{"id":266129,"date":"2021-08-14T09:36:11","date_gmt":"2021-08-14T12:36:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=266129"},"modified":"2021-08-14T09:36:39","modified_gmt":"2021-08-14T12:36:39","slug":"terceira-dose-para-idosos-gera-expectativa-em-todo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/terceira-dose-para-idosos-gera-expectativa-em-todo-mundo\/","title":{"rendered":"Terceira dose para idosos gera expectativa geral"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7a no mundo de forma lenta, e novas variantes de coronav\u00edrus surgem, a humanidade avan\u00e7a por um terreno desconhecido: ser\u00e1 que as vacinas continuam protegendo com a mesma efic\u00e1cia? Ser\u00e1 necess\u00e1ria uma terceira dose de refor\u00e7o? S\u00e3o perguntas para as quais ainda n\u00e3o h\u00e1 respostas claras. Numerosos estudos tratam de averiguar como o sistema imunol\u00f3gico reage ao coronav\u00edrus e \u00e0s suas muta\u00e7\u00f5es, mas at\u00e9 agora n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia que avalize uma terceira inje\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar a prote\u00e7\u00e3o. Apenas em pessoas imunodeprimidas \u2013 como pacientes oncol\u00f3gicos ou rec\u00e9m-transplantados \u2013 ficou demonstrado que essa dose de \u201clembran\u00e7a\u201d \u00e9 conveniente, mas n\u00e3o tanto como refor\u00e7o, e sim porque suas defesas n\u00e3o respondem de maneira suficiente \u00e0s duas doses habituais.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, a ag\u00eancia norte-americana de medicamentos (FDA, na sigla em ingl\u00eas) aprovou na noite desta quinta-feira a administra\u00e7\u00e3o de uma terceira dose para pessoas com imunodefici\u00eancias, algo que a Fran\u00e7a j\u00e1 faz h\u00e1 meses. Coisa bem diferente \u00e9 o que vem fazendo Israel, que j\u00e1 est\u00e1 oferecendo esta dose adicional a todos os maiores de 60 anos \u2013 e, nesta faixa et\u00e1ria, 60% j\u00e1 a receberam, algo mais de 700.000 pessoas, informa Juan Carlos Sanz. A Fran\u00e7a, o Reino Unido e a Alemanha pretende seguir o mesmo caminho a partir de setembro. Israel inclusive est\u00e1 estudando seguir com a terceira inje\u00e7\u00e3o em todos os maiores de 40. \u201cIsto n\u00e3o faz sentido\u201d, opina Roselyn Lemus-Martin, pesquisadora de novos tratamentos e vacinas da Universidade de Oxford, para quem a ci\u00eancia n\u00e3o avaliza esta terceira inje\u00e7\u00e3o, salvo nos casos descritos anteriormente. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) fez um apelo aos pa\u00edses ricos para que se abstenham de administrar esta nova dose enquanto pelo menos 10% da popula\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses do mundo n\u00e3o tiverem recebido a primeira.<\/p>\n<p>Apesar de o Chile ter recomendado a aplica\u00e7\u00e3o da terceira dose para os que tomaram a Coronavac, no Brasil, a ideia \u00e9 recha\u00e7ada pelo Governo de S\u00e3o Paulo, esp\u00e9cie de patrono da vacina chinesa no pa\u00eds. O governador Jo\u00e3o Doria (PSDB) afirmou no in\u00edcio do m\u00eas que a terceira dose \u00e9 uma \u201cinutilidade\u201d. \u201cIsso \u00e9 uma inutilidade. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade de voc\u00ea tomar uma terceira dose da Coronavac, bastam as duas doses, que \u00e9 o que recomenda a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u201d, disse o governador em entrevista ao portal Metr\u00f3poles, no in\u00edcio do m\u00eas. De fato, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes e nem um consenso entre os cientistas de que uma terceira dose \u00e9 realmente necess\u00e1ria. Por isso, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade encomendou um estudo para avaliar a efetividade de uma terceira dose da Coronavac. Realizada em parceira com a Universidade de Oxford, a pesquisa dever\u00e1 ficar pronta em novembro.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia da vacina \u00e9 inquestion\u00e1vel, pois ela fez o n\u00famero de mortos despencar, mas um crescente n\u00famero de especialistas suspeita que o n\u00edvel de imuniza\u00e7\u00e3o pode cair entre os idosos, que foram os primeiros a serem vacinados. Jos\u00e9 Augusto Garc\u00eda, presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia, soma-se \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o de estudos que revelem o estado sorol\u00f3gico dos idosos nos asilos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma justificativa para que na Espanha, um pa\u00eds desenvolvido, com m\u00e9dicos de primeira linha no mundo da imunologia e vacinologia, ele j\u00e1 n\u00e3o esteja em andamento. Pode ser uma iniciativa do sistema p\u00fablico de sa\u00fade, de algum governo regional, de universidades ou inclusive do setor privado, e se as ag\u00eancias de sa\u00fade europeias colaborarem, em n\u00edvel internacional, melhor ainda\u201d, prossegue.