{"id":265921,"date":"2021-08-12T00:02:51","date_gmt":"2021-08-12T03:02:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=265921"},"modified":"2021-08-12T09:05:27","modified_gmt":"2021-08-12T12:05:27","slug":"saude-manifesta-preocupacao-com-partos-apressados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/saude-manifesta-preocupacao-com-partos-apressados\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com partos &#8216;apressados&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Dos 287.166 partos realizados atrav\u00e9s de planos de sa\u00fade privados em 2019, 84,76% foram por cesariana. O dado consta no Painel de Indicadores de Aten\u00e7\u00e3o Materna e Neonatal, atualizado\u00a0 pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). Ele apresenta n\u00fameros nacionais que podem ser consultados por qualquer interessado e filtrados por operadora e por hospital ou maternidade.<\/p>\n<p>O painel mostra que 56,71% das ces\u00e1reas foram realizadas antes do in\u00edcio do trabalho de parto. Para a ANS, \u00e9 um dado que aponta para um cen\u00e1rio preocupante. &#8220;Segundo resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina (CFM), uma cirurgia cesariana antes do in\u00edcio do trabalho de parto deveria acontecer apenas depois das 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a ag\u00eancia em nota.<\/p>\n<p>De acordo com a ANS, o beb\u00ea est\u00e1 pronto para nascer com 40 a 42 semanas. O maior percentual de ces\u00e1reas (37,29%) ocorreu em mulheres com idade gestacional entre 37 e 38 semanas. &#8220;Beb\u00eas nascidos abaixo de 39 semanas t\u00eam mais chances de apresentar incapacidade de manuten\u00e7\u00e3o da temperatura corporal, imaturidade pulmonar e maior dificuldade de suc\u00e7\u00e3o do leite materno&#8221;, acrescenta a nota.<\/p>\n<p>Em 2018, um estudo publicado na revista cient\u00edfica Lancet comparou a taxa de ces\u00e1reas em diferentes pa\u00edses. O Brasil ficou atr\u00e1s apenas da Rep\u00fablica Dominicana. As ces\u00e1reas, realizadas tanto pelos servi\u00e7os privados como pelos p\u00fablicos, representavam 55,5% do total de partos no pa\u00eds. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indica que, em termos populacionais, n\u00e3o s\u00e3o verificados benef\u00edcios para a sa\u00fade de m\u00e3es e beb\u00eas quando as taxas s\u00e3o superiores a 10%.<\/p>\n<p>&#8220;Dados da pesquisa Nascer Saud\u00e1vel realizada pela Fiocruz [Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz] demonstram que a maioria das mulheres inicia o pr\u00e9-natal optando pelo parto vaginal e mudam de opini\u00e3o ao longo da gesta\u00e7\u00e3o. As principais causas determinantes da elevada propor\u00e7\u00e3o de cirurgias cesarianas no Brasil incluem a forma atual de organiza\u00e7\u00e3o da rede de hospitais, que n\u00e3o favorece o parto vaginal, o modelo de remunera\u00e7\u00e3o baseado na realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos, a preponder\u00e2ncia de uma cultura m\u00e9dica intervencionista e as caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas e culturais das pacientes, dentre outras&#8221;, avalia a ANS.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do Painel de Indicadores de Aten\u00e7\u00e3o Materna e Neonatal, \u00e9 poss\u00edvel comparar as taxas de cada operadora. A ferramenta tamb\u00e9m permite obter recortes espec\u00edficos por localidade, faixa-et\u00e1ria, escolaridade e ra\u00e7a das gestantes. Roraima, Rond\u00f4nia, Rio Grande do Norte e Piau\u00ed s\u00e3o os estados que registraram as maiores taxas.<\/p>\n<p>A ANS observa que as informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas ainda n\u00e3o permitem avaliar poss\u00edveis impactos da pandemia de covid-19, pois nem todas as bases de dados usadas para aliment\u00e1-lo abarcam o per\u00edodo de 2020 e 2021. A \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o havia ocorrido em dezembro de 2019, quando o painel foi criado. Na ocasi\u00e3o, os dados sobre os partos abarcavam at\u00e9 os anos de 2017 e de 2018. N\u00e3o houve uma variabilidade significativa nos percentuais. Em 2018, 85,24% dos partos realizados atrav\u00e9s de planos de sa\u00fade privados foram cesarianas.<\/p>\n<p>Um indicador que teve varia\u00e7\u00e3o positiva refere-se ao percentual de partos vaginais acompanhados por enfermeiro ou enfermeira obstetra. Esses profissionais s\u00e3o capacitados para avaliar o bem-estar da m\u00e3e e do beb\u00ea em diferentes n\u00edveis. Em 2019, eles atuaram em 10,76% dos partos vaginais. Em 2018, esse percentual foi de 10,01% e, em 2017, de 8,46%.<\/p>\n<p>Na \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o do Rol de Procedimentos e Eventos em Sa\u00fade, a ANS incluiu consultas com enfermeiro obstetra durante o pr\u00e9-natal. Desde abril deste ano, os planos s\u00e3o obrigados a garantir esse atendimento. Estudos da Fiocruz apontam que a atua\u00e7\u00e3o da enfermagem obst\u00e9trica propicia maiores cuidados, contribuindo para a diminui\u00e7\u00e3o das interven\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias no trabalho de parto, para a obten\u00e7\u00e3o de melhores resultados psicossociais e para a redu\u00e7\u00e3o de \u00f3bitos maternos e infantis.<\/p>\n<p><strong>Parto adequado<\/strong><br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o do Painel de Indicadores de Aten\u00e7\u00e3o Materna e Neonatal em dezembro de 2019 foi um desdobramento do Movimento Parto Adequado, campanha nacional articulada pela ANS em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e com o Hospital Israelita Albert Einstein. A iniciativa tamb\u00e9m conta com o apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo) e da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo).<\/p>\n<p>A campanha busca, com base em evid\u00eancias cient\u00edficas, reverter o volume de cesarianas desnecess\u00e1rias realizadas no pa\u00eds. Desde 2015, est\u00e3o sendo desenvolvidas diversas a\u00e7\u00f5es em favor da qualidade da aten\u00e7\u00e3o materna e neonatal, entre elas audi\u00eancias p\u00fablicas, constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que garantam o protagonismo das mulheres na discuss\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de coaliz\u00f5es com os principais atores em torno do tema.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do painel foi pensado com o intuito de reunir dados que contribuam para se pensar a regula\u00e7\u00e3o realizada pela ANS e favore\u00e7a o acesso de informa\u00e7\u00f5es precisas e qualificadas para pesquisadores, imprensa e sociedade em geral. Ele foi organizado como parte da fase 3 do Movimento Parto Adequado. Nessa mesma fase, foi criado no ano passado um selo para certificar a operadoras de planos de sa\u00fade que cumprissem alguns requisitos pr\u00e9-estabelecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos 287.166 partos realizados atrav\u00e9s de planos de sa\u00fade privados em 2019, 84,76% foram por cesariana. O dado consta no Painel de Indicadores de Aten\u00e7\u00e3o Materna e Neonatal, atualizado\u00a0 pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). 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