{"id":261143,"date":"2021-07-03T10:17:03","date_gmt":"2021-07-03T13:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=261143"},"modified":"2021-07-03T12:12:06","modified_gmt":"2021-07-03T15:12:06","slug":"guerra-de-canudos-agora-e-por-saude-educacao-e-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/guerra-de-canudos-agora-e-por-saude-educacao-e-internet\/","title":{"rendered":"Guerra de Canudos agora \u00e9 por sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e internet"},"content":{"rendered":"<p>Na paisagem sertaneja de Canudos (BA), a 400 quil\u00f4metros de Salvador, a hist\u00f3ria de dor, exclus\u00e3o e resist\u00eancia atravessa uma estrada de solavancos que liga o passado ao presente. Hoje, h\u00e1 outros espinhos nas cercas sertanejas de Canudos, como \u00e9 a pandemia, a falta de informa\u00e7\u00e3o, a internet rara e falha e as mentiras que chegam pelo celular. \u201cExistem outras guerras que a cidade enfrenta. Dos 5.565 munic\u00edpios brasileiros, Canudos est\u00e1 no 5.502\u00ba lugar no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH)\u201d, diz o professor e pesquisador Luiz Paulo Neiva, diretor do campus avan\u00e7ado na Universidade Estadual da Bahia (Uneb).<\/p>\n<p>O\u00a0 p\u00f4r do sol que brilha no alto dos \u201cbelos montes\u201d da cidade de 16,7 mil habitantes inspirou o nome do arraial do l\u00edder religioso Ant\u00f4nio Conselheiro. O verde caatingueiro funde-se na vista que \u00e9 formada na paisagem do a\u00e7ude de Cocorob\u00f3, que abastece o per\u00edmetro irrigado. Mas aquela \u00e1gua tamb\u00e9m ajuda a esconder cen\u00e1rios de um massacre. Mais de 20 mil morreram ali, segundo historiadores, em uma chacina organizada e autorizada pelo Estado, iniciada pela pol\u00edcia da Bahia e que ganhou cen\u00e1rio de filme de terror com a participa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Brasileiro.<\/p>\n<p>O movimento, que atra\u00eda agricultores e fi\u00e9is da igreja, incomodou latifundi\u00e1rios e padres e atraiu a aten\u00e7\u00e3o nacional \u00e0queles homens, mulheres e crian\u00e7as que foram chamados de v\u00e2ndalos fan\u00e1ticos, conforme explica o historiador canudense Jo\u00e3o Batista Lima.<\/p>\n<p>Ele explica que foram necess\u00e1rias quatro expedi\u00e7\u00f5es para deter os sertanejos, ocorridas entre novembro de 1896 e outubro de 1897. Mais do que de tiros e bombas, os sertanejos eram v\u00edtimas de uma campanha de comunica\u00e7\u00f5es falsas, que, no s\u00e9culo 21, aprendemos a chamar em ingl\u00eas: fake news.<\/p>\n<p>O escritor Euclides da Cunha quase caiu na mesma arapuca quando deixou o Rio de Janeiro para, como ex-militar, fazer a cobertura jornal\u00edstica da \u201cguerra\u201d para O Estado de S. Paulo sobre um Conselheiro que supostamente queria derrubar aquela recente Rep\u00fablica. Era mentira. Euclides saiu do acampamento para denunciar que os sertanejos foram humilhados, tiveram casas incendiadas e, por fim, aprisionados ou degolados.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas de que Euclides da Cunha contrariou as press\u00f5es e passou a denunciar a viol\u00eancia e as mentiras\u201d, afirma o professor Leopoldo Bernucci, que ensina literatura latino-americana na Universidade da Calif\u00f3rnia (EUA). A professora em\u00e9rita da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Walnice Galv\u00e3o demonstrou, no livro No calor da hora, que os jornais brasileiros difundiram mentiras sobre o arraial. Isso, segundo a pesquisadora, ajudou a legitimar a a\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito e a coniv\u00eancia da sociedade com a viol\u00eancia. Not\u00edcias, cartas falsas, cr\u00f4nicas, caricaturas e an\u00fancios publicit\u00e1rios transformaram Conselheiro em um inimigo. \u201c\u00c9 muito importante que a sociedade esteja bem informada para reconhecer informa\u00e7\u00e3o falsa\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os sert\u00f5es (leia aqui), que s\u00f3 