{"id":259987,"date":"2021-06-25T22:48:00","date_gmt":"2021-06-26T01:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=259987"},"modified":"2021-06-26T00:52:18","modified_gmt":"2021-06-26T03:52:18","slug":"um-picareta-outro-bandido-rolou-de-tudo-na-cpi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-picareta-outro-bandido-rolou-de-tudo-na-cpi\/","title":{"rendered":"Um picareta, outro bandido. Rolou de tudo na CPI"},"content":{"rendered":"<p>Os questionamentos ao deputado Luis Miranda (DEM-DF) e ao servidor do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade Luis Ricardo Miranda, irm\u00e3o do parlamentar, se concentraram nas press\u00f5es sofridas pelo servidor e nas supostas irregularidades dentro do processo de compra da vacina Covaxin. Foram mais de 8 horas e meia de reuni\u00e3o da CPI da Pandemia nesta sexta-feira (25).<\/p>\n<p>O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), lembrou que Luis Ricardo veio direto do aeroporto para o Senado, depois de v\u00e1rias horas de um voo internacional. Segundo Aziz, o servidor estava no exterior para buscar vacinas contra a covid. \u2014 Somos devedores ao trabalho do servidor, que veio ajudar a CPI e o Brasil \u2014 afirmou Aziz.<\/p>\n<p>O relator da comiss\u00e3o, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou Luis Ricardo sobre as observa\u00e7\u00f5es dele no processo de compra da Covaxin. Segundo o servidor, na an\u00e1lise dos documentos, foram encontradas informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o batiam com o texto original do contrato da Bharat Biotech com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Algumas dessas diverg\u00eancias seriam na forma de pagamento, na quantidade de doses e na indica\u00e7\u00e3o de empresas intermedi\u00e1rias. Renan disse estranhar a diverg\u00eancia de nomes de empresas intermedi\u00e1rias e afirmou que suspeita de opera\u00e7\u00f5es em algum para\u00edso fiscal.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 um \u00f3bvio movimento para dificultar a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u2014 registrou Renan.<\/p>\n<p>Aziz cobrou de Lu\u00eds Miranda a entrega \u00e0 CPI de dois dossi\u00eas com den\u00fancias de supostas irregularidades no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ainda na gest\u00e3o do ministro Ricardo Barros, que foi chefe da pasta entre 2016 e 2018. Para o presidente do colegiado, a posse desses dossi\u00eas ser\u00e1 importante para a condu\u00e7\u00e3o dos trabalhos da CPI. Ricardo Barros foi apontado por Lu\u00eds Miranda como indicado pelo presidente Jair Bolsonaro de ser o mentor das press\u00f5es em torno da compra da Covaxin.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00edticas<\/strong><br \/>\nO senador Marcos Rog\u00e9rio (DEM-RO) disse estar impressionado porque a agilidade, que antes era t\u00e3o cobrada, agora tem sido apontada como ind\u00edcio de algo errado. A fala do senador tem a ver com as cr\u00edticas de que o processo de compra da Covaxin andou bem mais r\u00e1pido do que outras empresas, at\u00e9 mesmo sem esperar a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa. Ele ainda pediu uma apura\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e disse ter a impress\u00e3o de que a den\u00fancia n\u00e3o passa de uma \u201cden\u00fancia vazia\u201d. Segundo o senador, na compra da Covaxin n\u00e3o houve o superfaturamento que foi divulgado pela imprensa. Ele disse que a oposi\u00e7\u00e3o, que esperava demais, chegou a fazer acusa\u00e7\u00f5es levianas.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 maior fake news da hist\u00f3ria da pandemia no Brasil! Esta CPI est\u00e1 diante de uma fraude de narrativa \u2014 afirmou o senador.<\/p>\n<p>O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) quis saber do deputado e do irm\u00e3o se eles tinham alguma informa\u00e7\u00e3o sobre irregularidades envolvendo a Precisa Medicamentos, intermedi\u00e1ria da compra da Covaxin, e o governo do Distrito Federal. Lu\u00eds Ricardo negou conhecer a situa\u00e7\u00e3o e o deputado Luis Miranda disse saber do caso apenas pela imprensa. Para Izalci, h\u00e1 falhas de controle no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e h\u00e1 muito mais para a CPI investigar.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do senador Humberto Costa (PT-PE), a Precisa Medicamentos \u00e9 uma esp\u00e9cie de empresa VIP dentro do governo. Ele ainda defendeu que os representantes da empresa compare\u00e7am \u00e0 CPI. Para Rog\u00e9rio Carvalho (PT-SE), a CPI j\u00e1 tem cumprido importantes pap\u00e9is para o pa\u00eds, como a press\u00e3o pela compra de mais vacinas. Ele ainda lamentou a postura do governo diante da crise do coronav\u00edrus e elogiou a iniciativa do servidor Luis Ricardo.