{"id":264849,"date":"2021-08-02T03:51:07","date_gmt":"2021-08-02T06:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=264849"},"modified":"2021-08-02T04:54:43","modified_gmt":"2021-08-02T07:54:43","slug":"brasil-tenta-voltar-ao-normal-apesar-do-risco-da-variante-delta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-tenta-voltar-ao-normal-apesar-do-risco-da-variante-delta\/","title":{"rendered":"Brasil tenta voltar ao normal apesar do risco da variante Delta"},"content":{"rendered":"<p>Djs na orla da praia, polos gastron\u00f4micos, apresenta\u00e7\u00f5es culturais e campeonatos de futebol pelos bairros. As imagens de um passado j\u00e1 distante, pr\u00e9-pandemia de covid-19, podem voltar ao presente novamente dentro de um m\u00eas no Rio de Janeiro. Em uma esp\u00e9cie de decreto do fim da pandemia, com data marcada para setembro, a Prefeitura planeja quatro dias de festa. No Cear\u00e1, o novo normal j\u00e1 come\u00e7a a se esbo\u00e7ar: casamentos, anivers\u00e1rios e eventos sociais agora podem comportar at\u00e9 100 pessoas, ainda que apenas os anfitri\u00f5es estejam autorizados a tirar suas m\u00e1scaras durante as fotografias \u2014e dan\u00e7ar esteja proibido.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, onde morrem em m\u00e9dia 300 pessoas por dia pela doen\u00e7a, a partir de 17 de agosto as restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio devem chegar ao fim. Ancorados na queda de indicadores da pandemia e na amplia\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o, gestores brasileiros come\u00e7aram a relaxar as medidas adotadas no \u00faltimo um ano e meio para conter o v\u00edrus. E o setor comercial j\u00e1 se preparar para voltar a receber seu p\u00fablico habitual. Mas a ansiedade com o retorno \u00e0 normalidade preocupa especialistas, em um pa\u00eds que ainda registra diariamente uma m\u00e9dia de 1.000 mortes pelo coronav\u00edrus e onde novos casos voltaram a crescer, segundo o Observat\u00f3rio Covid-19 da Fiocruz. O alerta vem pela propaga\u00e7\u00e3o da variante delta, considerada muito mais transmiss\u00edvel que as anteriores, segundo apontou o principal \u00f3rg\u00e3o de sa\u00fade norte-americano em um relat\u00f3rio confidencial vazado nesta quinta-feira.<\/p>\n<p>De acordo com o documento interno do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, a variante, detectada no Brasil pela primeira vez em maio deste ano, no Maranh\u00e3o, parece causar mais doen\u00e7as graves do que todas as outras vers\u00f5es conhecidas do coronav\u00edrus, ainda que vacinados estejam bem protegidos. \u00c9, ainda, mais transmiss\u00edvel que os v\u00edrus do Ebola, da gripe espanhola ou da var\u00edola. E t\u00e3o transmiss\u00edvel quanto o da catapora. O \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o apresenta dados detalhados no documento, mas aponta que a quantidade de v\u00edrus em uma pessoa infectada com esta cepa \u00e9 1.000 vezes maior do que nos afetados pela cepa original do Sars-Cov-2. E tanto vacinados quanto n\u00e3o vacinados infectados podem transmiti-lo, embora os imunizados em menor frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>O documento sugere que o passo imediato \u00e9 \u201creconhecer que a guerra mudou\u201d e recomenda a volta de uso de m\u00e1scaras e o refor\u00e7o na vacina\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos, que lutam contra um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas que recusam se vacinar, j\u00e1 voltou a recomendar o uso de m\u00e1scaras em lugares fechados, mesma medida j\u00e1 tomada em Israel. Os Pa\u00edses Baixos tamb\u00e9m voltaram a fechar as discotecas, cuja abertura havia se tornado um s\u00edmbolo da liberdade recuperada.<\/p>\n<p>No Brasil, o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o vem provocando uma sensa\u00e7\u00e3o maior de seguran\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds se espalham promo\u00e7\u00f5es de bares com descontos para quem apresentar o comprovante de vacina\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 empresas liberando a primeira parcela do d\u00e9cimo terceiro para os funcion\u00e1rios que j\u00e1 tomaram a primeira dose. Os que sentiram diretamente os efeitos da quarentena com a impossibilidade de trabalhar pelas restri\u00e7\u00f5es est\u00e3o animados com o retorno. \u201cA sa\u00fade vem em primeiro lugar, mas o setor de eventos estava num alto n\u00edvel de desespero pela indecis\u00e3o\u201d, conta a celebrante de casamentos Sarah Coelho. Ela atua no Cear\u00e1, que nesta semana autorizou a realiza\u00e7\u00e3o de eventos sociais e corporativos com capacidade m\u00e1xima de 100 pessoas em locais fechados e de 200 em ambientes abertos.