foi publicado cinco anos ap\u00f3s o final da \u201cguerra\u201d, foi dividido em tr\u00eas: \u201cA terra\u201d, \u201cO homem\u201d e \u201cA luta\u201d. Para tentar beirar as novas batalhas de Canudos, a reportagem da P\u00fablica visitou caminhos dessa resist\u00eancia nos mais jovens e seus mestres, nas mem\u00f3rias dos mais antigos e nas suas buscas por inclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 procura de um sinal<\/strong><br \/>\n\u201cCanudos n\u00e3o se rendeu. Exemplo \u00fanico em toda a hist\u00f3ria, resistiu at\u00e9 ao esgotamento completo\u201d \u2013 trecho de Os sert\u00f5es, de Euclides da Cunha<\/p>\n<p>Estefane, canudense de 11 anos de idade, tamb\u00e9m n\u00e3o se rendeu. Ela n\u00e3o conhece aquele nem qualquer outro trecho da aclamada obra de Euclides da Cunha. Seja como for, Estefane, moradora da comunidade rural de Penedo (a 40 quil\u00f4metros do centro de Canudos), adora o lugar em que mora e vive em uma outra trincheira: um l\u00e1pis, uma caneta, um caderno. Mas nada de internet.<\/p>\n<p>A menina sonha em escrever poesia. Mais do que sonha. Desde que a escola p\u00fablica em que estuda, a Antero On\u00f3rio dos Reis, a 18 quil\u00f4metros de casa, voltou \u00e0s atividades remotas no segundo semestre do ano de 2020, teve que encontrar uma forma de n\u00e3o deixar de aprender. A menina recebe em casa o \u201cm\u00f3dulo\u201d das disciplinas, que s\u00e3o as atividades impressas que os alunos (sem internet dispon\u00edvel) utilizam para n\u00e3o ficarem t\u00e3o atrasados nos estudos.<\/p>\n<p>Neste ano, a garota foi informada de que a secret\u00e1ria da escola, Joelma Santana, de 30 anos, morava a \u201capenas\u201d 3 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da fam\u00edlia dela, tinha um computador e o tal wi-fi em casa. O caminho a p\u00e9 pelas ruas de cascalho, ladeada pelo movimento dos caprinos e pelas planta\u00e7\u00f5es de palma, n\u00e3o custaria nada. Assim, seria poss\u00edvel ouvir a professora S\u00edlvia Gomes falar de versos e rimas.<\/p>\n<p>Ficou combinado que a servidora reuniria um grupo de estudos com outros alunos das redondezas. Todos sentados na almofada no ch\u00e3o. E poderiam assistir, por aquela \u00fanica tela, \u00e0 aula. O desafio em 2021 foi participar em abril da feira liter\u00e1ria de Canudos (Flican) na categoria \u201cpoesia\u201d. Mesmo sabendo pouco do que era feito aquele tipo de texto, ela entendeu que a inspira\u00e7\u00e3o estava embaixo dos seus p\u00e9s, ou no que via pela janela.<\/p>\n<p>A l\u00e1pis, o texto ganhou tema e t\u00edtulo: \u201cAqui no meu sert\u00e3o\u201d. O texto acaba assim: \u201cO nascer e o p\u00f4r-do-sol s\u00e3o lindos. Mas o que alegra o sertanejo \u00e9 ver a chuva caindo\u201d. O resultado dos versos simples fez barulho: foi o primeiro lugar entre outros 30 trabalhos da cidade, para orgulho da turma e da cidade. O pr\u00eamio era tamb\u00e9m sonoro: um aparelho de celular. Agora, Estefane tem menos um obst\u00e1culo tecnol\u00f3gico. Pelo celular, tira d\u00favidas com a professora.<\/p>\n<p>O ensino empolgou a fam\u00edlia inteira e a jovem ficou segura at\u00e9 para ensinar o pai a ler, o agricultor Carlos Andr\u00e9 Cardoso, de 37 anos. \u201cEla me ensina muitas palavras\u201d, orgulha-se o pai da menina campe\u00e3 das letras. Ela inspirou alguns colegas que se achavam vencidos a voltar para a escola que ficou do tamanho de uma telinha, que virou a janela para o mundo l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>\u201cEu achei que n\u00e3o ia dar certo por causa da falta de internet\u201d, diz a professora S\u00edlvia Gomes, que\u00a0 mora no munic\u00edpio vizinho de Uau\u00e1. Foi uma torcida a dist\u00e2ncia. Elas agora podem se ver tamb\u00e9m pelo celular. \u201cTenho muita certeza de que escolhi a profiss\u00e3o certa, mesmo com tantas dificuldades. Est\u00e1vamos todos desesperados. \u00c9 importante que essas crian\u00e7as estejam livres e bem informadas.