{"id":259994,"date":"2021-06-26T10:49:59","date_gmt":"2021-06-26T13:49:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=259994"},"modified":"2021-06-26T10:52:55","modified_gmt":"2021-06-26T13:52:55","slug":"briga-de-geracoes-vem-de-cringe-e-emoji-antiquado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/briga-de-geracoes-vem-de-cringe-e-emoji-antiquado\/","title":{"rendered":"Briga de gera\u00e7\u00f5es vem de cringe e emoji antiquado"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea usa emoji de risada para rir, voc\u00ea \u00e9 velho. E &#8220;cringe&#8221;. Cringe, caso voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o saiba, significa vergonha alheia, uma adapta\u00e7\u00e3o do sentido original em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>A guerra geracional entre os Z e os millennials que bombou entre os americanos no in\u00edcio do ano chegou \u00e0 internet brasileira na semana passada, depois de um tu\u00edte sobre o assunto viralizar.<\/p>\n<p>Os nascidos ap\u00f3s 1996 deixaram claro o que acham dos adultos dos anos de 1981 a 1996: se tomam caf\u00e9 da manh\u00e3, reclamam dos boletos a pagar, usam cal\u00e7a skinny e emoji gen\u00e9rico para rir, a vergonha \u00e9 grande.<\/p>\n<p>Disclaimer: esta rep\u00f3rter, rec\u00e9m-cumpridos 30 anos, \u00e9 millenial e, aparentemente, cringe. Separa o cabelo de lado, adora um caf\u00e9 da manh\u00e3 e riu bastante com o v\u00eddeo da Pfaizer.<\/p>\n<p>Se tamb\u00e9m tivessem gargalhado, os adolescentes de agora teriam rido apenas KKKKKKKKKKK. Ou teriam recorrido a outra forma corrente do riso: LIWAHDFIWAKHDWQ.<\/p>\n<p>Sim, isso mesmo. Ligue a caixa alta e sente a m\u00e3o no teclado. O que sair \u00e9 jogo. Esse tipo de risada altamente aleat\u00f3ria &#8211; uma subvers\u00e3o da onomatopeia, por que n\u00e3o? &#8211; denota mais gra\u00e7a ainda.<\/p>\n<p>Emoji de risada, por outro lado, \u00e9 coisa de gente velha. Mais ou menos quando o &#8220;nariz&#8221; em emoticons denunciava a idade do interlocutor.<\/p>\n<p><strong>Arqueologia do KKKKKKKKKK<\/strong><br \/>\nTend\u00eancia ou n\u00e3o, o &#8220;KKKKKKKK&#8221; n\u00e3o \u00e9 novo. Ali\u00e1s, \u00e9 velh\u00edssimo. Essa gargalhada &#8211; que quando lida em voz alta, deve soar como um gostoso &#8220;kakakakaka&#8221; &#8211; \u00e9 usada pelo brasileiro h\u00e1 pelo menos 150 anos. Mas era algo mais para os vagarosos &#8220;c\u00e1 c\u00e1 c\u00e1&#8221;, &#8220;qui\u00e1 qui\u00e1 qui\u00e1&#8221; ou &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Temos algumas evid\u00eancias disso.<\/p>\n<p>A primeira est\u00e1 em &#8220;Til&#8221;, romance regionalista de Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877) publicado em 1872 que se passa em uma fazenda no interior de S\u00e3o Paulo. O livro conta a hist\u00f3ria de Berta, uma menina acolhida pela vi\u00fava Nh\u00e1 Tudinha.<\/p>\n<p>Em um trecho, Nh\u00e1 Tudinha aparece &#8220;debulhando-se em uma risada gostosa&#8221;. &#8220;N\u00e3o fazia a menina um trejeito, nem dizia uma fac\u00e9cia, que a vi\u00fava n\u00e3o se desfizesse em gargalhadas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u2014 Ai, menina!&#8230; Qui\u00e1!&#8230; qui\u00e1!&#8230; qui\u00e1!&#8230; J\u00e1 se viu, que ladroninha?