{"id":261528,"date":"2021-07-05T22:30:16","date_gmt":"2021-07-06T01:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=261528"},"modified":"2021-07-05T22:31:33","modified_gmt":"2021-07-06T01:31:33","slug":"novos-depoimentos-revelam-taras-sexuais-de-bilionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/novos-depoimentos-revelam-taras-sexuais-de-bilionario\/","title":{"rendered":"Novos depoimentos revelam taras sexuais de bilion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDepois do almo\u00e7o a gente sentava e ele mandava colocar o filme. Era uma reportagem que conta a hist\u00f3ria dele, de como fugiu da guerra. Era sempre o mesmo [filme] e quando acabava todo mundo aplaudia\u201d, relata Malu* sobre as \u00faltimas vezes em que diz ter frequentado, entre 2009 e 2013, o escrit\u00f3rio de Samuel Klein, na sede da Casas Bahia, em S\u00e3o Caetano do Sul (SP).<\/p>\n<p>Aos 43 anos, ela contou \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica como teria sido abusada pela primeira vez aos nove anos de idade, em 1987, em uma resid\u00eancia de veraneio do empres\u00e1rio em Santos (SP).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Malu, mais quatro novas denunciantes \u2014 Paula,\u00a0 Joice, Roberta e Monique* \u2014 fizeram relatos\u00a0 sob anonimato, por medo de repres\u00e1lias. Paula relata que teria sofrido o primeiro abuso sexual com 13 anos de idade, em 1983 \u2014 depoimento que eleva para tr\u00eas d\u00e9cadas o per\u00edodo das acusa\u00e7\u00f5es de crimes sexuais denunciados \u00e0 reportagem publicada no dia 15 de abril.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos abusos na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, as fontes relataram que perto do final da vida o rei do varejo \u2014 falecido em 2014 \u2014 recebia frequentemente mais de uma dezena de mulheres ou meninas na sede da Casas Bahia, em S\u00e3o Caetano do Sul. \u201cQuanto mais velho, mais dinheiro ele tava dando. A\u00ed atraia muito mais gente\u201d, relatou Malu.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2013, Malu diz ter visitado regularmente o andar da presid\u00eancia das Casas Bahia onde teria participado o que classifica de \u201corgias\u201d que preenchiam a rotina do empres\u00e1rio. No entorno de seus 90 anos, Samuel passava boa parte do seu tempo na sede da empresa, em uma esp\u00e9cie de loft adaptado para ele ao lado do escrit\u00f3rio pessoal e das salas de reuni\u00f5es, relatou. Segundo Malu, era ali que aconteciam as sess\u00f5es de abuso: \u201c\u00c9 at\u00e9 chato falar disso\u201d, desabafa. \u201cNessa \u00e9poca, entrava pro quarto 20, 30 meninas com ele\u201d, revela.<\/p>\n<p>Outra fonte, que n\u00e3o mant\u00e9m contato com Malu, confirma o relato. Roberta conta que entre 2012 e 2013 era comum passarem dezenas de mulheres e meninas pelo escrit\u00f3rio do empres\u00e1rio. \u201cAlgumas nem faziam nada com ele e pegavam o vale para trocar na loja [Casas Bahia] ou por dinheiro ou por mercadoria. Geralmente eram mil reais ou quinhentos que ele dava\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos novos depoimentos, a reportagem da P\u00fablica teve acesso a fotografias em que o empres\u00e1rio aparece cercado de adolescentes e mulheres \u2014 entre elas, Kathia Lemos, indicada como agenciadora de meninas por ao menos oito fontes.<\/p>\n<p>Paula contou que esteve presente no dia do registro acima, em 2009, e que as meninas que foram ao encontro de Klein sofreram situa\u00e7\u00f5es de abuso sexual. \u201cN\u00e3o tinha inoc\u00eancia nenhuma ali, ele recebia as meninas l\u00e1 por um motivo\u201d, diz ao descrever como elas, ap\u00f3s o caf\u00e9, seriam levadas para o quarto anexo \u00e0 sala de reuni\u00f5es, onde ocorreriam os abusos.<\/p>\n<p>Segundo as fontes entrevistadas, em ocasi\u00f5es como a da foto, Klein teria oferecido refei\u00e7\u00f5es para as meninas e dado dinheiro para quem comparecesse. Tanto as imagens quanto as entrevistadas indicam que havia meninas adolescentes nos encontros com Klein. \u201cEle dava 500 reais para cada uma e escolhia as que iriam junto com ele para Angra [dos Reis], que j\u00e1 pegavam o helic\u00f3ptero l\u00e1 mesmo\u201d, conta Malu.