\u201d<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria, que recebeu os alunos em casa, mesmo n\u00e3o sendo professora, ajudou como se fosse a respons\u00e1vel por tentar conter a evas\u00e3o escolar. \u201cMeus pais eram analfabetos. Sei como \u00e9 importante elas aprenderem e se sentirem estimuladas a seguir nos estudos.\u201d Quando os alunos n\u00e3o apareciam, ela pegava a moto do marido e batia de casa em casa para que eles n\u00e3o desistissem.<\/p>\n<p>Chegou a ter dez alunos e mais as duas filhas na sala de casa para ficarem em volta do computador, o lugar das novidades. \u201cQuando eu n\u00e3o sabia responder as d\u00favidas deles, ligava para a professora para tentar ajudar de alguma forma\u201d, diz Joelma dos Santos, que terminou o t\u00e9cnico em enfermagem e sonha um dia em trabalhar em hospital. Mas, enquanto atua pela escola, \u201cquer ajudar\u201d.<\/p>\n<p>A poesia de Estefane vai integrar o livro A resist\u00eancia na palavra, com 30 textos que incluem, al\u00e9m de poesias tradicionais, cord\u00e9is e leituras imag\u00e9ticas, que deve ser impresso neste ano. Curador da feira liter\u00e1ria (feita com apoio da Lei Aldir Blanc) e do livro, o professor Luiz Paulo Neiva \u00e9 famoso na regi\u00e3o pela insist\u00eancia em preservar a mem\u00f3ria como uma a\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia. No entender dele, um compromisso educativo, pol\u00edtico e \u00e9tico diante de um \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) \u201cprec\u00e1rio\u201d, na casa dos 4,2 pontos, nas escolas municipais.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, vemos as pessoas sendo degoladas de outra forma pela pandemia e pela exclus\u00e3o. Canudos \u00e9 um lugar simb\u00f3lico para a luta. A ideia \u00e9 preservar o passado\u201d, diz o professor. O campus avan\u00e7ado conta, al\u00e9m de cursos universit\u00e1rios a dist\u00e2ncia, com o Parque Estadual de Canudos e o Memorial Ant\u00f4nio Conselheiro, que antes da pandemia recebiam turistas do pa\u00eds inteiro.<\/p>\n<p>A Uneb instalou ainda n\u00facleos de rob\u00f3tica e de audiovisual para livre utiliza\u00e7\u00e3o dos moradores em cursos gratuitos. \u201cTeremos neste ano o primeiro curso de doutorado. Ser\u00e1 na \u00e1rea de cr\u00edtica cultural. Esperamos que a gente tenha pessoas de Canudos aprovadas para difundir o que ocorreu aqui e possam se proteger\u201d, afirma Neiva.<\/p>\n<p><strong>Rifa\u00a0<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 fazendo tudo o que pode a equipe de professores e funcion\u00e1rios da Escola Municipal Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, unidade de ensino com 180 alunos que fica a cerca de 60 quil\u00f4metros do centro de Canudos. \u201cEstamos preocupados aqui porque a pandemia e a falta de internet desestimularam muitos a voltarem para a escola. Os adolescentes acabam sendo convencidos a trabalhar na ro\u00e7a. Com a evas\u00e3o, temos receio de que a escola feche. Vamos pedir que as aulas passem para o noturno\u201d, afirma a diretora Karina Mirele Almeida. Ela e a equipe t\u00eam sa\u00eddo de casa em casa para entregar os m\u00f3dulos.<\/p>\n<p>\u201cA internet aqui tamb\u00e9m est\u00e1 com problemas para funcionar. A gente podia receber quem precisasse, mas n\u00e3o pega bem aqui tamb\u00e9m.\u201d A equipe da escola chegou a fazer uma rifa de uma cesta de chocolates para poder melhorar a conex\u00e3o de banda larga em um povoado do Rio do Soturno, que tem apenas oito alunos, mas n\u00e3o podiam deix\u00e1-los para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O grupo arrecadou R$ 375 e inteirou mais R$ 125 para pagar os custos da antena e roteador em uma das casas, de forma que os estudantes possam ter um ponto para acompanhar as aulas. Mesmo assim, a empresa ainda n\u00e3o tinha conseguido fazer a instala\u00e7\u00e3o havia mais de um m\u00eas. O respons\u00e1vel pela Novanet, Lucas Alc\u00e2ntara, disse que a equipe de t\u00e9cnicos