{"id":267428,"date":"2021-08-27T08:03:02","date_gmt":"2021-08-27T11:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=267428"},"modified":"2021-08-27T11:08:24","modified_gmt":"2021-08-27T14:08:24","slug":"peixes-leoes-invadem-e-ameacam-vida-marinha-em-noronha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/peixes-leoes-invadem-e-ameacam-vida-marinha-em-noronha\/","title":{"rendered":"Peixes-le\u00f5es invadem e amea\u00e7am vida marinha"},"content":{"rendered":"<p>Equipe do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) capturou neste m\u00eas peixes-le\u00f5es da esp\u00e9cie Pterois volitans, invasora e venenosa, que est\u00e3o congelados e ser\u00e3o encaminhados para an\u00e1lise gen\u00e9tica na Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n<p>O analista ambiental do ICMBio, Ricardo Ara\u00fajo, coordenador de Pesquisa, Monitoramento e Manejo, disse que este j\u00e1 \u00e9 o quarto peixe dessa esp\u00e9cie capturado no Arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha. O primeiro caso ocorreu em dezembro do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 um bicho ex\u00f3tico, ele n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelos predadores como uma presa. Ou seja, ele n\u00e3o \u00e9 comido por quase ningu\u00e9m. \u00c9 um bicho voraz e ao mesmo tempo, \u00e9 uma potencial amea\u00e7a; come os outros bichos mais facilmente\u201d, explicou o especialista. \u201cEle come muito, se reproduz r\u00e1pido e n\u00e3o \u00e9 reconhecido como um predador. Esse \u00e9 o problema dele\u201d.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo comentou que os animais nativos do arquip\u00e9lago v\u00e3o sofrer com um problema ambiental, porque essa esp\u00e9cie marinha vai comer os filhotes dos outros bichos, acarretando falta de outros peixes. \u201c\u00c9 um problema ambiental e pode ser tamb\u00e9m socioambiental\u201d.<\/p>\n<p>Monitoramento<br \/>\nO ICMBio vem monitorando o animal, junto com empresas de mergulho e mergulhadores da ilha, bem antes de o peixe-le\u00e3o aparecer na regi\u00e3o. A esp\u00e9cie Pterois volitans \u00e9 nativa da Indon\u00e9sia. Foi levada para a Fl\u00f3rida e dali se espalhou para o Caribe, est\u00e1 descendo e chegando ao Brasil. Para descobrir corretamente de onde o peixe veio, os pesquisadores ter\u00e3o de investigar a gen\u00e9tica do animal, o que dever\u00e1 ser feito na UFF.<\/p>\n<p>No momento, o instituto est\u00e1 fazendo a capacita\u00e7\u00e3o de mergulhadores para que eles reconhe\u00e7am a esp\u00e9cie e saibam o que fazer se o encontrarem. \u201cA gente agora vai come\u00e7ar a fazer uma ca\u00e7a mais ativa dele. Procurar o bicho para retir\u00e1-lo do ambiente\u201d, explicou Ricardo Ara\u00fajo. Ele disse ainda que esse \u00e9 o primeiro peixe ex\u00f3tico capturado pelo ICMBio no Arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha.<\/p>\n<p>An\u00e1lises<br \/>\nOs pesquisadores do Departamento de Biologia Marinha da UFF, sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor Claudio Eduardo Leite Ferreira, junto com pesquisadores de outras institui\u00e7\u00f5es do Brasil, dos Estados Unidos e do ICMBio, est\u00e3o aguardando o envio dos peixes-le\u00f5es capturados em Fernando de Noronha e tamb\u00e9m na Foz do Amazonas, para iniciar as an\u00e1lises.<\/p>\n<p>O professor Leite Ferreira informou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que ser\u00e1 retirado tecido dos animais para fazer teste de DNA. Com isso, os pesquisadores v\u00e3o saber se ele faz parte da popula\u00e7\u00e3o do Caribe. \u201cCom certeza faz, mas o DNA vai ajudar a comprovar isso\u201d. Ser\u00e3o feitos tamb\u00e9m estudos da din\u00e2mica populacional dessa esp\u00e9cie que est\u00e1 invadindo o Brasil. \u201cS\u00e3o os peixes-le\u00f5es brazucas!\u201d, brincou.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o retirados ainda a g\u00f4nada, para ver como est\u00e1 o estado reprodutivo do animal, e o ot\u00f3lito, osso situado dentro da cabe\u00e7a, no ouvido interno, relacionado ao equil\u00edbrio. \u201cCom esse ot\u00f3lito, a gente vai saber qual \u00e9 a idade dele\u201d. O est\u00f4mago ser\u00e1 aberto para ver o que o peixe-le\u00e3o est\u00e1 comendo, quais s\u00e3o as presas preferenciais dele. \u201cFaz-se um estudo de gen\u00e9tica e de din\u00e2mica populacional\u201d, acrescentou o professor.<\/p>\n<p>Conten\u00e7\u00e3o<br \/>\nNeste in\u00edcio de invas\u00e3o, Ferreira afirmou que o que pode ser feito, como ocorreu no Caribe, \u00e9 conter a popula\u00e7\u00e3o no processo de captura, para manter baixa a presen\u00e7a do animal. \u201cAssim, a gente diminui a abund\u00e2ncia dele\u201d.<\/p>\n<p>Carlos Eduardo Leite Ferreira informou que assim como o mangang\u00e1, tamb\u00e9m conhecido como peixe-escorpi\u00e3o ou peixe-pedra, o peixe-le\u00e3o tem espinhos nas nadadeiras que s\u00e3o altamente venenosos. A esp\u00e9cie, no entanto, pode ser comida. O problema, segundo o professor, \u00e9 saber manuse\u00e1-la. Ao contr\u00e1rio do mangang\u00e1, cujo veneno pode causar a morte, os espinhos do peixe-le\u00e3o provocam apenas inflama\u00e7\u00e3o, assegurou o professor da UFF. \u201cComo outros peixes venenosos, tem que saber limpar. E a carne dele \u00e9 muito boa. No Caribe, h\u00e1 muitas receitas com ele\u201d.<\/p>\n<p>Dependendo da quantidade de peixes que o Departamento de Biologia Marinha da UFF receber, as an\u00e1lises podem se estender por tr\u00eas a quatro meses. \u201cDepende do tempo em que o peixe vai chegar \u00e0s nossas m\u00e3os\u201d. Em termos de din\u00e2mica populacional, para se entender idade e reprodu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o demandados entre 30 at\u00e9 100 peixes. Para o estudo de DNA, ser\u00e3o necess\u00e1rios em torno de 20 peixes. \u201cA gente vai juntar esses peixes com os que est\u00e3o sendo capturados na costa norte do pa\u00eds, na foz do Amazonas, pescados pelo ICMBio e pescadores locais\u201d, disse o professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equipe do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) capturou neste m\u00eas peixes-le\u00f5es da esp\u00e9cie Pterois volitans, invasora e venenosa, que est\u00e3o congelados e ser\u00e3o encaminhados para an\u00e1lise gen\u00e9tica na Universidade Federal Fluminense (UFF). 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