{"id":267634,"date":"2021-08-29T14:57:31","date_gmt":"2021-08-29T17:57:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=267634"},"modified":"2021-08-29T14:57:31","modified_gmt":"2021-08-29T17:57:31","slug":"por-que-o-brasil-esta-a-um-passo-do-apagao-a-verdade-e-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/por-que-o-brasil-esta-a-um-passo-do-apagao-a-verdade-e-outra\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil est\u00e1 a um passo do apag\u00e3o? A verdade \u00e9 outra"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, quando trag\u00e9dias s\u00e3o vislumbradas no horizonte, al\u00e9m das demoradas medidas atenuantes, os dedos apontam v\u00e1rios culpados. Primeiro se tenta a estrat\u00e9gia do exagero (\u201c\u00e9 s\u00f3 uma gripezinha\u201d). Depois o rem\u00e9dio in\u00fatil (cloroquina) e, s\u00f3 quando j\u00e1 \u00e9 tarde (quase 600.000 mortos), o governo toma alguma provid\u00eancia.<br \/>\nUm racionamento grave, com probabilidade cada vez mais alta, \u00e9 tratado do mesmo modo. Primeiro, tentativas de negar o evento, e, culpando o consumidor, faz-se propaganda tentando nos convencer que somos esbanjadores. Apesar dos pre\u00e7os irris\u00f3rios cobrados pelas usinas da Eletrobras por motivo da MP 579, mesmo assim temos a tarifa vice-campe\u00e3 de carestia, como nos mostra a Ag\u00eancia Internacional de Energia. Com um consumo m\u00e9dio por domic\u00edlio de 170 kWh\/m\u00eas, agrava-se a injusti\u00e7a da empreitada.<\/p>\n<p>Em seguida, a informa\u00e7\u00e3o de que a atual crise hidrol\u00f3gica \u201c\u00e9 a pior em 91 anos\u201d, culpando S\u00e3o Pedro. Para apontar a mentira da frase basta consultar os dados hist\u00f3ricos das \u201cenergias naturais\u201d (aflu\u00eancias dos rios em unidades de energia em MW m\u00e9dios) do sistema sudeste e centro-oeste disponibilizados no ONS. Como se mostra abaixo, esse triste \u201ccampeonato\u201d precisa de um exame do VAR!<\/p>\n<p>Dados hist\u00f3ricos de energias naturais do per\u00edodo 1950 \u2013 1956 (7 anos seguidos), se ocorressem sobre o sistema de gera\u00e7\u00e3o atual, mostrariam uma situa\u00e7\u00e3o pior do que a \u201cin\u00e9dita\u201d crise h\u00eddrica 2014 \u2013 2020 (7 anos). A m\u00e9dia das energias naturais mensais de 1950 \u2013 1956 \u00e9 de 30.390 MW m\u00e9dios. A m\u00e9dia da crise atual \u00e9 35.149 MW m\u00e9dios, 15% mais alta do que a da d\u00e9cada de 1950. Em outras palavras, se ocorressem as aflu\u00eancias registradas no hist\u00f3rico, a situa\u00e7\u00e3o seria mais grave. O ano de 2021 pode at\u00e9 dar o campeonato de secura para a \u201ccrise in\u00e9dita\u201d, mas S\u00e3o Pedro continuar\u00e1 inocente.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o \u00e9 inocente mesmo \u00e9 a pr\u00f3pria sociedade brasileira que permitiu ou n\u00e3o sabia dos desmatamentos que alteraram os movimentos de umidade na atmosfera desse vasto territ\u00f3rio. N\u00e3o h\u00e1 mais como negar esse terr\u00edvel efeito planet\u00e1rio. Infelizmente, se nossos rios n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o caudalosos como antes, precisamos de mais usinas em outros rios ou novas fontes que n\u00e3o encare\u00e7am ainda mais nossa energia. Outro dedo acusador mira o ONS, mas, quem esvaziou reservat\u00f3rios foram usinas t\u00e9rmicas super caras que o operador evitou usar.<\/p>\n<p>De uma lista de 163 usinas hidroel\u00e9tricas que somam 109 GW de pot\u00eancia, apenas 8,5 GW se originaram de iniciativas privadas desde o in\u00edcio. Cerca de 60 GW ainda s\u00e3o estatais e o restante, ou s\u00e3o usinas existentes compradas de estatais, ou foram constru\u00eddas em parcerias com estatais. Nas termoel\u00e9tricas aconteceu o inverso. As estatais t\u00eam 29% e o setor privado os 71% restantes, sendo que esses investimentos ocorreram numa rea\u00e7\u00e3o atrasada ao racionamento e em 2008, quando ficou claro que o mercado livre (30% do consumo) n\u00e3o investia em expans\u00e3o da oferta.