&#8230;&#8221;, diz um trecho.<\/p>\n<p>Uma r\u00e1pida busca no acervo de jornais mostra a gargalhada na &#8220;Sec\u00e7\u00e3o Livre&#8221;, onde eram publicados coment\u00e1rios, discuss\u00f5es religiosas ou pol\u00edticas e casos pessoais n&#8217;A Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, jornal que antecedeu o Estado de S. Paulo. O texto \u00e9 do dia 20 de fevereiro de 1884:<\/p>\n<p>&#8220;O mi\u00f3 de tudo nh\u00f4 dot\u00f4 \u00e9 mec\u00ea se cal\u00e1 e n\u00e3o buli n&#8217;essas vergonha (&#8230;) Qui\u00e1, qui\u00e1, qui\u00e1, c\u00e1, c\u00e1, c\u00e1!!!&#8221;, diz o coment\u00e1rio que faz tro\u00e7a de um caso pol\u00eamico com uma advogado no interior paulista.<\/p>\n<p>No mesmo ano, Machado de Assis (1839-1908) registrava o riso &#8220;c\u00e1 c\u00e1 c\u00e1&#8221; no conto &#8220;A Segunda Vida&#8221;: &#8220;Ent\u00e3o, o Diabo, escancarando uma formid\u00e1vel gargalhada: &#8216;Jos\u00e9 Maria, s\u00e3o os teus vinte anos.&#8217; Era uma gargalhada assim: \u2014 c\u00e1, c\u00e1, c\u00e1, c\u00e1, c\u00e1&#8230; Jos\u00e9 Maria ria \u00e0 solta, ria de um modo estridente e diab\u00f3lico.&#8221;<\/p>\n<p>Monteiro Lobato (1882-1948) tamb\u00e9m colocou a onomatopeia na boca de personagens em dois contos de &#8220;Urup\u00eas&#8221;. O livro, de 1918, \u00e9 not\u00f3rio por ter dado origem ao ic\u00f4nico Jeca Tatu.<\/p>\n<p>&#8220;Toda gente gozou do caso, entre espirros de riso e galhofa&#8221;, diz um trecho do conto &#8220;Um Supl\u00edcio Moderno&#8221;, sobre o personagem Iz\u00e9 Biriba, um pobre estafeta (esp\u00e9cie de carteiro), que fazia correspond\u00eancia entre cidades n\u00e3o conectadas por ferrovia. Biriba se lamenta por haver transportado um bode para s\u00f3 depois descobrir que era para um inimigo seu, e \u00e9 alvo de risos. &#8220;Trazer o bode da oposi\u00e7\u00e3o! Qui\u00e1! qui\u00e1! qui\u00e1!&#8221;, ele ouve de interlocutores.<\/p>\n<p>Na Folha da Manh\u00e3, uma cr\u00f4nica chamada &#8220;Um Homem que Ri&#8221;, publicada em 1926, diz o seguinte: &#8220;Quem foi o tolo que afirmou que a humanidade deve meditar e crer, chorar e sonhar? Que patetice \u00e9 essa, em pleno s\u00e9culo XX? A humanidade s\u00f3 deve rir. A vida, no fundo, n\u00e3o passa de uma grossa piada. Qu\u00e1, qu\u00e1 qu\u00e1!&#8221;<\/p>\n<p>Ok, j\u00e1 deu para entender. O &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221; era a maneira corrente de expressar riso.<\/p>\n<p>E um dos espa\u00e7os onde estava presente \u00e9 terreno f\u00e9rtil para onomatopeias no Brasil e no mundo: as hist\u00f3rias em quadrinho.<\/p>\n<p><strong>Pow, crash, bang<\/strong><br \/>\n&#8220;Os quadrinhos t\u00eam o visual e o textual ao mesmo tempo. Como h\u00e1 uma tentativa de representar a fala, trazem gargalhadas, variantes, g\u00edrias, express\u00f5es do cotidiano e erros do ponto de vista da gram\u00e1tica. \u00c9 escrito, mas ao mesmo tempo, representa a fala&#8221;, explica Nataniel Gomes, professor de lingu\u00edstica da Universidade Estadual de Mato Grosso de Sul (UEMS) e l\u00edder do n\u00facleo de pesquisa em quadrinhos da institui\u00e7\u00e3o (NuPeQ).<\/p>\n<p>E a internet tem essas mesmas caracter\u00edsticas da linguagem de quadrinhos. &#8220;Online, voc\u00ea tem uma rapidez muito grande para escrever, ent\u00e3o a tend\u00eancia \u00e9 escrever mais ou menos como se fala, como nos quadrinhos.