<\/p>\n<p>O geriatra explica que os idosos geralmente s\u00e3o muito fr\u00e1geis e t\u00eam doen\u00e7as cr\u00f4nicas, apresentando uma menor resposta imunol\u00f3gica, o que se conhece como imunossenesc\u00eancia: \u201cO sistema imunol\u00f3gico tamb\u00e9m envelhece e fica com menos capacidade de resposta a uma agress\u00e3o externa\u201d. As vacinas n\u00e3o s\u00e3o 100% infal\u00edveis, e a variante delta \u00e9 mais contagiosa, algo que explica o aumento de casos. Garc\u00eda prop\u00f5e aguardar \u201cestudos cient\u00edficos s\u00f3lidos\u201d e as \u201crecomenda\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Europeia do Medicamento e da FDA\u201d. Mas insiste em que, se for necess\u00e1ria uma terceira dose, \u201c\u00e9 preciso come\u00e7ar com as pessoas de maior idade e com maior carga de doen\u00e7a cr\u00f4nica, seja vivendo em asilos ou em seus domic\u00edlios, e pelas pessoas com imunodepress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Estudos sobre a imunidade<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 h\u00e1 alguns estudos em andamento. Um deles, realizado pelo Instituto de Pesquisas da Aids IrsiCaixa, com a participa\u00e7\u00e3o de 98 pessoas, mostrava que os n\u00edveis de anticorpos ca\u00edam em maiores de 65 anos tr\u00eas meses depois da inje\u00e7\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rios estudos que v\u00e3o por este mesmo caminho. Entretanto, isto n\u00e3o esclarece se a vacina continua sendo eficaz, explica Marcos L\u00f3pez Hoyos, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia: \u201cO que procuramos com a vacina \u00e9 gerar mem\u00f3ria imunol\u00f3gica. Os anticorpos s\u00e3o as balas: se estiverem no sangue, melhor; mas se n\u00e3o estiverem e o sistema imunol\u00f3gico reconhecer o v\u00edrus, pode fabric\u00e1-las para lutar contra ele\u201d.<\/p>\n<p>Aqui entra em jogo a imunidade celular, que n\u00e3o se pode medir com testes de anticorpos. As c\u00e9lulas B s\u00e3o capazes de fabricar anticorpos quando detectam a presen\u00e7a de um agente patog\u00eanico conhecido, e as T podem elimin\u00e1-lo por si mesmos. A combina\u00e7\u00e3o de ambas \u00e9 o que gera uma boa resposta aos intrusos que penetram no corpo humano. E isto \u00e9 o que ainda n\u00e3o se sabe. \u201cH\u00e1 v\u00e1rias equipes investigando. N\u00e3o posso dar os resultados, mas tudo indica que a mem\u00f3ria imunol\u00f3gica com estas vacinas \u00e9 duradoura\u201d, afirma L\u00f3pez Hoyos, que reconhece a necessidade de estudar de forma mais detalhadas a situa\u00e7\u00e3o dos idosos, j\u00e1 que seu sistema imunol\u00f3gico reage pior que o dos mais jovens.<\/p>\n<p>O Grupo Social Lares, entidade que re\u00fane asilos geri\u00e1tricos sem fins lucrativos na Espanha, mostra-se prudente. Seu presidente, Juan Vela, diz tratar-se de \u201cum assunto de sa\u00fade p\u00fablica\u201d. As outras tr\u00eas grandes entidades setoriais pedem pressa. \u201cQue haja um estudo. E, se for preciso, pedimos uma terceira dose em setembro, que se organize a vacina\u00e7\u00e3o dos idosos outra vez, mas que nos digam isso\u201d, reclama Cinta Pascal, presidenta do C\u00edrculo Empresarial de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s Pessoas. \u201cO pr\u00f3prio laborat\u00f3rio Pfizer recomendou uma terceira inje\u00e7\u00e3o. Pedimos um trato preferencial e que nos deem o quanto antes\u201d, solicita Ignacio Fern\u00e1ndez, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Empresarial da Depend\u00eancia. Jes\u00fas Cubero, secret\u00e1rio-geral da Associa\u00e7\u00e3o de Empres\u00e1rios da Depend\u00eancia, pede coragem ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e tamb\u00e9m considera necess\u00e1rio que se comece a programar imediatamente a terceira dose, antes da chegada do outono europeu. \u201cJ\u00e1 tomaram a decis\u00e3o no Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha, Israel \u2013 s\u00e3o espelhos que devemos observar\u201d, diz. \u201c\u00c9 preciso tomar decis\u00f5es e por uma vez nos anteciparmos aos fatos, que os pol\u00edticos n\u00e3o esperem que a realidade lhes ultrapasse\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que se trata de uma decis\u00e3o mais pol\u00edtica do que cient\u00edfica, quando ainda n\u00e3o se sabe se ser\u00e1 necess\u00e1ria uma terceira dose ou quando. Como resume Federico Martin\u00f3n, assessor da OMS para vacinas: \u201cO mais urgente \u00e9 que toda a popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel receba a primeira dose, independentemente de onde estiver. O seguinte mais urgente \u00e9 que se complete a pauta vacinal na popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, independentemente de onde estiver. E, a partir de ent\u00e3o, cogitamos a terceira dose. Algo que j\u00e1 est\u00e1 sendo estudado, em termos de seguran\u00e7a e rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica, j\u00e1 que \u00e9 um cen\u00e1rio poss\u00edvel, e devemos estar preparados para faz\u00ea-lo com todas as garantias. De novo, primeiro nos grupos mais vulner\u00e1veis\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7a no mundo de forma lenta, e novas variantes de coronav\u00edrus surgem, a humanidade avan\u00e7a por um terreno desconhecido: ser\u00e1 que as vacinas continuam protegendo com a mesma efic\u00e1cia? Ser\u00e1 necess\u00e1ria uma terceira dose de refor\u00e7o? S\u00e3o perguntas para as quais ainda n\u00e3o h\u00e1 respostas claras. 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