estava tentando resolver o problema. \u201cA \u00e1rea rural \u00e9 dif\u00edcil mesmo. Vamos tentar resolver\u201d, disse \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>A coordenadora da escola municipal, a professora Gabriela Almeida, diz que \u00e9 preciso insistir com os alunos e concentrar as aten\u00e7\u00f5es em entregar os materiais impressos nas casas deles (cerca de 30% dos estudantes est\u00e3o sem internet). Ela \u00e9 bisneta de sobrevivente da guerra e testemunha que os antepassados tinham medo de falar do massacre. \u201cAs crian\u00e7as e adolescentes de hoje n\u00e3o conhecem a hist\u00f3ria, mas passaram a se interessar mais ultimamente.\u201d Uma das motiva\u00e7\u00f5es \u00e9 que, neste ano, a disciplina hist\u00f3ria de Canudos passou a ter dois encontros semanais.<\/p>\n<p>\u201cEu foquei nas aulas a ideia de tratar sobre o p\u00f3s-guerra porque \u00e9 um assunto menos debatido. Tratamos da nossa hist\u00f3ria e isso gera sentido de pertencimento ao lugar.\u201d Mas ela lamenta que a internet sem qualidade fa\u00e7a uma aula de 45 minutos render menos do que se espera.<\/p>\n<p>A coordenadora acad\u00eamica da Uneb, a pedagoga Elane Santos Geraldo, desenvolve, no mestrado, uma pesquisa para colaborar com os professores de hist\u00f3ria de Canudos. Ela est\u00e1 finalizando um aplicativo para que os alunos aprendam a epopeia da cidade como um jogo de RPG, em que os estudantes podem assumir personagens e entender de forma cr\u00edtica. \u201cEu me inspirei levando em conta que n\u00e3o era a hist\u00f3ria dos outros. \u00c9 a hist\u00f3ria do meu povo\u201d, diz a pesquisadora canudense, que estuda na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ela explica que o RPG est\u00e1 desenvolvido tamb\u00e9m para o formato a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Batidas \u00e0 porta<\/strong><br \/>\nAs hist\u00f3rias de Canudos entusiasmam estudantes como Jos\u00e9 Rafael Guimar\u00e3es, de 13 anos. Com a pandemia ele deixou de pedalar 20 quil\u00f4metros para chegar \u00e0 escola, na comunidade do Ros\u00e1rio, para assistir \u00e0 aula ou para fazer o celular dar sinal. O garoto, agora, acorda \u00e0s 6h30 e \u00e9 recebido na casa do professor de hist\u00f3ria Juarez dos Santos, de 43 anos, para ter acesso \u00e0 internet. O professor \u00e9 tamb\u00e9m l\u00edder comunit\u00e1rio do povoado com 86 casas e cerca de 200 pessoas.<\/p>\n<p>Diariamente, o garoto bate \u00e0 porta da casa do docente e j\u00e1 tem at\u00e9 o lugar reservado para\u00a0 assistir \u00e0s aulas pelo celular. A cadeira de pl\u00e1stico na casa do professor \u00e9 um al\u00edvio mesmo com a falta da rotina de antes. \u201cSinto saudades dos amigos, da merenda e da aula de produ\u00e7\u00e3o textual.\u201d O professor explica que o empenho do garoto \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. \u201cSe era dif\u00edcil convencer os estudantes por aqui antes da pandemia, a falta de conex\u00e3o virou um problema real, inclusive para a gente se organizar.\u201d Enquanto isso, o menino divide a internet com a filha do professor, Arielle, de 8 anos, que gosta mesmo \u00e9 de desenhar.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 dif\u00edcil\u201d<\/strong><br \/>\nConsultado sobre as dificuldades com a conex\u00e3o de internet, o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, Roberto Gama, diz que Canudos tem \u201csitua\u00e7\u00e3o melhor\u201d do que a maioria das outras cidades do sert\u00e3o baiano e argumenta que um dos problemas \u00e9 a extensa \u00e1rea do munic\u00edpio para atendimento integral de internet. Ele admite que algumas turmas podem ser suspensas. Enquanto as professoras fazem at\u00e9 rifa para manter uma conex\u00e3o para os estudantes, o secret\u00e1rio est\u00e1 menos sens\u00edvel. \u201c\u00c9 dif\u00edcil permanecer com uma sala para poucos alunos.