{"id":260196,"date":"2021-06-27T13:53:17","date_gmt":"2021-06-27T16:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260196"},"modified":"2021-06-27T13:54:47","modified_gmt":"2021-06-27T16:54:47","slug":"leite-e-mel-de-dom-bosco-comeca-a-render-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/leite-e-mel-de-dom-bosco-comeca-a-render-vinho\/","title":{"rendered":"Leite e mel de dom Bosco come\u00e7a a render vinho"},"content":{"rendered":"<p>A dica foi de Dom Bosco. No final do s\u00e9culo 19, o religioso italiano sonhou com certa \u201cterra prometida, entre os graus 15 e 20\u201d, de onde jorraria muito leite e mel; um lugar de \u201criqueza inconceb\u00edvel\u201d, dando, assim, as coordenadas do local da futura capital do Brasil. Passados quase 140 anos da profecia, a regi\u00e3o do cerrado tamb\u00e9m tem se mostrado farta em outro alimento: uva.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o local de parreiras \u00e9 t\u00e3o promissora que j\u00e1 se planeja uma \u201crota do vinho\u201d na \u00e1rea rural para explorar como ponto tur\u00edstico. Em parceria com produtores do Planalto Central, a Secretaria de Turismo (Setur) re\u00fane um grupo de trabalho que envolve 22 entidades, entre \u00f3rg\u00e3os, empresas e regi\u00f5es administrativas, al\u00e9m de representantes do governo federal, que se debru\u00e7am sobre o tema desde maio passado.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Turismo, que acompanhou o governador na visita, refor\u00e7ou: \u201cEstamos estruturando esse roteiro com a certeza de que Bras\u00edlia tem todas as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e que podemos projet\u00e1-la como capital do enoturismo, oferecendo para a popula\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia \u00fanica e inovadora\u201d.<\/p>\n<p>Ecoturismo \u00e9 a atividade que associa \u00e0 atividade tur\u00edstica elementos comuns \u00e0 cultura do vinho, desde o processo produtivo, passando pelos aromas e sabores. O segmento vai al\u00e9m das propriedades de vin\u00edcolas propriamente ditas, incentivando a agricultura familiar, gerando empregos e renda, al\u00e9m de forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de pessoas para o ramo. \u201cIsso \u00e9 muito importante, porque a cadeia produtiva do enoturismo \u00e9 muito ampla\u201d, pontua a titular da Setur. \u201cN\u00f3s alcan\u00e7amos do produtor rural ao empres\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Origens no PAD-DF<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 pouco tempo, a vinicultura para produ\u00e7\u00e3o de vinhos finos era inconceb\u00edvel por aqui. Essa realidade come\u00e7ou a mudar quando um grupo de agricultores do PAD-DF se especializou na produ\u00e7\u00e3o de uvas finas. Nasceu, assim, a Vin\u00edcola Bras\u00edlia, iniciativa de dez fam\u00edlias que investiram em estrutura, tecnologia e equipamentos para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos finos na regi\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que entra a Setur, com potencializa\u00e7\u00e3o de uma rota do enoturismo no DF.<\/p>\n<p>\u201cEstamos falando de toda uma regi\u00e3o que tem potencial nessa cultura do vinho, nas atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas e experi\u00eancias diversas que uma rota vai trazer\u201d, comemora a subsecret\u00e1ria de Produto e Pol\u00edticas P\u00fablicas da Setur, Danielle Lopes.<\/p>\n<p>O produtor Ronaldo Triacca, um dos integrantes do Grupo Vin\u00edcola Bras\u00edlia, faz coro: \u201cEmbora algumas propriedades do DF j\u00e1 estejam praticando o enoturismo, estamos empolgados com a cria\u00e7\u00e3o dessa rota. \u00c9 uma quebra de paradigma no turismo da regi\u00e3o, uma experi\u00eancia inusitada que vai fortalecer essa ind\u00fastria, inclusive em n\u00edvel social\u201d.<\/p>\n<p><strong>Crescimento da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo dados da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do DF (Emater), cerca de 40 produtores trabalham com uva no DF, abrangendo mais de 60 hectares entre plantio e produ\u00e7\u00e3o. Isso d\u00e1 uma m\u00e9dia de 1,5 mil toneladas de v\u00e1rias esp\u00e9cies produzidas por ano na regi\u00e3o. Boa parte dessa safra \u00e9 destinada a consumo de mesa, ou seja, aquelas vendidas em caixas ou bandejas nos mercados ou feiras.<\/p>\n<p>As uvas mais comuns na regi\u00e3o s\u00e3o Ni\u00e1gara-rosada, isabel, vit\u00f3ria e it\u00e1lia. Em 2019 43 toneladas de uvas do DF foram comercializadas nas Centrais de Abastecimento do DF (Ceasa). De acordo com dados da Vin\u00edcola Bras\u00edlia, em 2020, foram produzidas aproximadamente 5 mil garrafas de vinho fino. \u201cNessa safra, deve chegar a 12 mil garrafas\u201d, calcula Ronaldo Triacca. \u201cAno que vem j\u00e1 estimamos subir para umas 25 mil\u201d.