<\/p>\n<p>Como, desde 1995, a cren\u00e7a de que a economia depende apenas da pujan\u00e7a e independ\u00eancia do capital privado, essa decepcionante performance privada deveria acender um sinal de alerta. N\u00e3o bastasse essa p\u00edfia atua\u00e7\u00e3o, dados do BNDES mostram que, a pre\u00e7os de 2020, s\u00f3 o setor el\u00e9trico usou quase R$ 2 trilh\u00f5es de financiamento p\u00fablico!<\/p>\n<p>Voltando ao \u201ccampeonato\u201d de crise h\u00eddrica, a s\u00e9rie hist\u00f3rica que inclui o ano de 2001, o do racionamento, parece uma benfeitoria de S\u00e3o Pedro quando comparada ao nosso hist\u00f3rico da d\u00e9cada de 50. Com o an\u00fancio da privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, nem a estatal investia e nem o setor privado, pois aguardava comprar usinas prontas. Um d\u00e9ficit de adi\u00e7\u00e3o de nova capacidade desafiava um consumo que crescia a mais de 1.500 MW m\u00e9dios\/ano. Basta consultar os dados.<\/p>\n<p>Sendo assim, a privatiza\u00e7\u00e3o ou capitaliza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s \u00e9 um preocupante \u201cj\u00e1 vi esse filme\u201d! Quem consulta dados percebe que, na \u00faltima d\u00e9cada, praticamente 90% da expans\u00e3o hidroel\u00e9trica foi feita atrav\u00e9s das Participa\u00e7\u00f5es em Sociedades de Prop\u00f3sito Espec\u00edfico (SPEs) com grande sacrif\u00edcio da Eletrobras. As usinas Belo Monte, S. Antonio, Jirau, Teles Pires, Peixes, Serra do Fac\u00e3o, Baguari, Sinop, Retiro Baixo, Mau\u00e1, Tr\u00eas irm\u00e3os, Dardanelos e Foz do Chapec\u00f3 somam quase 17 GW. Seriam constru\u00eddas sem a Eletrobras? \u00c9 a esse capital privado que vamos entregar nosso futuro?<\/p>\n<p>Se quem l\u00ea ainda n\u00e3o se convenceu que o que falta \u00e9 investimento, alguns podem perguntar sobre e\u00f3licas e fotovoltaicas. A regi\u00e3o nordeste est\u00e1 nos dando uma li\u00e7\u00e3o, pois, incrivelmente, a regi\u00e3o mais seca do territ\u00f3rio est\u00e1 exportando MWh para o Norte e Sudeste. Vejam que o Rio S\u00e3o Francisco tamb\u00e9m sofre baixas aflu\u00eancias e, portanto, a energia exportada vem de vento e sol!<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 preciso lembrar que a fonte de energia que complementa rapidamente as intermit\u00eancias dessas novidades da eletricidade s\u00e3o as hidrel\u00e9tricas. Portanto, precisamos repensar projetos de usinas m\u00e9dias sem reservat\u00f3rio que possam ser oferecidas n\u00e3o como f\u00e1bricas de kWh, mas sim como solu\u00e7\u00f5es para outros usos da \u00e1gua. \u00c9 in\u00fatil imaginar que existam novos potenciais que acrescentem reserva suficiente para voltarmos a ter quase um ano de consumo guardados nas represas.<\/p>\n<p>O que \u00e9 raramente argumentado \u00e9 que as superf\u00edcies dos reservat\u00f3rios das usinas podem receber placas fotovoltaicas flutuantes. Por estarem perto da subesta\u00e7\u00e3o da usina, formam uma usina solar que j\u00e1 conta com a transmiss\u00e3o. Ali\u00e1s, essa gera\u00e7\u00e3o solar pode ser considerada um complemento da gera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria usina, que, evidentemente, economiza \u00e1gua durante o dia e compensa o p\u00f4r do sol \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Que tipo de avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1 sendo feita sobre esse imenso potencial de energia utilizando a fonte mais barata e mais promissora quanto a aumento da efici\u00eancia? O Brasil vai oferecer de gra\u00e7a superf\u00edcies ensolaradas?<\/p>\n<p>Faltam estrat\u00e9gias, energia e investimentos. Sobram acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, quando trag\u00e9dias s\u00e3o vislumbradas no horizonte, al\u00e9m das demoradas medidas atenuantes, os dedos apontam v\u00e1rios culpados. Primeiro se tenta a estrat\u00e9gia do exagero (\u201c\u00e9 s\u00f3 uma gripezinha\u201d). 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