\u201d Se a escola municipal do Ros\u00e1rio for fechada, todos os estudantes ter\u00e3o que se locomover at\u00e9 o centro de Canudos para ter aula. A estrada \u00e9 de terra e cascalho e quando chove o caminho fica impossibilitado.<\/p>\n<p>O prefeito do munic\u00edpio, Gilson Cardoso, reconhece que existem dificuldades para que a internet chegue a \u00e1reas rurais. De acordo com ele, para o segundo semestre de 2021, pretende subsidiar a conex\u00e3o de internet para pelo menos 150 fam\u00edlias, gra\u00e7as a uma parceria com a empresa francesa Voltalia, que est\u00e1 se instalando no munic\u00edpio para gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Fornecedor de aproximadamente 90% dos servi\u00e7os de internet no munic\u00edpio (para cerca de 1.500 clientes), o respons\u00e1vel pela empresa RR Inform\u00e1tica Net, Jos\u00e9 Dami\u00e3o Pereira, alega que n\u00e3o consegue chegar a todos os lugares que precisa porque o munic\u00edpio tem grande extens\u00e3o territorial e as estradas s\u00e3o ruins. Um agravante, segundo ele, \u00e9 que, durante a pandemia, os materiais de instala\u00e7\u00e3o, comprados em geral em Feira de Santana (a 290 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia), ficaram mais caros.<\/p>\n<p>\u201cPara voc\u00ea ter uma ideia, os custos com antena, roteador e cabos, que eram h\u00e1 dois anos R$ 580, passaram a R$ 980 em 2020. Torna-se invi\u00e1vel para essas pessoas porque elas n\u00e3o t\u00eam como pagar.\u201d Ele diz que convive com pelo menos 30% de inadimpl\u00eancia dos clientes em rela\u00e7\u00e3o aos custos de manuten\u00e7\u00e3o mensais, que no segundo semestre devem passar de R$ 50 para R$ 60.<\/p>\n<p>Para o pesquisador em comunica\u00e7\u00e3o Marcos Urup\u00e1, que defende a internet como \u201cdireito humano\u201d, um problema brasileiro est\u00e1 em tratar esse servi\u00e7o essencial com uma l\u00f3gica privada. \u201cNo Brasil, servi\u00e7os de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o t\u00eam nos dois modelos, p\u00fablico e privado. O transporte p\u00fablico \u00e9 subsidiado. A internet \u00e9 um servi\u00e7o que o Marco Civil j\u00e1 reconheceu como essencial, mas no pa\u00eds vivemos ainda de iniciativas p\u00fablicas raras e incipientes, como o Wi-Fi Brasil.\u201d Ele explica que para o fornecedor, quando n\u00e3o vale a pena financeiramente levar internet a uma comunidade com menor n\u00famero de pessoas, ele lamenta e n\u00e3o vai. \u201cEssas pessoas ficam privadas e isoladas. A pandemia escancarou essa realidade e as diversidades sociais e regionais. Pode ser em Canudos ou em uma periferia de grande cidade\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>A cavalo<\/strong><br \/>\nEnquanto isso, a evas\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a. Michel dos Santos, de 13 anos, tamb\u00e9m da comunidade do Raso, ia a cavalo at\u00e9 a escola em um trecho de 20 quil\u00f4metros. O que desanimou foi que j\u00e1 voltou atr\u00e1s porque \u201cnem na escola a internet pegava\u201d. Ainda no quarto ano, sabe que est\u00e1 atrasado em rela\u00e7\u00e3o aos meninos da mesma idade. Ele teme que n\u00e3o vai dar conta porque tamb\u00e9m nunca teve acesso \u00e0 internet. A prioridade dele e do irm\u00e3o, Ca\u00edque, de 16 anos, no s\u00e9timo ano, \u00e9 trabalhar.<\/p>\n<p>\u201cEu gostava das aulas de geografia quando entendia mais sobre como poderia preparar melhor a ro\u00e7a.\u201d O problema \u00e9 que eles n\u00e3o t\u00eam nem mesmo celular para voltar a assistir \u00e0s aulas. Vizinha deles, na mesma comunidade, a estudante Josineide Santana, de 23 anos, divide com o filho o celular. Ela gosta mesmo de matem\u00e1tica e, como cuida de dois idosos, utiliza as horas livres na casa deles, que tem sinal, para estudar. Um dia quer fazer faculdade de contabilidade. Ela busca a varanda, a janela, \u00e0 beira da planta\u00e7\u00e3o\u2026 qualquer lugar em que possa se conectar.