{"id":263514,"date":"2021-07-20T11:03:37","date_gmt":"2021-07-20T14:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263514"},"modified":"2021-07-20T11:03:37","modified_gmt":"2021-07-20T14:03:37","slug":"som-do-tambor-das-ruas-e-que-desperta-o-parlamentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/som-do-tambor-das-ruas-e-que-desperta-o-parlamentar\/","title":{"rendered":"Som do tambor das ruas \u00e9 que desperta o parlamentar"},"content":{"rendered":"<p>Term\u00f4metro pol\u00edtico de qualquer governante, as ruas t\u00eam dado o tom da escaldante temperatura popular com o governo e com o bolsonarismo. Os sinais evidentes desse cansa\u00e7o j\u00e1 chegaram ao Congresso Nacional, ninho de muitas serpentes, mas principalmente local de homens espertos e que sabem quando \u00e9 chegada a hora de arrumar a mala para cantar em poleiro diferente. A letargia oficial e a aus\u00eancia de pautas capazes de conter o \u00edmpeto do povo t\u00eam contribu\u00eddo para a evidente mudan\u00e7a de comportamento de parlamentares de diferentes correntes ideol\u00f3gicas, a come\u00e7ar pela do presidente da Rep\u00fablica. Al\u00e9m das crescentes manifesta\u00e7\u00f5es e da falta de credibilidade com as a\u00e7\u00f5es de controle da pandemia, a sensibilidade pol\u00edtica come\u00e7a a ser agu\u00e7ada por fatos novos e que transcendem o oba oba dos pal\u00e1cios.<\/p>\n<p>O barulho da oposi\u00e7\u00e3o, a desarticula\u00e7\u00e3o do governo no Parlamento e o estranhamento dos corredores e bastidores do Minist\u00e9rio P\u00fablico com o procurador-geral Augusto Aras s\u00e3o alguns dos acenos mais cristalinos na dire\u00e7\u00e3o do desgaste pol\u00edtico do mito. Quase obrigado pelo Supremo Tribunal federal e pelos pares, Aras aceitou abrir inqu\u00e9rito por prevarica\u00e7\u00e3o contra Bolsonaro por n\u00e3o mandar investigar o esquema de superfaturamento da vacina indiana Covaxin no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. No entanto, nada \u00e9 t\u00e3o emblem\u00e1tico e definitivo para o enfraquecimento da fraca base governista do que o eco dos gritos dos eleitores. \u00c9 das ruas que surge o tempo e a forma como ser\u00e3o vividos os pr\u00f3ximos dias, semanas e meses.<\/p>\n<p>Parafraseando Ulysses Guimar\u00e3es, o vice-l\u00edder do MDB na C\u00e2mara, Hildo Rocha (MA), disse recentemente que os deputados e senadores &#8220;s\u00e3o muito sens\u00edveis ao clamor popular&#8221;. Segundo ele, &#8220;o som do tambor da rua desperta rapidamente o parlamentar&#8221;. \u00c9 a mais pura verdade. Por mais que queiram, nenhum deputado ou senador t\u00eam hoje coragem de dizer que n\u00e3o teme a CPI da Covid, os protestos, o superpedido de impeachment, a representa\u00e7\u00e3o contra o l\u00edder governista na C\u00e2mara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), ou as quase di\u00e1rias den\u00fancias contra a propalada honestidade do principal ocupante do Planalto do Planalto.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio constrangedor j\u00e1 incomoda os mais sensatos. \u00c9 o caso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para quem o tal do superpedido de impeachment n\u00e3o pode ser banalizado. Conforme Pacheco, cabe ao presidente da C\u00e2mara, Arthur Lira (PP-AL), trabalhar com responsabilidade e analisar o documento &#8220;\u00e0 luz de muita t\u00e9cnica e responsabilidade&#8221;. No portugu\u00eas de Bras\u00edlia, n\u00e3o d\u00e1 mais para permanecer sentado sobre a vontade do povo. O governo patina nas reformas administrativa e tribut\u00e1ria, ambas anunciadas com foguet\u00f3rios na campanha presidencial como pilares de um Brasil novo, s\u00e9rio e retumbante. N\u00e3o passaram de um traque.<\/p>\n<p>Por enquanto, muito barulho, muito desgaste e mais do mesmo nas teses de defesa do capit\u00e3o. Falam, discutem, produzem relat\u00f3rios, mas nada al\u00e9m do papel. At\u00e9 o voto impresso, tema de cabeceira de 11 entre dez bolsonaristas, subiu e n\u00e3o pensa descer do telhado. Enquanto isso, a economia sucumbe, os empres\u00e1rios perdem a paci\u00eancia, os provedores perdem empregos, os favorecidos morrem de fome e o mito descansa na desgra\u00e7a alheia. Mais importante do que qualquer discurso de feira p\u00fablica, a retomada da economia est\u00e1 encaixotada nos por\u00f5es do Planalto. Para total descontrole oficial, ap\u00f3s um ano e quatro meses, somente agora a pandemia come\u00e7a a dar tr\u00e9gua. A teoria anticient\u00edfica inicial de imunidade de rebanho n\u00e3o se sustentou e acabou gerando mais de meio milh\u00e3o de vidas, o que n\u00e3o d\u00e1 para se esconder em nenhuma das gavetas palacianas.<\/p>\n<p>A vida continuou, mas a administra\u00e7\u00e3o permanece inerte. Desemprego recorde, infla\u00e7\u00e3o pressionada, d\u00edvida p\u00fablica crescente, incerteza pol\u00edtica para aprova\u00e7\u00e3o de novas reformas, pandemia e o isolamento internacional s\u00e3o os principais sintomas do atoleiro. De acordo com a medi\u00e7\u00e3o do IBGE sobre o trimestre entre fevereiro e abril, o \u00edndice de desemprego se mant\u00e9m em 14,7%, o maior desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do \u00f3rg\u00e3o, em 2012. Comparado ao do trimestre anterior (de novembro a janeiro), o n\u00famero de brasileiros sem emprego teve aumento de 3,4%. Na sequ\u00eancia negativa do pa\u00eds, a falta de alimentos e o aumento da extrema pobreza se tornaram realidade para 14,5 milh\u00f5es de fam\u00edlias brasileiras. Tudo isso associado aos solu\u00e7os intermitentes do presidente. Como os tempos s\u00e3o outros, entrou, saiu e n\u00e3o convenceu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Term\u00f4metro pol\u00edtico de qualquer governante, as ruas t\u00eam dado o tom da escaldante temperatura popular com o governo e com o bolsonarismo. 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