{"id":261027,"date":"2021-07-02T12:24:24","date_gmt":"2021-07-02T15:24:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=261027"},"modified":"2021-07-02T12:24:24","modified_gmt":"2021-07-02T15:24:24","slug":"marisa-monte-apresenta-seu-novo-trabalho-em-portas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marisa-monte-apresenta-seu-novo-trabalho-em-portas\/","title":{"rendered":"Marisa Monte apresenta seu novo trabalho em Portas"},"content":{"rendered":"<p>Afastada dos est\u00fadios desde 2011, Marisa Monte. O \u00faltimo trabalho foi o elogiado <em>O Que Voc\u00ea Quer Saber de Verdade<\/em>, lan\u00e7ado h\u00e1 10 anos. Mas, de l\u00e1 pra c\u00e1, conforme a pr\u00f3pria cantora enumera, foram ao todo sete projetos e, ao menos um deles, o \u00e1lbum Tribalistas, de 2017, algo de car\u00e1ter criativo e, embora feito em trio com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, tamb\u00e9m autoral. Sendo assim, \u00e9 quase alimentar uma fake news dizer que Marisa esteja longe das cria\u00e7\u00f5es h\u00e1 10 anos.<\/p>\n<p>Seu lan\u00e7amento de agora chama-se Portas. Um \u00e1lbum grande para a era dos singles e dos feats, com 16 can\u00e7\u00f5es em parcerias e algumas com luxuosos arranjos de cordas (de Arthur Verocai) e de sopros. H\u00e1 parcerias com os tamb\u00e9m tribalistas Arnaldo Antunes e Dadi, como a faixa que batiza do disco; um belo samba de carnaval portelense com Pretinho da Serrinha chamado Elegante Amanhecer; uma can\u00e7\u00e3o de amor com Marcelo Camelo de nome Voc\u00ea N\u00e3o Liga; e muitas parcerias com Chico Brown, filho de Carlinhos. Musicalmente, Portas \u00e9 um \u00e1lbum cheio de sol, de cores e otimismo, com letras sobretudo em tons de esperan\u00e7a, mesmo nos desamores.<\/p>\n<p>Marisa entra com ele tamb\u00e9m nas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o digital. Muitos convidados e m\u00fasicos contratados enviaram suas partes gravadas de outros est\u00fadios, uma din\u00e2mica que n\u00e3o lhe era usual. \u201cMeu plano era entrar em est\u00fadio em maio de 2020. Eu j\u00e1 tinha um repert\u00f3rio pronto, produzido ao longo dos \u00faltimos anos com diversos parceiros, esperando a hora de gravar. Mas, em mar\u00e7o, as portas se fecharam e ficou imposs\u00edvel seguir. Como todo mundo, entramos numa inevit\u00e1vel pausa de mil compassos. Passaram-se alguns meses at\u00e9 que a gente pudesse compreender melhor a nova realidade protocolos sanit\u00e1rios, testes e m\u00e1scaras\u201d, Marisa diz em um breve resume de como seu disco come\u00e7ou a ganhar forma, atropelado pelo in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es ao <em>Estad\u00e3o<\/em>, ela abordou a tecnologia nos dias de grava\u00e7\u00f5es confinadas. \u201cEla acabou se tornando um grande aliado de todos, um refor\u00e7o.\u201d Foi por meio da internet que Marisa chegou aos trabalhos da artista pl\u00e1stica Marcela Cantu\u00e1ria, por exemplo. O frescor de sua obra acabou sendo usado para dialogar com as m\u00fasicas do disco na vers\u00e3o digital do trabalho. \u201cEu senti muita sensibilidade em seu trabalho, cheio de caracter\u00edsticas latino-americanas, feminina e feminista, com tem\u00e1ticas voltadas para a natureza tamb\u00e9m. Tudo isso estava no \u00e1lbum. Ela foi ouvindo as m\u00fasicas e me conhecendo.\u201d O resultado da jun\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es com a obra de Marcela resultou no que Marisa chama de \u201c\u00e1lbum visual\u201d. \u201cNa internet os discos ficam mais vers\u00e1teis do que nos tempos do CD e dos LPs, que eu tamb\u00e9m gosto.