{"id":266225,"date":"2021-08-15T10:33:45","date_gmt":"2021-08-15T13:33:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=266225"},"modified":"2021-08-15T11:37:18","modified_gmt":"2021-08-15T14:37:18","slug":"cidades-precisam-se-preparar-para-a-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cidades-precisam-se-preparar-para-a-crise-climatica\/","title":{"rendered":"Cidades precisam se preparar para a crise clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou como era a sua cidade muito antes de ser uma cidade? Quais animais andavam por onde hoje trafegam carros, \u00f4nibus e motocicletas? Que tipo de vegeta\u00e7\u00e3o era dominante, ou quais povos habitavam a regi\u00e3o?<\/p>\n<p>As \u00e1reas urbanas, hoje ocupadas por ruas, avenidas, casas, com\u00e9rcios movimentados, onde vivem 70% dos habitantes do planeta, nem sempre foram assim. A maioria das cidades do mundo nasceu \u00e0s margens dos rios e hoje convive com eles: Paris e o Rio Sena; Londres e o Rio T\u00e2misa; Porto Alegre e o Rio Gua\u00edba; e S\u00e3o Paulo, que cresceu entre os rios Pinheiros e Tiet\u00ea. Suas \u00e1guas eram utilizadas para suprir todas as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, como abastecimento, pesca, transporte, limpeza, dessedenta\u00e7\u00e3o de animais e lazer.<\/p>\n<p>Quantos de n\u00f3s ainda lembram de tomar banho de rio, apenas algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s? Isso mostra a nossa depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o ecossist\u00eamico mais precioso do mundo: a \u00e1gua limpa. Nossas cidades foram constru\u00eddas por cima de um ambiente natural e at\u00e9 hoje vemos reflexos desta ocupa\u00e7\u00e3o, muitas vezes realizada sem planejamento. As cidades se desenvolveram \u00e0 margem dos rios e depois os esconderam, buscando em cursos d\u2019\u00e1gua mais long\u00ednquos aquilo que seu ber\u00e7o n\u00e3o mais conseguia prover.<\/p>\n<p>Em momentos de chuvas intensas, \u00e9 muito comum que os rios, escondidos, despercebidos, embaixo daquela avenida t\u00e3o movimentada, transbordem. \u00c9 ent\u00e3o que seus habitantes se d\u00e3o conta de que ainda est\u00e3o ali, vivos, din\u00e2micos, pulsando sob o asfalto. Em momentos de secas e estiagens severas, nos lembramos que existe \u00e1gua debaixo da terra: aumenta o n\u00famero de po\u00e7os artesianos perfurados e a preocupa\u00e7\u00e3o sobre um futuro com escassez h\u00eddrica. Mas essa preocupa\u00e7\u00e3o normalmente \u00e9 lavada pela primeira chuva que traz de volta outros problemas, como os res\u00edduos descartados sem o devido cuidado, que entopem bueiros e assim atrapalham que a \u00e1gua das chuvas chegue em seu destino natural\u2026 o rio, que est\u00e1 ali, canalizado, seguindo seu fluxo.<\/p>\n<p>Muitas cidades j\u00e1 est\u00e3o percebendo que n\u00e3o adianta lutar contra a for\u00e7a da natureza. N\u00e3o adianta canalizar rios, cortar \u00e1rvores, impermeabilizar todo o solo, e ent\u00e3o torcer pela quantidade de chuva adequada e por temperaturas mais amenas. A crise clim\u00e1tica que bate \u00e0 nossa porta tem como uma de suas principais consequ\u00eancias a altera\u00e7\u00e3o nos padr\u00f5es de chuva. As tend\u00eancias de impactos da mudan\u00e7a do clima variam muito de uma regi\u00e3o para outra, mas de forma geral, podemos perceber eventos clim\u00e1ticos mais extremos, como chuvas intensas ocorrendo com maior frequ\u00eancia e estiagens mais prolongadas. As cidades costeiras t\u00eam preocupa\u00e7\u00f5es adicionais, como o aumento do n\u00edvel do mar, a intrus\u00e3o salina (invas\u00e3o de \u00e1gua salgada no len\u00e7ol fre\u00e1tico) e a maior frequ\u00eancia de tempestades mais fortes, que podem se tornar ciclones ou furac\u00f5es.<\/p>\n<p>Muitas localidades j\u00e1 usam a for\u00e7a e a sabedoria da natureza a seu favor. Na cidade de Rio Cheonggyecheon, Coreia do Sul, em um curto espa\u00e7o de tempo, o rio que cruza a \u00e1rea central foi revitalizado. Um projeto complexo foi necess\u00e1rio, com a implos\u00e3o de um enorme viaduto de concreto e o est\u00edmulo ao uso do transporte p\u00fablico. Como recompensa, hoje o rio \u00e9 habitado por peixes, possui cascatas e parques lineares em seu entorno e se transformou em novo ponto tur\u00edstico.<\/p>\n<p>No Brasil, Recife (PE) j\u00e1 est\u00e1 colocando em pr\u00e1tica o projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do Rio Capibaribe, com planejamento urbano integrado a Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza. O rio que divide a cidade, vai passar a ser ponto de encontro e orgulho para seus moradores. Em Curitiba (PR), o Rio Barigui apresenta diversos parques em suas margens, sendo o mais famoso \u2013 o Parque Barigui \u2013 criado na d\u00e9cada de 1970 sob a justificativa de que seu lago servisse como bacia de conten\u00e7\u00e3o de cheias. Hoje \u00e9 o parque mais amado da capital paranaense e uma avalia\u00e7\u00e3o de retorno de investimento, realizada pela prefeitura em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, identificou que a cada R$ 1 investido no local, retornam para a cidade R$ 12,50.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que as cidades fa\u00e7am as pazes com seus rios e reconhe\u00e7am ali a grandiosidade da vida e enormes oportunidades de transforma\u00e7\u00e3o social. Grandes metr\u00f3poles do mundo t\u00eam nos cursos d\u2019\u00e1gua seu cart\u00e3o postal, contando com a paisagem do entorno dos rios para gerar oportunidades de neg\u00f3cios, lazer, turismo e recrea\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o. Crises s\u00e3o oportunidades e a crise clim\u00e1tica pode ser uma boa chance para que as \u00e1reas urbanas se reconciliem com seus recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p><strong>* Especialista em Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza na Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou como era a sua cidade muito antes de ser uma cidade? Quais animais andavam por onde hoje trafegam carros, \u00f4nibus e motocicletas? Que tipo de vegeta\u00e7\u00e3o era dominante, ou quais povos habitavam a regi\u00e3o? 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