<\/p>\n<p>Sharlene de Almeida, de 22 anos, a 30 quil\u00f4metros dali, na comunidade de Bom Jardim, est\u00e1 cursando o ensino m\u00e9dio e divide a internet com o marido e o filho. \u201cTemos cinco megas [de banda larga] para dividir entre a gente. Vamos economizando para todo mundo poder usar. Por isso, n\u00e3o d\u00e1 para abrir a c\u00e2mera.\u201d<\/p>\n<p>Da mesma forma, a dificuldade fez com que a universit\u00e1ria D\u00e9bora Souza, de 30 anos, na comunidade do Raso, chegasse a desistir dos estudos em educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica a dist\u00e2ncia pela Uneb. Mas voltou atr\u00e1s. Resolveu que era preciso tentar de novo. Busca tamb\u00e9m na frente de casa um lugar para assistir \u00e0s aulas em que a internet pega melhor.<\/p>\n<p>A canudense atua como uma incentivadora das mulheres da regi\u00e3o. \u201cElas podem mais do que buscar lenha para o fog\u00e3o e plantar milho. Todos podem desenvolver o potencial e seus sonhos\u201d, defende. Ela explica que a internet \u00e9 fundamental para os produtores de fundo de pasto. Como os animais s\u00e3o criados soltos, era necess\u00e1rio criar comunica\u00e7\u00e3o eficiente por mensagem para quando um desses caprinos ou bovinos desgarra ou fica doente.<\/p>\n<p><strong>Costuras\u00a0<\/strong><br \/>\nD\u00e9bora ajudou a reunir m\u00e3es na comunidade do Raso que se sentiam exclu\u00eddas, inclusive digitalmente, para escrever ou unir as linhas de suas hist\u00f3rias e descobrir talentos que nem sonhavam. Com apoio do projeto Canudos, uma iniciativa de uma ONG de S\u00e3o Caetano (SP), 18 mulheres se organizaram para formar um grupo de costureiras chamado \u201cForte Severina\u201d. Elas fazem camisetas, saias e outros artigos de vestu\u00e1rios com estampas de tem\u00e1ticas sertanejas. \u201cAprendemos a mexer nas m\u00e1quinas que o projeto conseguiu para a gente e vendemos pelo Instagram. A internet inst\u00e1vel \u00e9 ruim para o neg\u00f3cio\u201d, diz uma das costureiras, Lela Silva, de 37 anos. O projeto vai ganhar um site em julho para divulga\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre a enxada e a m\u00e1quina de costura. Eu me sinto melhor do que no tempo da planta\u00e7\u00e3o de milho e feij\u00e3o\u201d, afirma outra costureira, Rita Pereira Santos, de 53 anos. \u201cAlgumas das trabalhadoras tiveram oportunidade de ter a primeira geladeira ou outro eletrodom\u00e9stico e at\u00e9 mesmo de construir o primeiro banheiro em sua casa\u201d, afirma o idealizador do projeto Canudos, o biom\u00e9dico paulista Victor Hugo Bigoli, de 39 anos.<\/p>\n<p>O projeto, que come\u00e7ou em 2011, \u00e9 multidisciplinar e come\u00e7ou por Canudos a atua\u00e7\u00e3o para tornar sustent\u00e1veis comunidades vulner\u00e1veis. \u201cNa \u00e1rea de sa\u00fade, trabalhamos com medicina social voltada para a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, com exames como papanicolau e de pr\u00f3stata.\u201d Atuam profissionais e estudantes volunt\u00e1rios de diferentes \u00e1reas.<\/p>\n<p>A pandemia fez com que eles pensassem em telemedicina, mas a falta da internet \u00e9 um obst\u00e1culo. Outra fun\u00e7\u00e3o da equipe \u00e9 ajudar a desmentir as mensagens com informa\u00e7\u00f5es falsas que chegam nos celulares. O grupo tem atendido pessoas confusas com as indica\u00e7\u00f5es de hidroxicloroquina e ivermectina para um suposto \u201ctratamento precoce\u201d contra a Covid-19. \u201cN\u00f3s explicamos que n\u00e3o existe qualquer efetividade desses medicamentos para tratar a doen\u00e7a\u201d, diz o idealizador do projeto.<\/p>\n<p><strong>Heran\u00e7a da batalha<\/strong><br \/>\nSe para os mais jovens o desafio de permanecer conectado tira o sono, para os mais velhos significa ainda mist\u00e9rio e ansiedade. Para Julia Maria dos Santos, conhecida como dona Dur\u00fa, de 85 anos, neta de sobreviventes da Guerra de Canudos, as not\u00edcias da pandemia chegam pela televis\u00e3o, pelo r\u00e1dio e pelo filtro da sobrinha-neta, Raquel, de 15 anos. \u201cEu olho se ela recebe not\u00edcias falsas pela internet e ajudo que ela mexa no celular\u201d, diz a adolescente. Como na pandemia dona Dur\u00fa deixou de sair \u00e0 rua, ela, que trabalhou como professora leiga desde os 19 anos de idade, foi uma das fundadoras do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canudos.