{"id":262086,"date":"2021-07-09T12:49:24","date_gmt":"2021-07-09T15:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=262086"},"modified":"2021-07-09T13:13:18","modified_gmt":"2021-07-09T16:13:18","slug":"povo-que-elege-com-folga-e-o-mesmo-que-expurga-com-louvor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/povo-que-elege-com-folga-e-o-mesmo-que-expurga-com-louvor\/","title":{"rendered":"Povo que elege com folga \u00e9 o mesmo que expurga com louvor"},"content":{"rendered":"<p>Como disse e repetiu um mito da M\u00fasica Popular Brasileira, o artista tem de ir aonde o povo est\u00e1. Como no futebol, essa regra \u00e9 clara. Os n\u00fameros n\u00e3o perdoam quando o astro da companhia resolve fugir da norma e cantar ou interpretar somente para a meia d\u00fazia de f\u00e3s fanatizados pelas baboseiras que ele produz. A\u00ed, fica claro quem manda. O pov\u00e3o, tamb\u00e9m chamado de eleitor, n\u00e3o perdoa. A corda come\u00e7a a apertar, o calo passa a doer, a honestidade escoa pelo ralo, as raspadinhas aparecem, os adjetivos povoam o imagin\u00e1rio popular e a suposta popularidade desce ladeira abaixo. Nada pior do que isso para qualquer ser humano que sonhou um dia ser coroado rei de um pa\u00eds de faz de conta. Talvez uma na\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o, na qual o imperador n\u00e3o admite ser contrariado ou que algum de seus s\u00faditos tenha posi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u00c9 o Brasil de hoje. \u00c9 o arremedo de p\u00e1tria que ser\u00e1 entregue ao pr\u00f3ximo governante. Desde que seja realmente entregue, tudo bem. O risco \u00e9 que a pouca intelig\u00eancia, o despreparo, a indecis\u00e3o, a incompet\u00eancia e o autoritarismo sejam transformados em golpe eleitoral. Ali\u00e1s, parafraseando o desrespeito do pr\u00f3prio comandante, que, com seu vocabul\u00e1rio escatol\u00f3gico, disse ter &#8220;cagado para a CPI&#8221;, a aprova\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o em curso \u00e9 como rolo de papel higi\u00eanico: diminui a cada uma delas. O novo jarg\u00e3o oficial foi em resposta a um singelo of\u00edcio do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), requerendo de sua excel\u00eancia a confirma\u00e7\u00e3o ou negativa da den\u00fancia do deputado Luiz Miranda (DEM-DF) e do irm\u00e3o, Lu\u00eds Ricardo Miranda, servidor do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, sobre supostas irregularidades na compra da vacina Covaxin. O documento tamb\u00e9m pedia informa\u00e7\u00f5es a respeito do envolvimento do l\u00edder do governo na C\u00e2mara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).<\/p>\n<p>Apenas isso. Preferindo &#8220;cagar&#8221; para a solicita\u00e7\u00e3o, esqueceu que at\u00e9 os ap\u00f3stolos deviam obedi\u00eancia ao irm\u00e3o Jesus, que nada fez sem a anu\u00eancia de Deus, o Pai de todos. Blasf\u00eamias \u00e0 parte, a verdade \u00e9 que nunca antes na hist\u00f3ria deste pa\u00eds um governante esteve t\u00e3o acuado por conta de uma den\u00fancia. Repito, acuado. \u00c9 claro que pelo menos outros quatro sofreram devassas piores. Ocorre que nenhum deles tinha atestado de honestidade registrado em cart\u00f3rio. Eram pol\u00edticos e pol\u00edtica normais, consequentemente sujeitos a erros como qualquer mortal. Jamais disseram que nunca fariam nada para manchar a imagem do pa\u00eds. Fizeram, mancharam, n\u00e3o se arrependeram, foram perdoados \u2013 n\u00e3o inocentados \u2013 e alguns continuam nos representando no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Outros tentam voltar e, se n\u00e3o houver um cataclisma, certamente voltar\u00e3o. N\u00e3o tenho respostas para isso, mas o povo gosta de quem \u00e9 honesto at\u00e9 na desonestidade. Quem sabe um dia Freud ressuscite e nos d\u00ea uma explica\u00e7\u00e3o a respeito desse carinho popular com falta com a verdade. Mais uma vez sou obrigado a recorrer \u00e0 m\u00e1xima do imperador romano J\u00falio C\u00e9sar. Em 62 a.C, mesmo sem provar a trai\u00e7\u00e3o da esposa Pompeia, ele pediu o div\u00f3rcio sob o singular argumento de que &#8220;a mulher de C\u00e9sar n\u00e3o basta ser honesta, deve parecer honesta&#8221;. O pre\u00e7o do pouco caso com o Parlamento, dos arroubos contra as institui\u00e7\u00f5es e do \u00f3dio com o povo que n\u00e3o o quer mais n\u00e3o \u00e9 baixo. Com dezenas de pedidos de impeachment para impedir, a depend\u00eancia do Centr\u00e3o de Arthur Lira (PP-AL) e de Ricardo Barros e o decl\u00ednio nas pesquisas devem custar caro.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o mito est\u00e1 entre a cruz amea\u00e7adora do afastamento e a espada afiada do povo em outubro de 2022. Livrar-se da amea\u00e7a depende do humor dos integrantes do bloc\u00e3o do toma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1, muitos deles atolados at\u00e9 a alma no lama\u00e7al da corrup\u00e7\u00e3o. Ainda mais dif\u00edcil ser\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o do prest\u00edgio para retomada da temporada de ca\u00e7a aos votos. Haja o que houver e mantidas as investiga\u00e7\u00f5es sobre desvios de conduta contra o governo, imposs\u00edvel imaginar uma campanha oficial capaz de limpar, lustrar e perfumar a forma de fazer pol\u00edtica respons\u00e1vel pela elei\u00e7\u00e3o do atual governante. Em s\u00edntese, o povo que elege com folga \u00e9 o mesmo que cobra e expurga com louvor.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como disse e repetiu um mito da M\u00fasica Popular Brasileira, o artista tem de ir aonde o povo est\u00e1. Como no futebol, essa regra \u00e9 clara. 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