{"id":260482,"date":"2021-06-29T11:15:54","date_gmt":"2021-06-29T14:15:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260482"},"modified":"2021-06-29T11:17:45","modified_gmt":"2021-06-29T14:17:45","slug":"janelas-do-japao-lembram-como-era-gostoso-antes-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/janelas-do-japao-lembram-como-era-gostoso-antes-da-covid\/","title":{"rendered":"Janelas do Jap\u00e3o lembram os tempos antes da Covid"},"content":{"rendered":"<p>Houve \u00e9poca, antes da pandemia, que os tempos de conv\u00edvio social, era nas varandas \u2013 que n\u00e3o deixam de ser janelas grandes \u2013 que receb\u00edamos amigos e faz\u00edamos o churrasco de domingo. Enquanto no Brasil a vista \u00e9 sin\u00f4nimo de continuidade da vida, no Jap\u00e3o ela tem um aspecto contemplativo e introspectivo. Exatamente por isso, a janela foi escolhida como tema da nova exposi\u00e7\u00e3o da Japan House, aberta nesta ter\u00e7a, 29, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Na arquitetura tradicional japonesa, as portas e janelas exercem um papel importante de transi\u00e7\u00e3o. \u201cTudo \u00e9 um \u00fanico espa\u00e7o durante o dia que pode se particionar a partir do uso desses pain\u00e9is\u201d, explica o arquiteto Louren\u00e7o Gimenes, que assinou o projeto da Japan House S\u00e3o Paulo ao lado do arquiteto japon\u00eas Kengo Kuma. \u201cE a\u00ed est\u00e1 um pouco da gra\u00e7a, talvez, da leitura das janelas na arquitetura japonesa: o grau de transforma\u00e7\u00e3o da luz, ou seja, o tanto que voc\u00ea deixa essa luz entrar e a forma como voc\u00ea deixa ela entrar \u00e9 o que define o uso e a privacidade e a caracter\u00edstica daquele ambiente.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 do lado de fora, as portas e janelas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de recortar a paisagem. \u00c9 atrav\u00e9s dela que a natureza \u00e9 enquadrada e passa a fazer parte da pr\u00f3pria casa, como um quadro. \u201cSe a gente pensar, em termos de comportamento, a gente meio que descreveu o brasileiro e o japon\u00eas. Essa expansividade, informalidade, superficialidade de ver tudo e n\u00e3o ver nada, e no Jap\u00e3o tem uma delicadeza de mexer para transformar o espa\u00e7o, o enxergar um aspecto espec\u00edfico do jardim. O japon\u00eas \u00e9 um povo muito observador, reservado, e isso encontra um eco na forma de como eles constroem os pr\u00f3prios espa\u00e7os deles, uma maneira delicada e afastada\u201d, resume Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cA minha impress\u00e3o \u00e9 de que no Brasil a gente tem uma sorte muito grande de ter muita luz, de ter muito vento, de ter muita paisagem e talvez n\u00e3o exista uma valoriza\u00e7\u00e3o consciente da mesma maneira que se tem no Jap\u00e3o. H\u00e1 uma l\u00f3gica de abund\u00e2ncia aqui, em muitas frentes, que talvez mude a nossa forma de valorizar\u201d, opina a diretora cultural Natasha Barzaghi.<\/p>\n<p>O estudo de Janelas no Jap\u00e3o esteve em exposi\u00e7\u00e3o pela primeira vez em T\u00f3quio, em 2017, para celebrar os dez anos de funda\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, passou a fazer parte de um programa de itiner\u00e2ncia implantado pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o. Por isso, esteve em sua vers\u00e3o online na Japan House de Los Angeles, depois de S\u00e3o Paulo, e seguir\u00e1 para o centro de Londres.<\/p>\n<p>S\u00f3 pelo fato de o pa\u00eds ter um instituto que pesquisa janelas h\u00e1 mais de dez anos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio explicar a import\u00e2ncia do elemento na arquitetura e cotidiano do Jap\u00e3o. Na exposi\u00e7\u00e3o, tr\u00eas chamam aten\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 uma r\u00e9plica em tamanho real (escala 1:1) feita de papel artesanal japon\u00eas (washi) de uma casa de ch\u00e1, a yousui-tei, que tem o nome especial de \u201ca casa das 13 janelas\u201d. \u201cAcredito que n\u00e3o haja uma arquitetura assim em outro lugar do mundo, sendo t\u00e3o pequeno e com tantas aberturas. Normalmente, uma exposi\u00e7\u00e3o de arquitetura, diferente de uma de arte, n\u00e3o se pode levar a obra real, pois n\u00e3o h\u00e1 como exibir em tamanho real, exceto as salas de ch\u00e1\u201d, pontua Igarashi Taro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia da janela no trabalho manual, ambientes nos quais elas possuem lugar de destaque, inserindo ou expulsando elementos como a luz, o vento, o calor, a fuma\u00e7a, que alteram caracter\u00edsticas de materiais como a argila e a madeira e comidas como o nabo defumado, o caqui seco e o yuba, uma nata seca de leite de soja. Para garantir uma experi\u00eancia multissensorial para o visitante, o restaurante do espa\u00e7o cultural servir\u00e1 algumas destas comidas.<\/p>\n<p>Apesar de focar no Jap\u00e3o mais tradicional, a mostra tamb\u00e9m traz exemplos da arquitetura contempor\u00e2nea, com exemplos de janelas inusitadas fotografadas pelo fot\u00f3grafo franc\u00eas J\u00e9r\u00e9mie Souteyrat em sua colet\u00e2nea de fotos Tokyo no ie (As casas de T\u00f3quio, 2014). \u201cIsso mostra como a janela, mesmo nos centros urbanos, onde a vida tem uma outra caracter\u00edstica, outra necessidade, tamb\u00e9m t\u00eam uma import\u00e2ncia\u201d, diz Natasha.<\/p>\n<p>A mostra tamb\u00e9m conta com uma programa\u00e7\u00e3o paralela online e conte\u00fados compartilhados por meio das redes sociais da Japan House S\u00e3o Paulo. A estreia da exposi\u00e7\u00e3o marca a volta da Paulista Cultural. \u201cH\u00e1 tr\u00eas anos, a gente criou a Paulista Cultural, que s\u00e3o as sete institui\u00e7\u00f5es culturais da Paulista (Casa das Rosas, Sesc Avenida Paulista, Ita\u00fa Cultural, Centro Cultural Fiesp, Masp e Instituto Moreira Sales) para cruzar programa\u00e7\u00f5es e valorizar a Paulista como polo cultural\u201d, explica Natasha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve \u00e9poca, antes da pandemia, que os tempos de conv\u00edvio social, era nas varandas \u2013 que n\u00e3o deixam de ser janelas grandes \u2013 que receb\u00edamos amigos e faz\u00edamos o churrasco de domingo. Enquanto no Brasil a vista \u00e9 sin\u00f4nimo de continuidade da vida, no Jap\u00e3o ela tem um aspecto contemplativo e introspectivo. 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