{"id":259936,"date":"2021-06-25T13:47:38","date_gmt":"2021-06-25T16:47:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=259936"},"modified":"2021-06-26T14:19:25","modified_gmt":"2021-06-26T17:19:25","slug":"armando-lobo-lanca-filme-opera-reverenciando-frevo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/armando-lobo-lanca-filme-opera-reverenciando-frevo\/","title":{"rendered":"Armando L\u00f4bo reverencia frevo com filme-\u00f3pera"},"content":{"rendered":"<p>O compositor e multiartista pernambucano Armando L\u00f4bo volta a causar frisson com seu hibridismo musical, sempre de amplo espectro est\u00e9tico e sem\u00e2ntico. Conhecido por desenvolver g\u00eaneros e estilos musicais diversos, com o uso de matizes experimentais e abordagem conceitual com tonalidade filos\u00f3fica e antropol\u00f3gica, o artista vai lan\u00e7ar no YouTube (www.youtube.com\/microoperas), no pr\u00f3ximo dia 30 de junho, quarta-feira \u2013 n\u00e3o por acaso o \u00faltimo dia do m\u00eas e do semestre \u2013 seu segundo filme-\u00f3pera, intitulado \u201c\u00daltimo Dia\u201d. Realizada pela CO.MO (Companhia de Micro-\u00f3peras), com recursos da Lei Aldir Blanc atrav\u00e9s da Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco, a obra de doze minutos \u00e9 livremente inspirada em um lend\u00e1rio epis\u00f3dio envolvendo um dos maiores compositores pernambucanos de frevo, Levino Ferreira, fazendo refer\u00eancia a um nebuloso e mistificado epis\u00f3dio de catalepsia na biografia do compositor, tamb\u00e9m chamado de \u201cMestre Vivo\u201d. De formato bastante multifacetado, unindo teatro, cinema, poesia, performance, m\u00fasica e dan\u00e7a, o filme-\u00f3pera tamb\u00e9m faz refer\u00eancias a Nelson Rodrigues, Freud, Bakhtin, Bergman e Antero de Quental.<\/p>\n<p>Com m\u00fasica, roteiro\/libreto, mixagem, edi\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Armando L\u00f4bo, a produ\u00e7\u00e3o tem todo seu elenco baseado em Recife, destacando a presen\u00e7a do personagem do Z\u00e9 Pereira, coreografado por Marcelo Sena, e que guarda uma semelhan\u00e7a proposital com a figura da morte, conforme retratada por Ingmar Bergman no cl\u00e1ssico \u201cO S\u00e9timo Selo\u201d. O artista pernambucano Walmir Chagas (famoso pelo seu alter-ego \u201cV\u00e9io Mangaba\u201d) interpreta Levino Ferreira, e as carpideiras s\u00e3o vividas pelas cantoras l\u00edricas Nat\u00e1lia Duarte, Virginia Cavalcanti e Surama Ramos. No enredo, tr\u00eas carpideiras, em um mundo paralelo, cantam e choram a morte de um mestre de cultura popular, produzindo um surpreendente efeito cat\u00e1rtico, resultando no acordar do defunto, que em verdade sofrera uma crise catal\u00e9ptica. Quanto \u00e0 est\u00e9tica sonora, a m\u00fasica da \u00f3pera tem caracter\u00edsticas bastante plurais, estabelecendo um di\u00e1logo entre t\u00e9cnicas eruditas contempor\u00e2neas (instrumentais e eletroac\u00fasticas) e a musicalidade popular nordestina, especialmente fazendo refer\u00eancias a frevos de Levino Ferreira.<\/p>\n<p>Em forma de \u00f3pera-poesia, ou \u201cpoem\u00f3pera\u201d audiovisual, \u201c\u00daltimo Dia\u201d discute de forma dram\u00e1tica e \u00e1cida o universo da cultura popular, a reden\u00e7\u00e3o, a carnavaliza\u00e7\u00e3o da morte. \u201cO poeta \u00e9 aquele que vive no outro mundo, o mundo verdadeiro. Mas, e se ele \u00e9 convidado a permanecer neste mundo paralelo em que todos vivem? O prop\u00f3sito \u00e9 mostrar o carnaval enquanto escatologia tr\u00e1gica e invert\u00ea-la numa anti-trag\u00e9dia\u201d, afirma o autor e conclui: \u201cem verdade, a micro-\u00f3pera n\u00e3o \u00e9 sobre a cultura pernambucana, \u00e9 uma carnavaliza\u00e7\u00e3o fun\u00e9rea de Bergman.\u201d<\/p>\n<p><strong>O artista<\/strong><br \/>\nCompositor e artista multifacetado, Armando L\u00f4bo tamb\u00e9m desenvolve e participa de projetos de artes combinadas, unindo v\u00eddeo, performance, teatro, literatura e m\u00fasica. Como m\u00fasico, lan\u00e7ou quatro \u00e1lbuns que receberam cota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da imprensa especializada. Foi contemplado em importantes concursos nacionais e internacionais, vencendo os principais pr\u00eamios brasileiros tanto na m\u00fasica popular (Pr\u00eamio da M\u00fasica Brasileira 2010, com o grupo Frevo Diabo) como na m\u00fasica de concerto (Pr\u00eamio FUNARTE de Composi\u00e7\u00e3o Cl\u00e1ssica, em 2012 e em 2016), provando seu ecletismo e abertura a linguagens diversas.<\/p>\n<p>Sua obra tem sido executada por importantes grupos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Em 2020 criou a CO.MO (Companhia de Micro-\u00f3peras) para produzir projetos audiovisuais com linguagem de \u00f3pera radicalmente contempor\u00e2nea. O primeiro produto da CO.MO foi o curta-metragem Pen\u00e9lope 19, um filme musical de linguagem experimental que aborda o tema da quarentena da COVID-19.<\/p>\n<p>Armando L\u00f4bo \u00e9 Ph.D. em Composi\u00e7\u00e3o Musical pela Universidade de Edimburgo, Reino Unido, Mestre em Composi\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\nArmando L\u00f4bo: m\u00fasica, roteiro\/libreto, mixagem, edi\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNat\u00e1lia Duarte: soprano<br \/>\nVirginia Cavalcanti: mezzo<br \/>\nSurama Ramos: contralto<br \/>\nWalmir Chagas: ator<br \/>\nMarcelo Sena: core\u00f3grafo \/ dan\u00e7arino<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o de arte: Ana Santiago e Armando L\u00f4bo<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o de fotografia: Raphael Malta Clasen<br \/>\nIlumina\u00e7\u00e3o: Luciana Raposo<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: Liliane Vieira dos Santos<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o: Manass\u00e9s Bispo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O compositor e multiartista pernambucano Armando L\u00f4bo volta a causar frisson com seu hibridismo musical, sempre de amplo espectro est\u00e9tico e sem\u00e2ntico. 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