<\/p>\n<p>A diretora executiva da Emater, Loiselene Trindade, avalia: \u201cO cultivo de uvas finas para a produ\u00e7\u00e3o de vinho \u00e9 recente na regi\u00e3o. Essa parceria com a Secretaria de Turismo vai trazer uma nova roupagem ao turismo rural no DF\u201d.<\/p>\n<p><strong>O vinho do cerrado<\/strong><br \/>\nEngana-se quem pensa que o cerrado seco e o clima tropical do Planalto Central s\u00e3o empecilhos para o cultivo de uvas e a produ\u00e7\u00e3o de vinhos finos. Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de pesquisa e, claro, adapta\u00e7\u00e3o. Assim atesta o engenheiro agr\u00f4nomo e expansionista rural Felipe Camargo, da Emater.<\/p>\n<p>\u201cBras\u00edlia tem caracter\u00edsticas de solo e clima que possibilitam, sem d\u00favida, o plantio de uva para produ\u00e7\u00e3o de vinho\u201d, assegura o profissional. \u201cA uva \u00e9 uma fruta de clima temperado, e estamos falando de uma regi\u00e3o de clima tropical, ent\u00e3o tem toda uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, como poda, quebra de dorm\u00eancia ou mesmo aridez do solo, que pode ser adaptada.\u201d<\/p>\n<p>Tudo indica que est\u00e1 dando certo, j\u00e1 que esp\u00e9cies de uvas como syrah, cabernet franc, barbere e tempranillo se adaptaram bem \u00e0 regi\u00e3o. \u201cUma das esp\u00e9cies que n\u00e3o se adaptaram aqui foi a cabernet sauvignon\u201d, sinaliza Felipe Camargo.<\/p>\n<p>Administrador de Planaltina, uma das regi\u00f5es administrativas fortes na produ\u00e7\u00e3o de uva no DF, C\u00e9lio Rodrigues acredita que a cria\u00e7\u00e3o de uma rota do vinho vai impulsionar ainda mais a economia local no setor rural. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de uvas no local atrai turisticamente os apreciadores do vinho e gera renda aos agricultores; apoiar essa iniciativa \u00e9 estar ao lado do cidad\u00e3o e do futuro do DF\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Brazl\u00e2ndia na rota<\/strong><br \/>\nAs atividades do grupo de trabalho da Setur para a estrutura\u00e7\u00e3o do DF como destino enotur\u00edstico seguem a pleno vapor. Integrantes de seis subgrupos criados pelo \u00f3rg\u00e3o fazem visitas em todo o DF. Al\u00e9m do PAD-DF, fazem parte do roteiro espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o em Sobradinho e Planaltina.<\/p>\n<p>Entre os trabalhos a serem desenvolvidos est\u00e3o o mapeamento dos empreendimentos relacionados \u00e0 pauta, como os vinhedos existentes na regi\u00e3o, al\u00e9m de meios de hospedagem, bares e restaurantes. \u201cCada grupo vai fazer o mapeamento b\u00e1sico do que j\u00e1 pode ser usado como plano de trabalho\u201d, antecipa a subsecret\u00e1ria de Produto e Pol\u00edticas P\u00fablicas da Setur.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o tradicional de cultivo de uva no DF, o ponto de partida para a produ\u00e7\u00e3o local da fruta da fam\u00edlia das videiras (Vitaceae), historicamente, \u00e9 Planaltina. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 registros de agricultores em Sobradinho, na regi\u00e3o do Lago Oeste, e tamb\u00e9m em Vargem Bonita, no Riacho Fundo.<\/p>\n<p>Maior produtor de frutas do DF, entre elas o morango e a goiaba, Brazl\u00e2ndia tamb\u00e9m quer fazer parte do turismo enol\u00f3gico. \u201cO interesse desse novo mercado em Brazl\u00e2ndia vem crescendo porque \u00e9 uma regi\u00e3o administrativa com essa voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, avalia Felipe Camargo. \u201cO pessoal de Brazl\u00e2ndia tem a expertise, j\u00e1 sabe trabalhar com frutas, e tudo o que eles fazem nesse ramo, fazem bem-feito\u201d.<\/p>\n<p>Dono de uma propriedade rural em Alexandre Gusm\u00e3o, na regi\u00e3o de Brazl\u00e2ndia, o agricultor Reinaldo da Silva Romeiro, 69 anos, \u00e9 o \u00fanico produtor de uva na cidade. Aposta no ramo desde 2010, plantando a esp\u00e9cie ni\u00e1gara-rosada em um espa\u00e7o de 3 hectares e comercializando-a na Feira do Produtor, na Ceasa e em mercados. Ele acredita que a produ\u00e7\u00e3o de uva em Brazl\u00e2ndia tem futuro na regi\u00e3o. \u201cO investimento \u00e9 grande, mas vale a pena, \u00e9 um neg\u00f3cio excelente\u201d, aposta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dica foi de Dom Bosco. No final do s\u00e9culo 19, o religioso italiano sonhou com certa \u201cterra prometida, entre os graus 15 e 20\u201d, de onde jorraria muito leite e mel; um lugar de \u201criqueza inconceb\u00edvel\u201d, dando, assim, as coordenadas do local da futura capital do Brasil. 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