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2009, Samuel tamb\u00e9m aparece em fotografias junto com meninas jovens embarcando, desembarcando e no interior de dois helic\u00f3pteros Agusta, modelo A109, com as marcas PP-HRK e PR-KCB. Segundo documenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac), naquele ano as aeronaves eram propriedade da Casas Bahia.<\/p>\n<p>\u201cQuem fala que n\u00e3o tinha menor de idade \u00e9 mentira. Mente porque n\u00e3o quer prejudicar ele\u201d, afirma Malu. Segundo ela e outras testemunhas, as meninas chegavam na sede da empresa ou pela garagem, \u00e0 bordo de t\u00e1xis j\u00e1 acostumados a prestar o servi\u00e7o para o empres\u00e1rio, ou pela porta de entrada da loja, localizada andares abaixo do escrit\u00f3rio de Klein.<\/p>\n<p>Nessas visitas que Malu acompanhou at\u00e9 2013, ela conta que al\u00e9m de altas somas em dinheiro, Klein teria oferecido tamb\u00e9m produtos da empresa. \u201cToda hora as mulheradas desciam pra pegar o que quisessem na loja. Um ar condicionado, uma lava roupa. A L\u00facia confirmava l\u00e1 de cima\u201d.<\/p>\n<p>Malu \u00e9 mais uma denunciante que se refere a L\u00facia Am\u00e9lia In\u00e1cio, apontada tamb\u00e9m por outras mulheres e ex-funcion\u00e1rios como a secret\u00e1ria pessoal de Samuel, que seria a respons\u00e1vel pelos pagamentos das garotas. Procurada pela reportagem, L\u00facia n\u00e3o retornou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Malu, Paula e Roberta reiteram ainda que o fluxo de meninas e mulheres subindo para o escrit\u00f3rio de Klein era tratado com normalidade no entorno da empresa. \u201cUma coisa dessa n\u00e3o tem como esconder. Por mais que entrasse pela garagem, pelo estacionamento da loja, n\u00e3o tinha como esconder. Era muita gente, muito movimento de mulher. Todo mundo via\u201d. Outras fontes ouvidas anteriormente apontaram a mesma din\u00e2mica na sede da empresa em S\u00e3o Caetano do Sul.<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso&#8230;\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\nAs Casas Bahia passavam por uma reestrutura\u00e7\u00e3o empresarial em 2009 \u2014 mesmo ano de algumas das imagens obtidas com exclusividade pela P\u00fablica. Tr\u00eas mulheres entrevistadas, que frequentavam o escrit\u00f3rio de Klein na \u00e9poca,\u00a0 contam que se lembram do per\u00edodo de reorganiza\u00e7\u00e3o empresarial porque chamava aten\u00e7\u00e3o delas a frustra\u00e7\u00e3o de Samuel em rela\u00e7\u00e3o aos rumos do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Malu relata que foi marcante o dia em que Samuel soube pela primeira vez que \u201co filho [Michael] fez uma sociedade\u201d, diz. \u201cEu tava l\u00e1 no dia. Ele [Samuel] virou uma fera. Ele falou que nunca na vida precisou de s\u00f3cio\u201d. Malu diz que na ocasi\u00e3o, em 2009,\u00a0 Samuel teria ficado muito nervoso com a possibilidade de fus\u00e3o da empresa e mandou a maior parte das meninas embora. \u201cAt\u00e9 o m\u00e9dico teve que ir l\u00e1. A press\u00e3o dele subiu, ele passou mal\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Em 4 de dezembro de 2009,\u00a0 foi anunciado publicamente um fato relevante aos acionistas. Nele, a fam\u00edlia Klein consolidava um Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com o grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, que havia anteriormente incorporado o Ponto Frio para formar a Globex Utilidades S\/A.<\/p>\n<p>Em seu comunicado ao mercado, o texto do acordo explica que \u201cpara a Casas Bahia e seus controladores, essa opera\u00e7\u00e3o proporcionar\u00e1 a oportunidade de perpetuidade da empresa criada por Samuel Klein h\u00e1 57 anos. A uni\u00e3o com o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar ir\u00e1 promover acesso a avan\u00e7adas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a corporativa, o que dar\u00e1 ainda mais transpar\u00eancia \u00e0 nova empresa. E, nesse contexto, dentro dos padr\u00f5es mais modernos de gest\u00e3o, a fam\u00edlia Klein ter\u00e1 um papel fundamental, contribuindo com seu conhecimento e experi\u00eancia no mercado especializado\u201d. Entre 2009 e 2010, Samuel foi um dos maiores acionistas da Globex Utilidades S\/A.