{"id":263838,"date":"2021-07-23T00:32:30","date_gmt":"2021-07-23T03:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263838"},"modified":"2021-07-23T00:32:30","modified_gmt":"2021-07-23T03:32:30","slug":"encalhes-de-jubarte-sao-recorde-no-nosso-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/encalhes-de-jubarte-sao-recorde-no-nosso-litoral\/","title":{"rendered":"Encalhes de jubarte s\u00e3o recorde no nosso litoral"},"content":{"rendered":"<p>O encalhe de baleias jubarte registrado no Brasil no primeiro semestre deste ano bateu recorde, segundo levantamento feito pelo Projeto Baleia Jubarte no litoral do pa\u00eds. Foram 48 encalhes nos seis primeiros meses do ano, enquanto o recorde anterior ocorreu em 2016, com 22 casos documentados, desde o in\u00edcio da sistematiza\u00e7\u00e3o dos dados em 2002. Neste ano, os registros de encalhe foram s\u00f3 de animais j\u00e1 mortos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de encalhes no primeiro semestre de 2021 j\u00e1 superou os encalhes registrados nos doze meses dos anos de 2002 at\u00e9 2009, 2011, 2012 e 2015. Al\u00e9m desses 48 encalhes at\u00e9 junho, outros 26 j\u00e1 ocorreram no m\u00eas de julho, somando 74 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, explicou que encalhes de baleias ocorrem por diversos motivos, como morte natural, aproxima\u00e7\u00e3o das redes de pesca ou busca por alimenta\u00e7\u00e3o em \u00e1guas mais rasas. Ele ressaltou que h\u00e1 anos at\u00edpicos em rela\u00e7\u00e3o ao encalhe, como ocorreu em 2010, com 96 casos; e 2017, com 122.<\/p>\n<p>Como a maior parte dos animais encalhados neste ano s\u00e3o jovens que ainda n\u00e3o est\u00e3o na idade de reprodu\u00e7\u00e3o e est\u00e3o mais magros do que o comum, Marcondes afirma que h\u00e1 grande possibilidade de eles terem se aproximado da costa buscando alimento, aproveitando os cardumes mais volumosos de peixes localizados nos litorais paulista e catarinense.<\/p>\n<p>\u201cTem alguns anos que s\u00e3o at\u00edpicos, estamos em um ano at\u00edpico desses. Estamos com bichos muito magros, que n\u00e3o conseguiram se alimentar direito. Deve ter diminu\u00eddo [a quantidade de] krill esse ano e a\u00ed eles est\u00e3o vindo para perto da costa em busca de comida, principalmente os jovens que n\u00e3o est\u00e3o na idade de reproduzir\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>As baleias jubarte alimentam-se de krill \u2013 tipo de crust\u00e1ceo \u2013 e pequenos peixes. O fato de os animais encontrados estarem mais magros pode indicar diminui\u00e7\u00e3o da oferta de krill nas regi\u00f5es mais profundas, conforme apontou Marcondes, o que atrairia as baleias para regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas da costa que tem maior oferta de alimento.<\/p>\n<p>Ele acrescentou que \u201cquando eles v\u00eam pra perto da costa para buscar comida, \u00e9 o mesmo lugar que os pescadores est\u00e3o colocando a rede e acaba dando muito problema de emalhe [reten\u00e7\u00e3o na malha da rede]\u201d. At\u00e9 o momento, o projeto registrou 34 casos de emalhe em equipamento de pesca, no entanto nem todas essas reten\u00e7\u00f5es em redes levaram \u00e0 morte das baleias. O n\u00famero de emalhe tamb\u00e9m \u00e9 recorde.<\/p>\n<p>O pesquisador afirma que esses picos de mortalidade n\u00e3o t\u00eam afetado a recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o das jubarte e que sua popula\u00e7\u00e3o vem crescendo. No entanto, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o sofrimento dos animais.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, n\u00e3o \u00e9 uma coisa t\u00e3o preocupante. Do ponto de vista do bem-estar animal, cada indiv\u00edduo desse que chega aqui magrinho ou que acaba se enroscando em uma rede pesca e morrendo passa por um sofrimento muito grande, ent\u00e3o a gente tem uma preocupa\u00e7\u00e3o, sim, com esses casos e em como tentar diminuir esse tipo de ocorr\u00eancia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es com objetivo de diminuir os problemas dos emalhes \u00e9 intensificar a fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cL\u00e1 em Santa Catarina, o pessoal j\u00e1 aumentou um pouco a fiscaliza\u00e7\u00e3o nas redes que est\u00e3o colocadas de forma ilegal. Estamos trabalhando e tentando orientar os pescadores tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>Para os pescadores que instalam as redes de forma legal, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o deixe a rede sem acompanhamento porque pode ocorrer de uma baleia acabar presa. \u201cIsso \u00e9 o mais imediato que d\u00e1 pra fazer. Mas estamos planejando a longo prazo, pensando que isso \u00e9 uma coisa que pode ser recorrente no futuro\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encalhe de baleias jubarte registrado no Brasil no primeiro semestre deste ano bateu recorde, segundo levantamento feito pelo Projeto Baleia Jubarte no litoral do pa\u00eds. Foram 48 encalhes nos seis primeiros meses do ano, enquanto o recorde anterior ocorreu em 2016, com 22 casos documentados, desde o in\u00edcio da sistematiza\u00e7\u00e3o dos dados em 2002. 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