{"id":260665,"date":"2021-06-30T10:26:09","date_gmt":"2021-06-30T13:26:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260665"},"modified":"2021-06-30T13:25:59","modified_gmt":"2021-06-30T16:25:59","slug":"entenda-de-a-a-z-o-rolo-da-propina-para-comprar-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/entenda-de-a-a-z-o-rolo-da-propina-para-comprar-vacina\/","title":{"rendered":"Entenda de &#8216;A&#8217; a &#8216;Z&#8217; o rolo da propina com vacinas"},"content":{"rendered":"<p>As investiga\u00e7\u00f5es sobre supostas irregularidades em torno da compra de vacinas contra covid-19 no governo Bolsonaro ganharam for\u00e7a com duas den\u00fancias de pedido de propina que vieram \u00e0 p\u00fablico no mesmo dia.<\/p>\n<p>Segundo reportagem publicada pela <em>Folha de S.Paulo<\/em>, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante de uma empresa que comercializaria vacinas da AstraZeneca, relatou ao jornal que recebeu um pedido de pagamento de propina de um diretor do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 uma reportagem publicada pela revista Cruso\u00e9 afirmou que o lobista Silvio de Assis e o l\u00edder do governo Bolsonaro na C\u00e2mara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), participaram de uma reuni\u00e3o em que foi oferecida propina ao deputado federal Lu\u00eds Miranda (DEM-DF) para que ele n\u00e3o atrapalhasse a venda da vacina Covaxin ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Miranda foi o parlamentar que disse \u00e0 CPI da Covid ter denunciado ao presidente Jair Bolsonaro irregularidades na compra de imunizantes.<\/p>\n<p>Barros e Pereira, al\u00e9m de outros envolvidos, devem ser convocados para depor \u00e0 CPI da Covid, que come\u00e7ou investigando supostas omiss\u00f5es do governo Bolsonaro na compra de vacinas durante a pandemia e passou a apurar den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e outros crimes em torno da aquisi\u00e7\u00e3o desses imunizantes.<\/p>\n<p>O imbr\u00f3glio, como diz a pr\u00f3pria palavra, \u00e9 longo e teoricamente complicado. Abaixo, voc\u00ea pode entender um pouco do caso.<\/p>\n<p>A <em>Folha<\/em> se baseia na den\u00fancia de Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como um representante da Davati Medical Supply, empresa americana que atua no ramo da sa\u00fade. Pereira relatou ao jornal que procurou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para vender 400 milh\u00f5es de doses da AstraZeneca, farmac\u00eautica europeia que negou ter intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo a reportagem, durante as negocia\u00e7\u00f5es, Pereira jantou com o diretor de Log\u00edstica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Roberto Ferreira Dias, e este teria lhe pedido o pagamento de propina de US$ 1 por dose vendida (ao pre\u00e7o de US$ 15,50 cada).<\/p>\n<p>&#8220;Ele me disse que n\u00e3o avan\u00e7ava dentro do minist\u00e9rio se a gente n\u00e3o compusesse com o grupo, que existe um grupo que s\u00f3 trabalhava dentro do minist\u00e9rio, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo&#8221;, disse Pereira ao jornal.<\/p>\n<p>O denunciante afirmou ter negado a oferta de pagamento de propina e que em seguida a negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Nomeado durante a gest\u00e3o do ent\u00e3o ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) na Sa\u00fade, Dias \u00e9 apontado pelo jornal como um indicado do l\u00edder do governo Bolsonaro na C\u00e2mara, Ricardo Barros (PP-PR). O diretor de Log\u00edstica n\u00e3o foi localizado pela <em>Folha de S.Paulo<\/em> para comentar a den\u00fancia. Horas depois da publica\u00e7\u00e3o da reportagem, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou que ele seria exonerado do cargo. A sa\u00edda dele foi oficializada na manh\u00e3 desta quarta, 30.<\/p>\n<p>Em nota, Barros afirmou que desconhece &#8220;totalmente a den\u00fancia da Davati&#8221;, que n\u00e3o indicou Dias para o cargo e que este foi nomeado para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8220;no in\u00edcio da atual gest\u00e3o presidencial, em 2019, quando n\u00e3o estava alinhado ao governo&#8221;.