{"id":263161,"date":"2021-07-17T11:42:24","date_gmt":"2021-07-17T14:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263161"},"modified":"2021-07-17T15:44:31","modified_gmt":"2021-07-17T18:44:31","slug":"onca-pintada-volta-a-aparecer-na-serra-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/onca-pintada-volta-a-aparecer-na-serra-do-mar\/","title":{"rendered":"On\u00e7a-pintada volta a aparecer na Serra do Mar paranaense"},"content":{"rendered":"<p>Uma cena rara chamou a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Paran\u00e1. \u00c9 o registro de uma on\u00e7a pintada e seu filhote na regi\u00e3o da Serra do Mar paranaense. As imagens, que foram gravadas em janeiro, mas divulgados esta semana, indicam que o habitat desse animal est\u00e1 recuperando as condi\u00e7\u00f5es para sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>O registro, feito por meio de uma armadilha fotogr\u00e1fica, \u00e9 resultado de um monitoramento em 17 mil quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) de Mata Atl\u00e2ntica entre os estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. A \u00e1rea, 11 vezes o tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo, integra a Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica, o maior remanescente cont\u00ednuo do bioma no Brasil.<\/p>\n<p>O trabalho faz parte do Programa Grandes Mam\u00edferos da Serra do Mar, que tem o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio. O programa, lan\u00e7ado oficialmente em novembro do ano passado, tem o objetivo de gerar dados para subsidiar planos de conserva\u00e7\u00e3o da anta (Tapirus terrestris), da queixada (Tayassu pecari), al\u00e9m da on\u00e7a-pintada (Panthera onca).<\/p>\n<p>\u201cA gente tem uma rede de apoio de monitoramento, com atores que vivem na regi\u00e3o. O registro foi de um dos nosso atores que monitora a unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Dentro desse monitoramento apareceu essa f\u00eamea com o filhote, o que mostra que a regi\u00e3o \u00e9 adequada para a ocorr\u00eancia da on\u00e7a. Tamb\u00e9m \u00e9 um sinal de que o bicho est\u00e1 se reproduzindo na regi\u00e3o e isso \u00e9 um bom indicativo para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o bi\u00f3logo Roberto Fusco.<\/p>\n<p>Fusco \u00e9 membro da Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (RECN) e tamb\u00e9m respons\u00e1vel t\u00e9cnico do programa. Segundo o especialista, o monitoramento de esp\u00e9cies amea\u00e7adas gera informa\u00e7\u00f5es para planejamento de conserva\u00e7\u00e3o e ajuda a criar estrat\u00e9gias mais efetivas para prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es desses animais.<br \/>\nO bi\u00f3logo tamb\u00e9m destaca que esse tipo de atividade \u00e9 importante para apoiar tomadores de decis\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e manejo a n\u00edvel territorial em um dos maiores remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>On\u00e7a-pintada<\/strong><br \/>\nPesando entre 60 e 160 quilos, a on\u00e7a-pintada \u00e9 uma das esp\u00e9cies-s\u00edmbolo do Brasil, ilustrando, inclusive, a c\u00e9dula de 50 reais. Apesar disso, a esp\u00e9cie, que \u00e9 o maior felino das Am\u00e9ricas e o terceiro do mundo, corre s\u00e9rio risco de desaparecer na Mata Atl\u00e2ntica, por j\u00e1 ter perdido 85% de seu habitat. Estima-se que atualmente o n\u00famero seja inferior a 300 indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo lembra que as armadilhas fotogr\u00e1ficas colocadas em campo j\u00e1 haviam registrado f\u00eameas da esp\u00e9cie, mas que at\u00e9 o registro feito no in\u00edcio do ano, os pesquisadores n\u00e3o tinham informa\u00e7\u00f5es sobre a capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o a gente tinha registrado f\u00eameas e, com esse registro da m\u00e3e e o filhote, a gente confirmou que a esp\u00e9cie est\u00e1 se reproduzindo\u201d, relatou Fusco. Segundo o especialista, o filhote aparenta ser um pouco mais velho. \u201cEm geral, os filhotes ficam dois anos com a m\u00e3e e depois desse per\u00edodo de tempo ele j\u00e1 pode se estabelecer um territ\u00f3rio para se reproduzir\u201d, disse.