{"id":262070,"date":"2021-07-09T11:29:34","date_gmt":"2021-07-09T14:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=262070"},"modified":"2021-07-09T11:29:34","modified_gmt":"2021-07-09T14:29:34","slug":"estudo-liga-mortandade-de-peixes-a-hidreletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-liga-mortandade-de-peixes-a-hidreletricas\/","title":{"rendered":"Estudo liga mortandade de peixes a hidrel\u00e9tricas"},"content":{"rendered":"<p>A opera\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas est\u00e1 relacionada \u00e0 morte de toneladas de peixes nos \u00faltimos 10 anos em todo o Brasil, segundo apontou estudo da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM) e das universidades federais do Par\u00e1 (UFPA) e de Tocantins (UFT), publicado na revista Neotropical Ichthyology nesta sexta-feira (9).<\/p>\n<p>Os pesquisadores investigaram 251 eventos de mortandade de peixes de \u00e1gua doce registrados em todas as bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras, em rios e reservat\u00f3rios, revisando casos ocorridos entre 2010 e 2020. Esses eventos foram registrados principalmente em trechos de rios abaixo de usinas hidrel\u00e9tricas. Em 2007, no reservat\u00f3rio da hidrel\u00e9trica de Xing\u00f3, localizada entre os estados de Alagoas e Sergipe, foram perdidas 297 toneladas de til\u00e1pia, conforme cita o estudo.<\/p>\n<p>O estudo cita que, desde os anos 1970, houve um decl\u00ednio de 84% das esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce no mundo, segundo relat\u00f3rio de 2018 da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental World Wide Fund For Nature (WWF).<\/p>\n<p><strong>Impacto ambiental<\/strong><br \/>\nApesar de a gera\u00e7\u00e3o de energia a partir de hidrel\u00e9tricas ser vista como limpa e renov\u00e1vel, a mortandade em massa dos peixes em \u00e1reas de hidrel\u00e9tricas foi associada a suas opera\u00e7\u00f5es. De acordo com o estudo, o enchimento do reservat\u00f3rio das usinas, o ligamento e o desligamento de suas turbinas e a abertura e o fechamento das comportas de vertedouros causam mudan\u00e7as repentinas no ambiente, que tem impactos negativos para os cardumes.<\/p>\n<p>Esses fatores, que fazem parte da opera\u00e7\u00e3o regular das hidrel\u00e9tricas, afetam a quantidade de oxig\u00eanio e de outros elementos na \u00e1gua, al\u00e9m da quantidade de \u00e1gua nos rios, o que pode levar \u00e0 morte dos peixes. Al\u00e9m de impacto ambiental e risco \u00e0 biodiversidade, esses eventos levam a impactos sociais e econ\u00f4micos para as popula\u00e7\u00f5es de pescadores e ribeirinhos que dependem da pesca para viver.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo apontam que a abertura das comportas para liberar \u00e1gua do reservat\u00f3rio, seja para regular a vaz\u00e3o do rio ou para facilitar o funcionamento das turbinas com a remo\u00e7\u00e3o de plantas aqu\u00e1ticas, por exemplo, \u00e9 uma das principais atividades relacionadas aos eventos de mortandade de peixes. O lan\u00e7amento de \u00e1gua pode levar \u00e0 supersatura\u00e7\u00e3o de gases na \u00e1gua, que pode levar os peixes \u00e0 morte.<\/p>\n<p>\u201cUma manobra r\u00e1pida do vertedouro pode levar a uma grande mortandade, porque leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de supersatura\u00e7\u00e3o. A \u00e1gua que desce pelo vertedouro mergulha fundo. E, quando ela leva ar l\u00e1 para o fundo, 20 metros de profundidade, esse ar atmosf\u00e9rico dissolve e voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea bolhas, \u00e9 como se fosse uma \u00e1gua com g\u00e1s dentro da garrafa sem abrir, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nada. Quando chega na superf\u00edcie, essas bolhas v\u00e3o se juntando e formando bolhas maiores e vis\u00edveis. A principal mortandade ocorre no p\u00e9 da barragem, no local em que essas \u00e1guas supersaturadas se espalham mais\u201d, explicou Angelo Antonio Agostinho, pesquisador da UEM e um dos autores do estudo. O vertedouro tem a fun\u00e7\u00e3o descarregar toda a \u00e1gua n\u00e3o utilizada para gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pesquisador relatou que, geralmente, os peixes se acumulam no p\u00e9 das barragens porque eles s\u00e3o atra\u00eddos pela corrente e sua movimenta\u00e7\u00e3o normalmente \u00e9 contra a corrente. Diante disso, qualquer situa\u00e7\u00e3o que aconte\u00e7a na barragem acaba afetando esses peixes, e a supersatura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p><strong>Per\u00edodos