<\/p>\n<p>Deputado federal h\u00e1 mais de 20 anos, Barros j\u00e1 integrou a base aliada de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), antes de apoiar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).<\/p>\n<p>O pol\u00edtico paranaense \u00e9 uma figura importante do Centr\u00e3o, como \u00e9 chamado o bloco informal na C\u00e2mara que re\u00fane partidos sem linha ideol\u00f3gica clara, mas com valores conservadores e que costumam buscar proximidade com presidentes da Rep\u00fablica em troca de cargos e outras benesses.<\/p>\n<p>Barros aparece no centro de outra den\u00fancia de oferta de propina em torno da compra de vacinas.<\/p>\n<p>Reportagem publicada pela revista Cruso\u00e9 afirmou que o lobista Silvio de Assis, ligado a Barros, ofereceu ao deputado federal Lu\u00eds Cl\u00e1udio Miranda (DEM-DF) uma participa\u00e7\u00e3o na venda da vacina indiana Covaxin caso o parlamentar n\u00e3o atrapalhasse as negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Miranda afirmou em depoimento \u00e0 CPI da Covid em 26\/06, ter informado o presidente Jair Bolsonaro em mar\u00e7o sobre um suposto esquema ilegal em torno da compra bilion\u00e1ria da Covaxin pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. As suspeitas de irregularidade foram levantadas pelo irm\u00e3o do parlamentar, Lu\u00eds Ricardo Miranda, chefe da divis\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Segundo ele, durante a reuni\u00e3o, Bolsonaro disse que sabia que um deputado da base do governo estava envolvido no caso e que levaria a den\u00fancia ao delegado-geral da Pol\u00edcia Federal. Mas isso n\u00e3o foi feito e pode levar o presidente a ser investigado sob suspeita de prevarica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Questionado pela CPI da Covid, no Senado, sobre quem seria esse deputado, Miranda disse que Bolsonaro se referia a Ricardo Barros.<\/p>\n<p>A primeira oferta de propina a Miranda em troca de seu sil\u00eancio, segundo a <em>Cruso\u00e9<\/em>, ocorreu dias antes de o parlamentar ter feito a den\u00fancia ao presidente. Uma segunda oferta de propina teria sido feita um m\u00eas depois, desta vez numa reuni\u00e3o com a presen\u00e7a de Ricardo Barros e com valor definido: US$ 1,2 milh\u00e3o (cerca de R$ 6 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Com o surgimento das suspeitas de irregularidade em torno da compra da vacina Covaxin, o governo Bolsonaro passou a considerar cancelar a aquisi\u00e7\u00e3o de 20 milh\u00f5es de vacinas por R$ 1,6 bilh\u00e3o. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse n\u00e3o ter encontrado qualquer irregularidade no contrato, mas mesmo assim decidiu suspend\u00ea-lo em 29\/06.<\/p>\n<p>Procurado pela<em> Cruso\u00e9<\/em>, Assis confirmou ter se encontrado com Miranda, mas negou a oferta de propina.<\/p>\n<p>Em nota no <em>Twitter<\/em> sobre a reportagem da revista, Barros disse conhecer Silvio Assis, mas negou participa\u00e7\u00e3o em qualquer irregularidade. &#8220;Estive em sua casa onde encontrei diversas autoridades e parlamentares, inclusive o Lu\u00eds Miranda. Mas nunca tratei com ele tema relacionado \u00e0s vacinas. Reitero que n\u00e3o participei de negocia\u00e7\u00e3o referente \u00e0 compra da Covaxin.&#8221;<\/p>\n<p>Pouco depois da publica\u00e7\u00e3o da reportagem da <em>Cruso\u00e9<\/em>, Miranda publicou no <em>Twitter<\/em> que a revista \u00e9 &#8220;respons\u00e1vel por suas mat\u00e9rias e certamente arcar\u00e1 com o que escreve&#8221;. Disse ainda que &#8220;todas as minhas conversas com Ricardo Barros foram republicanas&#8221; e que n\u00e3o se pronunciaria &#8220;sobre fatos que n\u00e3o posso provar&#8221;. Pouco depois o deputado apagou o post.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As investiga\u00e7\u00f5es sobre supostas irregularidades em torno da compra de vacinas contra covid-19 no governo Bolsonaro ganharam for\u00e7a com duas den\u00fancias de pedido de propina que vieram \u00e0 p\u00fablico no mesmo dia. 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