<\/p>\n<p>Segundo uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o per\u00edodo de estrutura\u00e7\u00e3o do novo formato empresarial foi conturbado e, alguns meses ap\u00f3s a assinatura do acordo das empresas, o patriarca Samuel, ent\u00e3o com 86 anos, teria assumido as negocia\u00e7\u00f5es ao lado do filho Michael Klein em busca de melhorias para a fam\u00edlia Klein nos termos com o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2014 situa\u00e7\u00e3o oficialmente comunicada aos investidores em abril de 2010.<\/p>\n<p>Sobre este per\u00edodo, um dos ex-funcion\u00e1rio da fam\u00edlia relata que os filhos teriam comprado um novo helic\u00f3ptero maior, com 12 assentos,\u00a0 para agradar o patriarca Klein. Segundo documentos da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (ANAC), um helic\u00f3ptero Agusta Aw139, com capacidade para 11 passageiros, foi adquirido pela Casas Bahia em janeiro de 2010. Em entrevista, o ex-funcion\u00e1rio disse que o helic\u00f3ptero teria sido comprado para\u00a0 Samuel levar mais meninas para Angra e, assim, ficar longe dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses depois, em julho de 2010, foi firmado um novo acordo entre os acionistas majorit\u00e1rios da Globex (Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e Casas Bahia), repactuando os termos da negocia\u00e7\u00e3o conflituosa \u2014 em outubro daquele ano, a incorpora\u00e7\u00e3o de fato da Nova Casa Bahia foi conclu\u00edda, o que criou na \u00e9poca o maior grupo de varejo de eletrodom\u00e9sticos no pa\u00eds, com mais de R$ 18,5 bilh\u00f5es em faturamento bruto anual.<\/p>\n<p>Malu e Roberta, que dizem ter frequentado regularmente o escrit\u00f3rio de Klein no per\u00edodo, contam que ele teria se frustrado ap\u00f3s a fus\u00e3o. \u201cSamuel n\u00e3o estava de acordo\u201d, diz Roberta. Segundo Malu, ap\u00f3s conflitos no neg\u00f3cio, o fluxo de meninas teria ficado pior. \u201cA\u00ed o fluxo de meninas ficou mais forte. Porque a\u00ed parecia que ele queria gastar todo dinheiro do mundo. Come\u00e7ou a ir mais mulher e ele dar mais dinheiro pra todo mundo\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Surge a Via Varejo<\/strong><br \/>\nConstitu\u00edda em 2011, somente em fevereiro de 2012 o nome Via Varejo passou a existir oficialmente aos acionistas \u2014 holding que at\u00e9 hoje engloba todas as opera\u00e7\u00f5es da Casas Bahia. Quatro meses depois do an\u00fancio oficial do nome Via Varejo, o empres\u00e1rio Ab\u00edlio Diniz anunciava que o grupo franc\u00eas Casino assumiria o controle do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar (GPA).<\/p>\n<p>Em outubro, foi acertada a sa\u00edda de Raphael Klein, neto de Samuel, como CEO da Via Varejo. Segundo reportagem do Valor Econ\u00f4mico, pairava um desconforto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o dos gastos da fam\u00edlia Klein e Ab\u00edlio Diniz, s\u00f3cio do GPA, teria chamado os gastos dos Klein de \u201cdespesas ultrajantes\u201d, em uma reuni\u00e3o do conselho administrativo.<\/p>\n<p>Luiza*, que trabalhava na sede das Casas Bahia em S\u00e3o Caetano em 2012, quando a Via Varejo estava constitu\u00edda, conta que presenciou os \u00faltimos anos de Samuel Klein na empresa, onde Luiza permaneceu at\u00e9 2016: \u201cA gente dividia os elevadores com as mulheres todos os dias, tinha ascensorista para controlar, tinha seguran\u00e7as no quinto andar onde Samuel ficava e n\u00f3s funcion\u00e1rias mulheres t\u00ednhamos que andar com o crach\u00e1 \u00e0 vista, mesmo quando \u00edamos ao banheiro, para n\u00e3o sermos confundidas\u201d. Luiza lembra ainda de um protesto supostamente realizado por garotas de programa em frente \u00e0 sede, em 2012. \u201cSendo empresa de capital aberto, elas n\u00e3o podiam mais descer na loja e pegar produtos ou dinheiro do caixa. As mulheres gritavam \u2018Samuel, paga a gente!\u2019 e o Raphael Klein, neto de Samuel que na \u00e9poca era o presidente do grupo, teria sido acionado para resolver a situa\u00e7\u00e3o. Foi bem na hora do almo\u00e7o, hora de maior movimento em S\u00e3o Caetano\u201d. Ela diz que Raphael teria mandado uma pessoa para pagar as mulheres e dispersar a manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mauro*, um antigo diretor da Casas Bahia, que diz ter trabalhado na empresa na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o da Via Varejo, contou \u00e0 reportagem que frequentemente cruzava com as meninas nos corredores. \u201cAlgumas vezes era aquilo: o elevador parava, a\u00ed voc\u00ea entra, tinha um seguran\u00e7a e quatro meninas. Voc\u00ea n\u00e3o podia nem olhar para a cara delas, tinha que baixar a cabe\u00e7a e olhar pro ch\u00e3o, essa era a ordem que se tinha\u201d, diz. Segundo ele, a ordem era informal e corria no boca a boca entre os funcion\u00e1rios. \u201cElas iam pro pr\u00e9dio, pegavam o elevador, iam at\u00e9 o heliponto e iam pra Angra dos Reis, Guaruj\u00e1, Alphaville\u201d, relata.