{"id":262927,"date":"2021-07-15T16:12:12","date_gmt":"2021-07-15T19:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=262927"},"modified":"2021-07-15T16:33:54","modified_gmt":"2021-07-15T19:33:54","slug":"cpi-da-pandemia-avanca-contra-os-coroneis-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cpi-da-pandemia-avanca-contra-os-coroneis-da-saude\/","title":{"rendered":"CPI da Pandemia avan\u00e7a contra os coron\u00e9is da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, disse nesta quinta (15), em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia, que foi procurado pelo ent\u00e3o diretor de Log\u00edstica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Roberto Dias, para tratar da compra de vacinas.<\/p>\n<p>O nome de Cristiano Carvalho foi citado durante depoimento \u00e0 CPI pelo policial militar e vendedor aut\u00f4nomo da Davati Luiz Paulo Dominguetti. Na ocasi\u00e3o, Dominguetti relatou atuar nas tratativas para a venda de 400 milh\u00f5es de doses da vacina da AstraZeneca ao governo federal em nome da empresa Davati e que Dias teria pedido propina de US$ 1 por dose. Em depoimento \u00e0 CPI, o ex-diretor negou ter pedido vantagens para a aquisi\u00e7\u00e3o de vacina contra a covid-19.<\/p>\n<p>Carvalho disse que Dias come\u00e7ou a mandar mensagens para ele em 3 de mar\u00e7o. Nas mensagens, Dias se apresentava como diretor de Log\u00edstica do minist\u00e9rio e pedia uma conversa. Foram v\u00e1rias mensagens e duas liga\u00e7\u00f5es via aplicativo de mensagens.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o retornei a primeira mensagem. Eu estava absolutamente incr\u00e9dulo que era um funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade entrando em contato comigo. Ele se apresentou como diretor de Log\u00edstica e eu fui checar, estava achando que era fake news\u201d, disse.<\/p>\n<p>Carvalho tamb\u00e9m contou que come\u00e7ou a ter contato com Dominguetti em fevereiro, quando o policial militar disse estar interessado na compra de vacinas. O representante da Davati tamb\u00e9m afirmou n\u00e3o saber como Dominguetti teve acesso a Dias para negociar vacinas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre fui incr\u00e9dulo [em rela\u00e7\u00e3o \u00e0] comercializa\u00e7\u00e3o de vacinas. Nunca dei muita aten\u00e7\u00e3o para isso, comecei a dar um pouco de aten\u00e7\u00e3o quando come\u00e7aram a chegar a mim contatos oficiais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e-mails, telefonemas. A\u00ed, comecei a dar maior aten\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Durante seu depoimento, Carvalho tamb\u00e9m leu uma carta enviada por Herman Cardenas, presidente da Davati nos EUA, para o ent\u00e3o secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Elcio Franco. O documento apresentava a vacina da Johnson &amp; Johnson como uma solu\u00e7\u00e3o &#8220;mais econ\u00f4mica e com menor prazo de entrega para o governo brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Carvalho tamb\u00e9m relatou o encontro de que participou no Instituto For\u00e7a Brasil, presidido pelo coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, na qual estavam presentes o reverendo Amilton Gomes, presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanit\u00e1rios (Senah) e representante do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Segundo Carvalho, ap\u00f3s a reuni\u00e3o, Dominguetti usou o termo \u201ccomissionamento\u201d para falar sobre o suposto pedido de propina.<\/p>\n<p>\u201cEle se referiu a esse comissionamento como vindo do grupo do tenente-coronel Blanco [coronel Marcelo Blanco, ex-diretor substituto do Departamento de Log\u00edstica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade] e a pessoa que tinha apresentado ele ao Blanco, chamada Odilon\u201d, disse.<\/p>\n<p>Carvalho tamb\u00e9m disse que se reuniu com Elcio Franco para tratar da venda das vacinas e que a reuni\u00e3o foi intermediada pelo coronel Helcio Almeida. Ele disse ainda deu um of\u00edcio para que o reverendo Amilton Gomes representasse a Davati na opera\u00e7\u00e3o de compra das vacinas. Questionado sobre a remunera\u00e7\u00e3o para o reverendo, Carvalho disse que Amilton tinha essas tratativas com Dominguetti e que o pagamento estava sendo chamado de \u201cbenef\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>O l\u00edder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), destacou que as tratativas n\u00e3o foram para frente e que n\u00e3o foi pago nenhum valor. \u201cEstou aqui constrangido com os di\u00e1logos que est\u00e3o sendo mostrados e que citam v\u00e1rias pessoas do minist\u00e9rio. Mas fa\u00e7o a observa\u00e7\u00e3o de que essas negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram pra frente, n\u00e3o se comprou uma dose de vacina\u201d, disse.<\/p>\n<p>O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), lembrou que Franco, quando era secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foi designado como um dos \u00fanicos respons\u00e1veis pela compra de imunizantes. Para Aziz, o comportamento de Franco foi diferente na negocia\u00e7\u00e3o de outras vacinas como a Pfizer e a CoronaVac.<\/p>\n<p>Davati<br \/>\nInicialmente, Carvalho relatou aos senadores n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o com a Davati e que a empresa n\u00e3o possui opera\u00e7\u00e3o no Brasil, apenas nos Estados Unidos, no estado do Texas. Questionado pelos senadores, Carvalho disse ter uma carta de representa\u00e7\u00e3o da empresa para atuar no Brasil, mas que o documento n\u00e3o teria valor legal.<\/p>\n<p>\u201cTeoricamente n\u00e3o \u00e9 um contrato, eu tenho poderes limitados para representar a empresa no Brasil e eventualmente fazer neg\u00f3cios\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, disse nesta quinta (15), em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Pandemia, que foi procurado pelo ent\u00e3o diretor de Log\u00edstica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Roberto Dias, para tratar da compra de vacinas. 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