{"id":263937,"date":"2021-07-24T07:07:11","date_gmt":"2021-07-24T10:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=263937"},"modified":"2021-07-24T08:16:03","modified_gmt":"2021-07-24T11:16:03","slug":"udenistas-ressurgem-das-cinzas-com-moralismo-de-fachada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/udenistas-ressurgem-das-cinzas-com-moralismo-de-fachada\/","title":{"rendered":"Udenistas ressurgem das cinzas com moralismo de fachada"},"content":{"rendered":"<p>O dom\u00ednio da pol\u00edtica atual, embora n\u00e3o queira assim se revelar explicitamente, \u00e9 id\u00eantico ao do velho e carcomido udenismo lacerdista: moralismo de fachada, antinacionalista e pr\u00f3-estadunidense. Recordemos o que Carlos Lacerda falava\/escrevia sobre o General Estilac Leal: (o general) \u201ccome\u00e7ou um movimento nacionalista e antiamericano no Ex\u00e9rcito, extremamente perigoso\u201d, a respeito da atua\u00e7\u00e3o no Clube Militar. Mas reconhecia que o General Estilac Leal \u201cnunca foi comunista, nem coisa que se pare\u00e7a, mas uma esp\u00e9cie de esquerdismo que a gente hoje chamaria de um nacionalismo exacerbado\u201d.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias, sem desqualificar suas motiva\u00e7\u00f5es, financiadas por capitais financeiros estrangeiros, como do megaespeculador George Soros, jamais permitem que se coloque a quest\u00e3o nacional nas suas reivindica\u00e7\u00f5es, pois como este bilion\u00e1rio afirmou: \u201cseu maior inimigo \u00e9 o nacionalismo\u201d.<\/p>\n<p>Por conseguinte, a m\u00eddia comercial, hegem\u00f4nica, dos canais de televis\u00e3o, aberta e por assinatura, das emissoras de r\u00e1dio, dos jornais e revistas impressos e dos blogs e portais virtuais, toda ela ir\u00e1 esconder, ofuscar, quando n\u00e3o denegrir, qualquer candidato que coloque em destaque a quest\u00e3o nacional e nela aponte a necessidade de mudan\u00e7a, para resolver os problemas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 realmente dif\u00edcil, no momento que o Pa\u00eds est\u00e1 imerso no desemprego e no subemprego dos uber e dos empreendedores individuais (MEI), da pandemia matando milhares de pessoas sem que as autoridades governamentais, respons\u00e1veis pela sa\u00fade p\u00fablica, atuem com efic\u00e1cia e prioridade que o caso exige, a mis\u00e9ria aumente e volte aos lares de onde recentemente saiu, por um assistencialismo que n\u00e3o atingia as causas nem esclarecia os motivos do pauperismo, apontar que a subservi\u00eancia aos interesses dos capitais ap\u00e1tridas, o entreguismo dos dirigentes e dos seus apoiadores, \u00e9 nosso maior problema.<\/p>\n<p>Joviano Soares de Carvalho Neto, professor na Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro do Centro de Estudos e A\u00e7\u00f5es Sociais \u2013 CEAS e do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas \u2013 CEBEP, escreveu para o Simp\u00f3sio sobre Nacionalismo, ocorrido em julho de 1977, durante a 29\u00aa Reuni\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), em S\u00e3o Paulo, que o nacionalismo, embora quase sempre se insira apenas nos contextos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais, envolve tamb\u00e9m a perspectiva cultural, a compreens\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana no contexto da sua vida e de onde mora, de obrigat\u00f3ria inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo globalizado financeiramente no qual vivemos, desde 1991, sob a ideologia neoliberal, j\u00e1 demonstrou sobejamente sua incapacidade de promover o desenvolvimento econ\u00f4mico, a inclus\u00e3o social e o progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico. Muito ao contr\u00e1rio; vive-se do que se obteve e ainda n\u00e3o foi destru\u00eddo, nos anos anteriores, especialmente nos 30 gloriosos, como os economistas da Associa\u00e7\u00e3o Francesa de Economia Pol\u00edtica qualificam o per\u00edodo 1945-1975.