<\/p>\n<p>Bernardo*, que tamb\u00e9m foi diretor nas Casas Bahia, afirmou \u00e0 reportagem que em 2012 a pedido de Michael Klein teria feito acordos de demiss\u00e3o com seguran\u00e7as que \u201csabiam muito\u201d sobre as atividades de Samuel. Esses acordos, segundo ele, incluiram ao menos uma dezena de nomes \u201csens\u00edveis\u201d de seguran\u00e7as que estavam ganhando valores altos com horas extras. \u201cO maior problema foi que na hora que comecei a negociar com esses funcion\u00e1rios de seguran\u00e7a fui descobrir que a maioria deles dizia que n\u00e3o ia ser demitido. Se eles fossem demitidos, eles iam falar tudo que sabiam\u201d.<\/p>\n<p>Essas amea\u00e7as, segundo Bernardo, estavam relacionadas \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es que recebeu de outros seguran\u00e7as que teriam de acompanhar garotas em helic\u00f3pteros e carros. \u201cPra mim foi uma coisa totalmente absurda. Eu procurei na \u00e9poca o Michael e ele falou que o pai dele tinha um problema, tinha um desvio e que, infelizmente, ele n\u00e3o conseguia administrar isso\u201d.<\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s a fus\u00e3o e cinco ap\u00f3s a morte do rei do varejo, a fam\u00edlia Klein se mant\u00e9m nos neg\u00f3cios que envolvem as Casas Bahia. Em 2019, as a\u00e7\u00f5es do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar foram vendidas e o filho mais velho do fundador, Michael Klein, tornou-se um dos maiores acionistas individuais da Via Varejo. Segundo informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no site da companhia, Michael Klein tem, ao menos, 2,26% das a\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m \u00e9 vinculado ao fundo TWINSF, que possui outros 7,52% da empresa. Outros herdeiros do patriarca, como a filha Eva Klein, tamb\u00e9m det\u00e9m por\u00e7\u00f5es da empresa.<\/p>\n<p>Em abril de 2021, a empresa passou a se chamar \u201cVia\u201d e anunciou um novo escrit\u00f3rio em S\u00e3o Paulo, na regi\u00e3o do bairro de Pinheiros. Atualmente, o CEO da Via, Roberto Fulcherberguer, n\u00e3o possui sobrenome Klein, mas \u00e9 apontado na imprensa especializada como um executivo de confian\u00e7a da fam\u00edlia. O presidente do conselho administrativo \u00e9 Raphael Oscar Klein, neto de Samuel citado anteriormente, e que possui mandato at\u00e9 abril de 2022.<\/p>\n<p><strong>Inf\u00e2ncia roubada<\/strong><br \/>\nMalu e Paula contam ter frequentado a sede da empresa no per\u00edodo marcado pela fus\u00e3o que criou a Via Varejo. Mas ambas afirmam que somente ficaram sabendo sobre a turbul\u00eancia nos neg\u00f3cios porque eram muito pr\u00f3ximas do circuito que frequentava h\u00e1 anos as \u2018festas\u2019 de Samuel. As duas mulheres, hoje com mais de 40 anos, conheceram o empres\u00e1rio ainda meninas e contam que acabaram convivendo com o suposto esquema de explora\u00e7\u00e3o sexual por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Com 13 anos de idade, Paula vivia em situa\u00e7\u00e3o de rua e soube por uma amiga que o empres\u00e1rio dava comida de gra\u00e7a para quem fosse visit\u00e1-lo em seu apartamento no edif\u00edcio Universo Palace, em Santos, no litoral de S\u00e3o Paulo. No caso dela, a visita foi em 1983.<\/p>\n<p>Como a reportagem da Ag\u00eancia P\u00fablica j\u00e1 havia revelado, o Universo Palace \u00e9 apontado tamb\u00e9m por outras entrevistadas como um dos locais dos supostos abusos sexuais.\u00a0 No caso de Paula, ela diz que n\u00e3o demorou para perceber que junto com os lanches o empres\u00e1rio oferecia presentes e mais dinheiro \u00e0quelas que o acompanhassem at\u00e9 o quarto. Era a porta de entrada para o suposto esquema de explora\u00e7\u00e3o sexual, ela diz. \u201cEra tudo uma ilus\u00e3o, as meninas achavam que teriam um futuro, uma casa. Comigo foi assim\u201d, conta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi no apartamento do Universo Palace que Malu diz ter sofrido aos nove anos os primeiros abusos sexuais perpetrados por Samuel. Ela relata que era induzida por Kathia Lemos, a ir ao apartamento do empres\u00e1rio. \u201cEle dava umas palmadinhas na minha cara, algumas vezes pegou assim no meu corpo e no peito. Ele falava: \u2018Nem teta tem ainda, n\u00e3o tem tetinha\u2019. A\u00ed pegava dinheiro do bolso. Dava 50 pra mim, 50 pro meu irm\u00e3o e mandava a gente embora\u201d.