{"id":260801,"date":"2021-07-01T00:11:24","date_gmt":"2021-07-01T03:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=260801"},"modified":"2021-07-01T00:40:22","modified_gmt":"2021-07-01T03:40:22","slug":"colonia-o-preto-e-branco-que-nao-se-cala-nem-se-abafa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/colonia-o-preto-e-branco-que-nao-se-cala-nem-se-abafa\/","title":{"rendered":"Col\u00f4nia, o preto e branco que n\u00e3o se cala nem se abafa"},"content":{"rendered":"<p>Sob uma trilha sonora viva e m\u00f3rfica, que emana a sombria atmosfera de uma das hist\u00f3rias mais dolorosas e delicadas do nosso pa\u00eds, a s\u00e9rie &#8220;Col\u00f4nia&#8221; se constr\u00f3i como um relato necess\u00e1rio de uma dor abafada e calada. E enquanto traduzia o enorme sofrimento causado pelo hosp\u00edcio Hospital Col\u00f4nia de Barbacena &#8211; onde mais de 60 mil pessoas morreram &#8211; em orquestra\u00e7\u00f5es que dessem voz ao sil\u00eancio, Patrick de Jongh enfrentava sua pr\u00f3pria e silenciosa luta.<\/p>\n<p>Surpreendido por um grave acidente de carro, seguido pela descoberta de um c\u00e2ncer de tireoide, durante o seu trabalho como produtor associado e compositor da trilha sonora original da s\u00e9rie, o artista viu sua vida se transformar de forma s\u00fabita e repentina, quase comprometendo o seu trabalho na produ\u00e7\u00e3o. Fisicamente debilitado pelas sequelas da batida e com a doen\u00e7a j\u00e1 em estado avan\u00e7ado, com met\u00e1stase nos g\u00e2nglios e a possibilidade de met\u00e1stase no pulm\u00e3o, ele optou por seguir adiante com o projeto &#8211; que \u00e9 uma paix\u00e3o pessoal. Lutando contra as fortes dores corporais e os pesados efeitos colaterais dos rem\u00e9dios, de Jongh n\u00e3o se deixou ser vencido pela falta de mobilidade f\u00edsica, que lhe impedia de tocar os instrumentos musicais necess\u00e1rios para a trilha.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre fui muito \u00e1gil e din\u00e2mico como compositor e percebi que a minha produtividade j\u00e1 n\u00e3o era mais a mesma, mas pensei que pudessem ser alguns reflexos emocionais da pandemia. Ap\u00f3s um terr\u00edvel acidente de carro no trajeto entre S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia, minha vida nunca mais foi a mesma. Naquela ocasi\u00e3o, capotei por 120 metros v\u00e1rias vezes e tive perda total do ve\u00edculo, al\u00e9m de v\u00e1rios equipamentos profissionais. Meu corpo tamb\u00e9m sofreu e quebrei os dois ombros, o joelho direito e o tornozelo esquerdo. Tive compress\u00e3o das v\u00e9rtebras cervicais, tor\u00e1cicas e lombares, al\u00e9m de v\u00e1rios cortes e machucados pelo corpo, que me impediam de tocar os instrumentos musicais. Naquele momento, ainda me faltava compor a trilha sonora de seis dos 10 epis\u00f3dios da s\u00e9rie e a qualidade de vida que eu teria a longo prazo ainda permanecia como um grande mist\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p>Comprometido com a produ\u00e7\u00e3o, sob a confirma\u00e7\u00e3o da data de lan\u00e7amento da s\u00e9rie (que estreou dia 25, no Canal Brasil e nos servi\u00e7os de streaming Canais Globo e Globoplay), de Jongh adotou novas formas de trabalhar, conduzindo todo o processo de cria\u00e7\u00e3o da trilha &#8211; independente de toda e qualquer limita\u00e7\u00e3o oriunda do acidente. Em virtude das limita\u00e7\u00f5es de uso de m\u00e3o de obra externa, devido \u00e0 quarentena imposta ao redor do pa\u00eds, o compositor e produtor ainda rompeu seus pr\u00f3prios limites, em meio a um inesperado diagn\u00f3stico de um c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>&#8220;Devido \u00e0 pandemia, estava dif\u00edcil trazer m\u00fasicos para gravar e decidi conduzir todo o restante do material necess\u00e1rio sozinho. E por conta das dores, comecei a tomar um forte rem\u00e9dio, na expectativa de que tivesse alguma melhora. Ainda