<\/p>\n<p>Neste momento quando aguardamos que o Peru do general Juan Velasco Alvarado (1910-1977) volte com Pedro Castillo, eleito presidente aos 51 anos, e assim reencontrar seu povo e sua na\u00e7\u00e3o, vamos recordar o artigo do grande intelectual peruano Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui (1894-1930), que assim se expressou sobre outro nacionalista, o chin\u00eas Sun Yat Sen (1866-1925), fundador do Kuomintang (Gu\u00f3 Min Dang, literalmente Partido Nacionalista Chin\u00eas):<\/p>\n<p>\u201cO destino hist\u00f3rico da China quis que essa gera\u00e7\u00e3o de agitadores, educada nas universidades norte-americanas e europeias, criasse, no c\u00e9tico e let\u00e1rgico povo chin\u00eas, um estado de \u00e2nimo nacionalista e revolucion\u00e1rio, no qual deveria se formar uma vigorosa vontade de resist\u00eancia ao imperialismo norte-americano e ao europeu. A China sofria, nesse tempo, os vexames e as espolia\u00e7\u00f5es da conquista. As pot\u00eancias europeias haviam se instalado em seu territ\u00f3rio, enquanto o Jap\u00e3o tamb\u00e9m se apressava em reclamar sua parte no met\u00f3dico saque\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA revolta boxer havia custado \u00e0 China a perda das \u00faltimas garantias de sua independ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica: as finan\u00e7as da na\u00e7\u00e3o se achavam submetidas ao controle das pot\u00eancias estrangeiras, ao mesmo tempo em que a decr\u00e9pita dinastia manchu n\u00e3o podia opor qualquer resist\u00eancia \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nem suscitar ou presidir um renascimento da energia nacional. Impotente perante a abdica\u00e7\u00e3o da soberania nacional, j\u00e1 n\u00e3o era mais capaz de retroceder: n\u00e3o possu\u00eda nem apoio nem a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. Exangue e an\u00eamica, estranha ao povo, vegetava l\u00e2nguida e palidamente, representando somente um feudalismo moribundo, cujas ra\u00edzes tradicionais se mostravam cada vez mais envelhecidas e minadas\u201d (originalmente publicado em Variedades, Lima, 28\/03\/1925, traduzido por Luiz Bernardo Peric\u00e1s para o Boitempo Editorial, SP, 2005, em J. C. Mari\u00e1tegui, Do sonho \u00e0s coisas Retratos subversivos).<\/p>\n<p>Darcy Ribeiro (1922-1997), dos maiores pensadores brasileiros, distinguia na evolu\u00e7\u00e3o humana, na passagem de um est\u00e1gio para outro, dois modos: a acelera\u00e7\u00e3o evolutiva e a atualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. O Mestre exemplificava: \u201ca na\u00e7\u00e3o passa da condi\u00e7\u00e3o feudal para a condi\u00e7\u00e3o capitalista, ou desta para condi\u00e7\u00e3o socialista\u201d d\u00e1-se a acelera\u00e7\u00e3o evolutiva. \u201cA atualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 aquele fen\u00f4meno atrav\u00e9s do qual um povo \u00e9 retirado de uma condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica atrasada ou vinculada a uma civiliza\u00e7\u00e3o do passado e \u00e9 conduzido a uma situa\u00e7\u00e3o nova, correspondente \u00e0 nova civiliza\u00e7\u00e3o emergente\u201d.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que no momento da descoberta, ensina Darcy Ribeiro, \u201cas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ascenderam \u00e0 nova condi\u00e7\u00e3o de civiliza\u00e7\u00e3o? Ou os negros trazidos para c\u00e1 ascenderam \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o mercantil virtualmente capitalista? N\u00e3o, eles experimentaram uma atualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) faz sua independ\u00eancia, prossegue Darcy Ribeiro, com a din\u00e2mica \u201cdos motores da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d, se inserindo em nova civiliza\u00e7\u00e3o; \u201cexperimentam uma acelera\u00e7\u00e3o evolutiva\u201d. N\u00f3s, brasileiros, tivemos uma atualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, \u201csa\u00edmos da condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia portuguesa para depend\u00eancia da Inglaterra e, depois, dos EUA\u201d, tivemos uma moderniza\u00e7\u00e3o reflexa.