<\/p>\n<p><strong>Presidente<\/strong><br \/>\nO vice-presidente da comiss\u00e3o, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), destacou que as den\u00fancias dos irm\u00e3os Miranda foram levadas \u00e0 maior autoridade do pa\u00eds, o presidente Jair Bolsonaro. Ao responder a Randolfe, o servidor Luis Miranda disse que o processo da Covaxin foi marcado por \u201cexce\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o\u201d, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s press\u00f5es recebidas. Ele disse que os pedidos de agiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras vacinas e lembrou que o Brasil ainda n\u00e3o recebeu nenhuma dose da Covaxin pelo fato de a Anvisa ainda ter dado a autoriza\u00e7\u00e3o para a vacina.<\/p>\n<p>O l\u00edder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), leu uma nota para apontar que o presidente Bolsonaro, assim que foi alertado pelo deputado Luis Miranda, levou o fato ao ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade Eduardo Pazuello. Conforme a nota do governo, Pazuello pediu ao coronel Elcio Franco, ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo da pasta, para verificar a situa\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o foi de que o contrato estava correto.<\/p>\n<p>Bezerra ainda fez uma defesa da Precisa Medicamentos e da Global Gest\u00e3o de Sa\u00fade e disse que n\u00e3o houve superfaturamento na compra da Covaxin. A nota ainda ressalta o compromisso do governo com a lisura e com a transpar\u00eancia e nega qualquer ass\u00e9dio ao servidor Luis Ricardo.<\/p>\n<p><strong>Emendas<\/strong><br \/>\nO senador Eduardo Gir\u00e3o (Podemos-CE) questionou o deputado se ele recebeu emendas parlamentares extras e por que n\u00e3o discursou na C\u00e2mara fazendo a den\u00fancia sobre o caso da Covaxin. Luis Miranda confirmou que teve algumas emendas extras atendidas no Or\u00e7amento e reafirmou que falou com a maior autoridade do pa\u00eds, o presidente da Rep\u00fablica. Ele ainda ressaltou que, depois da sa\u00edda do ministro Pazuello, n\u00e3o teve mais canais de contato com a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>\u2014 A gente [devia] pegar esse recurso, que est\u00e1 reservado para a Covaxin, e destinar para outra vacina. Precisamos agir agora \u2014 pediu o deputado.<\/p>\n<p>A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) afirmou que a postura do governo diante da pandemia \u00e9 \u201cuma defesa da morte\u201d. Ela manifestou solidariedade \u00e0s fam\u00edlias das mais de 500 mil v\u00edtimas da covid, criticou Bolsonaro e fez uma defesa da estabilidade no servi\u00e7o p\u00fablico. Segundo Zenaide, a seguran\u00e7a da estabilidade permite ao servidor fazer as den\u00fancias dos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, como foi o caso de Luis Ricardo.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as<\/strong><br \/>\nA senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) afirmou lamentar uma tentativa da base governista de desqualificar os depoentes. Ela criticou a previs\u00e3o de recebimento antecipado de US$ 45 milh\u00f5es dentro da compra da Covaxin e questionou Luis Ricardo sobre as recorrentes irregularidades dentro de um contrato de compra de vacina. Ele disse que o normal s\u00e3o falhas pontuais como a falta de indica\u00e7\u00e3o de peso l\u00edquido ou peso bruto, ou ainda erros de quantidade. Segundo o servidor, com um n\u00famero grande de corre\u00e7\u00f5es graves, a primeira vez foi na compra da Covaxin. Ele tamb\u00e9m disse desconhecer um suposto pedido de propina negado, que teria sido citado pelo ministro Eduardo Pazuello, ex-titular da pasta da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a amea\u00e7as, o deputado Luis Miranda lamentou o que chamou de \u201cincita\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia\u201d por parte do ministro da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Onyx Lorenzoni, que disse em entrevista que ele teria de prestar contas a Deus e ao governo, al\u00e9m de cham\u00e1-lo de traidor. O deputado anunciou que vai acionar a Justi\u00e7a contra o ministro. Luis Miranda tamb\u00e9m citou v\u00e1rias amea\u00e7as em suas redes sociais e disse que, durante um dos intervalos, teve um \u201cdesconforto\u201d com o senador Marcos do Val (Podemos-ES).