de seca<\/strong><br \/>\nA alta mortandade de peixes tamb\u00e9m pode ser associada ao fechamento de comportas, que ocorrem, em geral, na esta\u00e7\u00e3o seca, quando o reservat\u00f3rio tem redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de \u00e1gua. Mudan\u00e7as repentinas nesse contexto afetam a quantidade de \u00e1gua a jusante, o que pode levar \u00e0 morte de peixes abaixo da barragem especialmente quando os peixes permanecem presos em piscinas, sob condi\u00e7\u00f5es de baixa oxigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente acontece essa morte quando eles fecham a unidade geradora [de energia], baixam a comporta, para poder escoar a \u00e1gua que tem dentro, geralmente para fazer manuten\u00e7\u00e3o. Durante esse fechamento, pode ficar muito peixe l\u00e1 dentro e eles consumirem o oxig\u00eanio e acabarem morrendo. Essa \u00e9 uma maneira que tem morrido muito peixe no Brasil. E a outra maneira \u00e9 supersatura\u00e7\u00e3o mesmo. Eu atribuo a essas duas as principais fontes de morte de peixe em barragem no Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o e planejamento<\/strong><br \/>\nAgostinho afirma que o in\u00edcio do funcionamento de uma usina hidrel\u00e9trica, quando as m\u00e1quinas est\u00e3o sendo testadas para garantir que foram corretamente projetadas, fabricadas, instaladas e operadas, \u00e9 uma oportunidade para avaliar se suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e operacionais est\u00e3o afetando os peixes da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o do impacto das \u00e1guas que descem pelo vertedouro, apontada no estudo, \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de defletores de fluxo para redirecionar a \u00e1gua vertida horizontalmente, tornando o jato superficial, prevenindo que bolhas mergulhem para o fundo da bacia de dissipa\u00e7\u00e3o, e, dessa forma, minimizar a supersatura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, um dos objetivos do estudo \u00e9 fornecer informa\u00e7\u00f5es para orientar a tomada de decis\u00f5es nas vistorias e planejamento da instala\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas a fim de evitar a morte de peixes.<\/p>\n<p>\u201cOs \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental devem contemplar, no termo de refer\u00eancia no processo de licenciamento hidrel\u00e9trico, a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais relacionados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das estruturas hidr\u00e1ulicas (vertedouro e turbinas). Deve-se considerar o projeto do vertedouro, caracter\u00edsticas da bacia de dissipa\u00e7\u00e3o de energia, al\u00e9m de facilidades para aera\u00e7\u00e3o e acesso aos compartimentos das turbinas\u201d, conclu\u00edram os pesquisadores no artigo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, eles apontam que o momento de testes das estruturas das hidrel\u00e9tricas para garantir que foram corretamente projetadas, fabricadas, instaladas e operadas, \u00e9 uma grande oportunidade para avaliar se suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e operacionais t\u00eam impacto negativo no conjunto de peixes da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, se a energia da queda d&#8217;\u00e1gua de uma barragem n\u00e3o \u00e9 dissipada, outros problemas &#8211; como eros\u00e3o &#8211; podem ocorrer. Esse fator p\u00f5e em risco a seguran\u00e7a da instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel utilizar mecanismos para fazer a dissipa\u00e7\u00e3o, afirma. \u201cIsso \u00e9 poss\u00edvel, tanto que nem todas as usinas t\u00eam esse problema hoje. Itaipu \u00e9 uma usina enorme e n\u00e3o tem esse problema. Ent\u00e3o a supersatura\u00e7\u00e3o pode ser resolvida com cuidados na opera\u00e7\u00e3o ou pode ser resolvida com mudan\u00e7as na estrutura.\u201d<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas e Energia disse, em nota, que n\u00e3o pode se posicionar, pois n\u00e3o teve acesso ao estudo citado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A opera\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas est\u00e1 relacionada \u00e0 morte de toneladas de peixes nos \u00faltimos 10 anos em todo o Brasil, segundo apontou estudo da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM) e das universidades federais do Par\u00e1 (UFPA) e de Tocantins (UFT), publicado na revista Neotropical Ichthyology nesta sexta-feira (9). 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