{"id":260422,"date":"2021-06-28T22:30:05","date_gmt":"2021-06-29T01:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260422"},"modified":"2021-06-28T22:28:17","modified_gmt":"2021-06-29T01:28:17","slug":"coronel-delira-e-aponta-golpe-armado-contra-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/coronel-delira-e-aponta-golpe-armado-contra-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Coronel delira e aponta golpe armado contra Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>Um dos ide\u00f3logos da extrema direita militar, o coronel reformado G\u00e9lio Augusto Barbosa Fregapani vem alimentando a imagina\u00e7\u00e3o de seguidores do presidente Jair Bolsonaro com uma teoria delirante que cheira \u00e0 arma\u00e7\u00e3o: militantes de esquerda estariam sendo treinados para derrubar Bolsonaro atrav\u00e9s de um conflito armado. Num artigo dirigido inicialmente a grupos fechados, ligados \u00e0 Escola Superior de Guerra (ESG), que depois chegou \u00e0s redes bolsonaristas, o militar n\u00e3o se limita a opinar. Ele afirma que os comunistas se misturaram com criminosos em favelas do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, onde escondem armas em locais estrat\u00e9gicos e, longe de vigil\u00e2ncia, s\u00e3o treinados por estrangeiros com forma\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>\u201cTeremos uma guerra civil?\u201d, pergunta o coronel logo na abertura do artigo, intitulado Coment\u00e1rio Geopol\u00edtico, destinado a vender uma narrativa em que Bolsonaro, desde a elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 v\u00edtima de uma\u00a0 conspira\u00e7\u00e3o fantasiosa cujos epis\u00f3dios, concatenados para derrub\u00e1-lo, criaram as condi\u00e7\u00f5es para uma guerra civil. \u201cLamentavelmente a vemos se aproximar cada vez mais\u201d, responde o coronel a si mesmo, afirmando que esquerda e direita atingiram patamar de \u201cdiverg\u00eancias irreconcili\u00e1veis\u201d, um ponto de n\u00e3o-retorno e um clima propenso ao conflito. Como se o Brasil estivesse voltando aos anos de chumbo.<\/p>\n<p>O coronel sugere que a suposta incurs\u00e3o da esquerda a redutos dominados pelo crime foi facilitada pela decis\u00e3o do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em junho do ano passado, restringiu as opera\u00e7\u00f5es policiais em favelas do Rio durante a pandemia a situa\u00e7\u00f5es excepcionais. A medida, ali\u00e1s, foi ignorada pela pol\u00edcia civil do Rio, na opera\u00e7\u00e3o no Jacarezinho, em 6 de maio deste ano, que terminou com a morte de 28 suspeitos e de um policial, na mais letal a\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da cidade. Na \u00e9poca, um dos delegados respons\u00e1veis pelo caso, Rodrigo Oliveira, chegou a falar que o \u201cativismo judicial\u201d tinha \u201csangue nas m\u00e3os\u201d pela morte do policial, cr\u00edtica alinhada \u00e0 tese de Fregapani e adotada pelos grupos bolsonaristas que atacam o STF. O pr\u00f3prio presidente, sem se referir diretamente ao texto do coronel, chegou a insinuar que \u201calgo grave\u201d estava para acontecer e, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, afirmou que esperava um sinal do povo para agir.<\/p>\n<p>No mundo real da pol\u00edtica ou no radar de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 o mais p\u00e1lido sinal de movimento armado, o que, na opini\u00e3o de fontes ouvidas pela P\u00fablica, coloca a tese de Fregapani no papel de propaganda da extrema direita militar com objetivo de insuflar grupos de seguidores antidemocr\u00e1ticos de Bolsonaro, caso o mandato do presidente venha a ser amea\u00e7ado por um impeachment pressionado pelo relat\u00f3rio da CPI da Covid ou diante de uma poss\u00edvel derrota na elei\u00e7\u00e3o do ano que vem. \u00c9 tamb\u00e9m uma tentativa de atrair as baixas patentes das For\u00e7as Armadas e, ao mesmo tempo, evitar que o presidente continue perdendo apoio entre os militares da reserva, especialmente de oficiais com ascend\u00eancia sobre a tropa.