\u201d<\/p>\n<p>Marisa diz que o retorno a um disco autoral depois de 10 anos \u201cn\u00e3o foi nada pensado\u201d. \u00c9 quando ela faz as contas e alerta para a quantidade de bons \u00e1lbuns que fez, mesmo n\u00e3o sendo frutos de suas cria\u00e7\u00f5es. \u201cFiz uma turn\u00ea com Paulinho da Viola, por exemplo. E depois veio o disco com os Tribalistas que, mesmo sendo coletivo, \u00e9 tamb\u00e9m, do meu ponto de vista, uma obra toda in\u00e9dita.\u201d Mas agora, como Marisa j\u00e1 havia dito no in\u00edcio de 2020, era o momento de a cantora voltar a si mesma. \u201cMas n\u00e3o foi mesmo uma coisa planejada. Algumas ideias acabam se sobrepondo \u00e0s outras.\u201d<\/p>\n<p>Sua ideia inicial era viajar para os Estados Unidos e formar uma segunda banda, em Nova York, algo que se tornou imposs\u00edvel. Mesmo sem ter feito outros discos distanciada dos m\u00fasicos, ela achou que valia a pena experimentar uma grava\u00e7\u00e3o remota. Arto Lindsay levou sua banda a um est\u00fadio na Rua 37, em Nova York, e l\u00e1 gravaram as bases de Calma e Portas, enquanto Marisa cantava via zoom de outro est\u00fadio, no Rio de Janeiro. \u201cPara nossa surpresa, deu muito certo e nos abriu um novo universo de possibilidades. Aquilo nos deu confian\u00e7a de seguir com grava\u00e7\u00f5es remotas em outras cidades e com outras forma\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>E assim foi. Ainda do Rio, Marisa e os m\u00fasicos que faziam bases, complementos e arranjos do maestro Arthur Verocai e do trombonista Antonio Neves se uniram digitalmente \u00e0s grava\u00e7\u00f5es remotas feitas em Lisboa (para registrar, por exemplo, alguns arranjos de Marcelo Camelo) e de Los Angeles. Uma outra m\u00fasica ainda n\u00e3o lan\u00e7ada, e gravada tamb\u00e9m remotamente, foi Vento Sardo, registrada em Madri e Barcelona por Jorge Drexler. \u201cApesar de estar pronta e fazer parte do corpo desse \u00e1lbum, decidimos lan\u00e7ar a posteriori, como um single, quando pudermos nos encontrar ao vivo\u201d, conta Marisa em um texto de apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marisa Monte gosta de parceiros e tem um hist\u00f3rico deles, muitos homens e raras mulheres. A m\u00e3o de Arnaldo Antunes fica expl\u00edcita onde quer que toque, como acontece com Vagalumes e mesmo na faixa-t\u00edtulo Portas, com uma letra com uma divis\u00e3o r\u00edtmica tipicamente arnaldiana, apesar do alto grau de comunica\u00e7\u00e3o pop. \u00c9 singela, sem crises existenciais nem protestos pol\u00edticos, e talvez seja essa caracter\u00edstica o que mais chame a aten\u00e7\u00e3o no \u00e1lbum. A letra diz assim: \u201cNesse corredor \/ Portas ao redor \/ Querem escolher, olha s\u00f3 \/ Uma porta s\u00f3\u201d. Quase infantil, no melhor sentido.<\/p>\n<p>Outra can\u00e7\u00e3o que parece colidir com os tempos \u00e9 o primeiro single, Calma, feita h\u00e1 tr\u00eas anos. \u00c9 estranho ouvi-la nos dias em que o pa\u00eds afunda em esc\u00e2ndalos de poss\u00edveis negociatas envolvendo compras de vacinas com mais de 550 mil pessoas levadas pela pandemia. A letra diz: \u201cCalma \/ Que eu j\u00e1 t\u00f4 pensando no futuro \/ Que eu j\u00e1 t\u00f4 driblando a madrugada \/ N\u00e3o \u00e9 tudo isso, \u00e9 quase nada \/ Tempestade em copo d\u2019\u00e1gua.\u201d Mas Marisa explica: \u201cMinha resist\u00eancia \u00e9 po\u00e9tica e amorosa.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afastada dos est\u00fadios desde 2011, Marisa Monte. O \u00faltimo trabalho foi o elogiado O Que Voc\u00ea Quer Saber de Verdade, lan\u00e7ado h\u00e1 10 anos. 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