{"id":259765,"date":"2021-06-23T10:21:11","date_gmt":"2021-06-23T13:21:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=259765"},"modified":"2021-06-23T10:56:59","modified_gmt":"2021-06-23T13:56:59","slug":"quanto-dura-imunidade-contra-covid-apos-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quanto-dura-imunidade-contra-covid-apos-vacina\/","title":{"rendered":"Quanto dura imunidade contra Covid ap\u00f3s vacina?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra covid-19 avan\u00e7a, a pergunta se torna cada vez mais premente: quanto tempo vai durar nossa imunidade?<\/p>\n<p>Obviamente, ainda n\u00e3o temos uma resposta baseada em evid\u00eancias, uma vez que n\u00e3o se passou tempo suficiente desde o surgimento da doen\u00e7a. Mas j\u00e1 temos algumas descobertas animadoras.<\/p>\n<p><strong>A mem\u00f3ria imunol\u00f3gica<\/strong><br \/>\nQuando o sistema imunol\u00f3gico entra em contato com um ant\u00edgeno pela primeira vez, leva alguns dias para que os componentes da resposta espec\u00edfica sejam ativados completamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essa resposta prim\u00e1ria n\u00e3o atinge todo o potencial que o sistema imunol\u00f3gico poderia ser capaz, e \u00e9 por isso que \u00e0s vezes sucumbimos a infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como resultado deste encontro, s\u00e3o geradas c\u00e9lulas de mem\u00f3ria, que t\u00eam vida longa e que armazenam a informa\u00e7\u00e3o de como destruir o ant\u00edgeno.<\/p>\n<p>Se voltarmos a encontrar com ele, a resposta secund\u00e1ria ser\u00e1 muito mais r\u00e1pida, potente e eficaz gra\u00e7as \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que tomamos a vacina, para gerar c\u00e9lulas de mem\u00f3ria capazes de controlar esse pat\u00f3geno caso venha a ocorrer a infec\u00e7\u00e3o por cont\u00e1gio.<\/p>\n<p><strong>Os coronav\u00edrus geram mem\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nSabemos que sim porque existem quatro coronav\u00edrus que causam cerca de 20% dos resfriados comuns, assim como duas outras doen\u00e7as graves: a SARS (S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave, que apareceu em 2003) e a MERS (S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio, que surgiu em 2012).<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria contra os coronav\u00edrus causadores de resfriados n\u00e3o \u00e9 muito potente, e \u00e9 por isso que adoecemos com tanta frequ\u00eancia, al\u00e9m do fato de que existem outros v\u00edrus n\u00e3o relacionados que tamb\u00e9m provocam a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 SARS, sabemos que os anticorpos em pessoas que tiveram a doen\u00e7a diminu\u00edram rapidamente e mal foram detectados dois anos depois, enquanto as c\u00e9lulas de mem\u00f3ria produtoras de anticorpos (linf\u00f3citos B) desapareceram antes de seis anos, a partir de quando haveria falta de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, estudos recentes encontraram anticorpos neutralizantes 17 anos ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, os temores de que a imunidade contra o SARS-CoV-2, v\u00edrus causador da covid-19, tamb\u00e9m fosse de curta dura\u00e7\u00e3o eram justificados.<\/p>\n<p><strong>C\u00e9lulas de longa vida<\/strong><br \/>\nSe fizermos um exame, \u00e9 prov\u00e1vel que ainda tenhamos anticorpos contra doen\u00e7as t\u00edpicas da inf\u00e2ncia, como sarampo ou caxumba, embora tenham se passado muitos anos desde que contra\u00edmos a doen\u00e7a e n\u00e3o tivemos contato com o ant\u00edgeno novamente.<\/p>\n<p>Como isso \u00e9 poss\u00edvel, considerando que a ativa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de mem\u00f3ria requer um novo encontro com o pat\u00f3geno? Como os anticorpos podem durar tanto?<\/p>\n<p>\u00c9 porque, al\u00e9m das c\u00e9lulas de mem\u00f3ria, temos outro aliado importante para nos proteger.<\/p>\n<p>Quando o linf\u00f3cito B \u00e9 ativado ap\u00f3s reconhecer o ant\u00edgeno, ele se converte em uma c\u00e9lula, chamada c\u00e9lula plasm\u00e1tica, que \u00e9 quem realmente produz os anticorpos.<\/p>\n<p>A maioria destas c\u00e9lulas morre quando a infec\u00e7\u00e3o termina, e s\u00e3o chamadas de c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas de vida curta.<\/p>\n<p>Mas, em certas ocasi\u00f5es, s\u00e3o geradas outras c\u00e9lulas muito peculiares, encontradas em nichos especiais na medula \u00f3ssea, chamadas de c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas de vida longa.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, de vida eterna.<\/p>\n<p>Durante todo esse tempo, estariam produzindo anticorpos que neutralizariam uma nova infec\u00e7\u00e3o, como ocorre com a rub\u00e9ola, mononucleose infecciosa, caxumba ou sarampo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que n\u00e3o voltamos a sofrer com essas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Embora logicamente, ainda n\u00e3o saibamos exatamente quanto tempo vai durar a imunidade contra o v\u00edrus SARS-CoV-2, as perspectivas hoje s\u00e3o mais promissoras do que h\u00e1 alguns meses, gra\u00e7as a uma s\u00e9rie de descobertas.