<\/p>\n<p>\u201cO presidente Jair Bolsonaro quer envolver as For\u00e7as Armadas, especialmente o Ex\u00e9rcito, no projeto pessoal dele\u201d, disse o general Paulo Chagas, um ex-aliado do presidente, para quem j\u00e1 h\u00e1 uma clara divis\u00e3o entre os militares da reserva. Dois ter\u00e7os deles, segundo avalia, j\u00e1 desembarcaram do bolsonarismo e buscam uma terceira via na pol\u00edtica que escape da polariza\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O grupo deposita expectativas numa alian\u00e7a entre o vice-presidente, general Hamilton Mour\u00e3o, e o ex-ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro. O general considera descabida a tese de guerra civil, sustenta que os comandos militares da ativa n\u00e3o ir\u00e3o se envolver em qualquer tipo de aventura, mas acha que h\u00e1 riscos de que parte das pol\u00edcias militares acabe sendo atra\u00edda por ideias antidemocr\u00e1ticas e se envolvam em conflitos na defesa de Bolsonaro.<\/p>\n<p>\u201cO presidente estimula os fan\u00e1ticos. Se ele mandar, ir\u00e3o para as ruas criar tumulto. N\u00e3o acredito que possa chegar a guerra civil, mas vai ter viol\u00eancia porque isso faz parte do plano de Bolsonaro\u201d, afirma o general, se referindo \u00e0 insistente defesa do presidente pelo voto impresso e acusa\u00e7\u00f5es, sem apresentar qualquer evid\u00eancia, de fraude na elei\u00e7\u00e3o de 2018. O que Bolsonaro quer, segundo Chagas, \u00e9 encontrar um motivo para contestar o resultado em caso de derrota e agir com mais viol\u00eancia do que os seguidores do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que invadiram o Capit\u00f3lio, no epis\u00f3dio que terminou com quatro mortos. Generais que romperam com Bolsonaro j\u00e1 enxergam o movimento do presidente como o roteiro de um conflito anunciado. Chagas acha que a impress\u00e3o do voto eletr\u00f4nico derrubaria o argumento de Bolsonaro.<\/p>\n<p>Na mesma linha de Chagas, o ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, escreveu, num artigo publicado no jornal <em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, que Bolsonaro frequentemente e de forma deliberada vem testando o Ex\u00e9rcito para \u201crealizar seu projeto pessoal\u201d, o que equivale a dizer que se for derrotado por Lula numa elei\u00e7\u00e3o, o presidente tentaria o golpe se encontrar apoio institucional. \u201cJunto com seguidores extremistas, alimentam um fanatismo que certamente terminar\u00e1 em viol\u00eancia\u201d, profetizou o general, para quem o presidente, movido apenas por um projeto de poder, age com \u201ccovardia\u201d ao tentar transferir a responsabilidade de seus atos ao Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>O general Paulo Chagas acha que a tese defendida por Fregapani, que ele conhece dos tempos de ativa no Ex\u00e9rcito, \u201c\u00e9 uma maneira de exagerar para botar medo na cabe\u00e7a das pessoas, de dizer que o Ex\u00e9rcito n\u00e3o tem for\u00e7a, que a soberania est\u00e1 amea\u00e7ada, para causar efeito psicol\u00f3gico. A hip\u00f3tese de guerra civil n\u00e3o tem fundamento. Se houvesse preparativos ou mercen\u00e1rio estrangeiro por aqui, seria um problema de seguran\u00e7a nacional e as For\u00e7as Armadas saberiam. \u00c9 ret\u00f3rica de terrorismo psicol\u00f3gico\u201d, afirma o general, que diz respeitar o curr\u00edculo do coronel, mas com uma ressalva: \u201cEle est\u00e1 sempre preparado como se a guerra fosse come\u00e7ar amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Coordenador do Movimento Policiais Antifascismo e diretor da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) o agente federal aposentado S\u00e9rgio Pinheiro afirma que, ao tentar envolver opositores com boatos sobre guerra civil, a direita quer um pretexto para a viol\u00eancia usando t\u00e1ticas da ditadura, aplicadas numa \u00e9poca em que extremistas militares praticavam atentados e tentavam jogar a culpa na esquerda.