{"id":263810,"date":"2021-07-22T12:50:23","date_gmt":"2021-07-22T15:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263810"},"modified":"2021-07-22T12:51:09","modified_gmt":"2021-07-22T15:51:09","slug":"mourao-volta-de-angola-sem-resgatar-dizimos-da-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mourao-volta-de-angola-sem-resgatar-dizimos-da-universal\/","title":{"rendered":"Mour\u00e3o volta de Angola sem resgatar d\u00edzimos da Universal"},"content":{"rendered":"<p>O General Mour\u00e3o foi indevidamente encarregado, pelo Presidente Bolsonaro, de fazer gest\u00f5es junto ao presidente de Angola, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, em favor dos interesses da Igreja Universal, empresa que foi expulsa de solo angolano por lavagem de dinheiro. O vice-presidente brasileiro ainda solicitou a mandat\u00e1rio angolano que recebesse uma delega\u00e7\u00e3o parlamentar brasileira, chefiada por um parlamentar que \u00e9 bispo, para , de algum modo, evitar que a puni\u00e7\u00e3o soberana do estado angolano fosse cumprida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do evidente rebaixamento do cargo de vice-presidente da rep\u00fablica \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de operador em favor dos interesses de uma empresa cuja mat\u00e9ria-prima \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o manipulada da f\u00e9, mas \u00e9 possuidora de meios de comunica\u00e7\u00e3o (televisoras, r\u00e1dios, editoras, jornal, gravadora de discos etc), a gest\u00e3o feita por Mour\u00e3o constitui-se em lament\u00e1vel inger\u00eancia em assuntos internos de estado soberano, com o qual o Brasil possui larga e expressiva tradi\u00e7\u00e3o de amizade, e, tamb\u00e9m, significativas a\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estatizante X Neoliberal<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel que o General Mour\u00e3o, que durante a campanha eleitoral, em programa na Globo News, definiu-se como um \u201canti-Geisel\u201d, explicando que considerava o ex-Presidente brasileiro \u201cum estatizante\u201d, enquanto ele era neoliberal \u2013 n\u00e3o tenha sabido valorizar a import\u00e2ncia que o MPLA, partido a que pertence o presidente Louren\u00e7o, atribui ao mandat\u00e1rio ga\u00facho. Foi o governo do Presidente Geisel o primeiro a reconhecer a Independ\u00eancia de Angola e o governo do Presidente Agostinho Neto, em 1975, quando a na\u00e7\u00e3o angolana ainda lutava para expulsar o ex\u00e9rcito da \u00c1frica do Sul, ent\u00e3o sob o regime do Apartheid.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Ernesto Geisel foi imensamente valorizada pela comunidade de pa\u00edses que lutava contra o colonialismo, entre eles a URSS, e, muito especialmente pela Rep\u00fablica de Cuba, que em solidariedade \u00e0 justa luta de Angola por sua independ\u00eancia, enviou-lhe coopera\u00e7\u00e3o militar de envergadura, com cerca de 400 mil homens e mulheres cubanos que, ao final de uma longa guerra, foi fator determinante para derrotar o Ex\u00e9rcito da \u00c1frica do Sul, na memor\u00e1vel Batalha de Cuito Cuanavale, mesmo com o r\u00e9gio apoio que as tropas do Apartheid recebiam dos Estados Unidos e de Israel, pa\u00edses de submissa simpatia do General Mour\u00e3o. Entrevistando a jornalista e escritora Katiusca Blanco, bi\u00f3grafa de Fidel, que tamb\u00e9m integrou as for\u00e7as militares cubanas que derrotaram o ex\u00e9rcito mercen\u00e1rio de Jonas Savimbi , a UNITA, soube que a not\u00edcia da decis\u00e3o do Presidente Geisel pela TV foi aplaudida pelas tropas cubanas e angolanas.