{"id":259511,"date":"2021-06-19T19:19:53","date_gmt":"2021-06-19T22:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=259511"},"modified":"2021-06-19T20:07:41","modified_gmt":"2021-06-19T23:07:41","slug":"brasil-tem-30-das-mortes-por-covid-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-tem-30-das-mortes-por-covid-no-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil tem 30% das mortes por Covid no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Quinhentos mil e oitocentos mortos. O n\u00famero por si s\u00f3 j\u00e1 diz muito. E desde o come\u00e7o da pandemia temos comparado a situa\u00e7\u00e3o do Brasil com outros lugares do mundo para tentar dimensionar a trag\u00e9dia. Cada tipo de c\u00e1lculo tem suas limita\u00e7\u00f5es, mas em todos eles o Brasil aparece entre os 10 pa\u00edses onde mais morreu gente por covid.<\/p>\n<p>O boletim epidemiol\u00f3gico do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade deste s\u00e1bado,19, apresenta n\u00fameros redondos: mais 2 mil 301 \u00f3bitos nas \u00faltimas 24 horas, elevando o total a 500.800. Os casos de cont\u00e1gio subiram para 17.883.750, com os 82.288 registrados de sexta para s\u00e1bado.<\/p>\n<p>S\u00f3 para ter uma ideia, o Brasil tem 2,7% da popula\u00e7\u00e3o do planeta e atualmente concentra 30% das mortes pela doen\u00e7a no mundo inteiro. O n\u00famero de meio milh\u00e3o de mortes esconde um monte de diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses, como o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e a quantidade de idosos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>Ou seja, pa\u00eds com 200 milh\u00f5es de habitantes tende a ter mais mortes por covid do que uma na\u00e7\u00e3o com uma popula\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, a covid-19 mata mais idosos em qualquer lugar do mundo. Ent\u00e3o, ao compararmos o impacto da doen\u00e7a em dois pa\u00edses com a mesma popula\u00e7\u00e3o, aquele que tiver mais idosos tender\u00e1 a ter mais mortes. Mas h\u00e1 um monte de outros fatores que influenciam essas compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por outro lado, a compara\u00e7\u00e3o de mortes por 100 mil habitantes, que costuma ser usada por quem minimiza a trag\u00e9dia no Brasil ou a relativiza ante um suposto impacto da maior da doen\u00e7a em pa\u00edses europeus, tamb\u00e9m ignora que as na\u00e7\u00f5es t\u00eam diferentes propor\u00e7\u00f5es de idosos.<\/p>\n<p>As chamadas &#8220;mortes em excesso&#8221; s\u00e3o a soma do n\u00famero de mortes por todas as causas que supera a m\u00e9dia hist\u00f3rica em um determinado per\u00edodo. Esse indicador n\u00e3o costuma sofrer varia\u00e7\u00f5es grandes de um ano para o outro \u2014 apesar de haver grandes varia\u00e7\u00f5es sazonais (julho costuma ser o m\u00eas com o maior n\u00famero de mortes no Brasil). Em caso de grande varia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 outra explica\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a que n\u00e3o seja o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es em torno dessas an\u00e1lises. Muitos pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam esse dados hist\u00f3ricos, e parte daqueles que t\u00eam n\u00e3o disponibilizam dados t\u00e3o detalhados, atualizados ou confi\u00e1veis. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 uma grande institui\u00e7\u00e3o, como a Universidade de Oxford ou a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), compilando esses dados.<\/p>\n<p>De todo modo, h\u00e1 diversas iniciativas que buscam contornar esses obst\u00e1culos para possibilitar compara\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses e de um pr\u00f3prio pa\u00eds com sua s\u00e9rie hist\u00f3rica. Em geral, esses levantamentos apontam dados mais ou menos parecidos entre si.<\/p>\n<p>O jornal brit\u00e2nico Financial Times, por exemplo, reuniu os dados mais recentes de 60 pa\u00edses, incluindo os registros de cart\u00f3rios brasileiros. O l\u00edder \u00e9 o Peru, com 122% de excesso de mortes. Ou seja, o n\u00famero de mortes \u00e9 o dobro do que se esperaria sem uma pandemia. O Brasil aparece em 9\u00ba lugar, com 34% mais mortes do que se esperava.<\/p>\n<p>O estat\u00edstico Ariel Karlinksy, da Universidade Hebraica (Israel), e o especialista em aprendizado de m\u00e1quina Dmitry Kobak, da Universidade de Tubinga (Alemanha), fizeram um levantamento envolvendo 95 pa\u00edses. O l\u00edder continua sendo o Peru, com 148% de mortes em excesso.<\/p>\n<p>O Brasil surge em 7\u00ba, com 36%. Eles calculam que at\u00e9 31 de maio de 2021 o pa\u00eds teve 499 mil mortes a mais do que se esperava, segundo a m\u00e9dia hist\u00f3rica nacional. O n\u00famero \u00e9 equivalente ao total de mortes por covid at\u00e9 meados de junho, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: 488 mil.