{"id":260359,"date":"2021-06-28T13:06:59","date_gmt":"2021-06-28T16:06:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260359"},"modified":"2021-06-28T15:09:22","modified_gmt":"2021-06-28T18:09:22","slug":"pandemia-ainda-impacta-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-ainda-impacta-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Pandemia ainda impacta mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>A melhora da atividade econ\u00f4mica e o crescimento da popula\u00e7\u00e3o ocupada n\u00e3o foram suficientes para reduzir o impacto provocado pela pandemia da covid-19 no mercado de trabalho, que segue com alta no desemprego, subocupa\u00e7\u00e3o e desalento. A avalia\u00e7\u00e3o faz parte da an\u00e1lise do desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas para 2021 apresentado nesta segunda (28), pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p>Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), em mar\u00e7o, o estudo mostra que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ficou em 15,1%, o que representa 2,3 pontos percentuais acima do resultado do mesmo per\u00edodo do ano anterior. O crescimento do contingente de desalentados tamb\u00e9m indica que o mercado de trabalho n\u00e3o se recuperou. Nos \u00faltimos 12 meses, o n\u00famero de pessoas com idade de trabalhar que estavam fora da for\u00e7a de trabalho por conta do desalento avan\u00e7ou de 4,8 milh\u00f5es para quase 6 milh\u00f5es, uma alta de 25%.<\/p>\n<p><strong>Desemprego<\/strong><br \/>\nSegundo a pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea e autora do estudo, Maria Andr\u00e9ia Lameiras, os n\u00edveis de desemprego ainda est\u00e3o ruins porque a cada dia que passa, mais gente volta para o mercado de trabalho para procurar emprego, o que n\u00e3o ocorria no per\u00edodo inicial da pandemia.<\/p>\n<p>\u201cMuita gente deixou de procurar emprego por medo de cont\u00e1gio, porque sabia que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estava muito ruim e a probabilidade de conseguir um emprego era muito pequena e porque existiu o aux\u00edlio emergencial que, bem ou mal, deu seguran\u00e7a ao trabalhador de ficar em casa se protegendo e ter algum meio de subsist\u00eancia\u201d, informou em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o da economia que apresentou sinais de melhora no primeiro trimestre de 2021, o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o e o valor menor do aux\u00edlio emergencial, segundo Maria Andr\u00e9ia, est\u00e3o fazendo as pessoas procurarem mais o mercado de trabalho o que vai continuar impactando o n\u00edvel de desemprego.<\/p>\n<p>\u201cTodas as pessoas que ficaram desempregadas na pandemia e, tamb\u00e9m t\u00eam chegado para este contingente, as pessoas que estavam inativas e sem procurar emprego. Quando chega ao mercado de trabalho sem uma coloca\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado um desempregado e, por isso, o contingente de desempregados continua crescendo e vai continua crescendo, porque o movimento de retorno s\u00f3 tende a crescer nos pr\u00f3ximos meses\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Informalidade<\/strong><br \/>\nO estudo indica ainda que a recupera\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o vem ocorrendo de maneira mais intensa entre os empregados sem carteira e os trabalhadores por conta pr\u00f3pria, que integram os segmentos informais do mercado de trabalho. O contingente de trabalhadores sem carteira e por conta pr\u00f3pria registraram recuos menos expressivos no primeiro trimestre de 2021 com retra\u00e7\u00f5es de 12,1% e de 1,3% respectivamente, do que no trimestre m\u00f3vel encerrado em agosto de 2020, quando os recuos foram de 25,8% e de 11,6%. Para a pesquisadora, a melhora da recupera\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o pelos informais j\u00e1 era esperada.<\/p>\n<p>\u201cPorque primeiro foi o segmento mais afetado pela pandemia que foi o de servi\u00e7os e de com\u00e9rcio. Segundo porque a gente j\u00e1 tinha visto que a pandemia causou menos estrago no setor formal. O emprego com carteira acabou sendo um pouco mais preservado durante a pandemia, porque \u00e9 o trabalho com melhor qualifica\u00e7\u00e3o, o trabalhador consegue fazer home office, ent\u00e3o, foi de fato mais preservado. O informal foi mais atingido e \u00e9 compreens\u00edvel que, na retomada, acabe liderando\u201d, comentou.