<\/p>\n<p>\u201cO que se desenha no cen\u00e1rio \u00e9 uma convuls\u00e3o social, que vem sendo armada por policiais e mil\u00edcias. A direita est\u00e1 tentando ati\u00e7ar vivandeiras das For\u00e7as Armadas. Mas um golpe s\u00f3 seria poss\u00edvel com a participa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, numa conspira\u00e7\u00e3o que partisse do Forte Apache\u201d, diz Pinheiro, se referindo ao Quartel General do Ex\u00e9rcito, em Bras\u00edlia. Para ele, a pretens\u00e3o da direita \u00e9 invi\u00e1vel, uma vez que os militares, ocupando cerca de 11 mil cargos no governo federal, com ou sem Bolsonaro, est\u00e3o no melhor dos mundos e n\u00e3o arriscariam perder a \u201cboquinha\u201d entrando numa aventura. \u201c\u00c9 s\u00f3 aprovar o voto impresso que evita o conflito se ele perder a elei\u00e7\u00e3o\u201d, sugere o policial.<\/p>\n<p>O perfil de Fregapani e seu tr\u00e2nsito no meio militar d\u00e1 for\u00e7a para a teoria da conspira\u00e7\u00e3o entre os bolsonaristas. Aos 85 anos, de forma\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, onde pr\u00e1tica e teoria se completam, autor de v\u00e1rios livros sobre intelig\u00eancia e estrat\u00e9gias de guerra, Fregapani \u00e9 anticomunista ferrenho e um dos poucos remanescentes da ditadura militar que ainda exercem influ\u00eancia nos quart\u00e9is na era Bolsonaro. Ele \u00e9 cofundador do Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Guerra na Selva (CIGS), refer\u00eancia nacional na forma\u00e7\u00e3o antiguerrilha, sediado em Manaus, de onde saiu, em setembro de 1973, um dos principais grupos das for\u00e7as especiais empregadas pelo Ex\u00e9rcito no exterm\u00ednio dos militantes do PCdoB na Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p><strong>\u201cBolsonaro blefa\u201d<\/strong><br \/>\nOficiais ouvidos pela P\u00fablica dizem que Bolsonaro perdeu apoio entre os militares ap\u00f3s demiss\u00e3o de comando das For\u00e7as Armadas e est\u00e1 longe de poder falar em \u201cmeu Ex\u00e9rcito\u201d<\/p>\n<p>No texto ele faz uma leve lembran\u00e7a ao epis\u00f3dio Araguaia ao cantar \u201cvit\u00f3ria\u201d em caso de um novo conflito contra a esquerda: \u201c(\u2026) seriam derrotadas da mesma forma que foram em Xambio\u00e1\u201d, escreve, ao referir-se ao munic\u00edpio de Tocantins, entre o Sul do Par\u00e1 e Norte do Maranh\u00e3o, que \u00e0 \u00e9poca representou uma esp\u00e9cie de capital do conflito. Fruto da imagina\u00e7\u00e3o do coronel, o \u201cnovo\u201d movimento armado da esquerda, em caso de conflito, \u201cse houver, ser\u00e1 esmagado como aconteceu nas guerrilhas comunistas de 1968\u201d.<\/p>\n<p>Mais tarde, j\u00e1 na reserva, o coronel se deslocaria para a Ag\u00eancia Brasileira de Intelig\u00eancia (Abin), como chefe do escrit\u00f3rio de Roraima e do Grupo de Trabalho Amaz\u00f4nia (GTAM), cargos que permitiram sua atua\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o. Os relat\u00f3rios de Fregapani atacam as ONGs que atuam na regi\u00e3o, \u00e0s quais classifica como representantes de interesses de domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estrangeira contr\u00e1rios \u00e0 soberania nacional. Entre 2005 e 2008, Fregapani aliou-se aos arrozeiros que ocupavam ilegalmente vastas extens\u00f5es da terra ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e chegou a levar o l\u00edder deles, o empres\u00e1rio rural e ex-deputado Paulo Roberto Quartiero, para palestra na sede da ESG, no Rio de Janeiro. Ele considerava Quartiero um her\u00f3i da resist\u00eancia contra interesses externos.