<\/p>\n<p>Malu conta que era induzida a levar o irm\u00e3o menor junto para ganhar mais dinheiro \u2014 o empres\u00e1rio dava notas para as duas crian\u00e7as \u201cmas s\u00f3 passava a m\u00e3o em mim\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Malu afirma com tristeza que teve a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia roubadas por K\u00e1thia Lemos, que, de acordo com seu relato, a induzia a visitar o empres\u00e1rio. Segundo ela, a respons\u00e1vel pela entrada dela no suposto esquema de Samuel foi Kathia \u2014 apontada por oito pessoas como a principal agenciadora de meninas para Samuel na baixada santista.<\/p>\n<p>Ela afirma que Kathia deu dinheiro para que a menina fugisse da casa em que vivia e a acolheu. \u201cA\u00ed comecei a morar com ela [K\u00e1thia] e ela come\u00e7ou a me levar todo final de semana pra ver o Samuel. Ela viu que eu era uma menina que dava dinheiro porque eu era novinha, bonitinha\u201d.<\/p>\n<p>Com 14 anos, Malu conta que se viu imersa em uma rotina de abusos sexuais que envolvia penetra\u00e7\u00e3o vaginal em quartos reservados dos im\u00f3veis do empres\u00e1rio no entorno de Santos. Ela conta que estava presente na festa de anivers\u00e1rio de Samuel, em 1994, em v\u00eddeo revelado pela P\u00fablica onde o empres\u00e1rio aparece rodeado por dezenas de adolescentes.<\/p>\n<p><strong>\u201cEla tentou vender minha filha\u201d<\/strong><br \/>\nJoice*, outra mulher ouvida sob anonimato pela P\u00fablica, indica que era Kathia que organizava todas as comemora\u00e7\u00f5es e finais de semana do empres\u00e1rio com a presen\u00e7a de garotas. \u201cEla tentou vender a minha pr\u00f3pria filha pro Samuel\u201d, diz a mulher que afirma ter testemunhado adolescentes sendo levadas ao rei do varejo.<\/p>\n<p>Segundo as denunciantes, Kathia foi uma das pe\u00e7as centrais para o funcionamento do esquema de explora\u00e7\u00e3o sexual. \u201cAssim como de mim, ela se aproveitou de muita gente. Muita, muita\u201d, aponta Malu ao explicar que Kathia ficava com metade ou mais de todo dinheiro que Samuel entregava \u00e0s meninas. Segundo ela, Kathia permaneceria levando garotas e frequentando os im\u00f3veis do empres\u00e1rio at\u00e9 2013 \u2014 informa\u00e7\u00e3o confirmada tamb\u00e9m por outras fontes.<\/p>\n<p>\u201cEla viu que ele tinha mania de falar que queria garotas virgens. Ent\u00e3o ela mandava muitas garotas inventarem que eram virgens para tirar mais dinheiro dele\u201d, relata Malu. Al\u00e9m do dinheiro, documentos obtidos pela reportagem indicam que\u00a0 Kathia teria recebido im\u00f3veis do empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Documentos a que a P\u00fablica teve acesso registram que Kathia teria adquirido, com valor abaixo do mercado,\u00a0 direitos de dois apartamentos de Samuel Klein. Os direitos do im\u00f3veis foram transferidos a ela por meio de contratos de promessa de venda firmados em um cart\u00f3rio no munic\u00edpio de Cajamar (SP) e que posteriormente foram registrados nas matr\u00edculas dos apartamentos no 3\u00ba Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis de Santos.<\/p>\n<p>Conforme os documentos, Klein vendeu a Kathia os apartamentos 1204 e 1206, situados no 12\u00ba andar do Universo Palace, um pr\u00e9dio \u00e0 beira-mar localizado no bairro de Jos\u00e9 Menino, em Santos. Segundo os contratos e os registros na matr\u00edcula dos im\u00f3veis,\u00a0 a venda dos dois apartamentos foi realizada em junho de 1998 pelo valor de R$ 15 mil reais por cada unidade. O valor pago por Kathia equivale a aproximadamente um quarto do valor venal dos im\u00f3veis \u00e0 \u00e9poca, que possuem 110 metros quadrados, segundo as matr\u00edculas.