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou que, embora apresentasse sinais de recupera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de pr\u00e9-pandemia, a situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho n\u00e3o era excepcional.<\/p>\n<p>\u201cVem a pandemia e piora ainda mais, sendo que a gente j\u00e1 estava partindo de um ponto que n\u00e3o era excepcionalmente bom. S\u00f3 que, quando a gente olha a foto do \u00faltimo trimestre, h\u00e1 ind\u00edcios de melhora, porque a gente est\u00e1 vendo que a ocupa\u00e7\u00e3o que caiu fortemente no segundo semestre, ela j\u00e1 come\u00e7a a melhorar, claro que quando compara com o n\u00famero de ocupados de um ano atr\u00e1s a gente ainda est\u00e1 com taxa de negativa, mas quando olha a margem essa taxa negativa est\u00e1 cada vez menor\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Mais atingidos<\/strong><br \/>\nA an\u00e1lise mostrou ainda que, no primeiro trimestre de 2021, se comparado ao mesmo per\u00edodo de 2020, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o foi maior para as mulheres (17,9%) do que para os homens (12,2%). Al\u00e9m disso, os mais jovens seguem como os mais prejudicados, com taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 31%; enquanto o desemprego dos mais idosos \u00e9 menor (5,7%).<\/p>\n<p>Na escolaridade, os trabalhadores com ensino m\u00e9dio incompleto e completo foram os mais impactados pela pandemia na rela\u00e7\u00e3o com as taxas de desocupa\u00e7\u00e3o, que avan\u00e7aram de 20,4% e 14,4% para 24,4% e 17,2%, de 2020 para 2021, respectivamente. J\u00e1 os trabalhadores com menor taxa de desemprego, no per\u00edodo, foram os que possuem ensino superior (10,4%).<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es, a alta do desemprego foi generalizada. Com exce\u00e7\u00e3o de Roraima e do Amap\u00e1, todas as unidades da federa\u00e7\u00e3o registraram aumento da desocupa\u00e7\u00e3o este ano. As maiores taxas ficaram com Pernambuco (21,3%), Bahia (21,3%), Sergipe (20,9%), Alagoas (20%) e Rio de Janeiro (19,4%).<\/p>\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio \u00e9 favor\u00e1vel para 2021, de acordo com a economista Maria Andreia Lameiras. \u201cPara os pr\u00f3ximos meses, a expectativa \u00e9 que o movimento de recomposi\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho se intensifique. O avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o combinado \u00e0 retomada mais forte da atividade econ\u00f4mica deve ampliar a gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o ser\u00e1 suficientemente forte para reduzir a taxa de desemprego no per\u00edodo devido ao esperado aumento da for\u00e7a de trabalho (com mais pessoas procurando emprego).<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e9-pandemia<\/strong><br \/>\nA pesquisadora acredita que, mantido o cen\u00e1rio atual, o mercado de trabalho poder\u00e1 voltar ao n\u00edvel pr\u00e9-pandemia no primeiro trimestre de 2022.<\/p>\n<p>\u201cNo primeiro trimestre de 2022, acho que a gente volta para o n\u00edvel pr\u00e9-pandemia. Mantido o cen\u00e1rio atual. A gente est\u00e1 imaginando que n\u00e3o vai ter nenhuma grande variante [de covid-19], nenhum dist\u00farbio pol\u00edtico no pa\u00eds. A gente est\u00e1 imaginando com as informa\u00e7\u00f5es que tem hoje de uma economia que est\u00e1 ganhando for\u00e7a. Tudo leva a crer que a gente vai ter a ocupa\u00e7\u00e3o aumentando no segundo semestre e no primeiro trimestre do ano que vem, de maneira que a gente deve pensar o primeiro trimestre de 2022 pr\u00f3ximo do patamar que a gente tinha\u201d, completou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melhora da atividade econ\u00f4mica e o crescimento da popula\u00e7\u00e3o ocupada n\u00e3o foram suficientes para reduzir o impacto provocado pela pandemia da covid-19 no mercado de trabalho, que segue com alta no desemprego, subocupa\u00e7\u00e3o e desalento. 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