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, descobriu-se que os anticorpos contra o SARS-CoV-2 permaneciam na sorologia de pacientes que haviam contra\u00eddo a doen\u00e7a por pelo menos 8 meses e que diminu\u00edam a uma velocidade inferior do que se temia inicialmente.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, as c\u00e9lulas de mem\u00f3ria produtoras de anticorpos se mantiveram muito ativas e em n\u00edveis muito altos ao longo desses 8 meses, de modo que poderia se supor que confeririam prote\u00e7\u00e3o por alguns anos.<\/p>\n<p>Estudos mais recentes elevaram essa prote\u00e7\u00e3o para, pelo menos, 12 meses com uma aparente sele\u00e7\u00e3o voltada para aquelas c\u00e9lulas de mem\u00f3ria mais eficazes.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 mais importante: esta prote\u00e7\u00e3o aumentava consideravelmente em indiv\u00edduos que tiveram a doen\u00e7a e que posteriormente receberam uma dose da vacina.<\/p>\n<p>Mais uma raz\u00e3o para tomarmos a vacina.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, nos indiv\u00edduos que, por terem desenvolvido uma forma leve da doen\u00e7a, n\u00e3o se encontrava essas c\u00e9lulas B de mem\u00f3ria, eles apresentavam uma resposta bastante forte por parte das c\u00e9lulas T de mem\u00f3ria, respons\u00e1veis \u200b\u200bpela imunidade celular.<\/p>\n<p>Ou seja, nem tudo se deve aos anticorpos.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, a resposta \u00e0s vacinas induz uma potente forma\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas nos chamados centros germinativos, requisito fundamental para a produ\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas B de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, s\u00f3 boas not\u00edcias.<\/p>\n<p>Mas tem mais. Os pesquisadores se surpreenderam com o fato de que a diminui\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de anticorpos ap\u00f3s contrair a doen\u00e7a tinha duas fases: uma primeira, em que se deterioravam rapidamente, e outra a partir da qual se mantinham est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Este padr\u00e3o sugere que as c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas de longa vida podem ser respons\u00e1veis \u200b\u200bpela manuten\u00e7\u00e3o desses anticorpos.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese se mostrou correta, pois foi poss\u00edvel isolar e purificar essas c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas de longa vida, que haviam encontrado seu nicho na medula \u00f3ssea, 11 meses ap\u00f3s os pacientes terem tido a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma not\u00edcia maravilhosa.<\/p>\n<p>Porque nos indica que, al\u00e9m de ter uma resposta robusta de longo prazo das c\u00e9lulas T e B de mem\u00f3ria, tamb\u00e9m vamos contar com c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas que estar\u00e3o produzindo anticorpos contra o v\u00edrus durante, provavelmente, muitos anos.<\/p>\n<p>Isso significa que n\u00e3o precisaremos ser vacinados nunca mais? Provavelmente n\u00e3o, embora s\u00f3 o tempo dir\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel que doses de refor\u00e7o precisem ser aplicadas em algum momento para fortalecer a imunidade, caso seja observado um decl\u00ednio.<\/p>\n<p>E, claro, toda essa imunidade \u00e9 gerada contra o v\u00edrus original, que \u00e9 o teor das vacinas que est\u00e3o sendo administradas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos excluir o surgimento de novas variantes, suficientemente diferentes do v\u00edrus original, para que sejam capazes de escapar das nossas c\u00e9lulas de mem\u00f3ria, que s\u00f3 se lembram do que j\u00e1 viram.<\/p>\n<p>E, neste caso, ser\u00e1 necess\u00e1rio aplicar vacinas direcionadas a essas novas variantes.<\/p>\n<p>Por isso, e apesar do atual clima de maior otimismo dentro da comunidade cient\u00edfica, n\u00e3o podemos baixar a guarda.<\/p>\n<p>Vamos conviver com o v\u00edrus por muitos anos, ent\u00e3o teremos que vigi\u00e1-lo de perto. N\u00e3o se pode repetir a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>*Professor de imunologia no Centro de Pesquisas Biom\u00e9dicas da Universidade de Granada<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra covid-19 avan\u00e7a, a pergunta se torna cada vez mais premente: quanto tempo vai durar nossa imunidade? Obviamente, ainda n\u00e3o temos uma resposta baseada em evid\u00eancias, uma vez que n\u00e3o se passou tempo suficiente desde o surgimento da doen\u00e7a. Mas j\u00e1 temos algumas descobertas animadoras. 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