<\/p>\n<p>O valor venal \u00e9 uma estimativa de valor feita pelas prefeituras para o c\u00e1lculo de impostos como o IPTU e costuma ficar abaixo do valor de mercado atribu\u00eddo pelas imobili\u00e1rias. Em valores atualizados at\u00e9 maio deste ano, Kathia teria pago pelo im\u00f3vel, segundo os documentos, cerca de R$ 108 mil por cada apartamento. Em an\u00fancios na internet, apartamentos no mesmo edif\u00edcio com as mesmas dimens\u00f5es dos vendidos \u00e0 Kathia est\u00e3o \u00e0 venda por aproximadamente R$ 400 mil.<\/p>\n<p>Procurado pela P\u00fablica, o presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Im\u00f3veis de S\u00e3o Paulo), Jos\u00e9 Viana Neto, afirma que n\u00e3o \u00e9 incomum esse tipo de transa\u00e7\u00e3o. \u201cQuanto ao valor, ele pode ser acima, abaixo, ou o pr\u00f3prio valor venal\u201d, disse Viana, sem ter acesso aos documentos. Segundo ele, transa\u00e7\u00f5es deste tipo justificam-se quando o im\u00f3vel tem custos de manuten\u00e7\u00e3o elevados, como condom\u00ednio ou IPTU. Os documentos, por\u00e9m, mostram que as transa\u00e7\u00f5es n\u00e3o geraram lucro financeiro a Samuel.<\/p>\n<p>Segundo Joice, os apartamentos teriam sido cedidos em troca dos servi\u00e7os de agenciamento de meninas feitos por Kathia Lemos. \u201cEla ganhou muito dinheiro com as meninas que ela levava pra ele [Samuel]. O Samuel deixou ela bem, deu pra ela os apartamentos [no Universo Palace]\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Primeira vez aos 13<\/strong><br \/>\nMonique* morava no s\u00e9timo andar do Universo Palace no final dos anos 1980. Em 1987, ela veio da regi\u00e3o sul do pa\u00eds com a m\u00e3e e o irm\u00e3o para morar em Santos ap\u00f3s o falecimento do av\u00f4 alguns anos antes. \u201cMinha m\u00e3e achava que conseguiria emprego f\u00e1cil porque era uma cidade tur\u00edstica\u201d, relembra. A expectativa n\u00e3o se cumpriu da maneira como a fam\u00edlia imaginava. Vi\u00fava e com a responsabilidade de criar os dois filhos sozinha, a m\u00e3e dela s\u00f3 conseguiu emprego em um bingo longe da praia, na \u00e1rea mais central da cidade. Com o dinheiro que recebia, conseguiu alugar um kitnet no Universo Palace. \u201cO dinheiro dela mal dava pro aluguel. A gente vivia muita dificuldade\u201d, diz Monique.<\/p>\n<p>Foi no ano de 1989, quando Monique tinha 13 anos, que sua m\u00e3e veio com a proposta de ir aos \u201ccaf\u00e9s da manh\u00e3\u201d que Samuel promovia no 12\u00ba andar. Segundo ela, a m\u00e3e soube que Samuel distribu\u00eda dinheiro e cestas b\u00e1sicas nessas ocasi\u00f5es e tentou comparecer a uma delas, mas n\u00e3o foi autorizada a entrar. \u201cEla ficou sabendo que ele [Samuel] n\u00e3o aceitava mulheres, ele s\u00f3 aceitava meninas. A gente tinha a vantagem de ter livre acesso l\u00e1, n\u00e9, porque a gente morava no pr\u00e9dio e l\u00e1 tinha sempre muita fila, muita gente tentando entrar. Um belo dia ela [a m\u00e3e] me chamou, falou que ia me apresentar pra uma pessoa. A gente subiu no 12\u00ba andar, ela mandou chamar um seguran\u00e7a no corredor e falou que queria me apresentar pra ele [Samuel]. Ele falou que tudo bem, que era pra eu entrar e fazer um lanchinho. Como eu era uma menina, eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Quando entrou, Monique conta que Samuel a cumprimentou com um selinho, colocou a m\u00e3o em seus seios e perguntou se ela era virgem. Ela diz que esse primeiro epis\u00f3dio ocorreu justamente no apartamento 1206 do Universo Palace, o mesmo que pertenceu a Samuel e que foi vendido a Kathia cerca de dez anos depois. Segundo ela, havia v\u00e1rias outras meninas na mesma ocasi\u00e3o. Ao fim do caf\u00e9, ela saiu de l\u00e1 levando uma quantia em dinheiro e uma cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<p>\u201cA minha m\u00e3e imp\u00f4s pra mim que eu tinha que continuar indo [aos eventos e festas de Samuel], porque al\u00e9m do dinheiro, ele dava cesta b\u00e1sica, dava presentes. N\u00f3s est\u00e1vamos passando por um momento bem dif\u00edcil\u201d, refor\u00e7a Monique.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, ela passou a frequentar semanalmente os eventos no apartamento de Samuel. Segundo ela, frequentemente ele chegava ao pr\u00e9dio \u00e0s quintas-feiras e ficava at\u00e9 o domingo recebendo as meninas e distribuindo presentes, dinheiro e cestas b\u00e1sicas. \u201cTodo mundo sabia o que acontecia, todo mundo via e ningu\u00e9m falava nada. Era uma coisa considerada normal\u201d, diz. Foi em um desses eventos que ela foi chamada por Samuel para ir a uma festa em sua casa, no Guaruj\u00e1 (SP).