assim, as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00f5es para os epis\u00f3dios remanescentes foram extremamente dolorosas, o que comprometeu a qualidade de alguns takes, que tive que gravar novamente. Ao longo desse per\u00edodo, um dos exames do acidente indicou a presen\u00e7a de n\u00f3dulos no meu pulm\u00e3o e ao realizar novos testes, o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de tireoide se confirmou. Cirurgia e tratamento eram necess\u00e1rios, mas a s\u00e9rie j\u00e1 tinha data de estreia e n\u00e3o poderia esperar o procedimento. E para mim, era importante finalizar esse trabalho. Estamos diante de uma das hist\u00f3rias mais sofridas e escondidas do nosso Brasil, em um tempo repleto de incertezas. Fiz quest\u00e3o de me esfor\u00e7ar ainda mais e descobri em mim uma determina\u00e7\u00e3o muito maior do que jamais pensei ter. E como me alegro por poder entregar essa s\u00e9rie nos bra\u00e7os da audi\u00eancia, com a certeza de que &#8211; assim como eu -, o diretor Andr\u00e9 Ristum e toda a nossa equipe deram o seu sangue e suor por esse belo e impactante projeto&#8221;, refletiu de Jongh.<\/p>\n<p><strong>Trilha visceral<\/strong><br \/>\nUm dos aspectos mais cruciais de &#8220;Col\u00f4nia&#8221; \u00e9 certamente sua trilha sonora original, que aqui assume um protagonismo significativo perante a audi\u00eancia. Segundo Patrick de Jongh, a prepara\u00e7\u00e3o deste trabalho teve o seu in\u00edcio bem antes mesmo das grava\u00e7\u00f5es dos epis\u00f3dios, em virtude do teor narrativo presente em cada can\u00e7\u00e3o. &#8220;O trabalho de composi\u00e7\u00e3o foi bem extenso, pois tive que preparar algumas m\u00fasicas que seriam cantadas pelos pr\u00f3prios personagens em cena&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para criar uma atmosfera visceral e sinest\u00e9sica, de Jongh e Andr\u00e9 Ristum optaram por seguir um caminho ousado, semelhante ao que vemos na popular s\u00e9rie original da Netflix, &#8216;Messiah&#8217;. &#8220;Decidimos seguir um conceito de trilha que nunca cessa. Isso significa que a audi\u00eancia ter\u00e1 uma experi\u00eancia ainda mais imersiva, com m\u00fasicas que caminham ao longo de todo o epis\u00f3dio e contribuem diretamente para a tens\u00e3o das cenas. A trilha sempre se molda ao leque de emo\u00e7\u00f5es que a trama nos traz e absorve o p\u00fablico para dentro das dores dos protagonistas&#8221;, salientou.<\/p>\n<p>Para garantir a efici\u00eancia da trilha sonora, ela foi constru\u00edda com duas camadas principais: Uma com uma sobreposi\u00e7\u00e3o de drones (ru\u00eddos modelados para soar de forma musical) e outra orquestral. Em se tratando da primeira, ela soa como uma cama pac\u00edfica em alguns momentos ou um uivo assustador em outros e foi desenhada a partir de grava\u00e7\u00f5es da voz da cantora l\u00edrica Nadja Lopes, parceira de Patrick em outros projetos anteriores, como &#8220;A \u00daltima Esta\u00e7\u00e3o&#8221;, de Marcio Curi, e &#8220;Por que Voc\u00ea N\u00e3o Chora&#8221;, de Cibele Amaral.<\/p>\n<p>&#8220;As vozes de Nadja foram gravadas e processadas com v\u00e1rios tipos de efeitos diferentes. No fim, o resultado \u00e9 denso e contorna bem as nuances da emo\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios. Essas camadas estendem do primeiro ao \u00faltimo minuto do epis\u00f3dio. J\u00e1 a segunda camada importante \u00e9 a orquestral, com cordas, madeiras, metais, percuss\u00e3o e piano. H\u00e1 um grande protagonismo dos violoncelos na trilha, que emergem com for\u00e7a para pontuar os momentos mais contundentes da s\u00e9rie, sejam sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o ou suspense, ou at\u00e9 mesmo momentos de profunda solid\u00e3o dos personagens&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p><strong>Sobre &#8220;Col\u00f4nia&#8221;<\/strong><br \/>\nCom epis\u00f3dios em preto e branco, &#8220;Col\u00f4nia&#8221; acompanha