<\/p>\n<p>Fusco lembra que para que isso ocorra \u00e9 necess\u00e1rio a preserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. Mam\u00edferos de grande porte como a on\u00e7a, o porco-do-mato, a anta, o veado e a capivara, entre outros, sofrem com a perda de habitat e press\u00e3o de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cGrandes mam\u00edferos necessitam de \u00e1reas extensas para sobreviver, s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis \u00e0 perda de habitat e \u00e0 press\u00e3o da ca\u00e7a, sendo os primeiros a desaparecer\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O especialista lembra ainda que a manuten\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies \u00e9 fundamental para o equil\u00edbrio ambiental. Mam\u00edferos carn\u00edvoros, como a on\u00e7a-pintada, por estarem no topo da pir\u00e2mide alimentar, s\u00e3o essenciais no controle e equil\u00edbrio de popula\u00e7\u00f5es de outros animais que fazem parte da sua dieta, influenciando diretamente em toda din\u00e2mica do ecossistema.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o animais que precisam de um territ\u00f3rio bem grande. Eles podem se movimentar por quil\u00f4metros, a gente j\u00e1 registrou um mesmo indiv\u00edduo distante 35 km em linha reta e isso justifica a import\u00e2ncia de conservar todo o corredor para ele poder transitar\u201d, observou.<\/p>\n<p>J\u00e1 mam\u00edferos herb\u00edvoros, como a anta e a queixada, s\u00e3o essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da floresta, por serem dispersores de sementes. Tais esp\u00e9cies s\u00e3o respons\u00e1veis pela dispers\u00e3o de mais de 100 tipos de sementes, por extens\u00e3o de cerca de 40 quil\u00f4metros, diariamente.<\/p>\n<p>\u201cTeoricamente \u00e9 uma \u00e1rea que tem uma floresta continua, mas tem problemas com a ca\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o de palmito e a quest\u00e3o dos im\u00f3veis, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. A longo prazo, n\u00e3o seria exagero dizer que a viabilidade da floresta corre um grande risco\u201d, alerta o pesquisador.<\/p>\n<p>Entre as consequ\u00eancias que podem ocorrer sem o equil\u00edbrio e a preserva\u00e7\u00e3o dos animais est\u00e3o a perda de diversidade vegetal, introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras, perda de atividades econ\u00f4micas como o turismo, al\u00e9m de outras imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cA perda dessa biodiversidade de animais vai acarretar um monte de outros problemas at\u00e9 imprevis\u00edveis, como novas doen\u00e7as, perda de qualidade de \u00e1gua para o abastecimento das popula\u00e7\u00f5es, entrada de esp\u00e9cies invasoras, perda de atividades como o turismo que gera renda, fora a libera\u00e7\u00e3o de carbono com a perda da floresta\u201d, alertou Fusco.<\/p>\n<p><strong>Conflitos<\/strong><br \/>\nFusco disse que a pr\u00f3xima etapa do projeto \u00e9 o mapeamento de locais onde a presen\u00e7a do animal gera conflitos, o que pode resultar na morte de indiv\u00edduos, como o que aconteceu com uma on\u00e7a-pintada encontrada morta na regi\u00e3o da Serra de Paranapiacaba, no estado de S\u00e3o Paulo, na \u00faltima quinta-feira (15). O animal possu\u00eda mais de 50 perfura\u00e7\u00f5es de chumbo. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que a on\u00e7a tenha sido morta por ter atacado alguma cria\u00e7\u00e3o de animais na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 tem a ca\u00e7a clandestina de animais como a on\u00e7a pintada; tem gente que tem medo do animal por n\u00e3o conhecer e acaba matando, mas o principal motivo de ca\u00e7ar \u00e9 por ataque \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, por ela matar animais de porte maior, como cachorros, gado, porco\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Fusco, uma das possibilidade para este tipo de ataque \u00e0s cria\u00e7\u00f5es \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o das presas naturais da esp\u00e9cie, o que leva esses animais