{"id":261095,"date":"2021-07-03T00:20:19","date_gmt":"2021-07-03T03:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=261095"},"modified":"2021-07-03T12:13:09","modified_gmt":"2021-07-03T15:13:09","slug":"desmonte-da-petrobras-entrega-nosso-petroleo-a-multinacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desmonte-da-petrobras-entrega-nosso-petroleo-a-multinacionais\/","title":{"rendered":"Desmonte da Petrobras entrega nosso petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>Em meio a menor participa\u00e7\u00e3o da Petrobras no setor estrat\u00e9gico de petr\u00f3leo e g\u00e1s, com privatiza\u00e7\u00f5es e vendas de ativos, gigantes multinacionais encontraram a oportunidade ideal para adentrar o terceiro maior segmento respons\u00e1vel por atividades econ\u00f4micas no Brasil.<\/p>\n<p>Com a desacelera\u00e7\u00e3o da estatal, a atua\u00e7\u00e3o de multinacionais no setor aumentou em quase 30%. AAgora especialistas alertam para riscos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 garantia de empregos.<\/p>\n<p>Aumentando exponencialmente seus desinvestimentos desde 2014, a petrol\u00edfera brasileira tem se desfeito de suas participa\u00e7\u00f5es em campos terrestres, focando em atividades no pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, na regi\u00e3o Sudeste \u2013 o que ocasionou uma ociosidade e queda de cerca de 27% da participa\u00e7\u00e3o da empresa no setor brasileiro de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, de acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Biocombust\u00edveis (ANP), a iniciativa privada, somada \u00e0s maiores petrol\u00edferas estrangeiras que atuam no Brasil, como a Shell, Sinopec, Total e Petrogal, j\u00e1 respondem por 27% de toda produ\u00e7\u00e3o nacional do setor petrol\u00edfero.<\/p>\n<p>Para suprir a lacuna deixada pela Petrobr\u00e1s, a maior atua\u00e7\u00e3o de multinacionais \u00e9 at\u00e9 vista como uma solu\u00e7\u00e3o positiva da perspectiva de alguns pesquisadores. Entretanto, o avan\u00e7o do processo privatista da estatal j\u00e1 provocou o desligamento de mais de 37 mil trabalhadores pr\u00f3prios por meio de programas de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo balan\u00e7o anual da Petrobras, desde 2014 a empresa sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de 43% de seu quadro efetivo de funcion\u00e1rios, passando de 86.108 para 49.050 trabalhadores.<\/p>\n<p>Economista e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), na Unicamp, Marilane Teixeira explica que, ao desligar parte dos trabalhadores, a estatal rompe com uma m\u00e3o de obra qualificada e com habilidades altas devido \u00e0s necessidades da companhia.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da pesquisadora, as empresas multinacionais, al\u00e9m de n\u00e3o terem obrigatoriedade em recolocar os brasileiros no mercado de trabalho, podem priorizar os maiores cargos a um quadro efetivo vindo de fora e ofertar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nacional vagas com menos benef\u00edcios. \u201cEssas empresas n\u00e3o ter\u00e3o problema em contratar trabalhadores com sal\u00e1rios mais baixos, com menos direitos e reduzir o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o, se comparado ao que os petroleiros da Petrobras adquiriram nos \u00faltimos anos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) no Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) e tamb\u00e9m economista, Cloviomar Cararine corrobora com Marilane sobre a menor qualidade das vagas ofertadas aos brasileiros por multinacionais. \u201cQuando acompanhamos os acordos coletivos dessas empresas do setor privado, os benef\u00edcios s\u00e3o piorados se comparados \u00e0 Petrobras, como menores sal\u00e1rios e maiores exposi\u00e7\u00f5es \u00e0 risco\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, tamb\u00e9m n\u00e3o existe uma garantia de que as grandes petrol\u00edferas est\u00e3o comprometidas com a gera\u00e7\u00e3o de emprego no Brasil e a maneira como essas companhias agregar\u00e3o m\u00e3o de obra brasileira depender\u00e1 da estrat\u00e9gia adotada por cada empresa.