{"id":260297,"date":"2021-06-28T11:50:29","date_gmt":"2021-06-28T14:50:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260297"},"modified":"2021-06-28T11:50:20","modified_gmt":"2021-06-28T14:50:20","slug":"caso-lazaro-mostra-despreparo-da-policia-contra-psicopatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caso-lazaro-mostra-despreparo-da-policia-contra-psicopatas\/","title":{"rendered":"Caso L\u00e1zaro mostra despreparo da pol\u00edcia contra psicopatas"},"content":{"rendered":"<p>Perdidos no mato e na mesmice dos superiores, os policiais militares do Distrito Federal e de Goi\u00e1s mostraram ao Brasil e ao mundo o que todos j\u00e1 sabiam, mas fingiam n\u00e3o acreditar. Como seus comandantes e chefes m\u00e1ximos (os governadores), nossas pol\u00edcias s\u00e3o absolutamente despreparadas para qualquer trabalho fora do asfalto e do habitual: prender b\u00eabados, infratores inofensivos, espancar jovens e velhos que n\u00e3o oferecem resist\u00eancia e multar motoristas desavisados e ve\u00edculos mal estacionados ou com documenta\u00e7\u00e3o fora do prazo. Quando invadem comunidades, entre um e outro marginal, matam dezenas de inocentes. Bandidos perigosos ou ladr\u00f5es pegos com a boca na botija e assaltantes de \u00f4nibus n\u00e3o fazem parte da lista de afazeres da maioria desses soldados que um dia foram considerados aptos para garantir a seguran\u00e7a de seus verdadeiros patr\u00f5es: os contribuintes.<\/p>\n<p>Culpa deles? Nossa m\u00e1xima culpa, pois aceitamos passivamente quando o Estado deixa de punir com rigor os malfeitores fardados que contrata. Claro que esse perfil n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio das PMs brasiliense e goiana. Refiro-me especificamente a elas porque, al\u00e9m dos melhores sal\u00e1rios do pa\u00eds, normalmente s\u00e3o avaliadas por seus governadores e secret\u00e1rios de Seguran\u00e7a como as melhores e mais atuantes do Brasil, qui\u00e7\u00e1 do mundo. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o que vemos. S\u00e3o corpora\u00e7\u00f5es formadas, em sua maioria, por jovens concurseiros e que tiveram de aprender a atirar na marra e em cursinhos intensivos ministrados por superiores que tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam pontaria. O m\u00e1ximo que aprendem \u00e9 o palavreado egoc\u00eantrico das for\u00e7as de seguran\u00e7a brasileiras. Indecifr\u00e1vel, o vocabul\u00e1rio lembra demais uma conversa entre operadores de telemarketing, aqueles que acham prosaico e bonitinho usar o gerundismo no contato telef\u00f4nico com eventuais clientes.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o preparados por pessoas sem o devido aprendizado para lidar com semelhantes, saem das academias como entraram: sem preparo para entenderem que, na pior das hip\u00f3teses, o cidad\u00e3o ou cidad\u00e3 a ser abordado \u00e9, como ele, um ser humano que merece todo respeito. Diariamente ouvimos ou assistimos o contr\u00e1rio. De folga ou de servi\u00e7o, o mais comum \u00e9 a carteirada, aquela que \u00e9 sin\u00f4nimo do &#8220;sabe com quem est\u00e1 falando&#8221;? Foi o que ocorreu recentemente com um jovem ciclista negro que se exercitava ao ar livre em uma cidade do entorno de Bras\u00edlia. Antes que pudesse dizer seu nome, foi emparedado aos berros e algemado por dois soldados goianos, cuja \u00fanica inten\u00e7\u00e3o era informar ao suposto &#8220;meliante&#8221; que eram autoridades e cabia a eles dar as ordens. Pareciam dois imperadores do pa\u00eds do faz de conta.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o e nunca ser\u00e3o. Na verdade, como todos os demais, s\u00e3o dois pobres coitados que jamais leram ou ouviram falar sobre a lei de causa e efeito ou a reciprocidade, as mesmas que indicam &#8220;viva pela espada, morra pela espada&#8221;. Acompanhando in loco a ca\u00e7ada a L\u00e1zaro Barbosa, novos e antigos companheiros do jornalismo investigativo perceberam desde os primeiros minutos da empreitada que dificilmente os policiais &#8220;lograriam r\u00e1pido \u00eaxito&#8221;. Com v\u00e1rios comandos, nenhum comando e conhecimento zero de uma mata, poucos dos &#8220;meganhas&#8221; sabiam de fato o que estavam fazendo. Sem margem de erro, n\u00e3o imaginavam a quem procuravam. Tinham ouvido falar sobre um &#8220;meliante&#8221; que, &#8220;sorrateiramente&#8221;, &#8220;evadiu-se&#8221; do pres\u00eddio. Entre uma e outra busca frustrada e intercalando com as entrevistas do secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, nada para fazer a n\u00e3o ser esperar por uma nova pista que nunca aparece e se exercitar no tik tok. Em resumo, \u00e9 o despreparo de um grupo contra a esperteza de um homem.<\/p>\n<p>De concreto, um urutu de dinheiro gasto com 300 policiais, dezenas de viaturas, helic\u00f3pteros, drones, cachorros treinados e refor\u00e7o da Pol\u00edcia Federal, Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria, For\u00e7a Nacional e Ex\u00e9rcito e quase 500 horas de busca a um \u00fanico homem. E n\u00e3o importa que seja mateiro, profundo conhecedor da regi\u00e3o, psicopata, homicida perigoso, serial killer ou super-homem. Era um criminoso solo, definido candidamente pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, como o sujeito que, por 20 dias, fez a pol\u00edcia de duas cidades de boba. Ibaneis e Ronaldo Caiado, governador de Goi\u00e1s, n\u00e3o estiveram sozinhos na longa e cansativa opera\u00e7\u00e3o. Deveriam repassar todos os custos da busca para o Poder Judici\u00e1rio, que desavisadamente soltou o fora da lei. Mesmo com ficha criminal de quil\u00f4metros, L\u00e1zaro Barbosa foi libertado para um said\u00e3o por uma ju\u00edza que provavelmente nunca tenha sujado os sapatos em uma &#8220;visita&#8221; \u00e0 periferia das cidades brasileiras. L\u00e1zaro foi morto, como era esperado, para gaudio dos meganhas, oficiais e, principalmente, dos governadores, que passaram dias e dias anunciando as excel\u00eancias de suas pol\u00edcias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perdidos no mato e na mesmice dos superiores, os policiais militares do Distrito Federal e de Goi\u00e1s mostraram ao Brasil e ao mundo o que todos j\u00e1 sabiam, mas fingiam n\u00e3o acreditar. 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