<\/p>\n<p>Mas tudo isso \u00e9 covid? Quase. Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em junho deste ano apontou que 95% das mortes em excesso em S\u00e3o Paulo no primeiro semestre de 2020 foram por coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Um trabalho ainda em andamento do economista Marcos Hecksher, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) afirma que a taxa de mortes de idosos no Brasil em 2020 foi mais de 20 vezes maior do que entre pessoas com at\u00e9 59 anos.<\/p>\n<p>Segundo seus c\u00e1lculos, 169 pa\u00edses de um total de 178 (ou seja, 95%) tiveram uma taxa menor do que a do Brasil em mortes por covid-19, quando se comparam n\u00e3o s\u00f3 os n\u00fameros absolutos, mas o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e os \u00f3bitos em cada faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que, caso em todos esses pa\u00edses os cidad\u00e3os tivessem morrido na mesma propor\u00e7\u00e3o, por sexo e por idade, em que morreram no Brasil, s\u00f3 nove deles estariam em uma situa\u00e7\u00e3o pior do que a brasileira \u2014 ou seja, nessa compara\u00e7\u00e3o, registraram mais mortes do que teriam tido. Sete deles s\u00e3o latino-americanos. S\u00e3o eles: Peru, M\u00e9xico, Belize, Bol\u00edvia, Equador, Panam\u00e1, Maced\u00f4nia do Norte, Col\u00f4mbia e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Hecksher ressalta que &#8220;compara\u00e7\u00f5es internacionais s\u00e3o quase sempre sujeitas a diferen\u00e7as entre os m\u00e9todos de apura\u00e7\u00e3o dos indicadores de cada pa\u00eds e os padr\u00f5es de erro cometidos&#8221;, mas &#8220;\u00e9 necess\u00e1rio lidar com os dados dispon\u00edveis e buscar a melhor forma de compreender o que eles informam dadas as limita\u00e7\u00f5es de cada tipo de compara\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O marco de 500 mil mortes por covid, atingido agora pelo Brasil, n\u00e3o leva em conta o tamanho da popula\u00e7\u00e3o ou a quantidade de idosos, como explicado acima, mas ele \u00e9 bastante simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Atualmente, esse total de mortos \u00e9 o segundo mais alto do mundo, se comparados os n\u00fameros absolutos oficiais. Fica atr\u00e1s apenas dos EUA, que ultrapassaram em junho a marca de 600 mil mortes.<\/p>\n<p>Mas a tend\u00eancia \u00e9 que o Brasil ultrapasse os EUA nos pr\u00f3ximos meses porque o pa\u00eds norte-americano tem conseguido controlar o avan\u00e7o da pandemia e ampliado a vacina\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Especialistas brasileiros apontam, no entanto, que o Brasil est\u00e1 mais perto de se tornar l\u00edder no ranking mundial de mortes do que parece.<\/p>\n<p>An\u00e1lises apontam que em meados de junho o Brasil j\u00e1 pode ter ultrapassado a marca de 600 mil mortes por casos confirmados ou suspeitos de covid-19, 100 mil a mais que os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Essa diferen\u00e7a ocorre por causa da demora para inserir dados das mortes no sistema nacional. A corre\u00e7\u00e3o desse atraso permite, portanto, &#8220;prever o agora&#8221; (nowcasting) e ter uma imagem menos distorcida da real situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O segundo indicador que mais costuma ser usado para comparar a quantidade de mortes por covid do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses \u00e9 aquele que leva o tamanho da popula\u00e7\u00e3o sem ponderar quantidade de idosos, por exemplo.<\/p>\n<p>H\u00e1 levantamentos que apresentam o n\u00famero de mortes a cada 100 mil habitantes ou a cada 1 milh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p>A Universidade Johns Hopkins (EUA) afirma que o Brasil \u00e9 o 2\u00ba com mais mortes por 100 mil habitantes entre os 20 mais afetados ao longo da pandemia inteira. S\u00e3o eles: Peru, Brasil, Argentina, Col\u00f4mbia, EUA, M\u00e9xico, Rom\u00eania, Chile, Paraguai e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Universidade de Oxford (Reino Unido) apresenta uma compara\u00e7\u00e3o parecida, mas sobre dados mais atuais, e n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia inteira. Nesse caso, o Brasil aparece com a 7\u00aa pior m\u00e9dia de mortes por 1 milh\u00e3o de habitantes. Dos 10 primeiros, 9 est\u00e3o nas Am\u00e9ricas. S\u00e3o eles: Paraguai, Uruguai, Suriname, Argentina, Col\u00f4mbia, Peru, Brasil, Trinidad e Tobago, Bahrein e Bol\u00edvia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinhentos mil e oitocentos mortos. O n\u00famero por si s\u00f3 j\u00e1 diz muito. E desde o come\u00e7o da pandemia temos comparado a situa\u00e7\u00e3o do Brasil com outros lugares do mundo para tentar dimensionar a trag\u00e9dia. 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