{"id":260220,"date":"2021-06-27T17:19:30","date_gmt":"2021-06-27T20:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260220"},"modified":"2021-06-27T20:38:25","modified_gmt":"2021-06-27T23:38:25","slug":"historia-esconde-riqueza-brasileira-com-os-escravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/historia-esconde-riqueza-brasileira-com-os-escravos\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria esconde riqueza obtida com os escravos"},"content":{"rendered":"<p>Cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas foram arrancadas de suas terras na \u00c1frica, marcadas a ferro quente, embarcadas em navios, e comercializadas como se fossem produtos no Brasil ao longo de 100 anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, esse movimento deixou profundas cicatrizes na sociedade brasileira at\u00e9 hoje, mas, mesmo com tamanha import\u00e2ncia, ainda \u00e9 insuficientemente discutido.<\/p>\n<p>&#8220;A escravid\u00e3o \u00e9 o assunto mais importante da hist\u00f3ria do Brasil, sem ela voc\u00ea n\u00e3o consegue entender nenhum acontecimento hist\u00f3rico&#8221;, diz Laurentino Gomes, sete vezes ganhador do Pr\u00eamio Jabuti de Literatura.<\/p>\n<p>Prestes a lan\u00e7ar a segunda edi\u00e7\u00e3o de uma trilogia sobre a escravid\u00e3o no Brasil, Gomes conversou com a BBC News Brasil sobre o tema. Para o autor, que tamb\u00e9m j\u00e1 escreveu outros tr\u00eas best sellers sobre a hist\u00f3ria do Brasil, a escravid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assunto apenas para livros de hist\u00f3ria ou museus, mas ainda se demonstra na realidade do pa\u00eds em pleno s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>&#8220;A escravid\u00e3o est\u00e1 nos indicadores sociais at\u00e9 hoje. H\u00e1 um abismo entre n\u00fameros referentes ao Brasil branco e o Brasil negro, al\u00e9m do racismo, que \u00e9 como uma ferida que fica abrindo a toda hora&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;A contribui\u00e7\u00e3o dos africanos \u00e9 enorme, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista econ\u00f4mico, mas na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, do comportamento, das cren\u00e7as religiosas, da culin\u00e1ria, da m\u00fasica, da dan\u00e7a, do jeito de as pessoas se relacionarem umas com as outras; eu diria que a raiz disso \u00e9 africana&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O livro Escravid\u00e3o &#8211; Da corrida do ouro em Minas Gerais at\u00e9 a chegada da corte de Dom Jo\u00e3o ao Brasil concentra-se entre 1700 e 1800, auge do tr\u00e1fico negreiro no Atl\u00e2ntico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes em territ\u00f3rio brasileiro e pela dissemina\u00e7\u00e3o, em outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica, do cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, arroz, tabaco, algod\u00e3o e outras lavouras e atividades de uso intensivo de m\u00e3o-de-obra africana escravizada.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas mais ricas do Brasil no final do s\u00e9culo 18 n\u00e3o eram senhores de engenho, bar\u00f5es do caf\u00e9, j\u00e1 n\u00e3o eram mais os mineradores de ouro e diamante, mas sim os traficantes de escravos. A compra e venda de pessoas se tornou o maior neg\u00f3cio do Brasil e do mundo nessa \u00e9poca&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com o autor, para al\u00e9m da influ\u00eancia social marcante, os negros escravizados tamb\u00e9m auxiliaram o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, contribuindo com a tecnologia necess\u00e1ria para a descoberta e explora\u00e7\u00e3o das minas de ouro e diamantes em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;A pr\u00f3pria tecnologia de minera\u00e7\u00e3o de Minas Gerais aparentemente veio da \u00c1frica e n\u00e3o da Europa. Os portugueses sabiam fazer a\u00e7\u00facar, mas n\u00e3o sabiam garimpar ouro e diamante. Quem sabiam eram os africanos, que conheciam essas tecnologias muito bem&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Isso muda bem a vis\u00e3o da escraviza\u00e7\u00e3o e da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do Brasil. A tecnologia e o conhecimento que permitiram a constru\u00e7\u00e3o do Brasil e de seus muitos ciclos econ\u00f4micos eram africanos.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia desse acontecimento hist\u00f3rico para a forma\u00e7\u00e3o do Brasil atual, a hist\u00f3ria ainda \u00e9 pouco contada pelo ponto de vista dessas pessoas escravizadas, pois h\u00e1 um processo de apagamento hist\u00f3rico da contribui\u00e7\u00e3o dos africanos ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Esse projeto de apagamento se reflete nos livros de hist\u00f3ria, livros did\u00e1ticos, como se a constru\u00e7\u00e3o do Brasil fosse exclusivamente branca e europeia e todos os demais agentes fossem autores secund\u00e1rios. Quando voc\u00ea mergulha de fato na hist\u00f3ria da escravid\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea que, na realidade, essas pessoas escravizadas s\u00e3o protagonistas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo Gomes, a imagem de uma escravid\u00e3o mais s\u00fatil e ben\u00e9vola ao cativo por aqui, forjando uma identidade brasileira de gente pac\u00edfica, ordeira e honesta, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o imposta pelo Estado e n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade da \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8220;A caracter\u00edstica principal da escravid\u00e3o era a viol\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas foram arrancadas de suas terras na \u00c1frica, marcadas a ferro quente, embarcadas em navios, e comercializadas como se fossem produtos no Brasil ao longo de 100 anos. 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