<\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s n\u00e3o atacamos o governo. Apenas apontamos um fato que precisa ser investigado. N\u00e3o fizemos nada de errado \u2014 declarou o deputado, que chegou para depor com colete \u00e0 prova de balas e com uma B\u00edblia na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resposta, Marcos do Val disse ter sido amea\u00e7ado pelo deputado e pediu o registro dessa informa\u00e7\u00e3o nas atas da CPI. O senador disse n\u00e3o ver nenhum ind\u00edcio de corrup\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o mostrada pelos irm\u00e3os Miranda. Marcos do Val tentou passar um v\u00eddeo sobre den\u00fancias que j\u00e1 foram veiculadas na imprensa contra o deputado, que supostamente teria aplicado golpes milion\u00e1rios em s\u00f3cios, quando morava nos Estados Unidos. Omar Aziz negou a exibi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo por considerar que o tema era divergente do foco da CPI e para evitar constranger o convidado.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de censura, mas de objeto \u2014 afirmou o presidente do colegiado.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancias<\/strong><br \/>\nOs questionamentos aos irm\u00e3os Miranda foram marcados por diverg\u00eancias e interrup\u00e7\u00f5es entre senadores da oposi\u00e7\u00e3o e da base governista. Enquanto o foco da oposi\u00e7\u00e3o eram as press\u00f5es sofridas pelo servidor e as supostas irregularidades na compra da Covaxin, os senadores da base governista diziam que os documentos foram corrigidos e que n\u00e3o h\u00e1 irregularidade na compra. Houve muita interrup\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es entre os senadores. Aziz chegou a suspender a sess\u00e3o por dez minutos, pediu calma ao deputado Luis Miranda e cobrou objetividade dos senadores.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias vezes, Bezerra interrompeu os depoentes. O deputado Luis Miranda reclamou que estava sendo constrangido pelo l\u00edder do governo, mas Bezerra apontou que o deputado estava assessorando o irm\u00e3o, o que seria ilegal. O l\u00edder ainda pediu para que a CPI n\u00e3o procure \u201cver fantasmas onde n\u00e3o existe\u201d, pois v\u00e1rias empresas \u201ctrabalham com off-shore\u201d. Randolfe pediu calma e disse que Bezerra estava muito nervoso. Em resposta, ele disse que a base do governo estava \u201cabsolutamente tranquila\u201d.<\/p>\n<p>Em participa\u00e7\u00e3o remota, o senador Jorginho Mello (PL-SC) defendeu o governo, chamou Luis Miranda de \u201clar\u00e1pio\u201d e pediu que a C\u00e2mara dos Deputados leve o deputado ao Conselho de \u00c9tica, por supostamente falar mentiras.<\/p>\n<p>\u2014 Picareta! Vinagre! Vai lavar tua boca, picareta! \u2014 disse Jorginho Mello ao deputado, que o acusou de responder processos na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Renan questionou se o deputado Miranda e o seu irm\u00e3o conheciam o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (Patriota-RJ), entre outros v\u00e1rios nomes. Por conta dessa cita\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1vio Bolsonaro pediu uma quest\u00e3o de ordem e, de forma remota, negou qualquer v\u00ednculo com qualquer empresa fornecedora de medicamentos. Ele ainda questionou quais as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es de Renan com a relatoria da CPI, ao citar pessoas ligadas a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u2014 O senador Renan Calheiros parece que \u00e9 o dono da CPI. Renan Calheiros n\u00e3o pode fazer o que bem entender e n\u00e3o pode quebrar o sigilo de quem ele quer \u2014 reclamou Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p>Diante de tantas interrup\u00e7\u00f5es e diverg\u00eancias, Marcos Rog\u00e9rio disse que a situa\u00e7\u00e3o estava \u201cinsalubre\u201d. Eliziane Gama (Cidadania-MA)\u00a0lembrou que o colega ficou mais de meia hora com a palavra, parecendo \u201cser o relator da comiss\u00e3o\u201d. Marcos Rog\u00e9rio ainda disse conhecer a verdadeira motiva\u00e7\u00e3o do deputado Luis Miranda em fazer as den\u00fancias, mas disse que n\u00e3o queria \u201cfalar sobre isso\u201d. Aziz e outros membros da comiss\u00e3o pediram que o senador tornasse p\u00fablica essa suposta motiva\u00e7\u00e3o. Marcos Rog\u00e9rio, no entanto, n\u00e3o quis continuar com o assunto e o deputado Luis Miranda pediu respeito.<\/p>\n<p>\u2014 A \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o que eu tenho aqui \u00e9 combater a corrup\u00e7\u00e3o \u2014 respondeu o deputado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os questionamentos ao deputado Luis Miranda (DEM-DF) e ao servidor do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade Luis Ricardo Miranda, irm\u00e3o do parlamentar, se concentraram nas press\u00f5es sofridas pelo servidor e nas supostas irregularidades dentro do processo de compra da vacina Covaxin. Foram mais de 8 horas e meia de reuni\u00e3o da CPI da Pandemia nesta sexta-feira (25). 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