<\/p>\n<p>O pai dela, Jo\u00e3o de R\u00e9gis, j\u00e1 falecido, nasceu dez anos depois do final da guerra e foi uma das mem\u00f3rias fundamentais para que a hist\u00f3ria de Canudos fosse recontada. Um museu foi criado neste ano com o nome dele. Mas ainda n\u00e3o foi aberto ao p\u00fablico por causa da pandemia. \u201cInforma\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. Quando a pessoa n\u00e3o sabe das coisas, \u00e9 muito triste.\u201d<\/p>\n<p>A professora Joselina Rabelo, de 75 anos, tamb\u00e9m \u00e9 neta de sobreviventes do massacre. Hoje ela cuida de uma das raras pousadas do lugar, de frente para o a\u00e7ude de Cocorob\u00f3. Com a pandemia, ela acompanha festejos, cultos e romarias tamb\u00e9m pela internet.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 est\u00e1 nossa hist\u00f3ria. \u00c9 muito importante que todos participem. Ainda mais quem mora aqui que foi v\u00edtima de uma hist\u00f3ria distorcida.\u201d O secret\u00e1rio de Cultura da cidade, Jos\u00e9 Alex da Silva Oliveira, reconhece que a difus\u00e3o de Canudos deve se apoiar no esp\u00edrito do passado. \u201cA hist\u00f3ria nos deu um senso de comunidade. Para valer, Canudos venceu a guerra. Precisamos espalhar isso.\u201d Lundu, forr\u00f3 e banda de p\u00edfano n\u00e3o podem faltar.<\/p>\n<p>O agricultor Ten\u00f3rio Costa Santos, de 58 anos, na comunidade de Bom Jardim, tem uma banda de p\u00edfano com o filho e amigos. \u00c9 uma forma de celebrar a ancestralidade do seu povo de etnia kaimb\u00e9 e as lembran\u00e7as da vida na aldeia Massacar\u00e1, em Euclides da Cunha. Hoje, atua com o filho, Lu\u00eds Carlos Santos, que \u00e9 apicultor, pelos direitos de regulariza\u00e7\u00e3o das terras onde vivem. Al\u00e9m disso, idosos, principalmente, conforme testemunha, ficaram perdidos desde que o recadastramento de benef\u00edcios como Bolsa Fam\u00edlia e Aux\u00edlio Emergencial passaram a ser obrigatoriamente pela internet.<\/p>\n<p>\u201cEu recorro ao meu filho. Mas muitos n\u00e3o sabem. Contam com ele, que \u00e9 nosso representante, mas ainda tem gente com vergonha e fica sem o benef\u00edcio. Eu n\u00e3o sei o que \u00e9 esse Pix, por exemplo. J\u00e1 vi gente sendo passada para tr\u00e1s\u201d, afirma Ten\u00f3rio, que diz saber apenas escrever o pr\u00f3prio nome e usa o WhatsApp apenas para se comunicar por \u00e1udio. \u201cPor isso, s\u00e3o importantes as assembleias para a gente se organizar. Essas pessoas ficaram sem internet, n\u00e3o t\u00eam celular e o transporte \u00e9 p\u00e9ssimo. A gente vai ajudando, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de isolamento de nossa e outras comunidades\u201d, diz Lu\u00eds Carlos.<\/p>\n<p>Aos 89 anos, Raimundo dos Santos, tamb\u00e9m da banda de p\u00edfano, se v\u00ea perdido com a necessidade de tanta tecnologia. \u201cEu tenho ainda vontade de aprender a ler. N\u00e3o sei se \u00e9 errado isso, ou se j\u00e1 passou do meu tempo. Eu recebi indica\u00e7\u00e3o sobre essa pandemia, sobre esses rem\u00e9dios, mas me avisaram que isso n\u00e3o presta, n\u00e9?.\u201d<\/p>\n<p>Na comunidade do Ros\u00e1rio, a agricultora Maria Jos\u00e9 Andrade, de 75 anos, vive sozinha em casa e est\u00e1 assustada com a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia. Para se informar sobre o que est\u00e1 acontecendo ou tentar conectar os dados de sua aposentadoria, ela sai de casa e vai at\u00e9 a cal\u00e7ada da vizinha para \u201cpegar o sinal dela\u201d. Outra aposentada, Mariana Nogueira, tamb\u00e9m de 75 anos, se sente isolada. \u201cFaz uma semana que eu n\u00e3o falo com minha filha, que foi trabalhar como empregada dom\u00e9stica em S\u00e3o Paulo.\u201d As liga\u00e7\u00f5es dependem do aplicativo de mensagem.