<\/p>\n<p>\u201cNaquela semana, ele chegou numa quinta-feira \u00e0 noite e convidou algumas meninas na casa dele para ir a uma festa no Guaruj\u00e1. A gente saiu de carro no dia seguinte pra ir pra casa dele no Guaruj\u00e1, fomos em v\u00e1rias meninas, eu era a \u00fanica do pr\u00e9dio\u201d. Chegando l\u00e1, ela diz que acompanhou outras meninas em um passeio de lancha. Na volta do passeio, sentou-se \u00e0 mesa para almo\u00e7ar. Terminada a refei\u00e7\u00e3o, Samuel escolheu um grupo de meninas para acompanh\u00e1-lo ao quartinho que ficava pr\u00f3ximo \u00e0 piscina da casa. Monique estava entre as escolhidas e conta que foi submetida a rela\u00e7\u00f5es sexuais com o empres\u00e1rio. \u201cEu fiquei espantada, era a primeira vez que eu vivia aquilo. Ele dizia pras outras meninas: \u2018Voc\u00eas t\u00eam que ensinar ela, porque ela n\u00e3o sabe de nada ainda\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Aquela foi a primeira ocasi\u00e3o em que Monique foi violentada sexualmente pelo empres\u00e1rio, contou. Mas, segundo ela, n\u00e3o foi a \u00faltima. Ela relata que frequentou os caf\u00e9s e festas de Samuel em Santos e no Guaruj\u00e1 dos 13 aos 17 anos e que passou pela mesma situa\u00e7\u00e3o em outras ocasi\u00f5es. Seguiu frequentando os eventos mesmo quando ficou gr\u00e1vida de um ex-namorado, aos 16 anos, mas ressalta que no per\u00edodo da gravidez n\u00e3o foi submetida aos abusos apesar de continuar sendo convidada para frequentar as festas. O mart\u00edrio s\u00f3 terminou quando ela retornou ao sul do pa\u00eds para morar com a av\u00f3, contou. Assim como outras denunciantes, diz que recebeu de Samuel vales para retirar produtos nas Casas Bahia. O \u00faltimo produto que se recorda de ter pego foi um velotrol, um presente para a filha que retirou com um vale na Casas Bahia do bairro do Gonzaga, em Santos.<\/p>\n<p>Alexandre*, o irm\u00e3o mais novo de Monique, confirma o relato da irm\u00e3. Ele \u00e9 o \u00fanico que sabe sobre as experi\u00eancias da irm\u00e3 com o empres\u00e1rio. Ele diz que muitas vizinhas do Universo Palace compareciam \u00e0s festas de Samuel. Afirma que chegou a comparecer a festas que Samuel promovia para crian\u00e7as de ambos os sexos em datas especiais como a P\u00e1scoa, o Carnaval, o Natal e o Dia das Crian\u00e7as. Relata que ia com os amigos e que comia e bebia \u00e0 vontade, mas que os presentes eram reservados \u00e0s meninas. Conta que em outras ocasi\u00f5es acompanhava a irm\u00e3 para ajud\u00e1-la a carregar as cestas b\u00e1sicas. \u201cNa \u00e9poca, ningu\u00e9m sabia o que era ass\u00e9dio sexual. Hoje em dia a gente sabe que ele fazia as festas na casa dele para assediar, mas na \u00e9poca todo mundo achava que ele era uma pessoa boa\u201d. \u201cHoje em dia a gente sabe que ele tava se aproveitando\u201d, relata.<\/p>\n<p>Monique ainda reconheceu a suposta agenciadora Kathia Lemos em uma fotografia. \u201cEra uma mo\u00e7a que sempre estava nos apartamentos dele nesses caf\u00e9s que ele fazia. Eu pensava que era uma empregada dom\u00e9stica, porque ela estava sempre arrumando o apartamento, mas eu estranhava porque ela estava sempre muito bem vestida e coberta de joias\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, Kathia Lemos negou as acusa\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas a ela. Ela n\u00e3o respondeu a nenhuma das perguntas enviadas pela P\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Outro lado<\/strong><br \/>\nA reportagem tamb\u00e9m procurou Michael Klein, filho mais velho de Samuel e acionista na Via, que declarou atrav\u00e9s de sua assessoria que n\u00e3o vai se manifestar sobre o caso.