.<\/p>\n<p>Um deles, para ver se os palavr\u00f5es podem nos ajudar a lidar com a dor ou situa\u00e7\u00f5es extremas, consiste simplesmente em enfiar a m\u00e3o em um balde cheio de gelo, para ver quanto tempo voc\u00ea aguenta. A pessoa faz isso duas vezes: uma vez falando palavr\u00f5es de verdade e, na outra, express\u00f5es substitutas polidas.<\/p>\n<p>Os especialistas descobriram que, ao falar palavr\u00f5es de verdade, as pessoas se sa\u00edam melhor e conseguiam manter a m\u00e3o por mais tempo no gelo, mas as palavras substitutas completamente arbitr\u00e1rias n\u00e3o funcionavam porque n\u00e3o tinham o impacto emocional de um palavr\u00e3o real. Por que isso acontece?<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente vemos um aumento na frequ\u00eancia card\u00edaca nas condi\u00e7\u00f5es de xingamento, em compara\u00e7\u00e3o com a palavra neutra. Isso parece indicar algum tipo de resposta emocional ao palavr\u00e3o, e sabemos que o xingamento \u00e9 um tipo de linguagem emocional&#8221;, diz Stevens.<\/p>\n<p>&#8220;A hip\u00f3tese com que trabalhamos \u00e9 que, quando as pessoas falam palavr\u00e3o com dor, elas est\u00e3o na verdade aumentando seus n\u00edveis de estresse e trazendo \u00e0 tona um fen\u00f4meno chamado analgesia induzida por estresse [em que voc\u00ea \u00e9 insens\u00edvel \u00e0 dor], que faz parte da resposta mais ampla de luta ou fuga&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Os animais tamb\u00e9m xingam?<\/strong><br \/>\nMas n\u00e3o s\u00e3o apenas os humanos que xingam. Byrne diz que existem alguns estudos com chimpanz\u00e9s que envolvem essencialmente a cria\u00e7\u00e3o destes animais em uma vers\u00e3o ampliada de uma casa de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Os especialistas em primatas americanos Deborah e Roger Foots &#8220;s\u00f3 falavam perto dos chimpanz\u00e9s usando linguagem de sinais. E ensinaram a eles sinais para todos os tipos de coisas&#8221;, explica Byrne.<\/p>\n<p>Na natureza, os chimpanz\u00e9s tendem a se comunicar jogando suas fezes \u2014 mas os Foots tornaram isso um s\u00e9rio tabu ao treinar os animais que compartilhavam a casa com eles a usar um penico.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de fazer isso, os chimpanz\u00e9s come\u00e7aram a usar o sinal que aprenderam para descrever &#8216;evacua\u00e7\u00e3o ou sujeira&#8217; da mesma forma que os falantes da l\u00edngua inglesa usam essa palavra para tudo relacionado a &#8216;cagadas'&#8221;, diz Byrne.<\/p>\n<p>&#8220;Eles [os chimpanz\u00e9s] usavam para expressar sua frustra\u00e7\u00e3o, para protestar, e come\u00e7ariam a usar o sinal para chamar outros chimpanz\u00e9s de &#8216;macaco sujo&#8217;, que \u00e9 o pior insulto que eles poderiam usar.&#8221;<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed. &#8220;Roger e Deborah Foots escrevem sobre caminhar pelo laborat\u00f3rio e ouvir esses chimpanz\u00e9s batendo a parte de tr\u00e1s das m\u00e3os na parte de baixo do queixo [o sinal de &#8216;sujo&#8217;] com tanta for\u00e7a que os dentes batiam junto&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;E isso, para mim, foi provavelmente uma das partes mais interessantes da pesquisa para o meu livro: a compreens\u00e3o de que, assim que voc\u00ea tem um tabu e os meios para express\u00e1-lo, algo como um palavr\u00e3o pode surgir&#8221;, conclui Byrne .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s j\u00e1 passamos por isso quando damos uma topada, somos fechados no tr\u00e2nsito ou derramamos caf\u00e9. 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