&#8221;<\/p>\n<p>As HQs s\u00e3o repletas de onomatopeias (pense no &#8220;pow&#8221;, &#8220;crash&#8221;, &#8220;bang&#8221; do Batman), e as risadas online s\u00e3o justamente isso, onomatopeias &#8211; uma tentativa de reproduzir som e ru\u00eddos usando letras ou palavras. E elas se popularizaram a partir do momento em que os quadrinhos passam a ganhar bal\u00f5es de fala (literalmente aqueles bal\u00f5ezinhos onde ficam os di\u00e1logos) no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, diz Gomes.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que o &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;, j\u00e1 presente pelo menos em alguns textos, como vimos acima, come\u00e7a a se popularizar de fato no Brasil nos anos 1960 e 1970, sugere o jornalista e pesquisador de hist\u00f3rias em quadrinhos Gon\u00e7alo Junior. Isso porque foi nessa \u00e9poca que os gibis da Disney, traduzidos para o portugu\u00eas, foram publicados no Brasil. E neles havia um importante personagem que ria &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Pato Donald<\/strong><br \/>\nEm 1931, o famoso Mickey Mouse ganha um amigo: Pato Donald, uma cria\u00e7\u00e3o de Walt Disney. Na d\u00e9cada seguinte, essa cria\u00e7\u00e3o se desdobraria em todo um maravilhoso universo de patos criados pelo talentoso ilustrador Carl Barks.<\/p>\n<p>Seus quadrinhos d\u00e3o origem a Pat\u00f3polis, no Estado fict\u00edcio de Calisota (uma jun\u00e7\u00e3o de Calif\u00f3rnia com Minnesota), onde viviam Pato Donald, o sovina tio Patinhas, o primo sortudo Gast\u00e3o, os Irm\u00e3os Metralha, os sobrinhos trig\u00eameos Huguinho, Zezinho e Luisinho, entre outros.<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, esses patos riem apenas &#8220;ha ha ha&#8221;. E havia tamb\u00e9m o &#8220;quack&#8221;, a t\u00edpica onomatopeia para o grasnar de pato na l\u00edngua inglesa que nos gibis americanos representava espanto, equivalente a um &#8220;uau&#8221; ou &#8220;puxa&#8221; em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Na tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas, voc\u00ea j\u00e1 imagina: &#8220;ha ha ha&#8221; virou &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gente puxou a risada para o qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1, que \u00e9 muito divertido, que \u00e9 ao mesmo tempo o som do pato e o som da risada&#8221;, diverte-se Marcelo Alencar, jornalista, editor e tradutor de quadrinhos Disney.<\/p>\n<p>&#8220;O qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1 era um jeito &#8216;patoso&#8217; de adaptar o &#8216;qui\u00e1, qui\u00e1, qui\u00e1&#8217; dos nossos velhinhos, aquela proto gargalhada.&#8221;<\/p>\n<p>Ou seja, naquele mundo dos patos, que chegaram a vender 200 mil exemplares por edi\u00e7\u00e3o nos anos 1970 e 1980 no Brasil, segundo Alencar, todos riam &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1 acabou pegando por causa disso, \u00e9 aquela risada que voc\u00ea n\u00e3o segura, d\u00e1 vontade de rir alto. Que \u00e9 o mesmo som do kkkk&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>E pegou mesmo.