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Fregapani chamou a aten\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, que chegou a investig\u00e1-lo por suposta participa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es que culminaram no sequestro de quatro policiais federais, em 2005, e numa s\u00e9rie de atentados dentro da reserva. Quando entrou na \u00e1rea para comandar a opera\u00e7\u00e3o de retirada dos n\u00e3o-\u00edndios em 2008, o delegado Fernando Seg\u00f3via, ex-diretor-geral da PF, encontrou na fazenda de Quartiero mais de 90 bombas constru\u00eddas para resistir a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e chegou a levantar a suspeita de que haveria dedo do militar na organiza\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o dos arrozeiros.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios de Fregapani ajudaram a influenciar na posi\u00e7\u00e3o adotada pelo Ex\u00e9rcito que, procurado por Seg\u00f3via na ocasi\u00e3o, embora tenha uma base no cora\u00e7\u00e3o da reserva, se recusou a participar da retirada dos invasores, tarefa que acabou sobrando exclusivamente para a PF. \u201cFiz a opera\u00e7\u00e3o porque tenho a casca grossa\u201d, disse Seg\u00f3via \u00e0 P\u00fablica. O Comandante Militar da Amaz\u00f4nia \u00e0 \u00e9poca era o general Augusto Heleno, atual chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI) da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, que a partir de 2019 ajudaria a formatar a pol\u00eamica pol\u00edtica de Bolsonaro para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O coronel Fregapani se autodefine como nacionalista, conservador e liberal, perfil que se encaixa como luva \u00e0s pretens\u00f5es do presidente Jair Bolsonaro nas quest\u00f5es centrais da Amaz\u00f4nia pelo atual governo: minera\u00e7\u00e3o em terra ind\u00edgena, legaliza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais como eixos de ocupa\u00e7\u00e3o dos vazios demogr\u00e1ficos da regi\u00e3o, estrat\u00e9gia que, como se sabe, colocaram o Brasil como o pa\u00eds do desmatamento, da grilagem de terra e da invas\u00e3o permanente de terras ind\u00edgenas por garimpeiros.<\/p>\n<p>No texto, Fregapani levanta uma teoria esquisita, segundo a qual, Bolsonaro torna-se v\u00edtima da esquerda e de ex-aliados como os ex-ministros Moro e Luiz Henrique Mandetta (Sa\u00fade), que ele chama de \u201ctr\u00e2nsfugas\u201d. Seu foco, no entanto, s\u00e3o os comunistas, sobre os quais diz que \u201cacreditava-se que com a derrota eleitoral de 2018 haviam aderido \u00e0s teorias de Gramsci [fil\u00f3sofo marxista Antonio Gramsci] e desistido da luta armada\u201d. Mas sustenta que com a fuga de aliados e o STF \u201clegislando e provocando propositalmente o caos jur\u00eddico e administrativo esperando uma rea\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica para acusar o presidente de estar dando golpe contra a democracia\u201d, a \u201cesquerda ideol\u00f3gica se fortaleceu\u201d e tudo se transformou num compl\u00f4 para tirar o presidente do cargo.<\/p>\n<p>Como se Bolsonaro tivesse sido o sabotado e n\u00e3o o sabotador, o \u00e1pice da teoria da conspira\u00e7\u00e3o vem na an\u00e1lise que o militar faz da pandemia: \u201cPara piorar ainda veio a epidemia (sic) do coronav\u00edrus em aux\u00edlio dos opositores, que a aproveitaram n\u00e3o se importando com as mortes que causavam nem com a quebra da economia. Nisto foram muito bem sucedidos, instilando medo na popula\u00e7\u00e3o e atribuindo a culpa das mortes ao Executivo, de m\u00e3os atadas pelo STF\u201d, escreve.