a hist\u00f3ria de Elisa, uma jovem de 20 anos que chega ao Hosp\u00edcio Col\u00f4nia, no come\u00e7o dos anos 70. Gr\u00e1vida de quatro meses, ela \u00e9 enviada ao local pelo seu pr\u00f3prio, que fica enfurecido ao descobrir que sua filha destruiu seus planos de cas\u00e1-la com um fazendeiro rico. L\u00e1, ela descobrir\u00e1 um escondido universo de pr\u00e1ticas abusivas e dolorosas, em pessoas que n\u00e3o apresentam qualquer tipo de diagn\u00f3stico de doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p>Com 10 epis\u00f3dios, todos feitos em preto e branco, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 livremente inspirada no livro &#8220;Holocausto Brasileiro&#8221;, de Daniela Arbex, e na hist\u00f3ria de tantos brasileiros, cujas vidas foram ceifadas no hospital. Fernanda Marques, Andr\u00e9ia Horta, Augusto Madeira, Naruna Costa, Bukassa Kabengele, Arlindo Lopes e Rejane Faria estrelam a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Patrick de Jongh<\/strong><br \/>\nDe origem holandesa, Patrick de Jongh \u00e9 um artista multifacetado, que toca mais de 15 instrumentos distintos. Compositor desde os 11 anos de idade, ele \u00e9 formado em Violino Erudito, pelo Conservat\u00f3rio de Bruxelas, e em Produ\u00e7\u00e3o Musical &#8211; pelo Conservat\u00f3rio de Roterd\u00e3.<\/p>\n<p>De Jongh \u00e9 tamb\u00e9m especialista em Engenharia de \u00c1udio e Ac\u00fastica, pelo SAE de Londres e de Los Angeles, e em Art and Craft of Orchestration for Film and Television (California State University &#8211; MIS).<\/p>\n<p>Ao longo de sua trajet\u00f3ria profissional, o artista j\u00e1 comp\u00f4s trilhas sonoras para mais de 50 projetos, entre longas metragens e s\u00e9ries de TV. Ele tamb\u00e9m atuou como designer de som da 3\u00aa temporada da aclamada s\u00e9rie norte-americana do canal USA, &#8220;Queen of South&#8221; (2018), bem como de &#8220;Felizes para Sempre&#8221; (2015), dirigida por Fernando Meirelles (&#8220;Cidade de Deus&#8221;).<\/p>\n<p>Sua carreira como compositor e produtor musical nas telonas \u00e9 marcada por seus trabalhos em longas de prest\u00edgio, como &#8220;O Traidor&#8221;, que fez parte da sele\u00e7\u00e3o oficial do Festival de Cannes 2019. Como compositor da Trilha Sonora Adicional do longa, de Jongh trabalhou ao lado do ganhador do Oscar pela emblem\u00e1tica trilha do cl\u00e1ssico &#8220;A Vida \u00e9 Bela&#8221;, Nicola Piovani. Indo mais al\u00e9m, o artista tamb\u00e9m assina a trilha de abertura de &#8220;Resident Evil&#8221;, ao lado de Marco Beltrami e Marilyn Manson.<\/p>\n<p>J\u00e1 como produtor cinematogr\u00e1fico e televisivo, o artista tamb\u00e9m tem se destacado em projetos internacionais e assumiu a co-produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Shake Your Cares Away&#8221;, filme de origem alem\u00e3, israelense, francesa e brasileira, estrelado por B\u00e9r\u00e9nice Bejo (indicada ao Oscar pelo aclamado &#8220;O Artista&#8221;).<\/p>\n<p>No Brasil, de Jongh \u00e9 tamb\u00e9m produtor do recente e premiado drama &#8220;Por que Voc\u00ea N\u00e3o Chora?&#8221;, cuja estreia aconteceu no Festival de Gramado 2020. Adquirido pela International Sales, Silver Mountain, o longa ainda foi vendido para um canal europeu.<\/p>\n<p>Seu trabalho mais recente foi na s\u00e9rie &#8220;Col\u00f4nia&#8221;, criada, dirigida e roteirizada por Andr\u00e9 Ristum. Al\u00e9m de assinar a trilha sonora da produ\u00e7\u00e3o, estrelada por Andr\u00e9ia Horta, de Jongh assume a fun\u00e7\u00e3o de produtor associado do projeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob uma trilha sonora viva e m\u00f3rfica, que emana a sombria atmosfera de uma das hist\u00f3rias mais dolorosas e delicadas do nosso pa\u00eds, a s\u00e9rie &#8220;Col\u00f4nia&#8221; se constr\u00f3i como um relato necess\u00e1rio de uma dor abafada e calada. 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