{"id":263383,"date":"2021-07-19T10:45:03","date_gmt":"2021-07-19T13:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263383"},"modified":"2021-07-19T10:46:18","modified_gmt":"2021-07-19T13:46:18","slug":"jabuti-sem-paternidade-vai-tirar-mais-r-6-bi-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jabuti-sem-paternidade-vai-tirar-mais-r-6-bi-do-povo\/","title":{"rendered":"&#8220;Jabuti&#8221; sem paternidade vai tirar mais R$ 6 bi do povo"},"content":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cie de r\u00e9ptil terrestre, da ordem dos quel\u00f4nios, provido de carapa\u00e7a e nativo da Am\u00e9rica do Sul, o jabuti ou jabutim tem fama de curar problemas respirat\u00f3rios, como asma e bronquite. Diz a lenda que deixar o animal debaixo da cama \u00e9 bom porque ele &#8220;puxa&#8221; a doen\u00e7a para si. Nunca se comprovou cientificamente se o bicho tem realmente esse poder de cura. O que se sabe de concreto \u00e9 que ele \u00e9 ferozmente usado por pol\u00edticos de conduta duvidosa. No jarg\u00e3o legislativo, jabuti \u00e9 um &#8220;contrabando&#8221; que os parlamentares fazem ao inserir em uma proposta legislativa um tema sem rela\u00e7\u00e3o om o tema inicialmente proposto. Em outras palavras, se refere a emendas que n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o direta com o texto em discuss\u00e3o. A estrat\u00e9gia foi definida pelo sempre lembrado Ulysses Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Quando &#8220;escondiam&#8221; um inofensivo bichinho desses em um projeto qualquer, o inesquec\u00edvel deputado dizia que &#8220;jabuti n\u00e3o sobe em \u00e1rvore. Se est\u00e1 l\u00e1, foi m\u00e3o da gente&#8221;. E, via de regra, \u00e9 sempre a m\u00e3o do homem (o parlamentar) que transforma o pobre do animal em sin\u00f4nimo de vantagem pessoal ou de um grupo.<\/p>\n<p>O &#8220;jabuti&#8221; inclu\u00eddo no pacote da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) para 2022 tem nome e sobrenome, mas ningu\u00e9m assume sua paternidade. O autor \u00e9 o deputado Juscelino Filho (DEM-MA). Todavia, n\u00e3o importa quem tenha posto o bicho l\u00e1. A verdade \u00e9 que, com apoio maci\u00e7o de partidos integrantes do Centr\u00e3o e alguns da esquerda, os deputados aprovaram na semana passada, por vota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, uma emenda aumentando de R$ 1,7 bilh\u00e3o para R$ 5,7 bilh\u00f5es o &#8220;Fund\u00e3o Eleitoral&#8221;, dinheiro utilizado para campanhas de elei\u00e7\u00e3o e reelei\u00e7\u00e3o de deputados, senadores, governadores e presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Diante de 540 mil mortos pela Covid, 15 milh\u00f5es de desempregados e 19 milh\u00f5es passando fome, aprovar tal proposta \u00e9 brincar com o cidad\u00e3o brasileiro, que, al\u00e9m de pagar R$ 100 por um botij\u00e3o de g\u00e1s e R$ 6,09 a cada litro de gasolina, vem sofrendo com a claudicante cura do v\u00edrus e com den\u00fancias di\u00e1rias de fraudes na compra de vacinas. Portanto, mais importante do que tentar buscar culpados, \u00e9 tirar o penduricalho da LDO. Presidente da sess\u00e3o do Congresso que determinou o extorsivo aumento do &#8220;Fund\u00e3o&#8221;, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) culpa o presidente da Rep\u00fablica de &#8220;terceirizar&#8221; responsabilidades. Ao deixar o hospital nesse domingo (18), Jair Bolsonaro afirmou que Ramos &#8220;atropelou&#8221; a vota\u00e7\u00e3o e, por isso, \u00e9 quem deve ser cobrado &#8220;em primeiro lugar&#8221;.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o conhece a tramita\u00e7\u00e3o de projetos nas duas casas do Congresso, o modus operandis \u00e9 simples. A prerrogativa de encaminhamento da LDO, incluindo a previs\u00e3o do fundo eleitoral, \u00e9 exclusiva do Executivo. Segundo Marcelo Ramos, quem articulou o valor foram os l\u00edderes do governo, que n\u00e3o protestaram imediatamente ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do resultado da vota\u00e7\u00e3o. Ou seja, todos concordaram. Ent\u00e3o, n\u00e3o cabe ao chefe da na\u00e7\u00e3o apenas sinalizar que pode vetar o aumento de R$ 4 bilh\u00f5es destinados para financiamento de campanhas eleitorais. Doa a quem doer, \u00e9 preciso vetar e r\u00e1pido mais esse mastodonte contra o povo. N\u00e3o importa que denominem o absurdo de &#8220;jabuti&#8221;, &#8220;casca de banana&#8221;, &#8220;jabuticaba&#8221; ou seja l\u00e1 o que for. \u00c9 necess\u00e1rio que ele seja visto como algo indecente, imoral, criminoso, desnecess\u00e1rio, equivocado e desrespeitoso.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o houve vota\u00e7\u00e3o nominal, n\u00e3o h\u00e1 a &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; dos parlamentares, embora seja f\u00e1cil chegar ao nome de cada um que votou a favor. Tamb\u00e9m n\u00e3o importa, na medida em que derrub\u00e1-lo s\u00f3 depende de um gesto, mais precisamente de uma canetada do presidente. Considerando as centenas de milhares de vidas que j\u00e1 perdemos e o tamanho do investimento que ser\u00e1 necess\u00e1rio para recupera\u00e7\u00e3o da economia nacional, n\u00e3o vetar o &#8220;jabuti&#8221; ser\u00e1 o mesmo que assumir de vez o fim de uma claudicante jornada pol\u00edtica. A encruzilhada de Jair Bolsonaro \u00e9 complicada: de um lado a necessidade de recuperar popularidade; de outro, evitar cair em desgra\u00e7a com a turma do Centr\u00e3o, \u00e1vido pelo dindim do &#8220;Fund\u00e3o&#8221;. A quem agradar? Quem vai tirar &#8220;r\u00e9ptil da disc\u00f3rdia&#8221; da \u00e1rvore? Aguardemos as pr\u00f3ximas horas ou dias. Com a resposta o mito do Planalto.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cie de r\u00e9ptil terrestre, da ordem dos quel\u00f4nios, provido de carapa\u00e7a e nativo da Am\u00e9rica do Sul, o jabuti ou jabutim tem fama de curar problemas respirat\u00f3rios, como asma e bronquite. Diz a lenda que deixar o animal debaixo da cama \u00e9 bom porque ele &#8220;puxa&#8221; a doen\u00e7a para si. 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