a adentrarem em \u00e1reas com ocupa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u201cA gente vai agora passar para a etapa de entender essa situa\u00e7\u00e3o e fazer esse mapeamento de conflito que existe na regi\u00e3o. A gente quer conversar com as pessoas e tentar entender esse conflito para discutir maneiras de reduzir esses ataques, por exemplo. Uma das possibilidades \u00e9 alterar o manejo da cria\u00e7\u00e3o para evitar o ataque e isso pode ser feito de diversas formas, como o uso de cercas el\u00e9tricas para espantar as on\u00e7as\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Segundo Fusco outro animais, como a anta tamb\u00e9m acabam sendo mortos por invadir as propriedades rurais.<\/p>\n<p>\u201cA anta tamb\u00e9m tem conflito com moradores locais. \u00c0s vezes ela entra na propriedade para comer o cultivo de frutos e acaba gerando conflito tamb\u00e9m\u201d, disse.<\/p>\n<p>Fusco ressalta que o bom manejo e conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais atrai oportunidades de benef\u00edcio socioecon\u00f4mico para a regi\u00e3o. Entre as possibilidades est\u00e1 o desenvolvimento regional baseado no turismo em \u00e1reas naturais e em neg\u00f3cios de impacto positivo ao meio ambiente, com a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>\u201cA gente quer promover esse grande remanescente de Mata Atl\u00e2ntica para as pessoas conhecerem. Uma das possibilidades poderia ser o turismo de observa\u00e7\u00e3o de animais. Existem j\u00e1 algumas iniciativas desse tipo com primatas e a pr\u00f3pria anta. A gente que envolver as comunidades locais no processo, seria uma forma de gera\u00e7\u00e3o de renda fant\u00e1stica e atrairia as pessoas. Al\u00e9m de gerar emprego e renda, valoriza a voca\u00e7\u00e3o local e mant\u00e9m a floresta em p\u00e9\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Programa<\/strong><br \/>\nO programa Grandes Mam\u00edferos da Serra do Mar surgiu da necessidade de uma agenda integrada para monitoramento e conserva\u00e7\u00e3o de grandes mam\u00edferos. Isso porque o resultado de 15 anos de pesquisa na regi\u00e3o indicou que tais esp\u00e9cies est\u00e3o mais presentes em locais mais elevados e remotos, deixando muitas \u00e1reas de floresta demograficamente vazias de grandes mam\u00edferos, inclusive em unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A iniciativa atua em quatro frentes de a\u00e7\u00e3o: monitoramento, com coleta de dados de maneira cient\u00edfica e sistem\u00e1tica; planejamento de conserva\u00e7\u00e3o, para apoiar os tomadores de decis\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e manejo; sensibiliza\u00e7\u00e3o, para gerar mais conhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o da fauna da Mata Atl\u00e2ntica por toda a sociedade e, por fim, a rede de monitoramento.<\/p>\n<p>O programa \u00e9 realizado pelo Instituto de Pesquisas Canan\u00e9ia (IPeC) e Instituto Manac\u00e1, com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, WWF-Brasil e do banco ABN AMRO, e com a parceria da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (SPVS), Funda\u00e7\u00e3o Florestal, do Legado das \u00c1guas \u2013 Reserva Votorantim, da Fazenda Elguero, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1 (PPG ECO \u2013 UFPR) e do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cena rara chamou a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Paran\u00e1. \u00c9 o registro de uma on\u00e7a pintada e seu filhote na regi\u00e3o da Serra do Mar paranaense. As imagens, que foram gravadas em janeiro, mas divulgados esta semana, indicam que o habitat desse animal est\u00e1 recuperando as condi\u00e7\u00f5es para sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, dizem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":263162,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-263161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263161"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":263164,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263161\/revisions\/263164"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}