<\/p>\n<p>Podemos, no entanto, incluir novo conceito, do estado reverso, inimagin\u00e1vel por Darcy Ribeiro e pela gera\u00e7\u00e3o nascida durante as guerras e revolu\u00e7\u00f5es da primeira metade do s\u00e9culo passado: o retrocesso civilizat\u00f3rio, ao lado do progresso tecnol\u00f3gico. Um paradoxo que o Brasil e outros pa\u00edses dependentes vivem neste s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>O in\u00edcio deste reverso civilizat\u00f3rio n\u00e3o teve a mesma data para todas as na\u00e7\u00f5es, pois atendeu, como sempre ocorre, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas, diferentes em cada pa\u00eds, mas que foi atingindo todo mundo neoliberal, o mundo dos capitais especulativos ap\u00e1tridas, hoje denominados \u201cgestores de ativos\u201d, desde as desregula\u00e7\u00f5es ocorridas nos anos 1980.<\/p>\n<p>No Brasil, este mundo come\u00e7a com a \u201cNova Rep\u00fablica\u201d, se acentua com a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e se estabelece com a elei\u00e7\u00e3o de Fernando Collor, em 1989, por coincid\u00eancia o ano da divulga\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, que passa a ser a doutrina dos organismos internacionais (Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Banco Mundial, Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) e dos programas de governo dos globalistas, ou seja, daqueles que combater\u00e3o os nacionalismos. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, saudada como cidad\u00e3, n\u00e3o protegeu o Estado Nacional, mas o que sentiu nos 21 anos de governos militares, ou seja, falta do sistema judici\u00e1rio em condi\u00e7\u00e3o de manter os direitos civis.<\/p>\n<p>O retrocesso civilizat\u00f3rio se constata em diversas \u00e1reas: econ\u00f4micas, jur\u00eddicas, sociais; e em diversos setores: da energia, da produ\u00e7\u00e3o industrial, do com\u00e9rcio. Vou me restringir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, antes de iniciar as reflex\u00f5es sobre a cultura e o Estado Nacional.<\/p>\n<p>As petroleiras anglo-neerlandesa e estadunidenses, at\u00e9 ao final do s\u00e9culo XX, eram reconhecidas como de alta qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, exemplo para as dos submissos pa\u00edses colonizados, dependentes ou em desenvolvimento. O processo de financeiriza\u00e7\u00e3o e a prioridade para distribui\u00e7\u00e3o de dividendos levaram estas empresas a reduzir suas descobertas e, consequentemente, as reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A descoberta do pr\u00e9-sal brasileiro esteve em \u00e1rea anteriormente entregue a estas empresas, mas s\u00f3 foi descoberto e colocado em produ\u00e7\u00e3o pela Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A bem da verdade, ainda hoje, malgrado o desmembramento e as aliena\u00e7\u00f5es injustific\u00e1veis do patrim\u00f4nio e das mudan\u00e7as de rumo operacional, sem a Petrobr\u00e1s como parceira, as empresas estrangeiras n\u00e3o se aventuram a receber \u00e1rea do pr\u00e9-sal para explorar ou desenvolver a produ\u00e7\u00e3o. Suas compet\u00eancias t\u00e9cnicas pararam no tempo.<\/p>\n<p>O Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, que sob o Plano B\u00e1sico de Organiza\u00e7\u00e3o elaborado por H\u00e9lio Beltr\u00e3o, era composto pelos Diretores e mais dois membros, representando o Governo Federal, hoje, na proposta enviada aos acionistas, em 20 de julho de 2021, t\u00eam-se: um Almirante e um General, ambos na Reserva e no mais alto posto da carreira, tr\u00eas profissionais de finan\u00e7as e tr\u00eas da \u00e1rea de petr\u00f3leo, sendo dois destes \u00faltimos ex-empregados da Petrobr\u00e1s, com passagem recente por empresas privadas, que t\u00eam interesse na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os