<\/p>\n<p>Kissinger, fora da agenda<br \/>\nSe por um lado Fidel Castro e Agostinho Neto, com o apoio da URSS, aplaudiam o pioneiro reconhecimento feito pelo governo Geisel, de outro, o ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Henry Kissinger, mais conhecido como o \u201cviajante da morte\u201d, desembarcou em Bras\u00edlia , onde queixou-se do presidente brasileiro , alegando que \u201co governo brasileiro est\u00e1 fazendo o jogo dos comunistas em Angola com aquela linha em sua pol\u00edtica exterior\u201d. De poucas palavras, Geisel respondeu em tom firme e surpreendente ao intervencionismo gringo: \u201d Senhor Secret\u00e1rio, a nossa pol\u00edtica externa n\u00e3o est\u00e1 na agenda da reuni\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Na realidade, os EUA tinham alguma expectativa de que o Brasil algo pudesse fazer contra aquela hist\u00f3rica Opera\u00e7\u00e3o Carlota, \u2013 nome de uma negra cubana que lutou heroicamente contra a escravid\u00e3o \u2013 que, em rota contr\u00e1ria \u00e0 dos Navios Negreiros, ao longo de anos, cruzou o Atl\u00e2ntico levando tropas e armamentos de Cuba para a liberta\u00e7\u00e3o Angola. Entretanto, como Kissinger pode constatar, aquele reconhecimento pioneiro do Governo de Agostinho Neto por Ernesto Geisel n\u00e3o era um ato isolado da pol\u00edtica externa brasileira de ent\u00e3o. Enquanto naquela \u00e9poca defendiam-se interesses estrat\u00e9gicos do Brasil, Mour\u00e3o,hoje, rebaixa o Estado Brasileiro a um varejismo desqualificado em defesa de uma empresa atravessadora da f\u00e9.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa brasileira, naquela \u00e9poca, tamb\u00e9m registrou apoio e reconhecimento aos governos de Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9, Cabo Verde e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. Al\u00e9m disso, sustentava o Direito ao Mar para a Bol\u00edvia, ao mesmo tempo que reatava rela\u00e7\u00f5es com a Rep\u00fablica Popular da China, ent\u00e3o sob o comando de Mao Ts\u00e9 Tung. Al\u00e9m disso, adotava nova postura em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses \u00e1rabes, impulsionando as rela\u00e7\u00f5es com a L\u00edbia e Iraque, ao ponto do Brasil enviar para este pa\u00eds a estatal Braspetro, respons\u00e1vel pela descoberta do maior manancial de petr\u00f3leo por l\u00e1, em equipe sob o comando do ge\u00f3logo Guilherme Estrella, que, mais tarde, teria grande responsabilidade na coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos de equipe que levaram \u00e0 descoberta do Petr\u00f3leo Pr\u00e9-Sal. Quando o Iraque, na d\u00e9cada de 70, passa a explorar o po\u00e7o gigante de Majnou, os EUA imp\u00f5em bloqueio contra o governo de Sadam Housseim, o qual o governo de Ernesto Geisel furou, comprando enormes quantidades de petr\u00f3leo iraquiano, apesar da proibi\u00e7\u00e3o imperial estadunidense.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio em que o vice-presidente Mour\u00e3o, em desqualificada tentativa de imiscuir-se em assuntos de outros estados para defender empresa punida por leis angolanas, \u00e9 uma flor de oportunidade para refletir sobre o rebaixamento da pol\u00edtica externa brasileira hoje, permitindo real\u00e7ar o contraste com uma linha terceiro-mundista praticada pelo Itamaraty por d\u00e9cadas. O soberano e altivo N\u00c3O que o vice-presidente Mour\u00e3o recebeu do presidente angolano Jo\u00e3o Louren\u00e7o, tornar-se-\u00e1 ,certamente, uma esp\u00e9cie de paradigma negativo da involu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica exterior do Brasil, similar \u00e0 batida de contin\u00eancia de Jair Bolsonaro ante a bandeira dos EUA.<\/p>\n<p>No contraste, est\u00e1 a postura de Geisel que, ao reconhecer o governo do MPLA, liderado por Agostinho Neto, inscreveu o Brasil na p\u00e1gina da descoloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, em sintonia com o heroico esfor\u00e7o empreendido por Cuba que, ao derrotar o poderoso e bem armado ex\u00e9rcito sul-africano, libertou Angola e a Nam\u00edbia, desestabilizando o regime do Apartheid, contribuindo decisivamente para a liberta\u00e7\u00e3o de Nelson Mandela. Ao sair da pris\u00e3o, Nelson Mandela viaja a Cuba onde, agradecido, declara, em com\u00edcio ao lado de Fidel Castro: \u201cDevemos a Cuba o fim do Apartheid\u201d. A pol\u00edtica externa brasileira estava do lado certo da Hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O General Mour\u00e3o foi indevidamente encarregado, pelo Presidente Bolsonaro, de fazer gest\u00f5es junto ao presidente de Angola, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, em favor dos interesses da Igreja Universal, empresa que foi expulsa de solo angolano por lavagem de dinheiro. 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