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, textos de jornais s\u00e3o repletos de &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221;, principalmente os humor\u00edsticos.<\/p>\n<p>Elis Regina gargalha e canta &#8220;quaquaraquaqua, quem riu?, quaquaquaraquaqua, fui eu&#8221; em &#8220;Vou Deitar e Rolar (Qua Qua Ra Qua Qua)&#8221;, composta por Baden Powell e Paulo C\u00e9sar Pinheiro em 1970.<\/p>\n<p>O &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221; ainda resiste e aparece forte nos anos 1980, 1990 e no in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n<p>E \u00e9 bem a\u00ed, no final dos anos 1990 para a virada do s\u00e9culo, quando o &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221; come\u00e7a a desaparecer, que o &#8220;kkkkk&#8221; d\u00e1 as caras. Na internet, claro.<\/p>\n<p>Especialista em redes sociais e professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Raquel Recuero lembra que, nos anos 1990, as onomatopeias de riso tinham &#8220;o estilo dos quadrinhos como hahaah ou hahahHAHAHAHAahaha ou HCIAUHRIUEHIUEHFIUHEIUFHAIUHIUEF (digitando v\u00e1rias letras com hahhahaha)&#8221;. &#8220;E bem no in\u00edcio, muita gente usava o RS RS RS&#8221;, lembra ela.<\/p>\n<p>&#8220;O kkkk come\u00e7ou a aparecer mais depois&#8221;, no in\u00edcio dos 2000. E como ocorre o pulo entre &#8220;qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1&#8221; e &#8220;kkkkk&#8221;?<\/p>\n<p>&#8220;No chat, escrevemos com muita rapidez, comemos acento, reduzimos tudo o que podemos para ganhar tempo&#8221;, observa Gomes, da UEMS. Se um k representa um qu\u00e1, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Qual \u00e9 mais f\u00e1cil ou mais r\u00e1pido: escrever q-u-a, q-u-a, q-u-a, ainda com acento, ou escrever s\u00f3 kkkk? \u00c9 s\u00f3 botar o dedo que a letra corre&#8221;, diz Gon\u00e7alo Junior.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, o kkkk surgiu primeiro como risada normal entre os adultos que a adotaram.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, parte dos jovens, no entanto, passou a considerar essa risada cringe (ou vergonha alheia, como se dizia).<\/p>\n<p>Mas logo se apropriou dela, passando a fazer um uso ir\u00f4nico. E, bem, isso acabou naturalizando o &#8220;kkkkkk&#8221;, que hoje, com mais de 20 anos, j\u00e1 completa um ciclo e n\u00e3o \u00e9 mais visto necessariamente com ironia.<\/p>\n<p><strong>Ascens\u00e3o e queda de um emoji<\/strong><br \/>\nCorta para os adolescentes de agora, de 2021. Rir s\u00f3 &#8220;kkkkkkkk&#8221;, para eles, n\u00e3o \u00e9 o suficiente, e pode ofender o interlocutor por ser &#8220;sutil&#8221; demais. Para demonstrar riso mesmo, gargalhada, e n\u00e3o ironia, tem que ser &#8220;KKKKKKKKKKKK&#8221;, em caixa alta.<\/p>\n<p>E nunca, jamais, o emoji &#8220;Face with Tears of Joy&#8221; (&#x1f602;), conhecido informalmente como laughing crying emoji (emoji chorando de rir). Esse \u00e9 totalmente cringe e entrou em desuso entre os adolescentes.