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Assist\u00eancia Social, Shirla Rabelo, reconhece a dificuldade que o munic\u00edpio tem com a internet. A sa\u00edda que foi encontrada foi fazer visitas aos povoados e tamb\u00e9m voltar ao expediente presencial para que benefici\u00e1rios de programas sociais possam ser orientados e fa\u00e7am o recadastramento.<\/p>\n<p>Uma das for\u00e7as de defesa das comunidades est\u00e1 no Instituto de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria de Canudos (IPMC), que \u00e9 uma ONG voltada n\u00e3o s\u00f3 para esclarecimento da hist\u00f3ria, mas para garantia dos direitos dos povos mais vulner\u00e1veis. Segundo o presidente da entidade, Vanderlei Leite, a cidade recebe press\u00f5es de pol\u00edticos, dos latif\u00fandios e de empresas que se aproveitam da desinforma\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>\u201cA pandemia complicou a situa\u00e7\u00e3o. As pessoas, como est\u00e3o isoladas, continuam recebendo mentiras de quem se aproveita do isolamento. Cabe a gente visitar as comunidades, reunir e lembrar quem somos\u201d, diz Vanderlei, que tamb\u00e9m representa na cidade o Instituto Regional da Pequena Agropecu\u00e1ria Apropriada (Irpaa). Ele argumenta que a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, a polui\u00e7\u00e3o e a invas\u00e3o de \u00e1reas nativas t\u00eam amea\u00e7ado a caatinga com processo de desertifica\u00e7\u00e3o. O distanciamento e a falta de internet desengajaram a comunidade, conforme argumenta.<\/p>\n<p>Uma das formas de promover essa identifica\u00e7\u00e3o, segundo o poeta canudense Jos\u00e9 Am\u00e9rico Amorim, de 55 anos, \u00e9 intensificar o reconhecimento da pr\u00f3pria raiz. Ele, que trabalha tamb\u00e9m como guia tur\u00edstico, e que na pandemia deixou de ter essa atividade por causa do fechamento do parque de Canudos, diz que o desafio \u00e9 fazer os mais jovens se encantarem pela hist\u00f3ria de resist\u00eancia do lugar. \u201cUma vez uma universit\u00e1ria de S\u00e3o Paulo me deixou chateado porque me disse que \u2018l\u00e1 no Brasil era diferente\u2019. Ela n\u00e3o reconhecia Canudos como Brasil. N\u00f3s aqui, pelo menos, precisamos nos reconhecer. Foi esse Brasil de l\u00e1 que matou nossos antepassados.\u201d<\/p>\n<p>O poeta fez parte da elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de implantar o projeto \u201cda po\u00e9tica do ensinar e aprender\u201d em escolas p\u00fablicas na cidade. No Alto da Favela, no atual parque de Canudos, e onde tantos inocentes foram humilhados e mortos, ele se emociona. \u201cPela poesia, a gente comove e denuncia [\u2026]. \u2018Mas temos que tomar\/ como exemplo esse povo\/ que lutou bravamente\/ em busca de um tempo novo\/ Canudos n\u00e3o se rendeu\u201d, declamou. Ele grava os versos no celular e divulga para todos os grupos na internet. Para o sertanejo, ele sabe, a guerra est\u00e1 sempre recome\u00e7ando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na paisagem sertaneja de Canudos (BA), a 400 quil\u00f4metros de Salvador, a hist\u00f3ria de dor, exclus\u00e3o e resist\u00eancia atravessa uma estrada de solavancos que liga o passado ao presente. Hoje, h\u00e1 outros espinhos nas cercas sertanejas de Canudos, como \u00e9 a pandemia, a falta de informa\u00e7\u00e3o, a internet rara e falha e as mentiras que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":261144,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-261143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=261143"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":261145,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/261143\/revisions\/261145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/261144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=261143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=261143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=261143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}