<\/p>\n<p>A reportagem pediu ainda para que o neto de Samuel, Raphael Klein, se posicionasse com rela\u00e7\u00e3o ao epis\u00f3dio citado por uma entrevistada que se refere a um suposto protesto em frente \u00e0 sede das Casas Bahia em 2012. Em nota, ele diz:\u00a0 \u201cEm aten\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica, e especialmente a toda e qualquer pessoa que j\u00e1 tenha sofrido algum mal ou viol\u00eancia de g\u00eanero, asseguro que repudio qualquer tipo de pr\u00e1ticas ilegais ou de abuso ou ass\u00e9dio a menores de idade e mulheres. Objetivamente quanto aos questionamentos recebidos, esclare\u00e7o que jamais estive gerenciando qualquer protesto em frente \u00e0 sede das Casas Bahia e desconhe\u00e7o quem eram as pessoas participantes, bem como nunca tive conhecimento quanto \u00e0 indevida utiliza\u00e7\u00e3o das depend\u00eancias da Casas Bahia para quaisquer fins esp\u00farios. Por fim, recha\u00e7o, veementemente, toda e qualquer vincula\u00e7\u00e3o de meu nome a situa\u00e7\u00f5es com as quais nunca tive nenhum envolvimento\u201d<\/p>\n<p>Procurado, o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar afirmou que \u201cn\u00e3o tem como comentar quest\u00f5es as quais n\u00e3o tem conhecimento ou fatos anteriores \u00e0 sua gest\u00e3o. O Grupo reitera, ainda, que tem como princ\u00edpio o respeito \u00e0s leis, o compromisso com a \u00e9tica e com a integridade. O C\u00f3digo de \u00c9tica da companhia repudia veementemente qualquer ato de viol\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio\u201d<\/p>\n<p>Procurada, a Via Varejo afirmou: \u201cEsclarecemos que nenhum membro da fam\u00edlia Klein nunca exerceu qualquer papel de controle na Via, holding que opera a Casas Bahia e foi constitu\u00edda em 2011 tendo como acionista controlador a Companhia Brasileira de Distribui\u00e7\u00e3o (CBD) \u2013 empresa que administra o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar -, portanto, j\u00e1 sem a fam\u00edlia no controle. Cabe esclarecer que no processo de forma\u00e7\u00e3o da holding, foi realizada a forma\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, a \u201cNova Casas Bahia\u201d, que passou a ser administrada pela Via e detinha ativos e passivos relacionados \u00fanica e exclusivamente ao varejo, como a marca, centros de distribui\u00e7\u00e3o, estoque, contratos de loca\u00e7\u00e3o e contratos de trabalho, por exemplo.<\/p>\n<p>Paralelamente, a antiga Casas Bahia Comercial LTDA \u2014 esta sim pertencente a membros da fam\u00edlia Klein \u2014 ficou com ativos e passivos n\u00e3o relacionados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de varejo: im\u00f3veis para loca\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o em sociedades exclusivamente patrimoniais (e n\u00e3o operacionais), todas as aeronaves, helic\u00f3pteros e hangares, determinados passivos e provis\u00f5es identificados pelas partes.\u00a0 Portanto, a Via n\u00e3o possui e nunca possuiu helic\u00f3pteros em seus ativos.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente importante esclarecer que, desde junho de 2019, quando a CBD vendeu a totalidade de sua participa\u00e7\u00e3o no capital social da Via, a holding passou a ser uma corpora\u00e7\u00e3o independente, sem acionista controlador, como mostra a nossa estrutura societ\u00e1ria: https:\/\/ri.viavarejo.com.br\/governanca-corporativa\/estrutura-societaria\/. Dessa forma, n\u00e3o comentamos sobre casos que possam ter ocorrido em per\u00edodo anterior ao da atual gest\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>A Via \u00e9 muito clara em seus valores e princ\u00edpios de conduta. Repudiamos veementemente qualquer conduta que afronte, viole ou desrespeite a dignidade da pessoa humana, a igualdade de g\u00eaneros ou os direitos da mulher. Nosso c\u00f3digo de \u00e9tica, distribu\u00eddo para todos os nossos colaboradores, \u00e9 o guia que regula todas as a\u00e7\u00f5es da empresa, sendo sua aplica\u00e7\u00e3o acompanhada por auditorias independentes.<\/p>\n<p>Somos ainda signat\u00e1rios de diversos acordos e compromissos que oferecem par\u00e2metros institucionais para nossas estrat\u00e9gias de responsabilidade corporativa, como, por exemplo: Princ\u00edpios de Empoderamento das Mulheres, elaborado pela ONU Mulheres; Coaliz\u00e3o Empresarial de Luta pelo Fim da Viol\u00eancia contra Mulheres e Meninas, liderado pela Avon, ONU Mulheres e Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral;\u00a0 Coaliz\u00e3o Empresarial para Equidade Racial e de G\u00eanero, liderado pelo Instituto Ethos, Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e Institute for Human Rights and Business (IHRB), com apoio do Movimento Mulher 360 e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas ou para proteger nomes de fontes<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDepois do almo\u00e7o a gente sentava e ele mandava colocar o filme. 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