<\/p>\n<p>Para Fregapani o desmanche do esquema pol\u00edtico que amparava Bolsonaro e as fissuras na opini\u00e3o p\u00fablica foram aproveitados pelos opositores. Ele baseia sua tese de guerra civil tamb\u00e9m em uma declara\u00e7\u00e3o atribu\u00edda ao ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu favor\u00e1vel \u00e0 tomada do poder pela for\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o enfrentaria o Ex\u00e9rcito em campo raso. A proposta dele [Dirceu] est\u00e1 numa convuls\u00e3o social, provocada pelo caos completo, onde haver\u00e1 greves, banditismo e os saques generalizados. Ent\u00e3o far\u00e3o ataques e saques simult\u00e2neos que as for\u00e7as estaduais e municipais n\u00e3o conseguir\u00e3o coibir, e a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 apavorada pelo coronav\u00edrus, acostumada a se acovardar, acatar\u00e1 as imposi\u00e7\u00f5es. Na verdade, j\u00e1 estamos no in\u00edcio da guerra\u201d, pontua o militar, invertendo, mais uma vez, a realidade dos fatos. Segundo ele, cerca de 35 mil presos libertados pelo Judici\u00e1rio no governo Bolsonaro, refor\u00e7ariam os objetivos da esquerda para \u201cfor\u00e7ar o Ex\u00e9rcito a agir em miss\u00f5es antip\u00e1ticas contra massas famintas, perdendo a for\u00e7a o prest\u00edgio que ainda conserva\u201d.<\/p>\n<p>Ele levanta a hip\u00f3tese de que, em outra frente, o STF ainda tentar\u00e1 afastar Bolsonaro anulando as elei\u00e7\u00f5es de 2018 sob a alega\u00e7\u00e3o de uso de fake news na campanha, o que, na opini\u00e3o dele, justificaria a posse do ministro Roberto Barroso na presid\u00eancia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).<\/p>\n<p>\u201cTudo faz parte de um plano, de um grande acord\u00e3o para sabotar o governo em plena pandemia. A verdade \u00e9 esta, e s\u00f3 n\u00e3o enxerga quem n\u00e3o quer ver. Est\u00e1 evidente que as for\u00e7as reativas da fac\u00e7\u00e3o esquerdista\/globalista acreditam que suas medidas pseudo legais consigam neutralizar o Ex\u00e9rcito e esperam s\u00f3 ter que enfrentar os nacionalistas de dentro e de fora do Ex\u00e9rcito, mas mesmo assim n\u00f3s dispomos de uma motiva\u00e7\u00e3o superior: somos milh\u00f5es dispostos a lutar at\u00e9 a morte pelo nosso pa\u00eds, enquanto os que querem apenas tomar os bens dos outros podem at\u00e9 matar, mas dificilmente estar\u00e3o\u00a0 dispostos a se sacrificarem por isto\u201d. Ele fecha o texto com o bord\u00e3o bolsonarista: \u201c\u00c9 claro que n\u00e3o queremos uma guerra civil, mas se houver, lutaremos. N\u00e3o ser\u00e1 em nome de ideologias, mas em nome de \u201cDeus e da P\u00e1tria\u201d. Procurado pela P\u00fablica, o coronel n\u00e3o quis falar.<\/p>\n<p>A delirante tese de G\u00e9lio Fregapani tem embalado sonhos e estimulado a verve belicista dos bolsonaristas. Mas nenhum deles se empolgou tanto como o presidente do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, condenado por corrup\u00e7\u00e3o no mensal\u00e3o, que distribuiu nas redes sociais um v\u00eddeo em que aparece vestido de justiceiro e armado com duas pistolas \u2013 uma num coldre atravessado no peito e outra na cintura, exortando correligion\u00e1rios \u00e0 luta contra o \u201cgayzismo\u201d e o \u201ccomunismo\u201d em nome de \u201cDeus, p\u00e1tria, fam\u00edlia, vida e liberdade\u201d. O culto ao \u00f3dio e ao conflito, como se v\u00ea, flerta com o rid\u00edculo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos ide\u00f3logos da extrema direita militar, o coronel reformado G\u00e9lio Augusto Barbosa Fregapani vem alimentando a imagina\u00e7\u00e3o de seguidores do presidente Jair Bolsonaro com uma teoria delirante que cheira \u00e0 arma\u00e7\u00e3o: militantes de esquerda estariam sendo treinados para derrubar Bolsonaro atrav\u00e9s de um conflito armado. 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