<\/p>\n<p>\u201cA gera\u00e7\u00e3o de empregos vai depender muito dos investimentos e estrat\u00e9gias que as empresas multinacionais adotar\u00e3o, porque elas n\u00e3o necessariamente est\u00e3o investindo aqui\u201d, afirma Cloviomar Cararine, economista da FUP no Dieese.<\/p>\n<p>Na Petrobras, os trabalhadores terceirizados tamb\u00e9m foram afetados com os desinvestimentos. A diminui\u00e7\u00e3o do quadro de funcion\u00e1rios prestadores de servi\u00e7os \u00e9 de quase 75% em sete anos. Eram contabilizados cerca de 360 mil em 2014 e, agora, s\u00e3o pouco mais de 92 mil funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Seguindo um modelo competitivo e inst\u00e1vel, Teixeira afirma que a individualiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos, imposta por parte das multinacionais, favorece a implementa\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista \u2013 aprovada em 2019 e que reduz a qualidade e direitos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Assim, ao se retirar do setor estrat\u00e9gico de petr\u00f3leo e g\u00e1s, a Petrobras provoca um maior impacto na quantidade de desempregados do que na recoloca\u00e7\u00e3o de trabalhadores no mercado de trabalho, com a atua\u00e7\u00e3o mais potente de multinacionais no mesmo segmento e, de acordo com Cararine, com a reforma trabalhista, at\u00e9 a estabilidade dos trabalhadores p\u00fablicos \u00e9 posta em xeque.<\/p>\n<p>A estabilidade de funcion\u00e1rios p\u00fablicos concursados, como \u00e9 o caso da categoria petroleira, sempre gerou debate em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade e efici\u00eancia desses trabalhadores, dando a entender que, em multinacionais, os resultados seriam superiores.<\/p>\n<p>Marilane explica que esse modo de pensar \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, porque a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais sonda o brasil desde os anos 90 e mesmo assim ainda batemos recordes de desemprego.<\/p>\n<p>\u201cEssa filosofia de maior produtividade em multinacionais n\u00e3o se aplica somente \u00e0 Petrobr\u00e1s, mas para todas as empresas privatizadas desde os anos 90, e \u00e9 uma fal\u00e1cia, porque, se a privatiza\u00e7\u00e3o fosse t\u00e3o eficiente, n\u00e3o ter\u00edamos 14 milh\u00f5es de brasileiros desempregados, 50 milh\u00f5es na informalidade e a concentra\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o seria cada vez mais desigual. Essa perspectiva \u00e9 individualista e n\u00e3o v\u00ea o bem estar da sociedade como parte do processo\u201d, contesta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Colaborando para este cen\u00e1rio de desemprego crescente, desde 2015, segundo an\u00e1lise de Panoramas das Estatais, do Minist\u00e9rio da Economia, as cinco maiores companhias p\u00fablicas brasileiras abriram m\u00e3o de mais de 111 mil postos de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cQuando essas empresas atuam na l\u00f3gica da rentabilidade e lucratividade, poupam for\u00e7as de trabalho, ent\u00e3o n\u00e3o existe nenhum dado que indique que uma maior atua\u00e7\u00e3o das multinacionais gerar\u00e1 mais empregos, pelo contr\u00e1rio, o que se v\u00ea \u00e9 uma transfer\u00eancia de trabalhos qualificados para atua\u00e7\u00f5es inseguras e com menos direitos\u201d, conclui Marilane.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a menor participa\u00e7\u00e3o da Petrobras no setor estrat\u00e9gico de petr\u00f3leo e g\u00e1s, com privatiza\u00e7\u00f5es e vendas de ativos, gigantes multinacionais encontraram a oportunidade ideal para adentrar o terceiro maior segmento respons\u00e1vel por atividades econ\u00f4micas no Brasil. 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