para Petrobr\u00e1s ou que est\u00e3o competindo com ela em alguma \u00e1rea de neg\u00f3cio. Ou seja, h\u00e1 um poss\u00edvel conflito de interesses entre os neg\u00f3cios at\u00e9 ent\u00e3o conduzidos por estes tr\u00eas, os \u00fanicos com saber t\u00e9cnico, e os da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u00c9 um exemplo do falso moralismo a que nos referimos como t\u00edpico do udenismo, que est\u00e1 representado hoje pelos neopentecostais e outros membros do Centr\u00e3o: o que prevalecer\u00e1 nas decis\u00f5es do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s?<\/p>\n<p>No Simp\u00f3sio da SBPC, anteriormente referido, tamb\u00e9m participou o cientista pol\u00edtico e escritor Luiz Alberto Moniz Bandeira (1935-2017) de quem retiro a seguinte passagem da sua interven\u00e7\u00e3o sobre \u201cDesenvolvimento Econ\u00f4mico e Superestrutura Pol\u00edtica\u201d: \u201cpode o governo brasileiro estar em contradi\u00e7\u00e3o com o governo de Jimmy Carter, mas n\u00e3o estar com os banqueiros de Wall Street\u201d.<\/p>\n<p>O Mercado Comum Europeu, hoje transformado em Uni\u00e3o Europeia, foi expressiva arma antinacionalista, deixando entrever, ardilosamente, um bem maior, acima das rivalidades hist\u00f3ricas, das exclus\u00f5es, do surto de autonomismo, da independ\u00eancia econ\u00f4mica, cultural e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tal como a Inglaterra, ao lan\u00e7ar seu projeto de dom\u00ednio no mundo no s\u00e9culo XIX, excluiu competi\u00e7\u00e3o da Europa Continental, incentivando todas poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de atrito, pois, com os estados em conflito, ela estaria sem rival na conquista de pa\u00edses e regi\u00f5es por todos demais continentes. A p\u00e9rfida Albion sabia, pelas lutas nas ilhas brit\u00e2nicas, da import\u00e2ncia do idioma, base de forma\u00e7\u00e3o cultural, e a quantidade observada atualmente de pa\u00edses que t\u00eam o ingl\u00eas como idioma oficial, mostra a profundidade da coloniza\u00e7\u00e3o inglesa.<\/p>\n<p>A Europa est\u00e1 em crise. A Alemanha, mais rica e melhor estruturada ap\u00f3s sua unifica\u00e7\u00e3o, antes separada artificialmente pelas ideologias ent\u00e3o conflitantes, r\u00e1pida e consistentemente se transformou na pr\u00f3pria Europa, credora de todos os demais, controladora de fato da moeda \u00fanica, o euro, que destruiu as soberanias nacionais. Mas o colonialismo hoje tem caracter\u00edsticas distintas da vista nos s\u00e9culos anteriores.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio das finan\u00e7as prescinde da ocupa\u00e7\u00e3o territorial, caracter\u00edstica do colonialismo at\u00e9 a II Grande Guerra, e mesmo do dom\u00ednio industrial e tecnol\u00f3gico, caracter\u00edstica do colonialismo estadunidense. O que n\u00e3o dispensa o colonialismo, como nenhum poder jamais prescindiu, \u00e9 o dom\u00ednio das mentes, de atuar na capacidade de compreens\u00e3o das pessoas, no que denominamos pedagogia colonial.<\/p>\n<p>A pedagogia colonial n\u00e3o \u00e9 necessariamente usada para domina\u00e7\u00e3o estrangeira, os governos agem em seus pa\u00edses para manter a mesma estrutura de poder que os sustentam.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica usou amplamente esta pedagogia da exist\u00eancia e natureza de Deus, da quest\u00e3o da compatibilidade dos atributos divinos, dos problemas do mal, a onisci\u00eancia divina, durante o per\u00edodo medieval para dominar a Europa e onde triunfassem seus catequizadores. Podemos incluir, na cultura brasileira, esta f\u00e9 no ser superior, o te\u00edsmo, como consequ\u00eancia da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, conduzida por jesu\u00edtas, diferentemente do que ocorre na cultura confuciana dos chineses, que acreditam no humano, na materialidade da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas esta caracter\u00edstica que une crist\u00e3os, espiritualistas de todas correntes, pode ser utilizada como base de uma domina\u00e7\u00e3o estrangeira, como ocorre com a Teologia da Prosperidade, comum entre os neopentecostais, por onde se infiltra a ideologia neoliberal, a amoralidade dos ganhos.