<\/p>\n<p>Aqui, uma curiosidade: os emojis, diz o jornalista Gon\u00e7alo Junior, tamb\u00e9m t\u00eam origem nos quadrinhos. S\u00e3o praticamente &#8220;rosto de quadrinhos&#8221;, afirma. &#8220;As express\u00f5es de raiva, de olho fechado, piscadela, a sobrancelha levantada&#8230; Isso tudo foi desenvolvido para representar express\u00f5es de sentimento nos gibis&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Voltando ao emoji chorando de rir: essa express\u00e3o se tornou seu pr\u00f3prio algoz. Ela foi a mais popular no Twitter entre todos os emojis durante v\u00e1rios anos monitorados pelo Emojipedia, um site que documenta o significado de emojis. Mas atingiu seu pico em junho de 2019, e desde ent\u00e3o vinha caindo lentamente em popularidade.<\/p>\n<p>&#8220;O emoji virou o novo &#8216;rs&#8217;. Foi t\u00e3o onipresente, espalhado por todas as partes, que perdeu o sentido e saiu de moda&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Keith Broni, pesquisador e tradutor de emojis do Emojipedia. &#8220;Ele perdeu seu poder como uma express\u00e3o emocional genu\u00edna.&#8221; E, assim, a gera\u00e7\u00e3o Z decidiu que seus dias estavam contados.<\/p>\n<p>&#8220;Em mar\u00e7o de 2021, pela primeira vez, em anos e anos de uso de emojis na cultura ocidental, o chorando de rir ficou fora do p\u00f3dio&#8221;, diz Broni.<\/p>\n<p>E quem subiu para ocupar seu lugar foi o loudly crying face emoji &#x1f62d;, o chorando alto.<\/p>\n<p>Claro, porque h\u00e1 mais de um ano vivemos uma pandemia e estamos todos muito tristes, n\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p>Surpreendentemente (ao menos para os velhos n\u00e3o gera\u00e7\u00e3o Z), o choro alto se tornou a nova gargalhada.<\/p>\n<p>&#8220;O emoji de choro alto, com cachoeiras de l\u00e1grimas, est\u00e1 sendo usado n\u00e3o porque as pessoas est\u00e3o tristes, mas porque passou a representar a risada&#8221;, diz Broni. A gera\u00e7\u00e3o Z adotou esse emoji para expressar algo positivo &#8211; fazendo uso, novamente, do drama exacerbado. \u00c9 o equivalente \u00e0 caixa alta no KKKKKKK.<\/p>\n<p>Enquanto isso, se for usado pelos Z, o emoji chorando de rir tem mais um tom de ironia.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra alternativa &#8211; esta, surgida em coment\u00e1rios no TikTok. O emoji da caveira &#x1f480; virou uma vers\u00e3o visual da express\u00e3o &#8220;estou morto&#8221; ou &#8220;morri&#8221;, dito quando algo \u00e9 muito engra\u00e7ado. Basicamente, a gera\u00e7\u00e3o Z se apropriou do emoji e lhe deu um novo significado.<\/p>\n<p>&#8220;Eles usam emojis de maneira mais fr\u00edvola e ir\u00f4nica, para definir sua gera\u00e7\u00e3o e separ\u00e1-la da que veio antes&#8221;, diz o pesquisador de emojis.<\/p>\n<p>Entre o qu\u00e1 qu\u00e1 qu\u00e1, os subsequentes kkkkk e KKKKK e a ascens\u00e3o e queda de emojis, o que estamos vendo, simplesmente, \u00e9 a &#8220;velha passagem da tocha entre gera\u00e7\u00f5es&#8221;, segundo Broni.<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 legal para uma gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 legal para a pr\u00f3xima, e isso \u00e9 natural.&#8221;<\/p>\n<p>Pelo menos, estamos todos rindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea usa emoji de risada para rir, voc\u00ea \u00e9 velho. E &#8220;cringe&#8221;. Cringe, caso voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o saiba, significa vergonha alheia, uma adapta\u00e7\u00e3o do sentido original em ingl\u00eas. 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