<\/p>\n<p>A pandemia lhe tirou a previsibilidade caracter\u00edstica do setor, com casamentos geralmente planejados com meses de anteced\u00eancia. \u201cMesmo para quem tem muita consci\u00eancia [da pandemia] estava dif\u00edcil de estabelecer uma rotina, um planejamento financeiro e as prioridades\u201d, conta. Com a decis\u00e3o de liberar os eventos, ela diz que diminuiu a tens\u00e3o com fornecedores e clientes. \u201c\u00c9 um \u00e2nimo, um encorajamento grande, a retomada. (&#8230;) A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que abriram as torneiras. A vacina\u00e7\u00e3o aumentou o ritmo, e as pessoas se animaram. Isso repercutiu nos pedidos de or\u00e7amento\u201d, conta. Coelho acredita que isso deve perdurar enquanto durar o decreto estadual \u2015at\u00e9 o momento, as normas valem at\u00e9 8 de agosto, mas o governador estuda medidas ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o de quatro casos da variante delta nesta semana no Estado e ainda decidir\u00e1 se muda ou n\u00e3o as regras. \u201cA gente torce para que as pessoas realizem suas festas, mas com a consci\u00eancia que a pandemia n\u00e3o acabou\u201d, afirma Coelho.<\/p>\n<p>O Brasil identificou infec\u00e7\u00f5es com esta cepa em 10 Estados e no Distrito Federal. O pa\u00eds conseguiu acelerar a vacina\u00e7\u00e3o com a primeira dose, mas a cobertura vacinal completa ainda \u00e9 baixa: apenas 23% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente imunizada ou com as duas doses da vacina ou com a dose \u00fanica da vacina da Janssen. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o com a delta tem que ser levada em conta para repensar as reaberturas. N\u00e3o \u00e9 o momento adequado para reabrir porque n\u00e3o sabemos o quanto ela est\u00e1 circulando e a vacina\u00e7\u00e3o no Brasil ainda est\u00e1 baixa\u201d, afirma a microbiologista Nat\u00e1lia Pasternak. Ela aponta que a imuniza\u00e7\u00e3o deve melhorar a partir de agosto e setembro, com a chegada de novas remessas de imunizantes, mas opina que reabrir agora pode ser precoce. \u201cPrecisamos manter e, no caso do Brasil, at\u00e9 intensificar as medidas preventivas. Os n\u00fameros em queda s\u00e3o um entusiasmo a ser dividido com a popula\u00e7\u00e3o, mas com cautela para evitar uma nova onda\u201d, explica.<\/p>\n<p>A cientista e epidemiologista Denise Garrett diz que as vacinas continuam protegendo contra o coronav\u00edrus, mas a delta tem um \u201cpotencial devastador\u201d entre os n\u00e3o vacinados e, por isso, acredita que este n\u00e3o \u00e9 o momento de flexibilizar. \u201cEu sei que est\u00e1 todo mundo cansado, mas pelo que tenho visto a\u00ed \u00e9 quase um: estamos livres da pandemia\u201d, diz. \u201cTemos uma nova variante se instalando no pa\u00eds. Sabemos que ela tem capacidade de escapar \u00e0 imunidade natural. E temos um pa\u00eds que vai ser um mar de suscet\u00edveis porque a cobertura com duas doses est\u00e1 muito baixa. Temos quase 80% da popula\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel\u201d, destaca.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 algo que pode colocar em risco at\u00e9 o esfor\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o\u201d, alerta. As vacinas funcionam, mas nenhuma delas tem efic\u00e1cia de 100% na vida real. Garret usa uma met\u00e1fora de Pasternak para explicar: \u00e9 como se a vacina fosse um goleiro. Mesmo se ele tivesse a efic\u00e1cia de 95% e conseguisse pegar 95% das bolas, se come\u00e7a a vir muita bola, vai ter muito mais gol. \u00c0 maior transmiss\u00e3o da delta, soma-se o aumento de breakthroughs \u2015ou seja, a infec\u00e7\u00e3o mesmo em comunidades vacinadas. \u201cA prote\u00e7\u00e3o para infec\u00e7\u00e3o diminuiu com a delta, embora se mantenha para casos graves e \u00f3bitos\u201d, salienta.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o, adotar outras medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas para combater a delta, como uso de m\u00e1scaras e distanciamento social. Garret diz que, mesmo em locais que n\u00e3o tomaram muitas medidas para frear a delta, ela provoca uma onda exponencial forte, mas de curta dura\u00e7\u00e3o. \u201cEla \u00e9 t\u00e3o transmiss\u00edvel que esgota os suscet\u00edveis r\u00e1pido\u201d, aponta. As pesquisadoras defendem que n\u00e3o \u00e9 o momento para baixar a guarda. \u201cJ\u00e1 vimos os estragos em outros pa\u00edses. Mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7ando no Brasil, n\u00e3o podemos deixar o entusiasmo se sobrepor \u00e0 cautela\u201d, finaliza Pasternak.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Djs na orla da praia, polos gastron\u00f4micos, apresenta\u00e7\u00f5es culturais e campeonatos de futebol pelos bairros. As imagens de um passado j\u00e1 distante, pr\u00e9-pandemia de covid-19, podem voltar ao presente novamente dentro de um m\u00eas no Rio de Janeiro. 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