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o nacionalista para a cr\u00edtica das infiltra\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e para a consci\u00eancia de si e do outro \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, o conhecimento; um saber calcado na realidade nacional, como ensinou o ge\u00f3grafo e humanista Milton Santos (1926-2001), de forma po\u00e9tica e profunda, \u201co conhecimento do mundo vem do meu jardim\u201d. Por isso, durante todo per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o estrangeira, inclusive o atual, a educa\u00e7\u00e3o foi apenas um discurso demag\u00f3gico, sem objetividade, mera erudi\u00e7\u00e3o in\u00f3cua, se tanto. \u00c9 uma doutrina\u00e7\u00e3o, com importa\u00e7\u00e3o de ideias e doutrinas estrangeiras, com o adestramento acr\u00edtico, sem consci\u00eancia, sem intera\u00e7\u00e3o com as necessidades do Pa\u00eds e do seu povo.<\/p>\n<p>Excetuam-se duas \u00fanicas iniciativas.<\/p>\n<p>A de Get\u00falio Vargas (1882-1954), que empossado, em 3 de novembro de 1930, Presidente do Governo Provis\u00f3rio da Revolu\u00e7\u00e3o, cria, onze dias depois, em 14 de novembro, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>O Brasil jamais tivera, exceto pelo Minist\u00e9rio da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Correios e Tel\u00e9grafos, existente de 19 de abril de 1890 a 30 de outubro de 1891, para que o Marechal Deodoro da Fonseca atendesse ao General Benjamin Constant Botelho de Magalh\u00e3es, um organismo, no primeiro n\u00edvel da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, para cuidar da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda, de Leonel Brizola (1922-2004) e seu programa de incentivo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, com o slogan \u201cNenhuma Crian\u00e7a Sem Escola no RS\u201d, quando Governador do Rio Grande do Sul, construindo as \u201cbrizoletas\u201d, no total de 1.045 pr\u00e9dios escolares, com 3.360 salas de aula e capacidade para 235.200 alunos. Tamb\u00e9m deixando iniciados 113 pr\u00e9dios, com 483 salas e capacidade para 33.810 alunos. E, com Darcy Ribeiro, na edifica\u00e7\u00e3o dos 507 Centros Integrados de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica (CIEPs), e na reciclagem e treinamento de 24 mil professores e auxiliares de ensino, admitidos por concurso p\u00fablico, quando Governador do Estado de Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em toda hist\u00f3ria do Brasil, a educa\u00e7\u00e3o, descrita como \u201cuma fun\u00e7\u00e3o essencialmente p\u00fablica\u201d no documento \u201cA reconstru\u00e7\u00e3o educacional no Brasil: ao povo e ao governo\u201d, jamais teve, fora destes dois momentos, esta condu\u00e7\u00e3o. Este documento, conhecido como Manifesto dos Pioneiros da Educa\u00e7\u00e3o Nova, foi firmado, em 1932, por 26 educadores, entre eles figuras not\u00e1veis como: Afr\u00e2nio Peixoto, An\u00edsio Teixeira, Fernando de Azevedo, Louren\u00e7o Filho, Roquette Pinto, J\u00falio de Mesquita Filho, Delgado de Carvalho, Hermes Lima, Attilio Vivacqua, Ven\u00e2ncio Filho, Cec\u00edlia Meireles e Paschoal Lemme.<\/p>\n<p>O projeto nacionalista \u00e9 um projeto cultural, educacional, que capacite o brasileiro a ser um cidad\u00e3o, e como tal participar ativamente da vida nacional. \u00c9 este o que pode mudar efetivamente o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dom\u00ednio da pol\u00edtica atual, embora n\u00e3o queira assim se revelar explicitamente, \u00e9 id\u00eantico ao do velho e carcomido udenismo lacerdista: moralismo de fachada, antinacionalista e pr\u00f3-estadunidense. 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